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Kommunal oversikt ut fra nasjonal kartlegging

Figura 4.23 Vista aérea dos conjuntos habitacional 115

Ficha técnica do projeto Conjunto Habitacional 115 – Gleba A

AUTORIA DO PROJETO

Localização

Propriedade da área Período das obras

Famílias beneiciadas (em n° de UH) Lazer condominial

Tipo de construção Tipologia

Número de Blocos

VIGLIECCA ARQUITETOS ASSOCIADOS

Gleba A COHAB 2005 - 2007 115 03 áreas de convívio Alvenaria estrutural 05 pavimentos 10

Em 2002, foram licitadas as propostas de projeto para as Glebas A, K e N. Em 2003, o proje- tista ganhador (referente à Gleba A) inicia o detalhamento do projeto executivo e contrata os serviços do escritório Vigliecca Arquitetos Associados, dando início às mudanças nos padrões habitacionais existentes na Gleba A até então. O projeto original previa a intervenção (igura 4.24) lindeira ao córrego Sacomã, que seria canalizado, bem como interviria no miolo de qua- dra. Ao inal da administração, em 2004, as obras de construção desse conjunto ainda não haviam iniciado. Os projetos e obras foram retomados pela nova administração17 em 2005.

Ao intervir no córrego Sacomã para sanar a problemática das enchentes sazonais que ocor- reram durante anos, removeu-se 300 famílias que viviam sobre o córrego. Durante as obras. apareceram problemas técnicos que impossibilitaram a construção18 e o projeto foi revisto.

17. Em 2005 parâmetros para atender os assentamentos precários são estabelecidos. Dentre esses esta a diretriz de manter ao máximo o número de famílias residentes no local e a contratação de arquitetos urbanistas para a execução dos projetos executivos.

18. O arquiteto propunha que se encostassem os ediicios nas residencias remanescentes. Como não se conhece as fundações e a estrutura das construções das favelas, ocorreu que em algumas residências começaram a rachar no momento da perfuração para o cravamento das estacas. Foi então que o projeto foi revisto pela equipe técnica da SEHAB, sem o conhecimento do arquiteto. Pois ainda no inicio do processo não se tinha como parâmetro após a entrega do projetista fazer o acompanhamento com o arquiteto. Todo o desenvolvimento dos projetos ,após a entrega, corriam por intermédio da equipe técnica da SEHAB e corpo técnico contratado para a obra (gerenciadora e construtora)

Figura 4.24: Implantação do projeto original para Gleba A. Fonte PMSP/ SEHAB – Coordenação Projeto Heliópolis.

Deve-se levar em consideração o avanço dos critérios projetuais, que iniciavam um momento de mudança preconizado pela gestão anterior, já direcionando as áreas de favela para que arquitetos-urbanistas desenvolvessem as propostas de intervenção.

Conforme igura 4.25, percebe-se a intenção do arquiteto em integrar o antigo e o novo. Em conectar a favela permitindo circulações internas aos condomínios (eixos em vermelho), ca- racterizando as áreas de lazer coletivo do condomínio (círculos amarelos) como espaços de lazer semi-público. O arquiteto propõe o espaço aberto aos demais moradores da favela. Vale apontar uma característica dos moradores de comunidades carentes. Uma vez que o morador sai da moradia autoconstruída na favela e muda para um apartamento construído pelo poder público, em seu entendimento, ele deixa de ser “favelado”, segregando-se do res- tante da área, o que muitas vezes diiculta os trabalhos com a comunidade, pois eles tendem a fechar-se em grades, diferentemente do que se vê nas autoconstruções que permanecem e na relação que essas estabelecem entre seu lote e a rua.

Trata-se de uma discussão sócio-territorial, pois o espaço privado devassado por pessoas não pertencentes a esse lugar no cotidiano já possui algum tipo de separação, como, por exemplo, o controle de acesso aos edifícios (residenciais, comerciais, etc.) e o uso do espaço público que se encerram no mesmo lote.

Diante disso, o que se pode discutir brevemente são os fechamentos dos condomínios nos assentamentos precários. Deve-se abrir a discussão de mudanças de hábitos e legislações que encaminhem a abertura dos edifícios e condomínios nas áreas ditas formais. Não se pode imputar uma situação às favelas, que seguem por regras próprias, sem que haja o senso co- mum, para que os novos parâmetros sejam também incorporados por eles.

Figura 4.25: Implantação do Conjunto Habitacional 115 – Gleba A Fonte: PMSP/ SEHAB

A segregação dos espaços comuns foi o primeiro passo para a degradação de seu interior. Os espaços privados de uso coletivo19 necessitam de uma discussão ainda mais intensa, para

que os futuros moradores não somente compreendam como defendam o espaço construído. Neste caso, os espaços privados de uso coletivo que possuíam luxo contínuo foram fecha- dos, em função de solicitação de moradores em reuniões. Após seis meses de conclusão das obras, em uma nova visita constatou-se as segregações condominiais produzidas pelos próprios moradores.

Os urbanistas necessitam da opinião dos moradores, pois sem esse auxílio cada vez mais as pessoas se encerrarão em suas novas moradias. Não estão em discussão as determinações populares sobre suas obras e sim como tornar o espaço convidativo a ser mantido.

Como se pode observar no comparativo das iguras (4.26 e 4.27), a seguir, os espaços se con- solidaram individualmente e ocorre nesse momento a ruptura interna do próprio condomínio. As deinições precisas dos espaços necessitam ser discutidas com a comunidade, o que faz- -se acreditar na incorporação dos espaços pelos moradores.

19. O arquiteto intencionava a integração pelos espaços coletivos semi-públicos, porém se levarmos em conside- ração a cidade sob as normas e convenções, um exemplo e marco na arquitetura paulistana é o edifício COPAN que tem seu térreo para múltiplos usos, porém as prumadas que conectam as residências possuem controle de acesso. E o mesmo se estabelece para o Conjunto Nacional que fecha seus acessos após determinado horário e o acesso as habitações é restringido.

Figura 4.26 : Projeto pouco antes da entrega oicial . Conexão entre os blocos. Fonte: PMSP/ SEHAB

Figura 4.27 : Espaço comum a ser utilizado pela população. Fonte: PMSP/ SEHAB

Figuras 4.28 e 4.29 indicam a não incorporação por parte dos moradores e o descaso com as áreas comuns. Grades em todo eixo de circulação, dividindo os blocos.

O exemplo de isolamento no lote se refaz, porém de forma que propõe ao mesmo tempo a integração daqueles que lá habitam segregados por condomínio, no caso estudado do con- junto 115.

Para exempliicar, quando o arquiteto projeta com o intuito de preservar o existente, há de se pensar que as estruturas das construções remanescentes podem sofrer abalos com perfura- ções para a execução de edifícios próximos a elas. Diante desses fatores, as equipes técnicas precisaram discutir como sanar o problema, buscando manter a integridade do projeto. A manutenção do restante do projeto não foi possível ser concluída, uma vez que as autocons- truções que estavam próximas eram de um antigo projeto de mutirão e qualquer abalo que prejudicasse as construções demandaria um novo atendimento às famílias que, além de ter suas moradias consolidadas, já desconsideravam completamente uma possível remoção, tendo em vista o atendimento deinitivo já concluído.

O presente estudo revela possibilidades de integração, mas as conexões com o restante da região é interrompida por fatores sociais, que demandam discussões que iniciem um pro- cesso de mudança nos conceitos referentes à moradia e como a forma do edifício modiica a morfologia local, a ponto de induzir ou não a segregação espacial na cidade dentro ou fora da favela.

4.5.3. O projeto e sua inserção na Morfologia da Favela – Conjunto Habitacional 115 –