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Obstructive Sleep Apnea Syndrome

O argumento apresentado na análise do caso da liberalização política egípcia entre 2005 e 2012 foi o de que a combinação entre a liberalização política e o apoio americano ao governo de Mubarak impediu que a transição de regime produzisse um alinhamento da política externa egípcia de maior aproximação aos Estados Unidos

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Embora não apontem para uma tendência constante, os indicadores de características do regime, do Polity IV (Figura 1), e dos pontos ideais de preferências de política externa mostram que no período congrega liberalização e realinhamento externo negativo com os Estados Unidos (Figura 14), embora o apoio econômico, militar e diplomático americano tenha continuado sem grandes perturbações ao longo do período (Figura 13 e tabelas 6, 7 e 8, nos anexos)

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O principal partido de oposição do Egito, que acabou chegando ao poder sete anos mais tarde, a Irmandade Muçulmana, não só possuía preferências antiamericanas, como usou estratégias de antiamericanismo para enfraquecer o regime de Mubarak

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Em resposta, Mubarak tentou se distanciar dos Estados Unidos como maneira de enfrentar esse desafio

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político e de manter a legitimidade de seu governo

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Morsi não conseguiu implementar uma política externa revolucionária, tampouco agiu em aproximação aos Estados Unidos, mantendo o relacionamento em um tom de desconfiança

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Um argumento diferente merece ser avaliado: as políticas da administração Bush e o crescimento do islamismo político no mundo muçulmano podem ter determinado o estado negativo do relacionamento entre os Estados Unidos e o Egito a partir da segunda metade da década de 2000

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Nesse raciocínio, a predileção pelo antiamericanismo da Irmandade Muçulmana e o afastamento de Mubarak dos Estados Unidos seriam independentes do legado do apoio americano anterior e do processo de liberalização política no Egito

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Essa é uma variante simplificada do argumento de Huntington sobre o choque de civilizações, mas fundamenta-se em contradições intrínsecas à identidade civilizacional

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Assim como a Guerra Fria teve seu impacto nos conflitos intercivilizacionais, também poderia tê-lo tido a Guerra ao Terror, mas em sentido contrário, inflamando as disputas entre a civilização islâmica e a ocidental

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De fato, discursos e protestos contra o Ocidente, não apenas contra os Estados Unidos, são percebidos nas ações da oposição egípcia, mas este argumento, entretanto, pode ser contestado, por um lado, pela incapacidade do governo Morsi de definir uma política externa para o Egito mais fortemente baseada nos preceitos ideológicos da Irmandade Muçulmana

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Por outro lado, aceitando-se a premissa de que Morsi seria dependente da ajuda externa americana (embora essa opção não tenha detido Khomeini no Irã) ou que estivesse mais preocupado com a conclusão da transição política doméstica que com o alinhamento externo do país, é possível verificar as posições assumidas pela Irmandade Muçulmana e suas organizações em outros países árabes durante o mesmo período

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Vale notar que a Irmandade Muçulmana não é uma organização única e hierárquica em todos os países

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Os objetivos e as preferências políticas de diferentes movimentos locais e nacionais refletem suas respectivas histórias e suas realidades

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políticas

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300 Como explicado por Adeed Dawisha, ―there is no ideologically and/or

organizationally united radical movement, no tightly controlled radical conspiracy, no coherent or cohesive radical brotherhood‖

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301 Como exemplo, enquanto a Irmandade

Muçulmana no Egito aumentava sua oposição ao americanismo de Mubarak, a Irmandade Muçulmana na Síria aliou-se ao ex-vice-presidente Abdel Halim Khaddam, contra o regime de Assad

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A diferença é que, na Síria, eles formam um grupo composto por ex-membros do Partido Baath e por liberais pró-Ocidente

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Como parte da Frente de Salvação Nacional, que chegou a estabelecer um governo sírio no exílio sob o comando de Khaddam, o grupo emitiu várias críticas ao governo de Assad e até ao Hezbollah, por ter dado início à Segunda Guerra do Líbano em 2006, contrário à posição da Irmandade Muçulmana no Egito

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Deve-se notar que, embora o Hezbollah seja xiita e a Irmandade Muçulmana sunita, são raros os precedentes de críticas oficiais a qualquer grupo árabe engajado em conflito com Israel

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As atitudes da Irmandade Muçulmana em relação aos Estados Unidos também são confusas

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Alguns grupos islamistas, como destaca Parker, ―are quick to maintain that there is no inherent reason why their movement should harm American inter ests in any way

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Others are openly hostile and see a destruction of U

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S

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influence in the region as a priority goal‖

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302 Sem o legado de apoio dos Estados Unidos ao regime de

Assad, a Irmandade Muçulmana da Síria não tinha nem preferências políticas antiamericanas, nem utilidade para estratégias antiamericanas de externalização que definiram sua contraparte egípcia

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Em um mapeamento extensivo da Irmandade Muçulmana pelos países islâmicos, Leiken e Brooke notam que

[t]he national branches also have divergent views of the United States. In Egypt and Jordan, even as it has considered a partnership with Washington against ‗autocracy and terrorism,‘ the Brotherhood, driven partly by electoral concerns, has harshly criticized the United States. The Syrian Brotherhood, meanwhile, keenly supports the Bush administration‘s efforts to isolate the Assad regime; the kind of

300 LEIKIN; BROOKE, 2007. 301 DAWISHA, 1986, p. 131. 302 PARKER, 1988, p. 55.

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inflammatory anti-U.S. statements typical in Jordan and Egypt are rare in Syria.303

Assim, ainda que a Guerra no Iraque e a emergência do islamismo polít ico possam explicar a tendência geral de crescimento do antiamericanismo na região, eles não explicam a grande divergência na maneira pela qual os movimentos da Irmandade Muçulmana têm definido suas políticas e sua retórica frente aos Estados Unidos

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Ao invés disso, parece ter sido o legado do apoio americano aos regimes da região a determinar as preferências da Irmandade Muçulmana egípcia, a estruturar suas estratégias de ação política e a forçar o regime de Mubarak a se distanciar dos Estados Unidos

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Em países nos quais os Estados Unidos são identificados como próximos ao governo autoritário, ―anti-regime attitudes among the Islamists will inevitably take on an anti-American coloration‖

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304 O efeito coletivo desses fatores no

Egito foi a convergência no resultado que a transição de regime liberalizante iniciada em 2005 não levou a um realinhamento de política externa positivo com os Estados Unidos

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