Após a aprovação da constituição, em janeiro, eleições presidenciais foram convocadas para maio de 2014
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O general Abdel Fattah el-Sisi, líder das forças armadas responsáveis por terem destituído o ex-presidente Morsi, foi eleito com 97% dos votos.
El-Sisi iniciou seu mandato com poder quase que irrestrito, visto que o parlamento também havia sido dissolvido em 2013, e aproveitou-se do espaço para abusar da repressão.
316O governo de el-Sisi não é apenas moderadamente autoritário
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Logo de início, os militares restringiram os direitos de associação e de contestação.
Eleições parlamentares deveriam ter sido marcadas para 2014, mas só aconteceram em dezembro de 2015, período durante o qual o presidente governou por decretos.
Sob intensas críticas e pedidos de boicote da oposição, a taxa de comparecimento eleitoral foi de apenas 10%.
317 Um grande número de membros da Irmandade Muçulmana foipreso, incluindo quase todos os líderes da organização
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Estima-se que, entre a queda de Morsi e o início de 2016, cerca de 40 mil pessoas foram presas por motivos315 OBAMA, 2013.
316 HASSAN, 2015, p. 151-152.
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políticos
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318 Além disso, vários casos criminais ao longo de 2014 e 2015 foramcaracterizados por graves violações do processo legal e alto grau de politiz ação do sistema judiciário, que resultaram em punições aos inimigos do governo
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Em apenas três julgamentos, 1400 supostos islamistas foram condenados à morte (posteriormente, a maioria conseguiu reverter a pena para prisão perpétua).
319Regionalmente, o advento de el-Sisi foi bem recebido pela Arábia Saudita e pela Síria
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Arábia Saudita, Emirados Árabes e Jordânia sentiram-se estrategicamente aliviados porque seus monarcas viviam sob constante tensão, imaginando a possibilidade de a Revolução Egípcia se espalhar pela região como havia acontecido com a Revolução Iraniana, em 1979.
320 Na definição de sua política externa, o presidente el-Sisi concedeu prioridade ao Exército, comentando que o ―Army is the pillar and backbone of the state.
It is a beautiful and respected institution and nothing called oversight over the military and criticism of the army hurts the interest of the country‖.
321 Assim, definiu-se que a política externa egípcia seria determinada portrês fatores domésticos e regionais: ideologia islâmica, preocupações geoestratégicas e bem-estar econômico
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Os fatores ideológicos eram guiados pela guerra anti-islamista do regime, tanto interna quanto externamente
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A securitização da oposição política em nome da guerra contra a Irmandade Muçulmana e o Hamas serviu como um estratagema para retardar a democratização doméstica e para conquistar o apoio dos países do CCG que também eram alvos da ameaça islamista.
322 Sua guerra ideológica contra forçasradicais o levou para além das fronteiras quando a força aérea egípcia bombardeou alvos do Estado Islâmico na Líbia depois de um episódio no qual 21 cristãos coptas do Egito foram assassinados
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O apoio aberto à coalizão do Coronel Haftar na Líbia 318 LINDSEY, 2016. 319 O'GRADY, 2016. 320 MERINGOLO, 2005. 321 SIDDIQUI, 2016, p. 10. 322 SIDDIQUI, 2016, p.10-12.165
também pode ser visto como uma extensão da questão ideológica na política externa de el-Sisi
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323Os fatores geoestratégicos determinando a política externa são influenciados pela busca de novas alianças para o combate dos islamistas domesticamente
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O aliado regional mais importante que o Egito poderia ter seria o CCG, particularmente Arábia Saudita, Emirados Árabe e Kuwait.
Em um retorno à lógica de Mubarak de equilíbrio regional, el-Sisi posicionou-se diante destes países como a maior resistência contra as influências de Irã, Hezbollah e Hamas na região.
Entretanto, a proximidade dos laços entre Egito e Israel é o sinal geoestratégico mais claro da política externa egípcia.
Os dois países têm se aproximado no combate ao terrorismo e no compartilhamento de inteligência nas áreas de fronteira.
Israel, que também se preocupa com a expansão do radicalismo islamista na região, não apenas apoiou a derrubada de Morsi como fez campanha na Europa por apoio ao governo de el-Sisi.
O aumento da cooperação entre os dois países pode ser visto nos esforços egípcios para que outros não usurpem seu papel regional na resolução da crise palestina.
324Problemas econômicos, derivados em grande parte da instabilidade política dos últimos anos, também têm sido decisivos na definição da política externa e na formação de alianças
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325 Após ser eleito, el-Sisi anunciou que promoveria a democratização do país apenas quando o PIB atingisse cinco bilhões de dólares, além de prometer dobrar o PIB em dois anos, o que implica em uma impossível taxa de crescimento anual de 50%.
Atualmente, a taxa de desemprego entre os jovens ainda é de 40% e os déficits no balanço de pagamentos giram em torno dos 10%.
326 Odeclínio do preço do petróleo e a ineficiência burocrática do Canal de Suez também contribuem para piorar a situação
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Os necessários empréstimos, doações e investimentos externos poderiam ser buscados pela formação de novas alianças.
De323 HASSAN, 2015, p. 167. 324 SIDDIQUI, op. cit., p.13-15. 325 BROWN, 2015, p. 26-29. 326 SIDDIQUI, 2016, p. 15-16.
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fato foi o que el-Sisi fez
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Segundo a revista The Economist, os países aliados do CCG ofereceram a el-Sisi 25 bilhões de dólares nos dois primeiros anos de governo.
327 Em troca, o Egito cooperou militar e diplomaticamente nas intervenções sauditas no Iêmen e juntou-se à Aliança Militar Islâmica, criada por iniciativa saudita.
O Egito continua recebendo cerca de 1,5 bilhão de dólares por ano dos Estados Unidos desde a assinatura dos tratados de Camp David, em 1979
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A maior parte do auxílio vai para os militares.
O programa de assistência econômica e militar havia sido parcialmente suspenso em outubro de 2013, ainda sob o regime de Mansour, e foi reiniciado aos poucos a partir de abril de 2014, voltando a seus níveis normais em março de 2015.
328 De maneira geral, a cooperação básica de segurança entre o Egito e os Estados Unidos manteve-se contínua.
Em viagem ao Egito, o Secretário de Estado John Kerry tentou suavizar a percepção de ações punitivas pelos Estados Unidos na questão da ajuda, dizendo que ―[s]o this aid issue is a very small issue between us, and the Government of Egypt, I think, has handled it very thoughtfully and sensitively‖.
A administração Obama logo percebeu que o governo de el-Sisi era um fato sobre o qual pouco poderia ser feito, decidindo portanto mudar o foco das questões domésticas para problemas regionais de segurança em seu relacionamento com o Egito, como o combate ao Estado Islâmico, a estabilidade na região do Sinai e a resolução do conflito Israel-Palestina
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De fato, desde a derrubada de Morsi, jihadistas deram início a uma insurgência contra a polícia e as forças armadas na região do Sinai
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A maior parte dos ataques, que já mataram centenas de policiais e soldados, foi realizada pelo grupo ―Província de Sinai‖, o braço egípcio do Estado Islâmico.
329 O grupo também já afirmou ter sidoresponsável por atentados maiores, como a tentativa de assassinato do ministro do
327 ―Egypt Reaches a Deal with IMF‖, 2016.
328 ―Obama restores US military aid to Egypt over Islamic State concerns‖, 2015. 329 ―Head of Isis in Egypt killed by security forces‖, 2016.
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interior do Egito, em novembro de 2015, e a derrubada do avião russo Metrojet Flight 9268, que carregava 224 passageiros entre Sharm el-Sheik e São Petesburgo, em 31 de outubro de 2015
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O combate ao terrorismo na Península do Sinai é, entretanto, complexo, já que, desde os acordos de Camp David, o Egito pode posicionar apenas um número limitado de tropas na região, dependendo de acordo israelense para quaisquer alterações.
330No contexto da Operation Inherent Resolve, contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria, o combate ao terrorismo tem se tornado o tema de convergência de interesses entre os americanos e egípcios
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Por décadas, os Estados Unidos financiaram a compra de equipamentos militares pelo Egito, mas o país ainda não parece preparado para enfrentar a ameaça terrorista.
Por este motivo, o governo Obama propôs que o programa de assistência militar passasse a priorizar ―counterterrorism, border security, Sinai security, and maritime security‖.
331 El-Sisinem sempre esteve satisfeito com as condicionalidades políticas ou a suspensão do programa de assistência militar e, de fato, buscou acordos de compra de armamentos com a França e com a Rússia durante a suspensão