A análise do discurso deste site se aplicará mais ao layout do que a arquitetura25, destinando a esta apenas algumas inferências necessárias a compreensão dos discursos.
25 Entende-se, a partir da relação indivíduo – ambiente virtual, como arquitetura da informação. Sua preocupação se centra no usuário, buscando a satisfação subjetiva, utilizando-se padrões de desenvolvimento de conteúdo para que não existam barreiras entre a busca e o entendimento, para que haja troca de informação clara e eficiente entre
Imagem 19: Home Page do site Pacto Nacional pelo Ensino Médio
Fonte: <http://pactoensinomedio.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=featured&Itemid=101>. Acesso em 06/06/2015.
o usuário e a interface. Objetiva que o usuário compreenda e encontre facilmente as informações que necessita, desempenhe suas tarefas com facilidade. Por fim, o projeto de Arquitetura da Informação documenta as regras de vocabulário controlado, o mapa e fluxo de informações do site e especifica as páginas do site e seus componentes nos chamados wireframes. Conforme http://zerojunior.com/arquitetura-da-informacao acessado em 10/06/2015.
Na área das artes gráficas, que se insere no design gráfico, o layout da página da internet é o mesmo que design. Trata-se da imagem composta de todos os elementos da página que são visíveis ao usuário, quando se acessa a internet. Engloba o arranjo, as formas, as cores, os caracteres tipográficos, movimento, gráficos, artefatos visuais diversos, entre outros, bem como a forma como se encontram representados em um determinado espaço.
O layout, que comporta as visualidades do site, tem influências importantes na interpretação dos discursos (BARICHELLO; STASIAK, 2007). Os elementos que apresentam essa relação são o conteúdo – dados visuais e tipográficos; a organização estética e os significados que evocam – como se destacam os links; os usos da hipermídia em relação a rápida identificação visual e interpretação de símbolos; os recursos de interatividade, o convite visual ao diálogo e a troca de informações. Para esta pesquisa, interessa atentar para os canais de comunicação e de mediação educacional que enfocam o Ensino Médio.
A home page acima destaca imediatamente os conteúdos que podem ser acessados e que conduzem a outros espaços, por um clique. A estética das interfaces gráficas da página, equilibram as formas, linhas e textos escritos, sendo distribuídos de maneira que o olhar do visualizador/interpretador “navegue”, a partir do topo esquerdo, em movimentos que possibilitam escolher qual percurso a realizar.
O azul como gama cromática predominante no layout aparece com frequência nas páginas da internet, possivelmente por apresentar pouca distorção na identificação da cor. Um fundo azul destaca qualquer outra cor de tonalidade quente. Esta combinação aparece em projetos minimalistas de sites institucionais. A simplicidade, focada pelo layout de estilo minimalista, “não dá muita importância a ‘como’ o site é visualizado, eles valorizam mesmo a facilidade de se encontrar a informação evitando que o visitante se distraia com elementos secundários no caminho” (SILVA, 2015(b), s.p.).
A simplicidade visual chama a atenção para a hierarquização de tipografias e imagens, para destacar conteúdos e discursos a serem interpretados com maior rapidez. Percebe-se a hierarquização da seguinte forma: a identificação do programa ou da instituição acima da estrutura de tabelas; no mesmo nível o espaço de busca da informação desejada; na sequência uma barra destacada com o menu escrito sucintamente, identificando objetivamente as cinco páginas que o site contém. Logo abaixo, um conjunto de símbolos que funcionam como sub-menus, destacados em tamanho maior. O quadro seguinte traz um texto informativo, que muda conforme o link acessado na barra de menus, tendo ao lado, duas fotos animadas em flash. Os quadros sequentes trazem, lado a lado, as últimas notícias e vídeos publicados.
No final da página, concentram-se os links para outros sites que contém conteúdos relacionados ao Ensino Médio. Encerra a página com um último quadro de informação, contendo um mapa do site e um link para contato. A estrutura visual geral da home page, como das demais páginas, gera contraste de tonalidade com o logotipo do Pacto Nacional pelo Fortalecimento do Ensino Médio, para facilitar a leitura do que se apresenta como mais importante. O mesmo procedimento é usado para destacar títulos em relação a conteúdos.
Os textos curtos e a linguagem de rápida compreensão revelam uma preocupação com as interações discursivas produzidas. Conforme Bastos (2010), o visualizador/interpretador navegador “prefere parágrafos curtos e objetivos”, refletindo a diversidade e velocidade do tempo que disponibiliza para a leitura e interpretação. Há um alinhamento e integração entre a linguagem e o discurso na evidente busca em dar conta das especificidades dos diferentes públicos para qual o discurso se volta, embora a organização estética não pareça eficientemente atrativa aos jovens. Possivelmente, por possuir um layout de sites institucionais voltado para adultos e apresentar apenas um ponto com movimento, revelando um discurso de “inovação” em uma materialidade visual tradicional.
Entre as hierarquizações estão a distribuição, à direita, da estrutura e, na parte inferior, os links para outras páginas do site. Nestes, o visualizador/interpretador tem acesso pelo processo interativo a outros conteúdos, o acesso a outros conhecimentos e espaços para a coprodução de discursos. Os links exploram símbolos, logotipos e elementos visuais agradáveis, ou que captam rapidamente a atenção do visualizador/interpretador, como a cor e o movimento. A intenção parece ser a de destacar mais os links que conduzem o público aos diversos conteúdos formativos que abarcam entrevistas, textos, vídeos, imagens diversas, conteúdos para e sobre juventude.
Em destaque, na parte de cima da página, está a identidade visual do MEC representado pela predominância da cor azul e verde, junto o logotipo do “Pacto pelo Ensino Médio”. Os links trazem espaços de conhecimento que contemplam as artes em todas as suas modalidades e linguagens, como a página da internet da TV Escola. Esses elementos se repetem em todas as páginas que compõem o site. Entretanto, existem poucas inferências consideradas “inovadoras”, como as animações e representações multimídias, como mencionado anteriormente.
Outro fator que contraria o sentido de “inovação” está no fato do site não conter meios de acessibilidade. Corrêa (2005, p. 105) concebe que a educação nos espaços virtuais, envolvendo as TICs, assumem “uma competência social, pois, sua performance deve encaixar-
se nos padrões existentes das interações humanas para que ela seja significativa num sistema social específico”.
Entretanto, deve-se pontuar que, a educação não formal é considerada uma “área do conhecimento em construção”, especialmente a desenvolvida pela “mídia eletrônica” (GOHN, 2006, p. 29). As mídias eletrônicas configuram-se como arenas sociais em que
novas mídias artísticas e multimídias, como a web (internet) e o processamento digital, [...] veiculam imagens de informação, de arte, ciência, ficção, publicidade e cultura popular, enfatizando o papel e importância das visualidades e das mídias visuais no nosso cotidiano e na disseminação de ideias nas esferas pública e privada (TOURINHO e MARTINS, 2011, p. 52).
O importante é a intencionalidade que há na educação não-formal, na ação de “participar, de aprender e de transmitir ou trocar saberes” que é “abrir janelas de conhecimento sobre o mundo que circunda os indivíduos e suas relações sociais” (GOHN, 2006, p. 29).