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Offentlighedens opfattelse af kraftlinjer

A Capa desta edição 2019 de Veja traz como elemento visual principal o painel de uma aeronave e, ao fundo, uma ilustração reproduzindo a fachada do prédio da companhia TAM, com o qual houve a colisão. Trata-se nitidamente de uma montagem feita pela equipe de Arte da revista para ilustrar a perspectiva dos pilotos, no momento do acidente. A intenção parece ser a de convidar o leitor a integrar o cenário dramático do acidente.

O título principal da Capa faz alusão ao que pode ter ocorrido no interior da aeronave no momento do acidente, com a frase “Revelações das Caixas Pretas”, escrita em caixa alta, na cor branca, abaixo da cartola87 Voo 3054, escrita em fonte menor, na cor amarela. Logo abaixo do título principal, encontram-se os seguintes subtítulos, escritos em caixa baixa, na cor branca: “O comandante cometeu uma falha ao pousar”; “Não houve aquaplanagem”, Por que o avião não parou a tempo”. Em cor amarela e, também em caixa alta, ao pé da página, aparece o subtítulo “Mas se a pista de Congonhas fosse mais longa...”.

O título e os subtítulos desta Capa anunciam que a edição tem o seu foco nos problemas técnicos e humanos ocorridos, dando, assim, maior ênfase na responsabilidade da companhia. Entretanto, o último subtítulo, ao referir-se à pista do Aeroporto de Congonhas, faz novamente alusão aos problemas do setor aéreo, largamente mencionados na edição anterior.

      

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Cartola é um termo do jornalismo impresso usado para designar uma Editoria ou um Tema Especial

A Carta ao Leitor da edição 2019, intitulada “Uma modesta proposta”, faz referência à parte do texto da matéria principal que aborda a possibilidade de recorrer a consultorias externas para a busca de soluções para a crise aérea brasileira.

Em seu primeiro parágrafo, a Carta ao Leitor aborda a nomeação de Nelson Jobim, ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, à frente do Ministério da Defesa, em substituição à Waldir Pires, um dos destaques da edição. Parte do editorial aborda o papel de comando da crise, desempenhado por Jobim:

O novo ocupante da pasta, que terá sob sua responsabilidade tanto a Aeronáutica quanto a Infraero, reconheceu de pronto que havia falta de comando na gestão da crise e que era necessário agir rápido para acabar com ela. Jobim afirmou, também, que tinha recebido “carta branca” do Planalto para cumprir sua missão. O discurso forte de Jobim tenta eliminar a impressão generalizada – e compreensível – de que o governo, outra vez, ficará apenas no blábláblá. (Veja, 1º de agosto de 2007, p. 9).

Ainda neste mesmo primeiro parágrafo, Veja manifesta sua opinião em relação à mudança no Ministério. “Veja, evidentemente, torce para que o ministro tenha êxito. Só os mal-intencionados não gostariam de assistir ao seu sucesso na recuperação da segurança do sistema aéreo brasileiro” (Veja, 1º de agosto de 2007, p. 9). Com isso, o semanário apresenta um texto que abranda, de certa forma, as duras críticas feitas ao governo, na edição anterior.

No segundo parágrafo, a primeira frase já anuncia o tom propositivo da edição. “Veja, no entanto, se propõe a ir além da torcida. Quer dar uma contribuição, ainda que modesta. Ela está na reportagem que os leitores encontram na página 68 desta edição” (Veja, 1º de agosto de 2007, p. 9). A frase faz menção à matéria que trata sobre a possibilidade de consultoria externa para a crise aérea, já mencionada no título e que abordaremos a seguir. A Carta ao Leitor encerra-se com nova crítica ao governo e tom de chamamento.

É preciso analisar com frieza os problemas na malha aérea e na estrutura aeroportuária nacionais, a fim de que as soluções sejam visíveis quanto antes. Não há motivo, portanto, para que se elimine a possibilidade de contratar os serviços de profissionais estrangeiros. O nacionalismo, aqui, é apenas o refúgio dos irresponsáveis (Veja, 1º de agosto de 2007, p. 9).

A matéria principal, que inicia na página 58, tem como título “A tragédia, segundo as caixas-pretas”. Até a página 64, a matéria, assinada pelos jornalistas Márcio Aith, Fabio Portela e Julia Duailibi, aborda as possíveis falhas técnicas e humanas ocorridas no acidente. Na página 66, um novo texto, sob o título “Promiscuidade na ANAC”, assinado pelo jornalista Diego Escosteguy, aborda problemas administrativos na Agência Nacional da Aviação Civil. Em conclusão à matéria principal, na página 68, tem início um novo texto, sob o título “É hora de buscar uma consultoria”, assinado pela jornalista Rosana Zakabi, com reportagem de Duda Teixeira e Leonardo Coutinho. Os três textos têm enfoques diferentes, mas juntos formam um conjunto de novas informações sobre o acidente.

A matéria principal inicia com a foto de um avião, visto de frente, já na pista, publicada de forma espelhada. A fusilagem da aeronave reflete o fogo e os escombros do prédio, em montagem feita pela equipe de Arte da revista. A chamada da página 58 aponta para falha humana: “os investigadores já sabem que um erro cometido pelo comandante do Airbus da TAM impediu o avião de desacelerar o suficiente ao pousar”. Porém, seu complemento, volta a responsabilizar o Estado: “Mas o comprimento da pista, curta demais, e a falta de uma área de escape foram decisivos para que o acidente produzisse tantas mortes”.

Nas páginas 60 e 61, são publicadas as fotos do interior do prédio atingido, do co-piloto e do comandante da aeronave e das caixas-pretas do Airbus A320. O texto inicia reforçando o erro humano, explica o procedimento equivocado do comandante que impediu a frenagem completa do avião, a partir de informações obtidas por meio da análise das caixas-pretas, traz a conclusão de que não houve aquaplanagem, apoiada em evidências. O texto também inicia comparação com outros acidentes de circunstâncias semelhantes,

ocorridos em 1998, na Filipinas, e em 2004, em Taiwan, com duas aeronaves do mesmo modelo Airbus, sem o mesmo final traumático.

Nas página 62 e 63, o texto é interrompido por um conjunto de esquemas ilustrativos, tendo como título “Tudo começou na cabine”. Uma das ilustrações mostra o interior da cabine de uma aeronave, a mesma imagem utilizada na capa, aqui legendada com a explicação de cada um dos itens de controle. À direita é reproduzida uma imagem específica dos manetes da aeronave, ladeada pela explicação sobre o erro do comandante. No rodapé das páginas 62 e 63, de forma espelhada, sob o título “A Aterrisagem do Airbus da TAM em Congonhas”, uma terceira ilustração mostra a trajetória da aeronave da pista, em direção ao prédio da companhia.

Na página 64, são publicadas as fotos dos acidentes, ocorridos nas Filipinas e Taiwan. O texto prossegue a comparação entre os três acidentes. Trecho final, entretanto, reproduz os diálogos gravados nos acidentes anteriore e reitera que o desfecho poderia ser diferente se a pista de Congonhas fosse maior, novamente, responsabilizando o governo pelo acidente.

Os diálogos gravados mostram o momento em que o piloto pousa e percebe que não consegue parar. [...] O avião pára. A partir daí, as frases registradas pela caixa-preta, embora ainda tensas, são cheias de alívio. O piloto pede à torre ajuda do pessoal de terra e um tripulante dirige-se ao microfone para falar aos passageiros. Informa que o avião saiu da pista, pede desculpas pelo susto e diz que a situação é segura agora. Em Congonhas, os 187 ocupantes do Airbus A320 da TAM e as doze vítimas em solo não tiveram chance. A pista do aeroporto paulistano não deixa margem para nenhum tipo de erro. É o cenário ideal para as tragédias. (Veja, 1º de agosto de 2007, p. 64).

Nas páginas 66 e 67, sob o título “Promiscuidade na ANAC”, o texto repercute a demissão do ministro da Defesa, Waldir Pires, e a nomeação em seu lugar do advogado Nelson Jobim, ex-presidente do Supremo Tribunal Federal. O texto enfatiza que “o novo ministro foi empossado com a tarefa de colocar em ordem um setor que se transformou nos últimos tempos numa gigantesca baderna”. Nas páginas, são publicadas fotos de Jobim em visita ao

cenário do acidente, obras de grooving na pista de Congonhas, e dos diretores da ANAC, sob a legenda “Ligações Populares”.

O texto recupera que o governo resistiu dez meses e duas tragédias (o acidente da Gol, já mencionado neste estudo, e o acidente da TAM) até admitir que havia uma crise aérea sem precedentes, critica os atrasos, filas e cancelamentos de voos que tornaram-se rotina nos aeroportos. “O governo assistia a tudo isso impassível até o acidente em Congonhas”, menciona.

Entretanto, são as críticas à Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC) o ponto forte do texto, com críticas diretas aos diretores da entidade Denise Abreu, Josef Barat e Leur Lomanto. E, neste momento do texto, a TAM é citada por Veja como parte integrante de uma rede de tráfico de influências:

[...] O que se viu até hoje foram uma intransigente leniência com as empresas aéreas e o mais completo descaso com os passageiros. A suspeita é que isso não ocorra apenas pela incompetência de seus diretores. Um deles, Denise Abreu, que foi indicada pelo cargo pelo ex- deputado José Dirceu, contou com o lobby da TAM para ter seu nome aprovado no Senado. É possível entender por quê. O irmão de Denise, o advogado Olten Ayres de Abreu Júnior, presta serviços à companhia. Ele mora em Genebra, na Suíça, e dá consultoria a empresas brasileiras com interesses comerciais na Europa. (Veja, 1º de agosto de 2007, p. 66).

As críticas foram rebatidas pela TAM e por seu advogado e citadas ao longo do texto:

Alegando sigilo profissional, Olten não quis dar detalhes sobre seus contratos com a companhia aérea. Em nota, Denise Abreu limitou-se a afirmar que “desconhece” os clientes do irmão. A TAM explica que contratou os serviços do advogado muito antes da ANAC existir. (Veja, 1º de agosto de 2007, p. 66).

[...] O caso do diretor Josef Baraf é ainda mais emblemático. Ele tem uma empresa, Planam Consult, que já prestou consultoria para a TAM e teve contrato com o grupo que controla a GOL. Em nota, Barat garante que deixou o comando da Planam assim que entrou na ANAC e que a empresa não recebe mais nem um tostão da TAM. Até a última sexta-feira, o site da Planam ainda listava a TAM como cliente. (Veja, 1º de agosto de 2007, p. 67).

Nas páginas 68 e 69, sob o título “É hora de buscar uma consultoria”, a revista propões que órgãos e empresas internacionais especializados em resolver crises aéreas podem ser a solução para desatar os nós da aviação no Brasil.

As páginas mostram imagem do saguão vazio e dos atendentes do check

in das companhias inoperantes, em Congonhas, após o cancelamento de muitos

voos neste aeroporto, após o dia 25 de julho, em atendimento à medida governamental.

Logo abaixo do texto, uma tabela, publicada de forma espelhada, mostra exemplos de países que recorreram a consultorias externas para melhorar seus sistemas aéreos. São listados os exemplos da Suíça, Taiwan, Estônia, Ucrânia, India, Ruanda, Costa Rica, Jordânia e China. O semanário sistematizou informações sobre o período, a consultoria contratada, o objetivo, as medidas adotadas e o custo investido em cada País.

O texto referente ao título “É hora de buscar uma consultoria” tem continuidade nas páginas 70 e 71, com foto do aeroporto de Zurique, na Suíça e coluna explicativa sobre o controle aéreo no mundo, citando os exemplos do Brasil, Estados Unidos, América Central, Itália e Inglaterra. Um box, à direita, sob o título “Apagão na Amazônia”, recupera informação sobre curto-circuito ocorrido em 21 de julho, no Cindacta 4, braço do controle de voos do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), quatro dias após o acidente da TAM.