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Traumebehandling i praksis - del 2

In document NAF orum (sider 70-75)

Laryssa Tatyane da Silva Farias (UFCG) Maria Aline Rodrigues Bezerra (UFCG) Magnólia de Negreiros Cruz (UFCG)

RESUMO

Ilustradora, cineasta e escritora, Marjane Satrapi transfigura em Persépolis uma experiência da qual ela foi tanto observadora quanto participante efetiva. Desta forma, considerando a literatura como um propósito comunicativo e a importância desta para se discutir temas da mais alta relevância, vimos uma necessidade de trabalhar o texto literário com outras possibilidades, sendo o gênero história em quadrinhos um destaque por sua forma atrativa que estende-se para qualquer faixa etária. Diante do conjunto de temáticas que a obra apresenta, este trabalho tem por objetivo analisar de que maneira a perspectiva feminista aparece na obra citada dentro de um contexto histórico, social e literário. Nossa abordagem teórica levará em conta os pensamentos de Mentor (2013) para falar sobre o gênero quadrinhos, Rago (2004) e Beauvoir (2016) ao tratar sobre o feminismo – sendo esta última uma das maiores teóricas do feminismo moderno -, e Antonio Candido (2010) acerca da relevância social da literatura. A metodologia é de caráter qualitativo, a qual desenvolvemos a partir dos conceitos de Minayo (1994) e Pinheiro (2011). Acreditamos que este trabalho possa contribuir para a desconstrução de alguns valores tradicionais rotulados pela sociedade referentes ao feminino, e outras temáticas sociais polêmicas apresentadas na obra analisada. Também abordaremos a relevância que a história em quadrinhos possui, por ser um texto que desperta a atenção do leitor tornando o mesmo mais atrativo.

PALAVRAS-CHAVE: Persépolis; Feminismo; Quadrinhos.

ABSTRACT

Illustrator, moviemaker and writer, Marjane Satrapi presents in “Persépolis” an experience she has been through as an observer and as a participant. Considering literature, its communicative purpose and its importance to discuss certain relevant topics, we observed this as an opportunity to study the literary text and its other features, considering the genre comic book different due to its structure which makes it attractive for every age category. In the face of the number of issues presented on the book analyzed, this paper’s purpose is to observe how feminism is being presented on the story according to its historical, social and literary context. Theoretically we are supported by the researches made by Mentor (2013) to discuss the gender comic book, Rago (2004) and Beauvoir (2016) to talk about feminism – considering her one of the best writers about the modern feminism - , and Antonio Candido (2010) about the social relevance of literature. Methodologically, this is a qualitative research, which was developed from the concepts presented by Minayo (1994) and Pinheiro (2011). We believe that this paper can contribute to a deconstruction of some traditional values labelled by society regarding feminism, and other social and

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polemic issues presented on the book analyzed. We also discuss the relevance that comic books have by being a text that elicits the reader’s attention and makes the history itself more attractive. KEYWORDS: Persépolis; Feminism; Comic books.

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Introdução

As histórias em quadrinhos – HQs32 – são narrativas híbridas que contém texto e imagem estabelecendo uma ideia de complementaridade entre ambos. Surgiram como gênero por volta do século XIX para o século XX na Europa e nos Estados Unidos, e através de publicações em jornais e revistas, a narrativa expandiu-se para todo o mundo.

O texto escrito e o não escrito andam juntos no quadrinho, a relação da imagem- texto nesse gênero é primordial, principalmente quando temos uma obra como “Persépolis”, escrita por Marjane Satrapi, em que as temáticas são pouco conhecidas no contexto ao qual estamos inseridos - por se tratar de questões históricas e sociais referentes ao Irã. Com isso, há um objetivo por trás de toda essa estratégia mencionada anteriormente: alcançar o maior número de leitores possíveis e desconstruir a ideia de que o gênero é específico para uma determinada idade, além de apresentar temáticas pouco conhecidas pelo público leitor.

Há uma certa preocupação em construirmos uma discussão que fosse agregar não só os estudos sobre HQs, por isso temos como principal objetivo neste trabalho analisar de que modo questões referentes ao feminismo aparecem na obra “Persépolis” (Satrapi, 2007) em seu contexto histórico e social, além de contribuir com a desconstrução de valores tradicionais sobre esta temática (o feminismo) que é tão pertinente na obra.

Falar sobre o porquê de termos escolhido “Persépolis” se trata mais do contexto atual em que vivemos na sociedade, pois o livro o feminismo a partir de questões sociais e culturais referentes à vida da personagem/ autora da obra. Marjane é uma mulher iraniana que viveu sua infância e parte de sua adolescência no contexto de guerra no seu lugar de origem. A obra é autobiográfica e isso significa que a própria autora, como narradora, conta sua história, uma narrativa marcada por guerra, repressão, machismo e mudanças no Irã, país de origem da personagem/autora.

Nossa metodologia é de caráter qualitativo, ou seja: não trabalhamos com a descrição de dados e sim com o estudo e a análise dos mesmos, estes encontrados na referida obra autobiográfica. Usamos os seguintes autores para embasar nossos estudos

32 A partir desse momento vamos nos referir ao gênero história em quadrinhos utilizando a sigla HQs.

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metodológicos: Pinheiro (2011) e Minayo (1994), tendo este último uma visão da: “abordagem do conjunto das expressões humanas constantes nas estruturas, nos processos, nos sujeitos, nos significados e nas representações” (MINAYO, 1994, p. 15). E a partir do primeiro, Pinheiro (2011), obtemos uma perspectiva da pesquisa em literatura. O escolhemos por tratar especificamente de uma obra voltada para a pesquisa em literatura, pois “algumas expressões usadas pela terminologia da metodologia científica nem sempre são apropriadas ao trabalho com literatura.” (2011, p. 17).

Este trabalho foi dividido nas seguintes partes: fundamentação teórica, explicando a visão dos autores escolhidos para embasar os estudos nas áreas discutidas como o gênero da obra (HQ) apresentado por Mentor (2013), abordamos ainda o feminismo a partir da perspectiva de Beauvoir (2016), Tiburi (2017) e Rago (2004), e o contexto histórico social por Antonio Cândido (2011). Em seguida, temos a análise da obra, que consiste em uma descrição sobre como o feminismo se perpassou naquele exato contexto histórico, e os aspectos históricos culturais que em que ele se insere.

Gênero história em quadrinhos

Esse gênero que encanta todas as idades, sendo mais popular entre crianças e adolescentes, por muito tempo foi rotulado, de “subgênero”. Mentor (20013) pontua que as HQs eram consideradas “sinônimo de evasão, de relaxamento, de leitura fácil” (p. 22). Por conta disso, algumas pessoas possuem um certo preconceito, uma vez que consideram o gênero destinado apenas para determinada faixa etária, dizendo não serem mais jovens para ler histórias em quadrinhos. Desse modo, o autor conceitua que parte do preconceito para com o gênero é decorrente da ignorância, da falta no exercício das competências de interpretação visual e verbal de ler quadrinhos, isto é, de ler os desenhos, as imagens, compreender suas ligações e através das experiências ficcionais abarcadas, ser levado involuntariamente a uma associação e assimilação com a vida real.

Mentor (2013) identifica que “as HQs são extremamente ricas em aspectos linguísticos e artísticos”(p. 23). As noções linguísticas compreendem um aspecto narrativo, envolvendo a descrição do quadro, da situação ou das ações e a forma de diálogo. Já seu valor artístico, como cita Mentor, é “avaliado por diversos critérios, tais como: texto, traço, cor, diagramação, entre outros” (2003, p. 23-24) elementos que

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facilitam a percepção do leitor. Complementando, o autor diz que a dialogicidade desses elementos ultrapassa as classificações de quadros, balões e onomatopeias.

De acordo com Neves (2010) o texto é configurado num gênero em vista de um propósito. Sendo assim, o gênero HQs traz configurado em si um texto verbal e não verbal com um propósito – muitas vezes – atrativo, humorístico, ficcional, tratando também de temas existenciais e promovendo uma reflexão crítica.

Segundo Mentor (2013), as HQs possuem uma configuração no seu código icônico ou visual que envolve imagem, espaço, cores e distribuição de planos, os quais, em consonância, constituem a mensagem. Para tanto, exige-se do desenhista/artista habilidade, originalidade e criatividade no arranjo desses códigos no intuito de proporcionar ao leitor uma dinamicidade expressiva e comunicativa da mensagem verbalizada e não verbalizada ali presente.

É notável como a relação entre quadrinhos-literatura pode desenvolver diferentes formas de contar histórias. A quadrinização literária tornou-se uma forma de disseminação do texto literário e uma popularização do mesmo, que conquista o interesse dos leitores pelas produções com apelo visual. A adaptação de obras da literatura para a linguagem dos quadrinhos transfigura uma leitura mais agradável e acessível, permitindo uma melhor assimilação do conteúdo tratado ao público.

As HQs mais famosas são aquelas que contam a vida dos super-heróis, estas que foram materializadas na arte sequencial e vêm ganhando espaço no universo cinematográfico que cada vez mais investe em adaptá-las para as telas. Mas as histórias em quadrinhos não se resumem apenas nas aventuras de personagens providos de superpoderes. Marjane Satrapi, por exemplo, utilizou a história em quadrinhos para narrar sua história de vida no livro “Persépolis”.

Literatura e sociedade

O conceito de literatura tem mudando com o tempo e podemos classificar esse aspecto como sendo um estudo sincrônico. Como cita Candido:

A literatura é uma transposição do real para o ilusório por meio de uma estilização formal da linguagem, que propõe um tipo arbitrário de

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ordem para as coisas, os seres, os sentimentos. Nela se combinam um elemento de vinculação à realidade natural ou social. (2010, p. 53) Ou seja: a linguagem é transmissão do pensamento de um determinado indivíduo, e esse pensamento está ligado ao real e social. Antonio Candido de Mello e Souza nos apresenta em suas obras uma base para o debate da formação literária nacional, associada aos estudos de nossa construção sociológica.

Entendemos por literatura, fatos eminentemente associativos, obras e atitudes que exprimem certas relações dos homens entre si e que, tomadas em conjunto, representam uma socialização dos seus impulsos íntimos. Toda obra é pessoal, única e insubstituível, na medida em que brota de uma confidência, um esforço de pensamento, um assombro de intuição, tornando-se uma “expressão. “A literatura, porém, é coletiva, na medida em que requer uma certa comunhão de meios expressivos (a palavra, a imagem), e mobiliza habilidades profundas que congregam os homens de um lugar e de um momento, para chegar a uma ‘comunicação’” (CANDIDO, 2010, p. 147).

Sendo assim, a autora Marjane Satrapi obteve sucesso por conseguir unir os dois elementos da sua autobiografia: o gênero HQ que trata do aspecto visual, do que chama atenção (pelo menos de início); e o conteúdo que há na obra (o texto). Como dito anteriormente, ela apresenta temáticas que talvez não ganham tanta atenção quanto merecem, como o contexto de guerra e cultura do Irã, estas que foram abordadas de uma forma um tanto quanto estratégica para alcançar o maior número de leitores, não só o público infanto-juvenil.

Antonio Candido reflete sobre uma simples enumeração das modalidades mais comuns de estudos de tipo sociológico em literatura, esses estudos são feitos conforme critérios mais ou menos tradicionais: “Estudos que procuram verificar a medida em que as obras espelham ou representam a sociedade, descrevendo seus vários aspectos” (CANDIDO, 2010, p. 19). E isso é “Persépolis”: uma história contada de forma descontraída através do gênero HQ, atingindo o maior número de leitores possíveis.

O livro se relaciona com a obra de Antonio Candido quando deixamos de vê-lo apenas como um livro infanto-juvenil 33e começamos a percebê-lo como uma narrativa que vai tratar de uma história real, cronológica, abordando problemáticas sociais atuais,

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nos fazendo até mesmo conhecer uma cultura que é tão desconhecida para nós como a cultura Iraniana.

Uma visão do feminismo para todas, todes, e todos

O Feminismo se desenvolveu como um movimento filosófico, social e político por volta do final do século XIX para início do século XX. Essa ação ideológica é pautada na tentativa de se discutir e conquistar a igualdade entre os homens e as mulheres, tendo como base os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade adotado nas primeiras fases da Revolução Francesa. Com o decorrer dos séculos a construção da história do movimento feminista, aos poucos, conquistou diversos direitos reivindicados pelas mulheres e vem adquirindo maior visibilidade, principalmente pelos meios de propagação, sendo um deles o literário, o qual abrange várias escritoras que discutem e defendem a causa, como é o caso de Simone de Beauvoir (2016), Rago (2004) e Marcia Tiburi (2017).

Partindo desse pressuposto, Marcia Tiburi (2018) apresenta que o “Feminismo é uma dessas palavras odiadas e amadas em intensidades diferentes. Assim como há quem simplesmente a rejeite a questão feminista, há quem se entregue a ela imediatamente” (p. 07). O movimento feminista é, na verdade, o mais inovador dos movimentos contra o patriarcado – sistema masculino de opressão das mulheres – por ser o mais inclusivo. Mas, para isso, faz-se necessário manter o movimento unido e, ao mesmo tempo, aberto ao diálogo.

Desse modo, em tempos de discussões cada vez mais pertinentes sobre assédio sexual, lugar de fala e direitos das mulheres, se torna um pouco repetitivo falar sobre feminismo, pois, em sociedade criou-se a imagem de que feminismo é uma ideia de valorizar, elevar ou até mesmo favorecer o direito de apenas um gênero, obviamente o gênero feminino. O maior combate do feminismo além do preconceito é a igualdade entre os gêneros, isto é, não favorecer uns mais e outro menos.

Assim sendo, “o feminismo firmou um compromisso social” (RAGO, 2004, p. 9) cuja meta é conquistar a igualdade de direitos entre mulheres e homens, isto é, garantir a participação da mulher na sociedade de forma equivalente à dos homens. Ao considerar esta afirmação Rago reforça:

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O feminismo, tanto enquanto teoria, como enquanto prática, teve e tem uma função social eminentemente política, por seu potencial profundamente subversivo, desestabilizador, crítico, intempestivo, assim como pela vontade que manifesta de tornar o mundo mais humano, livre e solidário, seguramente não apenas para as mulheres. (2004, p. 13)

Entender como tudo começou é essencial, pois o contexto histórico referente ao feminismo desde então pertence aos machos34, e não há razões que sejam suficientes para explicar o porquê, pois as atividades destinadas a eles sempre eram sinônimo de força e coragem, enquanto as mulheres eram destinadas a ficarem em casa cuidado dos filhos; logo, não sobrava tempo de dedicar-se a outras atividades. E dentro desse contexto histórico, hoje, podemos afirmar as diversas vertentes em que as mulheres se inserem, no âmbito político assim como os negros, gays, moradores de rua, indígenas, deficientes físicos, etc.

É importante levar em consideração que o Feminismo além da lutar por direitos específicos, também abre espaço para que as mulheres possam refletir, questionar e discutir as relações e as decisões relativas às suas vidas com liberdade e autonomia, para serem quem são e viverem como quiserem sem ninguém impondo regras ou dizendo como é que elas devem agir, se vestir, o que devem dizer ou o que devem fazer com seus próprios corpos.

Em “Persépolis”, ao relatar sua condição feminina com relação aos costumes e padrões postulados no Irã, Marjane Satrapi retrata que muitas vezes foi vítima de preconceito gerado pela tradição do seu lugar de origem. A cultura do país demanda grande rigidez quando se trata de aspectos culturais, por exemplo, nas vestimentas. Mulheres não podiam usar calça, nem tirar o véu, pois essas práticas eram sinônimos de pontapé para excitação dos homens, ou seja, a mulher “pedia” para ser desejada. Ouvir músicas diferentes de cantores americanos, por exemplo, também não cabia naquele momento.

Na obra analisada, temos uma grande questão que nunca deixou de existir: a religião, sendo esta - no Irã - um dos argumentos que se tem para que as mulheres não quebrem as regras de conduta social. Dessa maneira, Marjane se insere nesse quesito por ser privada de ter alguns hábitos considerados impróprios. Dentro disso, Beauvoir (2016) menciona: “A maldição que pesa sobre a mulher vassala reside no fato de que não lhe é

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permitido fazer o que quer que seja: ela se obstina então na impossível procura do ser através do narcisismo, do amor, da religião.” (p. 503). Isto posto será exemplificado na análise da obra, esta que apresentamos em seguida.

Análise do contexto sócio histórico em “Persépolis”

Segundo Gancho (1995), as narrativas se estruturam de acordo com os seguintes elementos: enredo, personagens, tempo, espaço e narrador. Na obra aqui analisada, a narrativa se apresenta com tempo cronológico, pois seu enredo se concentra na contextualização da vida da autora durante a revolução Iraniana, através de temáticas com bastante relevância social, em especial o feminismo. Como protagonista e narradora, Marjane Satrapi apresenta personagens secundários, como por exemplo: seus pais, avó, tio, amigos que marcaram partes de sua vida. Por fim, o espaço se efetiva durante sua infância e começo da adolescência no Irã, em seguida, a transição da adolescência para fase adulta que se passa na França e na Áustria, retornando um tempo depois para o seu país de origem.

Na obra, a partir do gênero pela qual ela se configura (HQ) destaca-se a sua organização em quadrinhos com ilustrações em preto e branco, sendo uma escolha da autora que ajuda a dar expressividade à narrativa, demarcando assim o ambiente opressor e de guerra pelo qual a história se constitui, do mesmo modo que projeta e reforça os sentimentos da protagonista.

Nascida em Teerã, Marjane Satrapi viveu na queda da ditadura pró-ocidental do Xá Reza Pahveli, à chegada da revolução Iraniana, em 1979, um misto de modernização e democratização em seu país. Dessa forma, o Irã no século XX é marcado por transformações sociais e comportamentos não muito tradicionais ocorridos após a chegada dos xiitas ao poder.

É questão cultural do país o gênero feminino ser mais retraído, submisso e de haver uma naturalização das coisas quando se trata das mulheres e direitos sociais das mesmas. Um exemplo que comprova essa demarcação anteriormente mencionada, foi a aquisição do véu, pois na verdade as vestimentas eram motivo maior de repressão, já que as mulheres que usavam roupas que demarcavam o corpo e que mostrassem o cabelo eram

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consideradas impróprias. Na imagem em anexo (Figura 01) 35é possível observar como algumas mulheres se portavam diante do que se era exigido, mostrando também que, por baixo do véu, cada mulher usava o cabelo da forma que bem entendia.

Numa sociedade em que se defende violência, ausência de democracia e intolerância, os pais de Marjane, liberais, se viam reféns da falta de liberdade de expressão. Porém, ensinavam tanto a importância dos valores da religião quanto as vontades próprias, como é exemplificado na Figura 02.36

A tradição é alvo de muita atenção na obra, e é notório e impossível ler a mesma sem estar sendo seguido por essa ideia, pois com isso o Irã instaura costumes novos, não para melhorar a situação da sociedade, mas sim para piorar e embasar a falta de sentido sobre as mesmas questões. Desse modo, o comportamento da mulher também passou a ser controlado. A altura inadequada no uso do véu já era suficiente para a mulher mulçumana ser chamada de “vadia”, pois nenhum fio de cabelo poderia estar à mostra senão já indicava que ela estava provocando os homens. Para isso tinham-se a patrulha e as mulheres da revolução que possuíam a função de prender as pessoas que não seguiam corretamente os costumes, aspecto que é representado na Figura 0337.

Análise do feminino em “Persépolis”

Fica exposto na obra de Marjane que ser mulher, no contexto em que ela apresenta, é ser uma pessoa subordinada por sua condição biológica, é estar sempre preocupada em cobrir o corpo para que os homens não sejam atiçados, é lutar cotidianamente para libertar-se das correntes do patriarcado e fundamentalismo islâmico. O feminismo islâmico é sinônimo da libertação da mulher, e há diversos aspectos explícitos no livro que deixam claro o embate de algumas mulheres por uma sociedade

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