Esse capítulo analisou três períodos distintos de transição de regime no Egito contemporâneo:
(a) A liberalização política e o realinhamento de política externa positivo com os Estados Unidos guiados por Sadat, na segunda metade da década de 1970; (b) A liberalização política e o realinhamento de política externa negativo com os
Estados Unidos que marca a ascenção da Irmandade Muçulmana ao poder, entre 2005 e 2012;
(c) A autocratização e o realinhamento de política externa positivo com os Estados Unidos após o golpe militar e a eleição de el-Sisi, em 2014
.
Primeiramente, argumenta-se que o não apoio americano ao regime de Nasser proveu tanto os incentivos (no sentido de benefícios econômicos e estratégicos advindos do alinhamento com os Estados Unidos) quanto um ambiente político permissivo na década de 1970, no qual Sadat conseguiu realinhar de forma dramática as preferências de política externa do Egito com as dos Estados Unidos
.
As políticas e retóricas nacionalistas de Sadat estavam diretamente relacionadas ao processo de realinhamento externo com os Estados Unidos.
É de fácil observação nos dados dos programas de ajuda externa (Figura 13) e venda de armamentos (Tabela 6 nos anexos)170
que a relação americana com Nasser era completamente diferente da com Sadat
.
Nixon e Carter viajaram ao Egito 4 vezes, mandaram seus seretários de Estado 25 vezes e receram Sadat ou seus ministros 9 vezes em uma década (Tabela 7, 8 e 9 nos anexos).
O reformismo de Sadat também é identificável na mudança de direção dos pontos ideais de preferência de política externa, que assumem uma tendência crescente durante toda a década de 1970 (Figura 14).
Esse primeiro caso é, então, contrastado com o período de liberalização subsequente iniciado com as eleições parlamentares de 2005 e que marca a ascensão da Irmandade Muçulmana até a eleição de Morsi, em 2012
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Nesse período, o legado de apoio dos Estados Unidos ao regime de Mubarak alimentou sentimentos antiamericanos que resultaram em grandes vitórias eleitorais para a Irmandade Muçulmana.
O resultado foi um distanciamento dos Estados Unidos e uma tendência de afastamento na curva das preferências de política externa (figura 1 4).
Enquanto a liberalização sem apoio americano anterior ao regime autoritário conduziu ao auge das relações Egito-Estados Unidos durante o governo de Sadat, a combinação de liberalização com o apoio ao regime de Mubarak levou a uma deterioração das relações bilaterais (preferências de política externa), embora o apoio americano ao regime tenha se mantido econômica, militar e diplomaticamente.
Por último, começando em 2013, o período compreende o golpe de Estado que derrubou Morsi do poder e a eleição de Abdel el-Sisi, em 2014
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Aqui acontece uma transição autocratizante que parte de uma situação de afastamento dos Estados Unidos e, apesar de ainda recente, indica a vontade de retorno ao relacionamento anterior.
O apoio americano foi temporariamente suspenso, mas já retomado e, para as preferências de política externa ainda seria necessário aguardar um período maior de desenvolvimento do regime para identificar seu padrão de comportamento (no caso, votos na AGNU).
Tomadas em conjunto, as três transições parecem indicar um parecer favorável ao argumento desenvolvido neste trabalho
.
Os indicadores se mostraram bastantes sensíveis às variações de regime, de relacionamento com os Estados Unidos e de171
preferências de política externa
.
Confirmados pelas evidências históricas e pelo process tracing, indicam bom nível de confiança e validade.
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CAPÍTULO 4: DO REALINHAMENTO MODERNIZANTE AO
ISLAMISMO POLÍTICO – O RELACIONAMENTO IRÃ-ESTADOS
UNIDOS
When anyone studies a little or pays a little attention to the rules of Islamic government, Islamic politics, Islamic society and Islamic economy he will realize that Islam is a very political religion. Anyone who will say that religion is separate from politics is a fool; he does not know Islam or politics.
Grand Ayatollah Sayyid Ruhollah Mūsavi Khomeini, Tahrīr al- Wasīla, vol. 1.
Dois períodos recentes de liberalização política na história moderna do Irã compartilham dinâmicas similares àquelas do Egito, nas quais o legado do apoio americano ao regime autoritário anterior, ou a falta deste, condicionou o impacto da transição de regime no realinhamento da política externa
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O Xá do Irã foi um dos aliados mais importantes dos Estados Unidos no mundo em desenvolvimento no pós- Segunda Guerra Mundial, e o colapso de seu regime levou ao início de uma revolução, em 1979, que prejudicou as relações do Irã com os Estados Unidos por décadas.
Aiatolá Khomeini, o vitorioso político da revolução, conseguiu de maneira bem-sucedida explorar o legado do apoio americano ao Xá ao empregar estratégias antiamericanistas de externalização e diversionismo para sabotar e enfraquecer seus adversários políticos.
Durante a era subsequente de liberalização, que começou na segunda metade da década de 1990, contudo, os sentimentos negativos contra os Estados Unidos pareciam haver passado
.
A elite conservadora, apesar de inúmeras tentativas, não foi capaz de explorar o antiamericanismo nem durante as eleições presidenciais de 1997, nem nas eleições parlamentares subsequentes.
Foi assim que o candidato moderado Mohammad Khatami conseguiu construir apoio popular ao fundir os interesses nacionais iranianos com uma abertura do país para o Ocidente.
Nesse processo, ele conseguiu quebrar as amarras do antiamericanismo e remover o Irã do isolamento internacional em que se encontrava.
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A partir de 2005, no entanto, uma transição de regime diferente aconteceu
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Com o auxílio de Khamenei e dos conservadores, um movimento neoconservador emergiu conquistando apoio popular com discursos contra a integração com o Ocidente proposta pelos reformistas.
A ascensão desse grupo, marcada pela eleição de Mahmoud Ahmadinejad, aconteceu definindo um contexo de reautocratização e afastamento das preferêcias de política externa dos Estados Unidos.
Este capítulo investiga em detalhes estes eventos, rastreando os processos que conduziram os realinhamentos de política externa