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Transient dysfunction: Life during the first period after the flood

Flood and Vulnerability: An Assessment of Livelihoods before, during and after the Flood

6.3 Transient dysfunction: Life during the first period after the flood

A princípio, as atividades são idênticas, ambas requerem que o aprendiz ordene frases na sequência dos acontecimentos do “texto”. Tipo de exercício que demonstra, de acordo com Silveira (1999), uma abordagem tradicional de ensino, onde o aluno não tem voz, na qual ele simplesmente recebe informações para, em seguida, exibir o que foi capaz de memorizar, sem nenhum significado para sua aprendizagem, sem que se exija a capacidade de usá-la em situações efetivas de comunicação. No entanto, o que as diferem é a forma como os recursos tecnológicos e pedagógicos foram utilizados. Outro problema encontrado é a falha quanto às informações: na atividade do documento do aluno, o aprendiz precisa saber que essa atividade só pode ser realizada após assistir o episódio do curso Reflets-Brésil e não há menção quanto a este requisito. Ainda cabe ressaltar que o aprendiz deve ter o material impresso para realização da atividade, cujo documento encontra-se em arquivo no formato PDF. Pode ser que a atividade disponibilizada dessa forma atenda muito menos estilos de aprendizagem que de outra, pois mesmo que o aprendiz tenha maior preferência pelo estilo de aprendizagem visual- verbal, ou seja, preferem ler as informações (PRATT; PALLOFF, 2004), a forma como esta atividade é trabalhada pode deixar o aprendiz on-line enfadado.

QUADRO 3 – Atividade extraída do documento de trabalho do aluno

FIGURA 20 – Exercício de Compréhension do Reflets-Compréhension da lição 5 do curso

Outro aspecto que diferencia a atividade do curso Reflets-Brésil da atividade do documento do aluno é seu design, o aspecto visual-verbal apresenta-se mais interessante que no documento do aluno. Nesta atividade, mesmo os recursos tecnológicos não sendo mobilizados para propor outro tipo de atividade mais dinâmica, que possibilite ao

aprendiz colocar em prática ou exercer capacidades comunicativas, pode ser que a interatividade leve-o a buscar algo além do proposto pela atividade, por não ser tão enfadonha quanto a presente no documento do aluno. No entanto, essa interatividade não traz inovações metodológicas para o curso, o aprendiz, por exemplo, é submetido a respostas automáticas ao finalizar a atividade. Caso tenha conseguido responder as questões de forma correta, recebe um estímulo Félicitations, toutes vos réponses sont correctes! e passa automaticamente para a próxima atividade, caso contrário é advertido Mais que ce passe-t-il? Toutes vos réponses sont fausses! e tenta novamente. Essa prática revela outro enfoque dado à atividade, o de um ensino baseado em uma perspectiva behaviorista, em que o estímulo- resposta- reforço é “virtualizado” por meio dos recursos disponíveis.

FIGURA 22 – Reforço positivo após a finalização da atividade

Por outro lado, mesmo a atividade do curso Reflets-Brésil mostrando-se uma reprodução da atividade do documento do aluno de forma mais agradável, sem inovação no que tange aos aspectos pedagógicos, ela pode, ainda, ser considerada mais adequada ao AVA. Além do aspecto visual-verbal, que se apresenta esteticamente mais bonito que no documento do aluno, o aprendiz também é situado quanto à realização da atividade. A atividade não se apresenta deslocada como no documento do aluno, pois além do episódio (texto) anteceder a atividade, há o desenvolvimento da compreensão “textual” realizado pelos apresentadores do curso, a fim de contextualizar o aprendiz sobre as atividades propostas. Eles dialogam a respeito do episódio (texto) da lição, relembrando fatos e mencionando trechos que possam ser importantes para a compreensão do aluno, de forma descontraída.

FIGURA 23 – Apresentadores dialogando sobre o episódio

Durante esse diálogo, é comum o retorno ao episódio, com o objetivo de fixar o que está sendo dito pelos apresentadores e reforçar a compreensão do aprendiz.

Ao comparar a atividade do documento de trabalho do aluno e a disponibilizada no curso on-line, não pretendo questionar a validade dos materiais impressos, pois atividades no papel podem contemplar estilos de aprendizagem de alunos que tenham “apego” ao concreto do papel, ou senão aos que preferem responder às tarefas quando não estão on-line. No entanto, creio que o aprendiz on-line possa interessar-se mais por atividades interativas que conjugue mídias e atividades virtuais.

As tarefas disponíveis para impressão em um curso virtual podem ser bons complementos, desde que reformulados de modo a adequar-se ao AVA, no sentido de não se restringirem à mera reprodução de abordagens tradicionais de ensino e que não contradigam a lógica da aprendizagem on-line.

Percebo que parece haver dificuldade dos educadores e desenvolvedores de cursos educacionais virtuais em criar metodologias e meios criativos para explorar e aproveitar melhor as potencialidades da internet. Essa dificuldade mostra-se presente no Reflets-Brésil. As atividades analisadas são idênticas e não contemplam aspectos que possam desenvolver capacidades comunicativas do aprendiz.

A atividade on-line, embora tenha um design melhor, não aproveita bem as mídias para arquitetar tarefas que envolvam interação entre pares. Sendo assim, pode ser que tanto o material digitalizado para impressão quanto o virtual estejam mal elaborados e adotem metodologias insuficientes para o ambiente em que estão inseridos, estando ambos, a meu ver, problemáticos. A internet requer metodologias, atividades próprias, que sejam capazes de atender um número variado de estilos de aprendizagem, utilizando suas funcionalidades para isto. Percebo que se repetem nos sites abordagens presenciais tradicionais “transvestidas” de novo e adotam-se procedimentos que falham, mesmo em contextos presenciais de ensino.