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4. RESULTS AND DISCUSSIONS

4.2 Technical aspects

4.2.3 Training and understanding

Se leio jornais, opúsculos, livros que se ocupem das grandes questões napolitanas, se eu sigo o movimento das suas associações, se noto os votos dos congressos, se ouço os lamentos dos donos de hotéis, não vejo nada mais que uma constante, nobre, admirável e exclusiva preocupação de tornar sempre mais agradável a estadia dos estrangeiros em Nápoles. Muito bem! Ótimo! Todos os esforços para atrair para cá, além do fascínio de uma indescritível paisagem, além da doçura de um clima muito suave, da civilidade e da graça do ambiente, o grande mundo cosmopolita, que tantas delícias encontra, no inverno, no Cairo e em Nice, todos estes exemplares esforços, feitos não apenas para atrair, mas para mantê-los aqui, entre nós, a riquíssima e elegantíssima sociedade internacional, são dignos do maior e mais profundo encorajamento. Sim, formamos o bairro da Beleza onde, na beira do mar, desde o primeiro ângulo de Santa Luzia Nova até Mergellina vêem-se apenas belas casas, jardins floridos, magníficos hotéis, lojas de artigos de arte: façamos com que estas ruas sejam bem varridas, duas ou três vezes ao dia, e que a pavimentação não represente um perigo para os ossos dos estrangeiros: imaginemos que as carruagens estejam menos sucateadas, os cocheiros menos esfarrapados e menos sujos e, sobretudo, menos ávidos e mal educados com os estrangeiros: realizemos o milagre de fazer desaparecer os mendigos nojentos, os vendedores ambulantes detestáveis, os floristas petulantes e tantos outros indivíduos muito mais baixos, até mais suspeitos deste bairro da Beleza: e que os capitalistas construam um kursaal em santa Luzia, aberto no inverno para os estrangeiros e no verão para os provincianos: e outros capitalistas façam un Palais de la jeteè na rotatória de via Caracciolo, belo e rico como o de Nice: e haja outras atrações maiores e mais fortes, cujos projetos não conhecemos, fervem na mente daqueles que amam Nápoles: e que tudo isso seja espalhado aos quatro ventos da imprensa dos dois mundos, que a salubridade e a higiene de Nápoles tornaram-se de primeira ordem, o que é verdade, que se espalhe que a sua mortalidade é baixíssima comparada à de tantas outras capitais europeias e de Nice e do Cairo, sobretudo, o que é a santíssima verdade; e que se espalhe, já que ninguém sabe no exterior, que a sua água de Serino é a melhor de todas as águas europeias, como foi declarado em todos os boletins sanitários, com a garantia da análise e que não é necessário, portanto, recorrer, para os estrangeiros, a todas, as águas minerais que bebem em outros lugares, da Saint-Galmier à Apollinaris, e que pedem aqui também, porque ignoram o Serino: e de qualquer maneira, de qualquer

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forma, que dobre, que triplique o movimento dos entrageiros em Nápoles, que torne a estadia deles tão agradável a ponto de mantê-los aqui por dias e semanas, para imprimir no espírito, partindo, uma saudade invencível, de modo que, distantes não podendo retornar, mandem até nós seus parentes, seus amigos, seus conhecidos. Esta é uma obra bela e distinta, mesmo que esteja por demais relacionada com o reclame industrial, mesmo que tenha muito os ares de uma especulação, mesmo que tenda a transformar cada vez mais em um enorme Palace, toda a Nápoles que vai, desde a parte baixa próxima ao mar até as colinas floridas de Posillipo e de Vomero! O que foi feito em Nice e Montecarlo fez a fortuna de toda a Corniche62 de Mentone a Hyères, o que foi

feito no Cairo, fez a fortuna de todo o Egito: seja, seja, esta obra boa, esta obra santa, e nesta cidade tão bela e tão pobre, tão fascinante e tão cheia de miséria, nesta cidade tão deliciosa e onde se morre de fome, nesta cidade de encanto indizível, que se dê à indústria do estrangeiro a forma ampla, feliz, afortunada, que traga, a Nápoles, o único modo de fazer viver centenas de milhares de pessoas!

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Mas que seja permitido a uma alma solitária e ardente de paixão, pelo seu país, como é a minha, de pedir uma parte de tudo isto, uma pobre, pequena parte para melhorar as condições higiênicas e morais do povo napolitano. Não se pedem milhões, já que os milhões fracassaram na obra de Revitalização, e ninguém, naturalmente, quer dar mais milhões, quando os primeiros foram mal gastos ou perdidos, por fatalidade como se uma mão misteriosa perseguisse nosso bom povo.

Pede-se, em nome daquele Deus justo que desejou que fossem acolhidos todos os pobres, no seu nome, pobre e vagabundo ele mesmo, sobre a terra, que à redenção física e espiritual dos pobres um pouco de atenção, um pouco de dinheiro, um pouco de cuidado seja dedicado por aqueles que devem e podem fazer isto! Tudo deve ser feito com modestas mas tenazes ideias de bem, com simples mas obstinados remédios, com humildes mas constantes intenções de ajudar. Distante da retórica social, distante da retórica industrial, distante da retórica administrativa, vinda do Comune, a pior retórica porque estraga o que de prático, de útil, de bom se poderia fazer, pelos nossos. Por que não obrigam a sociedade dos novos bairros em Vasto, em Arenaccia, no Quartiere Orientale, a reduzir ao mínimo possível os aluguéis, de modo que as casas feitas para o

62 No texto de partida Corniche, que em francês significa estrada ao lado de montanha. Neste caso refere-

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povo sejam habitadas justamente por eles e não pela pequena burguesia, de modo que cada quarto não custe mais de nove ou dez liras e não possam morar por regulamento mais de dois ou três pessoas, quando há crianças? Que se tente isto! E se não bastar, em todas as novas construções nos bairros populares ou nos bairros mais aristocráticos, por que não obrigam, com uma lei, com regulamento, a ter um plano de seus edifícios, o último, feito de modo que a gente do povo possa morar, com quartos, tetos, isto que se chama o suppenno que não custem, de fato, mais de nove ou dez liras por mês? E se alguma sociedade, aqui, desejar construir nas colinas, ou na praia, na direção da ferrovia ou do mar, por que não obrigá-la, por lei ou por regulamento, se desejar tal concessão, a construir no quarto ou quinto andar, estes quartos, ao qual se teria acesso pelas escadas de serviço? E nos conventos que o Município agora possui em grande número, de onde foram desalojadas tantas desventuradas freiras porque hospedam apenas grandes eleitores ou servidores de conselheiros comunais? Por que, já que as pobres freirinhas foram colocadas na rua, sujeitas à miséria e à morte, não se faz uma economia, uma santa economia para limpar, restaurar, estes numerosos monastérios e não se alugam, aqueles quartos, tornando-os limpos e saudáveis ao povo napolitano? Um pouco deste dinheiro que deveria servir, para atrair pessoas da Europa e das Américas, pouquíssimo deste dinheiro dedicá-lo, sabiamente, de forma lenta mas constante, para criar simples e modestos quartos não casas, mas, quartos para o povo!

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E algum daqueles vívidos lampiões a gás que brilham no Bairro da Beleza, por que não o colocar lá embaixo, até menos brilhante, mas lampião, mas aceso, atrás do biombo, atrás dos famosos palácios da Avenida, onde, à noite, se rouba, se cometem infâmias e se mata, nas trevas profundas e assustadoras? Por que não dar um pouco de luz, só um pouco, para que não se possa mais nem roubar nem matar, ao menos em algumas dessas ruas? Não é um dever estrito, rigoroso, de qualquer município, de dar a luz, à noite, aos cidadãos? Este rigoroso dever, por que não se cumpre, a favor do povo napolitano, dos dois lados da Avenida, do Porto a Pendino, no Mercato e em Vicaria? A ideia é simples: algum lampião, oh construtores nossos! E desta pura, fresca e espumante água de Serino, orgulho de Nápoles, salvação de Nápoles, águas internas, águas externas, porque lá embaixo, atrás do biombo, não há, me parece, nem mesmo o encanamento? Este supremo benefício que tanto custou não era, não deve ser feito

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somente para lavar o rosto e encher a barriga dos ricos, estrangeiros, ou não, burgueses, grandes ou pequenos, mas quem o projetou, este benefício profundo da água, quis sobretudo para o povo e o povo não possui, atrás da Avenida, ou tem pouco ou não tem, e bebe e se lava na água contaminada dos poços e das cisternas: e de qualquer modo, provisório, semi provisório, definitivo, da melhor forma possível, é preciso dar, dar esta boa água aos bairros populares e que não sirva apenas para regar os passeios de via Caracciolo! E algum daqueles varredores que devem deixar límpido como o cristal o bairro da Beleza, depois de ter limpado este bairro, dirija-se aonde nunca esteve, onde nunca se limpa, e retire, tente retirar a sujeira incrustada, e leve embora, hoje superficialmente, amanhã melhor, daqui a um mês completamente, os montes de imundícies antigos e podres. Que haja um pequeno, pequeno serviço de limpeza, lá embaixo, que haja uma vassoura, o carrinho, que se cumpra o dever obscuro mas necessário de limpar as ruas, da melhor forma possível, mas de qualquer modo, todo dia! E algum daqueles gloriosos guardas municipais encarregados de afastar os miseráveis, os mendigos, os floristas, para não incomodar os estrangeiros da Riviera e de Chiatamone, penetre, penetre lá embaixo, e aplique as leis da polícia urbana, lá embaixo onde não há sinal de nada disto, lá embaixo onde cada um faz o que quer, porque ninguém se encarrega de obrigá-los a fazer aquilo que devem! E que os guardas da delegacia não se ocupem apenas em vigiar nos bairros aristocráticos a fim de que os cocheiros não apliquem preços abusivos para os hóspedes do Grand Hotel e do Bertolini, mas que alguns desses guardas se ocupem em impedir, possivelmente, o vício, a infâmia e o crime nos bairros populares, atrás da Avenida!

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O que peço eu, enfim, para os meus irmãos do povo napolitano, o que peço eu como todos aqueles que têm coração e alma, além do fim do descaso e do abandono? O que peço eu, em nome da igualdade humana e cristã, além de o povo de lá debaixo seja tratado como todos os outros cidadãos, tenha uma casa, tenha luz, à noite, água, limpeza, segurança, seja salvaguardado e protegido contra si mesmo e contra os outros? O que peço eu, se não a aplicação da lei humana e social, tratar aqueles como são tratados os outros, dar a eles aquilo que cabe a eles, come seres humanos, como cidadãos de uma grande cidade? Faça o seu dever a todos, nada mais que o seu dever, para o povo napolitano dos quatro grandes bairros, faça o seu dever como se faz em outros lugares, faça com cuidado, com consciência e, a cada dia, lentamente,

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constantemente, será encontrada a solução do grande problema, sem milhões, sem sociedades, sem obras grandiosas, a cada dia haverá melhoras, até que tudo será transformado, milagrosamente, para o espanto de todos. Simplesmente porque aqueles que deviam fazer algo deixaram de ser ausentes, negligentes, inertes e preguiçosos e fizeram aquilo que deviam.

Nápoles, primavera de 1904

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