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Training deep networks

Dentre as estratégias adotadas para o fortalecimento dessa lógica, tem-se buscado apoio nas ciências humanas, sobretudo, na psicologia comportamental107 da qual muito tem sido emprestado para a conformação de uma estrutura que permita a constituição de sujeitos cada vez mais manipuláveis e conformadas.

De acordo com Skinner (1967), inspiração teórica adotada para esta formulação, corremos riscos ao chamar atenção para esse “objeto de sedução” que os estudos e mecanismos de entendimento do comportamento humano exercem na conformação da lógica gerencial. É ele mesmo que nos chama atenção para a dificuldade de lidar com esse campo da psicologia porque o comportamento é uma matéria difícil, não porque seja inacessível, mas porque é extremamente complexo. Desde que é um processo, e não uma coisa (...). (p. 17).

Portanto, acreditamos que é exatamente a compreensão desses mecanismos que passa a nos interessar e que neste momento torna-se fundamental para o entendimento da maneira como a inculcação e incorporação de novos comportamentos se processa dentro dessa lógica. Portanto, ensejamos esclarecer as uniformidades, as técnicas, as novas linguagens108, as posturas e etc, e investir na possibilidade de torná-las explícitas.

Neste sentido, justifica-se a excessiva preocupação com a incorporação, com a racionalização da premiação, onde o comportamento humano pode ser controlado e recompensado (de forma positiva ou negativa). No campo das teorias organizacionais Chiavenato (1981 – vol. 1) nos diz, à luz de Lawer III, que encontrou evidências de que o dinheiro pode motivar não apenas desempenho, como também companheirismo e dedicação (p. 96).

Ora em se tratando aqui de uma ciência que estuda o comportamento e que nos fala de sua possibilidade adaptativa por meio do reforço positivo ou negativo, inferimos que outros comportamentos, que não esses que se colocam no campo das positividades podem também ser evidenciados, como: disputas, ambição, individualismo, tristeza e

107 Entendendo-a como uma psicologia que dá ênfase às interações entre as emoções, pensamentos e comportamentos dos indivíduos, onde o condicionamento é um mecanismo de aprendizagem de um novo comportamento. (SKINNER, 1967).

108 A despeito disto Frigotto (no prefácio de GURGEL, 2003) nos diz que é sob esta nova materialidade que se produz, também, um novo arsenal de noções ideológicas que constituem, para Bourdieu, P. & Wacquant L. uma espécie de uma “nova língua” ou uma nova vulgata (...). (p. 12).

etc. Esta certamente é uma preocupação que não se pode perder de vista ao acionar os mecanismos de premiação.

No caso das escolas com a premiação ou sanções sendo efetivadas como conseqüência direta da ação desenvolvida pelos indivíduos. Portanto o condicionamento operante passa a ser um mecanismo de aprendizagem de um novo comportamento, e vai realizar-se por meio de um processo de modelagem respondente dos indivíduos, tendo como instrumento fundamental o reforço 109.

Sobre o exercício e grau de controle nos fatos reais, Skinner (1967) nos diz que:

(...) Na indústria se mantém o controle bastante amplo das condições relevantes para o comportamento sob a forma de salários e condições de trabalho; nas escolas, sob a forma de notas e condições de trabalho (...).

Hoje, temos também o controle por meio dos mecanismos de premiação, que bonificam e segregam110 professores, alunos e gestores, por meio de bônus, viagens e etc. Consideramos que essa tendência de segregar presente na lógica da premiação, está diretamente ligada aos valores educacionais que tem no liberalismo, por meio do individualismo, a ampliação do isolamento presente hoje nas várias atividades da vida.(...) como a ciência do comportamento continuará a aumentar o uso eficaz deste controle, é agora mais importante do que nunca compreender o processo implicado e prepararmo-nos nós mesmos para os problemas que certamente surgirão (Idem, p. 21).

Dentre eles podemos elencar a ampla utilização dos recursos e técnicas de treinamento (ou seria adestramento) do conhecimento humano nos cursos de capacitação e formação de alunos e profissionais das mais diferentes áreas, nas empresas o tão estratégico “setor de “recursos humanos”, para quem:

A organização viável, do ponto de vista de recursos humanos, é aquela que não apenas capta e aplica os seus recursos humanos adequadamente, mas também os mantém na organização (CHIAVENATO, 1981. Vol. 1. p. 9).

109 As teorias da Psicologia comportamental, seus principais representantes e base estrutural utilizadas podem ser conferidas em Skinner (1967), Holland & Skinner (1969).

110 Sobre a segregação utilizamos a elaboração de Dewey que nos fala da possibilidade de classificação de modo geral de vários aspectos da vida. Para ele “Existe mesmo alguma vantagem nessa classificação (...) para se conseguir dar mais amplitude e plasticidade à empresa da educação” (DEWEY, 1952).

Compreender o comportamento humano como possibilidade de por essa via estabelecer um universo de conexões possibilitadoras de sentimentos de “mais felicidade” e realização humana tem sido um campo que muitos tem se ocupado em estudar. Compreender o comportamento humano pelo desejo de fazer algo a respeito – querer tornar os homens mais felizes, mais eficientes e produtivos, menos agressivos, e assim por diante (Ibidem, p. 23).

Evidenciamos cada vez mais, a busca pelos elementos de conexão entre o desenvolvimento humano e os contingentes de inserção social da humanidade. Subsídios, que assumem, dentro da lógica mercadológica, uma perspectiva utilitária, passando a ser vista como instrumento de regulação, modelagem e controle.

Neste sentido, o comportamento humano é seguido pelas teorias do reforçamento, sem ultrapassá-lo. Isto, explicado, pela necessidade de desenvolvimento de uma espécie e do comportamento de cada um dos seus membros, tendo em vista a ação seletiva das contingências necessária à sobrevivência, alimentadas, portanto, pelas contingências de reforço. Tanto a espécie quanto o comportamento do indivíduo se desenvolvem quando são modelados e mantidos pelos seus efeitos sobre o mundo à sua volta. Desta forma, para Skinner, este é o único papel do futuro (SKINNER, 1967).

Para ele, no condicionamento um mecanismo é fortalecido no sentido de tornar uma resposta mais provável, ou melhor, com maior freqüência operante. Comportamento este que é controlado por contingentes de estímulo, resposta e reforço, segundo estrutura desenvolvida por Skinner (1967).

Eis então o que vamos chamar do estabelecimento de um "novo padrão de gestão". Modelo que localiza no condicionamento operante respondente de Skinner, os elementos necessários a assunção pelos sujeitos dos mecanismos de propagação de uma lógica que tem como característica a difusão, perpetuação e controle do pensamento dominante e dominador.

A síntese e a crítica

Presenciamos a influência da psicologia comportamental presente nas práticas instrucionais contemporâneas. O que reforça nossa hipótese de que este padrão de gestão advindo de modelos de organização e de gestão do trabalho representa uma tendência que se alimenta das mesmas bases científicas e que vem sendo ideologicamente traduzida para as diferentes esferas organizacionais e está cada vez mais presente nas ações desenvolvidas no interior das escolas e sistemas educacionais.

Como vimos, muitos se ocupam por estudar o comportamento humano pelo desejo de fazer algo a respeito do desejo de querer tornar os homens mais felizes, mais eficientes e produtivos, menos agressivos, e assim por diante.

A experiência de gestão desenvolvida na escola que é objeto de nossa pesquisa, bem como de outros tantos estados e municípios brasileiros nos permite supor que essa tendência se consolida cada vez, pois, tem sido exatamente essa idéia de transformação da sociedade por meio do trabalhar o comportamento humano, que têm sido requeridas pelas grandes corporações e movido as grandes agências de treinamento e recursos humanos, tendência que vem servindo inclusive de referência para programas de formação em diferentes áreas. Inicialmente essa presença foi largamente utilizada nos curso de administração, economia e engenharia de produção (GURGEL, 2003).

Ao estabelecermos a utilização dos métodos das ciências no campo dos assuntos humanos, neste caso, a ciência seria a psicologia comportamental, e os assuntos os educacionais, consideramos o pressuposto Skineriano de que o comportamento é algo ordenado e determinado (SKINNER, 1967), portanto, o que o homem faz é, antes de mais nada, resultado de um conjunto de condições que podem ser especificadas e até certo ponto determinar as ações por ele desenvolvidas (SKINNER, 1967).

Isto posto, desagrada a crença dos que lutam pela construção e garantia dos direitos do homem como um ser livre, entendendo o comportamento humano produto e não condição primeira para suas atitudes. Assim, encaminha-se contraditoriamente aos aspectos que outrora sobressaíam nas agendas dos movimentos sociais organizados, sobretudo na década de 1980, onde as bandeiras de lutas e conquistas foram pautadas por perspectivas democratizantes, participativa e, sobretudo, hoje, no campo da educação pela busca de uma educação com qualidade social.

Mundialmente assistimos a um movimento de valorização da utilização de um grupo de ciências no sentido do caráter utilitário que elas assumem frente ao desenvolvimento econômico. Como, vimos não tem sido por acaso que a psicologia comportamental tem tido os seus elementos de desenvolvimento do comportamento humano, tão requeridos e, mais do que nunca, amplamente difundidos entre os vários programas de treinamento e planejamentos empresariais.