• No results found

TRONDHEIM DISTRIKT Eid sidespor, LP

7il li/lestrom Alnabru

TRONDHEIM DISTRIKT Eid sidespor, LP

O Ensino Médio, hoje, atendendo a segmentos mais heterogêneos da população, deixa de ser pensado apenas como um degrau preparatório para o Ensino Superior (SPOSITO,

2008, p. 86). O mesmo se deduz do discurso disseminado nos textos escritos oficiais e nos logotipos desenvolvidos pelo MEC.

Em contraponto, os cartuns podem revelar que a sociedade mantém algumas concepções e estereótipos imagéticos, tanto em relação ao Ensino Médio, quanto aos jovens estudantes que o constituem.

A capacidade de persuasão constitui uma característica política da imagem que muda de significado quando mudam os interesses e o contexto em que são comunicadas, interpretadas e ressignificadas. Nesse sentido, o arte/educador possui o poder de fomentar uma compreensão crítica das representações imagéticas, desfazendo conceitos e discursos pré- determinados, reprodutivos e estereotipados sobre os jovens estudantes e sobre o próprio Ensino Médio.

Ao longo da história, a imagem foi usada tanto para alienar, quanto para despertar a criticidade e estabelecer discursos sem neutralidade, constituindo-se portadora de discurso político legitimador ou de resistência. A imagem age sobre as pessoas e instituições e estas procuram impor ideias ao mundo pelas visualidades. Basta se recordar o impacto social, cultural e ideológico da pop art nos de 1960, aproximando e mesclando a arte, a propaganda, a publicidade e o design gráfico.

Nesse sentido, olhar para estes cartuns online estáticos significa “olhar na vida da sociedade e, na vida da sociedade representada nesses objetos” (HERNANDEZ, 2000 p. 53). As imagens são também produtos culturais que necessitam estar acessíveis à compreensão da sociedade, em seus múltiplos e possíveis significados.

Os cartuns que seguem foram escolhidos porque provocam essas discussões, porém, sem a pretensão de esgotá-los ou dogmatizar as interpretações que evocam. Analiso-os, agrupados por gerarem interpretações dissonantes em relação a interpretação de seus divulgadores, nas páginas de internet em que foram captados.

Imagem 15: Cartum “Ensino Médio ou Ensino Médium??”

Fonte: <http://coletivodehistoria.blogspot.com.br/2013/09/ensino-medio-ou-ensino-medium.html>. Acesso em 20/04/2015.

O cartum acima, em sua materialização visual, apresenta alguns discursos que podem ser considerados estereótipos em relação ao Ensino Médio e a seu público de jovens estudantes. Alguns dos estereótipos evocados são a posição dos estudantes, sentados em carteiras escolares e em fila, trajando uniformes que padronizam, com mesma cor de pele. Apresentam também uma mesma postura corporal curvada e com a mão na face, apreensiva e repetida diante da folha de papel. O ambiente, que parece ser uma sala de aula, encontra-se limpo e organizado.

A cena, pelos elementos dispostos e pelo diálogo contido nos balões, retrata a aplicação de uma prova ou avaliação. Constata-se também que a prova é aplicada de maneira tradicional. Completam a cena, uma personagem feminina e outra masculina, que estão à porta, com apenas a cabeça para dentro da sala de aula, em uma posição que representa pessoas espiando outras, ou controlando, vigiando os estudantes durante a aplicação de uma prova escrita. Essas personagens podem representar a equipe pedagógica, professores ou orientadores pedagógicos.

Os caracteres tipográficos, contidos nos balões, formam um diálogo atribuído as duas personagens externas à sala de aula, que são os únicos que falam. Apresentam algumas afirmações carregadas de pré-conceitos, que perpassam o ambiente escolar desde muitas décadas: “Não aprendem nada e nas provas ficam esperando uma resposta do além”; “Devia se chamar ensino médium”. O que se busca problematizar e desconfiar nessas frases é a compreensão da etapa do Ensino Médio, bem como a faixa etária dos estudantes - adolescência, jovem ou adulto.

Os pré-conceitos e estereótipos confundem o ser jovem estudante com a complexidade da fase da vida do sujeito, colocando, sobre eles, a responsabilidade pelo desinteresse e pela apatia diante dos estudos no processo do Ensino Médio. Soma-se à afirmação da necessidade de inovar e de integrar o Ensino Médio a um discurso recorrente de “culpar” o sujeito pelo seu próprio fracasso. Esse discurso não seria uma evidência da reprodução dos valores e princípios capitalistas que permeiam a educação?

O gesto da mão sobre a testa, gestualidade comumente atribuída a atividade mediúnica, ratifica o conceito e a significação cultural e religiosa do médium, substantivo que compõem a frase interrogativa, dita pela personagem masculina, identificada pelas características físicas. Este termo compõe também o título do cartum “Ensino Médio ou Ensino Médium??”.

O conceito de médium cunhado pela sociedade ocidental se aproxima à concepção de médium, segundo a religião espírita. Trata-se da nomenclatura atribuída a uma pessoa capaz de se comunicar com os espíritos e que tem conexão direta com o transcendente. O termo é de origem latina e significa medianeiro, o que está no meio, ou seja, é o intermediário entre o mundo físico e o espiritual. Depreende-se que o estudante do “Ensino Médium” somente consegue sucesso na prova se consegue as respostas dos espíritos, gratuitamente, uma vez que não se dedica suficientemente aos estudos. Este discurso encontra ressonância em estereótipos que representam um jovem estudante como pouco afeito aos estudos.

O que diferencia uma personagem da outra, neste cartum, são sutilezas como o cabelo (cacheado, em tons mais escuros, ou mais claro, curto, longo), e a posição das pernas. Pode-se depreender que, ironicamente, o produtor do cartum parece contestar, de forma amena, a ideia de generalização e os estereótipos em relação às atitudes e posições atribuídas ao jovem estudante do Ensino Médio.

Ao relacionar este cartum aos instrumentos de avaliação e às atividades conteudistas aplicados no Ensino das Artes Visuais, concordo com a afirmação de Hernández, quando diz:

Prestando atenção a todos esses “mundos”, talvez acabemos nos dando conta da miopia de alguns planejadores da educação, incapazes de pensar nos alunos mais do que como consumidores de imagens que devam aprender a decompor em elementos de linguagem (como se as imagens fossem um texto cujo significado se interpretasse analisando morfemas e os grafemas) ou de produtores artesanais de algumas imagens que hoje podem ser elaboradas com maior diversidade e qualidade a partir das possibilidades oferecidas pelos novos suportes tecnológicos (HERNÁNDEZ, 2000, p. 27).

Aproximando-se a essa questão, as DCNEMs falam sobre a necessidade de uma qualidade social da educação formal, que garanta o aprendizado efetivo, além do acesso, do sucesso, da permanência e da redução da distorção idade/série do jovem estudante do Ensino Médio (BRASIL, 2013(a)). Ao afirmar isso, em relação ao Ensino Médio, o discurso oficial reconhece a dissonância entre o aprendizado do jovem estudante com o seu ensino e a sua frequência escolar.

O discurso oficial revela uma dissonância na relação entre os sujeitos diretamente envolvidos no processo de aprendizado, como a abordada na relação entre personagens no cartum acima. O texto das DCNEMs diz que a comunidade escolar e todos os envolvidos no processo de ensino e de aprendizagem necessitam compreender que a educação “é um processo de produção e socialização da cultura da vida, no qual se constroem, se mantêm e se transformam conhecimentos e valores” (BRASIL, 2013(a), p. 153). O discurso trata de um alerta para a qualidade na relação entre sujeitos que atuam na escola. Todavia, pode haver um significado ambíguo ao se comparar a esse discurso os índices de avaliação do rendimento e da qualidade do Ensino Médio, já apresentados em cartuns anteriores (imagem 12 e 13).

Outro aspecto que pode gerar dissonância entre discursos se refere às interpretações diferentes geradas sobre este cartum pelo produtor e pelo visualizador/interpretador. Ambos incidem olhares sobre o Ensino Médio a partir de posições distintas.

A página da internet, onde está publicado este cartum, em domínio público21, é administrado por um professor de história da cidade de Vitória - ES, chamado Felipe, possui como enunciado de apresentação a seguinte frase: “Espaço destinado a estudantes do Ensino Médio e público em geral que curtem compartilhar histórias”. Junto à publicação do cartum também se encontra o enunciado: “Charge para refletir sobre o quanto damos importância ao

estudo cotidiano”, o que demonstra certa provocação aberta aos jovens estudantes do Ensino Médio.

Este texto escrito revela que o significado atribuído ao cartum pelo divulgador/interpretador é distinto ao significado apontado pela minha análise. Pode ser também diferente do significado atribuído pelo produtor do cartum, um cartunista que assina Mário, sobre o qual não consegui uma identificação mais precisa.

Para o Prof. Felipe, o cartum possui outros significados, por isso se reafirma que tanto a imagem, quanto o discurso enunciado pelo processo intervisual são polissêmicos. A esse respeito, concordo com o exposto adiante:

Ninguém é dono dos significados [da imagem] da mesma maneira que ninguém tem completo domínio sobre seus fluxos, sobre as interpretações de diferentes pessoas em diferentes contextos. [...] Ela não pode impedir ou ignorar interpretações que subvertam ou ignorem a intenção de seus produtores/autores (MARTINS; SÉRVIO, 2012, p. 277).

Para o Prof. Felipe, o sentido do cartum estaria veiculado ao discurso de que os jovens estudantes do Ensino Médio dão pouco valor para o estudo diário. Reforça as concepções generalizantes sobre a relação desinteressada do adolescente e do jovem com a educação formal, com o conhecimento científico e técnico.

Embasando-se nas teorias pedagógicas de Henry Wallon, as DCNEMs entendem que o estudante possui “múltiplas dimensões” e que privilegiar a cognição em detrimento das demais dimensões formativas como a física, a social e a afetiva, o impedirá de alcançar a autonomia intelectual e moral pela educação. As diretrizes propõem a reflexão e problematização das práticas pedagógicas já consolidadas (BRASIL, 2013(a), p. 167). Isso implicaria a abertura para novos olhares e compreensão sobre o Ensino Médio, que desfaça ideias generalizantes, fragmentadas e estanques.

Realizar esta análise é possível, a partir de um dos princípios da Educação da Cultura Visual que amplia a atenção às imagens que estão divulgadas na internet, como cartuns. Considera outros saberes e outros produtores que escapam aos aclamados pelos conteúdos da história da arte linear, gerando novos espaços de compartilhamento e reflexão que levem a entender como a sociedade interpreta o Ensino Médio.

Apontadores avaliativos e resultados de processos seletivos para ingresso nas universidades, divulgados na imprensa em diversas ocasiões, demonstram quantitativamente que os índices de aprovação do Ensino Médio privado são maiores que a do público. Constata- se que o discurso vigente é de que, na maioria das vezes, as causas para essa disparidade estão

relacionadas às apresentadas no cartum “Prova do MEC” (imagem 13) analisado anteriormente: “Falta de investimento!”; “Professores desmotivados!”; “E com salários baixíssimos!”; “Escolas sucateadas”. Esta constatação abre a reflexão para outro exemplo de análise.

O cartum que segue, intitulado “Ensino Médio: Privado X Público”, possivelmente é o detentor de maior polissemia. O cartum é do chargista cubano, radicado no Brasil, Osmani Simanca, que se utiliza de representações de objetos símbolos, convencionados na cultura ocidental brasileira, para veicular discurso sobre a distância entre o Ensino Médio privado e público.

Imagem 16: Cartum Ensino Médio: Privado X Público

A análise deste cartum chama a atenção ao se constatar que comunica um discurso sobre o Ensino Médio, não por meio de personagens, comumente utilizados por cartunistas e chargistas, mas pela representação de objetos do cotidiano escolar. Tais objetos funcionam como indícios para diferentes interpretações. Esta análise aponta para uma possibilidade de interpretação.

Os indícios presentes neste cartum provocam uma interpretação inicial em que se identificam objetos, como o lápis grafite e o apontador, materiais utilizados pelos estudantes em grande parte das realidades educacionais. Esses objetos são repetidos em dois quadrantes. Porém, a semelhança entre eles acaba quando se constata uma possível dissonância e ambiguidade tanto no nome, quanto na função dos objetos do quadrante inferior em relação ao superior. Essas diferenças de representação sugerem uma ironia do autor do cartum.

Os objetos, que representam o Ensino Médio Privado, localizados no quadrante superior pela inscrição tipográfica, aparecem desenhados sem defeitos e desgastes, mantendo sua qualidade e funções. Estão na parte de cima da imagem não arbitrariamente, mas para firmar a ideia de superior, de melhor qualidade.

Os objetos, representados na parte inferior, aparecem amarrotados e remendados, demonstrando uma péssima conservação e desgaste, que sugerem um uso mais prolongado. Conduzem a conjecturar sobre as condições estruturais de várias escolas públicas pelo país. A diferença entre o estado material dos objetos, significa dizer que o Ensino Médio público está sucateado, enquanto o privado possui investimento constante em estrutura e qualidade.

O objeto que representa o apontador do lápis é ambíguo em seu significado e função. Tanto pode ser definido como estilete artesanal, quanto navalha. Por se tratar de um objeto cortante, ironicamente, pode representar as situações de violência nas escolas, que levam a interpretar o Ensino Médio Público como espaço de intolerância e agressividade, semelhante a presídios, onde se produz e se utiliza objeto semelhante como arma artesanal.

Esse paralelo ganha força ao se estender a interpretação para a ideia de política educacional de proteção, que se concretiza também, ambiguamente, na imagem do muro, da grade e do monitoramento por câmeras. Na escola privada, o discurso evocado pelo muro é o de que quem está fora é o perigo. Na pública, o perigoso está dentro. No entanto, não se pode generalizar, pois há dissonância também nos índices e números.

Segundo dados do IDEB-201322, o Ensino Médio, no Brasil, se manteve em 3,7. Destes, a rede estadual, responsável por 97% das matrículas da rede pública, registrou o mesmo índice de 2011 (3,4). A rede federal alcançou 5,6, e a rede privada apresentou queda, passando de 5,7 para 5,4. Ou seja, os 3% de Ensino Médio público federal, ligado às universidades, melhorou mais que o das instituições privadas. Ao considerar a média das escolas privadas, o Brasil estaria em 18.º lugar em relação aos demais países. Contabilizando apenas as escolas públicas federais, o país passaria para o 7.º lugar. Entretanto, como a maioria dos estudantes frequentam as demais escolas públicas, o Brasil é classificado entre os últimos colocados.

A respeito disso, as DCNEMs (BRASIL, 2013(a)) assumem que para contrapor a esses desafios são necessárias a reorganização curricular, a formulação de diretrizes específicas para a etapa e, principalmente, reconhecer as reais condições de todo o sistema educacional a disposição do Ensino Médio. Os recursos humanos, financeiros e materiais da rede pública necessários para alcançar as condições ideais, em todo o território nacional, são diferentes em cada contexto cultural e em cada realidade dos jovens estudantes. Os índices do IDEB vão reduzindo quando as séries e níveis de ensino avançam, sendo menor o déficit nas escolas privadas.

Os estudantes, na etapa do Ensino Médio, “em maioria jovens, são portadores de experiências, sensibilidades e saberes que, muitas vezes, não cabem nos padrões ou cânones culturais e nas propostas curriculares escolares” (VIANA, 2014, p. 258). Todavia, o acesso a tantas informações nem sempre garante a formação para uma análise crítica de tantos discursos. A autora mencionada alerta para a necessidade de reflexão acerca de quantos conteúdos históricos, estéticos, políticos, éticos, afetivos, sociológicos que estão envolvidos nas expressões e nas escolhas dos estudantes. São reflexões que podem contribuir para mudanças curriculares no Ensino Médio público e privado que resulta também de construções históricas.

O discurso do MEC nas DCNEMs (2013), em diversos pontos do seu texto escrito, ressalta que o Ensino Médio público é prioridade de qualificação. Assim, o MEC assume uma concepção sistêmica e um compromisso explícito com o atendimento aos grupos que são discriminados pela desigualdade educacional, como o noturno, os rurais, indígenas e quilombolas. O MEC assume uma posição de concordância com as concepções da Unesco de que a qualidade da educação é uma questão de direitos humanos e que vai mais além da eficácia e da eficiência. Defende que o Ensino Médio, assim como as outras etapas da educação

sistêmica e formal, deve ser relevante no sentido de promover aprendizagens significativas. Precisa abarcar as exigências sociais, o desenvolvimento pessoal dos jovens estudantes de diversos contextos sociais e culturais, com diferentes capacidades e interesses. Defende também que a educação seja equitativa, contribuindo para “dirimir as desigualdades historicamente produzidas e garantindo a universalização do Ensino Médio” (BRASIL, 2013(a), p. 151).

Os cartunistas, a partir de sua área de atuação, apresentam um discurso que mescla experiências pessoais e a narrativa de significados captados de discursos veiculados socialmente. Cartuns e charges representam, em um único enquadramento, vários limites e dissociações difundidas pelo MEC e pela sociedade sobre o Ensino Médio. Quando tratam de escolas públicas costumam enfocar a precarização, o desinteresse com as aulas, a violência, professores desmotivados e acuados. Trata-se de um discurso renitente e insistente, que historicamente mostra a escola pública associada ao fracasso e ao descaso, como comprova a análise de Nascimento et alii (2015).

Esses discursos associados com a escola pública, encontrados nas falas de professores, pais, comunidade, funcionários e estudantes, têm movido as discussões sobre o Ensino Médio brasileiro. Tal discurso envolve uma estrutura, “conteúdos” e condições gerais sem dar conta de suprir as necessidades dos jovens estudantes, nem os objetivos governamentais voltados para a formação humana. Em contraponto, o MEC procura dar uma resposta, apontando soluções, ainda que pareçam idealizadas, para

oferecer aos nossos jovens novas perspectivas culturais para que possam expandir seus horizontes e dotá-los de autonomia intelectual, assegurando-lhes o acesso ao conhecimento historicamente acumulado e à produção coletiva de novos conhecimentos, sem perder de vista que a educação também é, em grande medida, uma chave para o exercício dos demais direitos sociais (BRASIL, 2013(a), p. 145). Contudo, a concretização desses discursos é marcada pela inoperância. Faz-se necessário envolver integralmente todos os sujeitos, que atuam no processo educativo, aliado às metodologias de ensino “inovadoras”, que ofereçam participação ativa, comprometida e interessada dos jovens estudantes. É uma ação que envolve o aprender, pautado em contextualizações, experimentações, em vivências e convivências nos espaços, nos tempos escolares, bem como nos extraescolares. Constituem, em suma, percursos educacionais que ajudam a concretizar um Ensino Médio diferenciado e mais sintonizado com os anseios de seu público.

As DCNEMs acrescentam que os currículos devem ser flexíveis, “com diferentes alternativas, para que os jovens tenham a oportunidade de escolher o percurso formativo que

atenda seus interesses, necessidades e aspirações” (BRASIL, 2013(a), p. 154). No entanto, o próprio MEC afirma que sua proposta de “redesenho curricular”, para o Ensino Médio, fundamentado nas áreas de conhecimento, “não dilui nem exclui os componentes curriculares obrigatórios definidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - Lei nº9.394/96” (BRASIL, 2014, p. 7). A finalidade, segundo o discurso do MEC, é assegurar a permanência dos jovens estudantes na escola até o final da Educação Básica, melhorando índices e cumprindo metas políticas.

O conjunto de temas e abordagens, que deve perpassar os componentes curriculares obrigatórios, gera uma imensa colcha de retalhos que, na prática cotidiana, encontra inúmeras dificuldades para ser costurada. Parece que tudo e todos necessitam estar em sintonia de objetivos e afluência de interesses. A sintonia é realmente possível quando consideramos a diversidade de interpretações a respeito do Ensino Médio? É esse o modelo de educação que os estudantes do Ensino Médio aspiram? É esse o Ensino Médio que a sociedade realmente deseja para a educação dos jovens estudantes? Quais são as reais demandas contemporâneas acerca da educação dos jovens e adultos?