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Trysil og Tydal: Friluftsliv og reiseliv

Os passos do tempo musical para a concepção urbanística necessita atrever-se tam- bém a medir o tempo sobre o espaço (...) A construção da cidade ou de parte da cida- de combina ao longo do tempo as distintas operações sobre o solo e a ediicação e, a complexidade de seu resultado não é somente repetição de tipos ou justaposição de tecidos, senão que expressa o processo encadeado em que as formas e os momen- tos construtivos se sucedem com ritmos próprios.

(MORALES, 1997, grifo da autora)

Para compreender a forma urbana de Heliópolis, é necessário entender o processo histórico de sua ocupação e a relação com o bairro do Ipiranga.

Conforme Morales (1997), a construção da cidade ou de parte dela combina distintas operações sobre o solo e a ediicação.

No assentamento precário, embora esta combinação exista, o que predomina é a construção das ediicações com um parcelamento distinto das regulações oiciais – legais, sem a preocu- pação com a infraestrutura e o viário.

No caso especíico de Heliópolis, a sua formação e evolução associam-se diretamente à ocu- pação do bairro do Ipiranga. No entanto, a ocupação induzida a partir de políticas públicas equi- vocadas – caso das Vilas Provisórias – e o descaso do poder público ao longo de vários anos contribuíram para sua expansão e consolidação.

Dentre as áreas distintas da favela existem diferentes níveis de consolidação dos espaços, se- melhante ao que Morales (1997) considera “barracas espanholas”, modelo no qual a ediicação é o ponto focal em que as formas e os momentos construtivos se sucedem com ritmos próprios. Relacionando o diagrama do autor (id.) com as favelas (iguras 3.1 e 3.2) veremos a similarida- de intrínseca ao conceito da ediicação com parcelamento próprio, a despeito da urbanização.

Figura 3.1 Esquerda: Diagrama de Morales para as Barracas – favelas ou invasões Fonte: Recorte do Livro de Morales: Las Formas Del Crecimiento Urbano - 1997

Figura 3.2 Direita: Trecho da Gleba K, miolos de quadra e a inacessibilidade. Ediicação obstruindo acessos. Fonte: Plano Urbanístico Heliópolis – HABI-G/ SEHAB, 2010

A partir das fotos aéreas e desenhos a seguir, organizados de maneira cronológica entre os anos 1940 e 2009, buscaremos entender as especiicidades da forma de Heliópolis em com- paração com o bairro.

O bairro do Ipiranga, onde se localiza a favela de Heliópolis, teve seu crescimento impulsiona- do pela formação dos bairros trabalhadores, em função das indústrias implantadas ao longo da linha férrea. Hoje, é um importante subcentro que se formou a partir da inicial proximidade entre trabalho e a residência, deinida pela localização das indústrias. O que evidencia, neste caso, o crescimento espontâneo que se faz pela proximidade dos setores – trabalho e mora- dia - garantindo a melhora na mobilidade urbana que se constituía no período de consolida- ção da região.

Segundo o raciocínio de Morales, a chegada do sistema de transporte a ferrovia propiciou parte da urbanização (sistemas de ligação) que impulsionou o parcelamento, a complementa- ção da urbanização e posterior ediicação em alguns trechos.

Neste caso especíico, a formação do bairro é induzida pelo traçado ferroviário que, juntamen- te com suas estações, propiciou a formação das Vilas. Em um segundo momento, a expansão ocorre em função das rodovias que estabelecem a ligação do Município de São Paulo aos municípios do ABC, importante polo industrial que se amplia e se consolida a partir dos anos 1950.

Com o passar dos anos, o Ipiranga foi deixando de lado a função industrial e atualmente pos- sui os usos residenciais e mistos.

As iguras 3.3 e 3.4 apresentam o bairro: no ano de 1940, época em que sua ocupação estava ligada à primeira fase da industrialização. Pode-se observar que o processo de loteamento criado no bairro do Ipiranga ocorre a partir da quadrícula, de acordo com um ordenamento pré-existente. Observa-se a intenção do desenho de quadra, porém, desconsiderando a to- pograia existente.

Figura 3.3: Trecho do Bairro Ipiranga em 1940. Fonte: EMPLASA/PMSP

Figura 3.4: Desenho do esquema de construção do Bairro do Ipiranga em 1940. Fonte: Elaborada pela autora. Souza, V. P., 2012

PARCELAMENTO DO BAIRRO DO IPIRANGA

VILAS OPERÁRIAS

As iguras 3.3 e 3.4 apresentam o bairro ainda no início de sua construção. O traçado se esta- belece inicialmente próximo das grandes vias. Da direita para a esquerda, sequencialmente, estão a estrada de ferro, a Av. Almirante Delamare e a Estrada das Lágrimas.

Ao norte do mapa, encontra-se o principal caminho para a região central (o marco zero) da ci- dade de São Paulo, ratiicando as considerações históricas do crescimento periférico sentido centro–periferia.

Considerando as análises de Morales (1997), o parcelamento do Ipiranga se assemelha ao estabelecido por ele como crescimento suburbano, em que o traçado do parcelamento se- gue em função das vias de acesso, dos novos pontos comerciais e de serviço que se estabe- lecem.

Grande parcela da região permanece inabitada. Porém, num período relativamente curto, a ocupação cresce substancialmente, como observa-se na foto aérea datada de 1954 (igura 3.5).

Baseado em Morales (1997, p152.), o crescimento suburbano baseia-se na conexão direta com a infraestrutura, partindo de um sistema de parcelamento com acesso mínimo. A ediica- ção se adapta à evolução do sistema que se produz. Neste caso especíico, as moradias se adensam à medida que o crescimento do bairro se consolida.

Figura 3.5: Ocupação da área industrial da Vila Carioca (acima) e o crescimento do bairro do Ipiranga (à esquerda), 1954. Fonte EMPLASA/ PMSP

1954

SEM ESCALA

FERROVIA

AV. ALM. DELAMARE

Figura 3.6: Desenho baseado na foto aérea de 1954. Em verde, ao centro, permanece livre, neste período, o perí- metro de abrangência do que futuramente se tornaria a comunidade de Heliópolis.

Fonte: Elaborada pela autora. Souza, V. P., 2012

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Os estudos de massa referentes à ocupação do local (igura 3.6) mostram, em amarelo, as áreas já ocupadas por moradia. Os primeiros caminhos facilitadores do crescimento referem- -se a Estrada de Ferro, Avenida Almirante Delamare e Estrada das Lágrimas, marcando as- sim o luxo dos vetores de crescimento.

Diante desse aspecto, Morales (1997, p 166) considera que a urbanização marginal é a “jun- ção de novas peças parceladas propiciando a coniguração do perímetro deinitivo do bairro. O adensamento do solo livre com facilidade de acesso, abertura de ramais desde os cami- nhos anteriores. Ocupação de trechos posteriores às áreas primeiramente construídas” (tra- dução nossa).

Em se tratando de Heliópolis, neste caso, em 1954 não existia nenhum tipo de ocupação, o perímetro se mantinha livre. No entanto, caminhos internos são marcados pelo que podemos caracterizar como conectores, “junção das peças parceladas”, uma vez que cruzam o terreno ligando-se às vias de acesso, encurtando as distâncias entre um ponto e outro.

Com o passar dos anos, o território se adensa e seu parcelamento, em 1973, se consolida nas bordas da futura comunidade, como é evidenciado pela igura 3.7. A zona industrial e re- sidencial marcam os limites da área, juntamente com o viário que se consolidou, conigurando o bairro do Ipiranga.

Observa-se nessa igura a consolidação da área industrial, o estabelecimento das fábricas na região da Vila Carioca, ao lado do bairro do Ipiranga e nas regiões de Santo André, São Bernardo do Campo e São Caetano (intitulada região do ABC).

Figura 2.16: Bairro Ipiranga em 1973. Hospital Heliópolis em construção (hachura em vermelho). Córrego dos Meninos estabelece o limite entes as cidades de São Paulo e São Caetano do Sul pertencente a região do ABC. Fonte EMPLASA/ PMSP REGIãO PREDOMINANTE INDUSTRIAL REGIãO PREDOMINANTE RESIDENCIAL SãO PAULO IPIRANGA 1973 SãO CAETANO DO SUL

CÓRREGO DOS MENINOS

SEM ESCALA

FERROVIA

AV. ALM. DELAMARE

Figura 3.8: Desenho baseado na foto aérea de 1973, marca o inicio da ocupação de Heliópolis (ocorrida no ano de 1972).

Fonte: Elaborada pela autora. Souza, V. P., 2012

Mais detalhadamente, aparece o crescimento do bairro em amarelo. A área ainda desocupada ,em sua grande parte, é marcada por os campos de futebol de várzea (retângulos em marrom ao centro e ao norte). Em laranja, os caminhos preliminarmente existentes no miolo da favela, estabelecendo ramiicações dos traçados preliminarmente apresentados.

É o inicio do alojamento provisório, como se pode veriicar no trecho marcado em tracejado vermelho. A porção cinza ao norte e a oeste marca o perímetro das indústrias. Inicia-se um processo em cadeia: novos comércios locais, a consolidação de uma demanda de trabalha- dores e a proximidade com o trabalho, marcando, desta forma, o processo de organização

funcional, pois, como Lamas (2010) salienta tudo se direciona para o “uso a que é destinado

e o uso que dele se faz”.

Conforme a igura 3.9, veriica-se o início de um novo uso para o território. A vila se consolida e se expande a partir dos anos 1980, perpetuando caminhos pré-conigurados por moradores do bairro antes da ocupação da favela. A relação de mobilidade interna se faz primeiramente em função da moradia.

De acordo com Morales (1997), o viário tem plena vigência na manipulação do traçado como instrumento de projeto e exige sempre sua compreensão como parâmetro de referência entre as distintas formas construídas das tramas urbanas e, como pauta espacial sutil, porém im- portante, de suas transformações temporais (p.22, tradução nossa).

Figura 3.9: Bairro Ipiranga em 1981. Em vermelho a consolidação do parcelamento da Vila Heliópolis. Em azul, Hospital Heliópolis (Governo do Estado) e, em verde, Posto de Atendimento Médico Municipal (PAM). Fonte EM- PLASA/ PMSP

1981

SEM ESCALA

FERROVIA

AV. ALM. DELAMARE

Figura 3.10: Desenho baseado na foto aérea de 1981. Fonte: Elaborada pela autora. Souza, V. P., 2012.

A igura 3.10 apresenta o crescimento da favela. As ramiicações dos caminhos internos (em laranja e ao centro) ampliam-se e consolidam novos luxos que serão estabelecidos por esse novo traçado viário.

Após a construção da Vila Provisória, em 1972 (igura 3.7), se inicia a crescente populacional na região de Heliópolis. Em aproximadamente 15 anos o número de famílias saltou de 150 para 2550 moradias cadastradas em 1984 (igura 3.11, referente à 1989). Esse número de cadastros cresceria mais de 100% em apenas dois anos, chegando a 4774 moradias, sendo 20.000 o número de famílias cadastradas. Naquele momento, o número de moradias construídas com restos de materiais e madeiras velhas era a metade do total existente, caracterizando o quadro de extrema pobreza.

Importante perceber que as conigurações morfológicas de Heliópolis de hoje se reconhecem e se consolidam a partir de 1989.

É possível reconhecer o traçado viário e as quadrículas irregulares dos lotes que se estabeleceram. Utilizando a noção de forma aplicada por Lamas (2010), os espaços construídos são condizentes com a ordem que o homem estabelece ao meio urbano.

Segundo Sampaio (1991), as ações de grileiros1 viabilizaram o crescimento vertiginoso da

comunidade, em especial alguns caminhos trilhados neste período pelos usuários dos campos de futebol, do Hospital Heliópolis e do PAM, os quais propiciaram novas capilaridades do traçado viário, modiicando paulatinamente a morfologia do local.

Figura 3.11: Bairro Ipiranga em 1989. Em vermelho, observa-se a implantação do programa de FUNAPS - Mutirão. O vazio ao centro da favela é o último trecho desocupado. Trata-se do campo de futebol do Copa Rio.

Fonte EMPLASA/ PMSP.

1989

SEM ESCALA

FERROVIA

AV. ALM. DELAMARE

Figura 3.12: Desenho baseado na foto aérea de 1989. Heliópolis chega quase a sua totalidade de ocupação do território.

Amarelo: residencial Cinza: Favela Preto: Indústria. Fonte: Elaborada pela autora. Souza, V. P., 2012.

É a partir de 1989 que as intervenções no tecido da favela passam a ganhar maiores proporções e o bairro do Ipiranga consolida, cada vez, mais o seu caráter industrial2. As zonas

residenciais estão pré-estabelecidas. As áreas verdes foram substancialmente suprimidas em todo bairro, restando apenas alguns vazios no interior da favela, que, com o passar dos anos, deram lugar para moradias.

Tem-se início o programa para habitação social, desenvolvido por meio do Fundo de Atendimento à População em Habitação Subnormal (FUNAPS), conhecido popularmente como sistema de Mutirões3.

Nota-se nas iguras 3.13 e 3.14 que, após a conclusão das obras de mutirão na Gleba K, o novo traçado ortogonal se estabelece rompendo com os luxos que haviam sido consolidados. Valladares (2005) ratiica o reconhecimento das capilaridades do viário que conigura o tecido da favela como fator de reconhecimento dessa morfologia no território ocupado dentro da massa urbana:

Os geógrafos e os pesquisadores urbanos em geral sublimam a maneira peculiar como ela ocupa o espaço urbano, fora da regularidade e das formas urbanas, sem ruas bem traçadas, com poucos ou ausentes serviços e equipamentos coletivos [...] Na verdade, de início foi essa ocupação diferenciada do espaço construído, que per- mitiu identiicar uma favela. Valladares (2005, p149)

O traçado estabelecido pelas obras de urbanização tinha como intuito padronizar os acessos, assemelhando-os à coniguração da cidade formal.

Ao contrário do traçado, as moradias construídas, embriões, como eram chamados, se misturaram à coniguração local, não sendo possível reconhecer seu desenho especíico

2. Nesse período se estabelecem grandes empresas e companhias, privadas ou do governo. A exemplo disso estão as sedes: da Petrobras (Governo Federal), Shell (S.A) e lindeira a Heliópolis a Estação de Tratamento de Esgoto do ABC (ETE ABC) construída pela Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo, com o intuito de suprir a demanda da região no que tange o saneamento básico necessário.

3. O FUNAPS subsidiou programas de cooperativa para a construção de casas térreas – sistema de mutirão. E também inanciou obras de conjuntos habitacionais como é o caso do Conjunto Habitacional Delamare que será estudado no terceiro capítulo, construído pela municipalidade.

Figura 3.13: Bairro Ipiranga e Heliópolis em 1994. Fonte EMPLASA/ PMSP. CAMPO DE FUTEBOL PISTA DE MOTOCROSS 1994 SEM ESCALA

Figura 3.14: Desenho baseado na foto aérea de 1994. Amarelo: residencial Cinza: Favela Preto: Indústria. Fonte: Elaborada pela autora. Souza, V. P., 2012.

No âmbito do reconhecimento das pré-existências, pode-se dizer que os mutirões possibilitaram a contiguidade do território que, segundo Magalhães (2005), podem ser caracterizadas da seguinte maneira:

A contiguidade está referenciada a transformação da cidade. Trata-se portanto, de uma noção de interesse para a mudança de uma situação ambiental existente por uma outra a ser construída. O seu fato gerador é a inserção, na cidade, de um ele- mento de natureza física que a modiica morfologicamente, mas que o faz a partir do reconhecimento das pré-existências ambientais e culturais. Magalhães (2005, p.V).

Ao iniciar a administração municipal, no período entre 1993 e 1996, o Prefeito Paulo Maluf desenvolveu outro programa habitacional: Tal programa descartava as possíveis integrações entre o tecido existente e as novas construções. O Programa de Verticalização de Favelas – conhecido popularmente como Cingapura. A sintaxe espacial é abolida nesse período e o entendimento da lógica de localização de usos urbanos e dos encontros sociais não faziam parte do programa proposto. Edifícios que podiam variar o gabarito entre cinco e oito pavimentos, de acordo com a topograia, foram inseridos de forma a ocupar o terreno removido, sem a preocupação com o contexto em que se estabeleciam.

Vale ressaltar que o número de unidades construídas, em geral, não supria a demanda para reassentamento, em função da densidade do local. Famílias que eram removidas, naquele período, eram parcialmente reassentadas nos edifícios, e o restante da demanda seria realo- cada em outros empreendimentos, independente de suas redes sociais construídas4.

4. É imprescindível informar que esse parâmetro foi utilizado em toda cidade de São Paulo, excetuando o Pro- grama Guarapiranga, que buscava as preexistências aos moldes do Programa Favela-Bairro, no Rio de Janeiro.

Figura 3.15: Bairro Ipiranga e Heliópolis em 2004. Fonte: Google Maps, acesso em 10 de janeiro de 2011. Em vermelho, a localização dos edifícios pertencentes ao Programa Cingapura.

2004

SEM ESCALA

FERROVIA

AV. ALM. DELAMARE

Figura 3.16: Desenho baseado na foto aérea de 2004. Em marrom, os retângulos ao norte do mapa marcam os edifícios construídos pela municipalidade.

O tecido pré-existente é interrompido pelos novos edifícios e se estabelece essa padroniza- ção nas construções até o ano de 2003, momento em que são quebrados alguns paradigmas referentes à urbanização de favelas em Heliópolis.

Heliópolis marca essa ruptura na intervenção urbana em área favelizada. O Programa Favela- -Bairro traz em sua raiz, durante a administração (2002 a 2004) daquele período, o trabalho mais próximo à comunidade, apresentando e discutindo as propostas a serem implementadas nos trechos da área.

Dali em diante, as administrações seguintes, entre os anos de 2005–2008, e a atual (2009- 2012), seguiram os mesmos passos, possibilitando que a urbanização de favelas fosse um fator a ser trabalhado, de modo a integrá-la ao tecido do bairro existente.

Na Gleba K, como pode ser visto na igura 3.17, as obras de urbanização procuram manter o traçado do tecido existente, para que haja a apropriação dos espaços construídos por parte dos moradores.

A diferença entre o bairro do Ipiranga e Heliópolis pode ser observada pelo traçado interno, com suas ramiicações e capilaridades de acesso às ruas, vielas e becos. Algo interessante a ser observado é a coloração das telhas de cerâmica, predominantes no bairro, e as de ibro- cimento, dominante na favela.

O traçado viário pré-existente se perpetua, como se observa na igura 3.18. O mesmo se apli- ca para as Glebas A e N, que também passaram pela urbanização, no entanto, mesmo com a mudança no padrão construtivo, a ruptura no desenho inicial das construções permanece, gerando espaços fragmentados no contexto geral.

Figura 3.17: Bairro Ipiranga e Heliópolis em 2009. Fonte: Google Maps, acesso em 10 de janeiro de 2011.

AV. JUNTAS PROVISÓRIAS

AV. ALM. DELAMARE

ANCHIETA

CÓRREGO DOS MENINOS

Figura 3.18: Desenho baseado na foto aérea de 2009. Perpetuação dos caminhos pré-existentes entre o bairro e a comunidade.

A análise da forma urbana de Heliópolis vai ao encontro da airmação de Duarte (2010), que discorda que as favelas sejam orgânicas ou espontâneas5. O autor aponta que “a falta de

um projeto formal não nos autoriza classiicá-las dessa forma”. Utilizando Aldo Rossi, o autor relaciona a forma da favela à cidade medieval:

[...] dizer que a cidade medieval é orgânica, signiica ignorância absoluta da estrutura política, religiosa, econômica, etc. (Rossi apud Duarte, 2010. p. 76)

A seguir, as iguras 3.19 e 2.20 apresentam uma síntese das intervenções municipais ao longo dos anos Dentre elas, os três projetos selecionados6 para análise apresentam as rupturas e

contiguidades que contribuirão para a discussão que se propõe nesta dissertação.

5. A ideia de espontânea ica fragilizada à medida que o processo, as circunstâncias, os eventos e mesmo a longa duração apontam, indicam e não raro determinam os modos de orientação da cidade. Aqui se indica as cidades antigas, fortiicações estratégicas, portanto determinando do renascimento, seja na cidade imperial, 1000 anos antes, criado com base de apoio para uma expansão. A cidade antiga é política, a cidade moderna é, sobretudo econômica.

6. Condomínio Delamare (FUNAPS) – Gleba K, Cingapura Heliópolis (PROVER) - Gleba A e Conjunto Habitacional 115 (PROURBFAVELAS) – Gleba A.

Figura 3.19: Foto aérea de Heliópolis (autor Marcelo Rebelo), 2011. Panorama das intervenções públicas em He- liópolis. Fonte: Coordenação do Plano Urbanístico Heliópolis, HABI-G SEHAB.

Figura 3.20: Síntese das intervenções em Heliópolis. Vermelho e salmão: FUNAPS; Amarelo: PROVER; Pink: COHAB; Roxo e azul marinho: Programa de Urbanização de Favela. Fonte: PMSP/ SEHAB/ Projeto Heliópolis.

OS PROJETOS PARA HELIÓPOLIS

E AS TRANSFORMAÇÕES URBANAS

4.