• No results found

Meningspåvirkning i forhold til kraftlinjen

6.3 Kraftlinjen Ørskog-Fardal

6.3.6 Meningspåvirkning i forhold til kraftlinjen

A partir das evidências levantadas nas etapas de Análise Sócio-Histórica e de Análise Discursiva, é hora de propormos uma Interpretação/Reinterpretação que sintetize esta primeira semana da Crise, a partir da edição 2116 de Veja.

O contexto sócio-histórico parece ter contribuído nas opções jornalísticas realizadas por Veja, nesta edição, dando ao acidente com o voo AF 447 o status de fatalidade. A ampla cobertura midiática do acidente, não somente em Veja,

mas em outros veículos impressos e eletrônicos, buscando explicações para o estranho acidente, confirma o tom fatalístico desta crise.

Recordamos98 que, nas primeiras horas do dia posterior ao acidente, bem cedo, pela manhã, ao acompanharmos a Mídia, a expressão utilizada para referir-se ao ocorrido era “desaparecimento de aeronave da Air France”. Como o avião havia deixado de se comunicar com as torres de comando, há algumas horas, ainda não era possível confirmar o acidente, embora já havia fortes indícios de que uma tragédia havia ocorrido. Nos dias seguintes, a tragédia se confirmou e, quando esta edição de Veja foi publicada, já começavam as buscas por destroços da aeronave e resgates de corpos.

Assim, podemos dizer que a tragédia foi cercada de um mistério que perdurou por dias. Ainda não havia, nesta primeira semana, materialização do acidente, com resgate de destroços ou corpos. Entretanto, fortes indícios apontavam para seu desaparecimento em alto mar.

Diferentes versões para as prováveis causas do acidente foram levantadas: a possibilidade da aeronave ter enfrentado uma tempestade de grandes proporções no meio do Atlântico e falhas na tecnologia a bordo foram os principais tópicos levantados. Estas causas prováveis tiveram no Mito da Quantificação do Real, ancoragem importante nesta edição, pois foram trazidas estatísticas e comparativos com outros acidentes das mesmas características.

No aspecto semiológico, o Socioleto retratado parece ser de natureza Acrática, relacionando o acidente a um “espetáculo de enredo trágico”, ao adotar termos que reforçam esta ideia, relacionados a elementos do mundo teatral, reforçados no uso de expressões como “um acidente em cinco atos”, “enredo”, “personagens”.

As fotografias, títulos e textos desta edição reiteram tais aspectos. Como não havia uma grande quantidade de imagens referentes ao acidente para divulgar - tendo em vista a revista ter sido publicada na semana em que as buscas no Oceano estavam iniciando – Veja optou por uma edição ilustrativa,

      

98

usando, principalmente, o recurso de infográficos. Do ponto de vista textual, o veículo optou por linguagem metafórica com referência

A Air France é mencionada e retratada de várias formas: na marca reproduzida nas aeronaves, nas ilustrações publicadas; nas referências no texto e nas fotos dos cultos ecumênicos realizados no Brasil e na França, onde aparecem, inclusive, funcionárias com o uniforme da empresa. A companhia também é mencionada no box sobre os personagens envolvidos, em referência ao anúncio feito de que os tubos de Pitot seriam trocados de todas as aeronaves.

Acreditamos que a abordagem editorial de Veja, nesta edição 2116, confirmou uma Crise do Mundo Físico e Tecnológico (LERBINGER, 1997) associada, também, a uma Crise Empresarial com a Opinião Pública (NEVES, 2002), porém, com muito mais ênfase na primeira tipologia de Crise.

Podemos dizer que, de certa forma, os aspectos acima listados auxiliaram na preservação de uma Imagem positiva da Air France, pois não associaram o acidente, diretamente, à falha da companhia. Trazendo à tona o aspecto espetacular do acidente, a cobertura desta primeira edição de Veja após o acidente com o voo AF 447 minimizou, em parte, a Crise Empresarial com a Opinião Pública, diferentemente da cobertura da TAM, que maximizou esta abordagem, dando à Crise contornos, também, políticos.

É importante reconhecermos que a Crise Empresarial aparece nas páginas de Veja. Entretanto, ela se apresenta, principalmente, nos aspectos de gestão da crise pela empresa. Não são feitas insinuações de gerenciamento inadequado, a revista limita-se a cobrir as ações feitas pela empresa após o acidente.

Do ponto de vista da fonte, observamos, por parte da Air France, o zelo à Marca, em todas as ações realizadas, meticulosamente, pela empresa nos dias que se sucederam ao acidente. Isso parece estar relacionado, diretamente, à categoria a posteriori Imagem de Marca (AAKER, 1998). Podemos perceber os cuidados adotados pela companhia, na tentativa de fazer com que a Opinião Pública não estabeleça associações negativas com a Marca.

Como vimos no Capítulo 1 deste estudo, um grande grupo de pessoas foram encarregadas de gerenciar a Crise da Air France, sob a coordenação da empresa Edelman. Conforme blog de Ronald Mincheff99, presidente da Edelman do Brasil, a principal preocupação foi com a circulação da informação oficial da Air France, com agilidade, respeitando a privacidade dos familiares e o tempo necessário para as investigações. Uma equipe, segundo o executivo, esteve dedicada a atender a imprensa, esclarecendo dúvidas e questionamentos.

Ainda segundo Mincheff (2009), os comunicados oficiais foram disponibilizados sempre que algo importante precisava ser divulgado. Isto manteve a imprensa e a população informadas de tudo o que aconteceu. Os comunicados da Air France foram disponibilizados através do website e do

Twitter da Edelman e do website da Air France. A agência monitorou blogs e

comunidades, a fim de minimizar a disseminação de informações erradas.

Com um gerenciamento adequado das informações referentes à Crise, por parte da companhia, notamos que a cobertura de Veja reforçou, assim, o aspecto de um acidente, de caráter imprevisível, que colocou em cheque uma moderna tecnologia utilizada nas aeronaves que voam sobre o Atlântico. Outro aspecto enfocado é que sua investigação permitiria correções que beneficiariam a aviação internacional como um todo. Não percebemos, como no caso anterior, busca de culpados, ou, pelo menos, isso não é visível nesta primeira semana de repercussão.

Na segunda semana após o acidente, conforme veremos a seguir, o resgate de corpos e a localização de destroços da aeronave trazem novos matizes à cobertura de Veja, permitindo ampliar nossa Análise.

      

99

Fonte: Edelman. Disponível em: <http://www.edelman.com.br/quem_somos.asp>. Acesso em: 13