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4. RESULTS AND DISCUSSIONS

4.4 Social acceptance of the technology

4.4.3 Level of knowledge

Quem por acaso ousou ou quem ousará retirar da rua Toledo a sua soberania cidadã? Quem tocará em sua coroa de glória e de vida? Quem poderá igualar, e não vencer o seu fascínio? Quem diminuirá a sua força e o seu caráter? Nada: ninguém. Nem o tempo que tudo modifica e tudo transforma: nem os homens enlouquecidos que deliram para mudar as coisas, de acordo com seu pensamento e capricho: nem os costumes que mudam bizarramente, mesmo que reapareçam em novas formas: nem os fatos regulados pelas misteriosas correntes do destino. Nesta profunda e palpitante artéria, corre um sangue cuja riqueza é magnífica: o seu pulsar pode tornar-se

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tumultuado na febre dos grandes dias, mas nunca pode diminuir sua velocidade: pode alcançar o ápice da alegria, mas não o mínimo da fraqueza: e enquanto todo o imenso corpo da cidade dorme, sob o arco estrelado do céu, sob a luz fria e suave da lua, das colinas floridas na noite até o mar imóvel, a profunda artéria vive e expande a sua parcela de vida, na sombra tênue, entre as casas altas.

A rua Toledo não tem rivais, mesmo entre as ruas mais magicamente belas de Nápoles: nem na admirável via sinuosa que rodeia graciosamente a parte alta da cidade e que é o Corso Vittorio Emanuele: nem na aristocrática e agora deserta, mas sempre nobre e distinta Riviera di Chiaia: nem na indescritível rua Caracciolo, sonho de pintores e de poetas: nem na poderosa Avenida, onde a moderna cidade se desenvolve: nenhuma destas é sua rival, pois estas ruas podem ter a beleza, a força, a graça, a poesia, a tradição, e têm tudo isto e muito mais, em suas histórias e expressões, mas a Toledo possui uma outra coisa, outra coisa grande, imponente, fremente, multiforme, multíplice: possui a vida, a vida.

Quando estiver distante, em um país estrangeiro: se o seu ânimo submergir na triste saudade, é na sua recordação que o seu secreto lamento será mais amargo. Se já esteve aqui e, por variados motivos, a sua existência se desenrola em uma cidade distante: a sua vida parecerá sem graça e gélida. Se sair um dia e não passar por esta rua: a sua jornada parecerá vazia. Se estiver infeliz, entediado, cansado, perdido, descrente de você e de todos: pisem as suas sagradas pedras e como o gole de um vinho inebriante exaltará as suas forças e desaparecerão todos os fantasmas angustiantes e por um instante, por uma hora, por um dia, a existência lhe parecerá, de novo, fácil e leve!

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A rua Toledo é a própria vida, pois ao longo dos séculos centenas e centenas de patrícios, de ricos, gastaram suas fortunas para adorná-la de majestosos palácios nos quais viveram, e ali mantiveram o domínio, deixando uma marca profunda e nobre de magnificência que não se apaga: é a própria vida porque na feliz mistura de classes, uma de nossas coisas boas e honestas, juntamente com as grandes famílias, milhares e milhares de famílias ali viveram, ao longo dos séculos, e nos tempos mais recentes, continuarão vivendo, em uma tradição burguesa que possui a sua força, em uma tradição popular que possui a sua força: é a própria vida, porque a fé ergueu os seus santuários, nos quais milhares e milhares de almas vieram, vêm e virão, por caminhos

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conhecidos, diante das imagens queridas, almas piedosas, almas fieis, obedientes a um antigo e doce costume: é a própria vida, porque o comércio e a indústria há séculos, ali montou os seus empórios, em uma tradição de trabalhos, de atividades, de honestidade e de fortuna que, atualmente, chegou ao máximo de seu esplendor. Hospedar-se na Toledo, viver na Toledo, ter uma loja na Toledo, foi, é, como uma herança dos antepassados, como o respeito a um costume sagrado, como a renovação de um pacto com os distantes ancestrais, como uma fé juramentada, como uma necessidade familiar e pública.

Oh coração dos corações: Rua Toledo! A torrente da humanidade, há séculos, a cada dia e a cada minuto rolou, ora suave, ora forte, ora fragoroso, ora clamante, sobre tuas pedras e calçadas: e cada homem, cada mulher que por ali passou, acabrunhado, risonho, fremente, cheio de vida ou de morte, deixou sua marca e seu drama, sua tragédia, sua comédia, o reflexo de sua recordação: e o pequeno ou grande fantasma da história que surgiu, deixou a sombra de sua grandeza ou de sua pequenez: e os nossos e nós os deixamos em tantos períodos da nossa existência, deixamos o melhor de nós, um pensamento, um sentimento, um sorriso, uma lágrima. Ah se a Toledo é a própria vida, é porque cada um lhe fez esta contribuição bela e fatal: é porque lhe deram os soberanos e o povo, em todos os tempos: é porque lhe deram os ditadores e a plebe: é porque lhe deram os poetas e os amantes: é porque todos lhe deram vida, os cientistas, os filósofos, os homens de Estado, os líderes dos partidos, os líderes do povo: todos, todos, as mulheres, os homens, as crianças, os velhos, os doentes, até os mortos dos quais as solenes exéquias deixaram a memória de um nome e de uma pompa lúgubre. Ah é a própria vida, a Toledo e todos a adoram assim, férvida de toda forma alta ou baixa, elegante ou trivial, rica ou pobre, florescente ou mesquinha: e todos a honram, e todos a honraram e não um soberano, não um imperador, não um grande ao chegar aqui, não sentisse o primeiro palpitar longo e forte, nos clamores da gente, clamores que ascendem até o céu sereno!

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Tudo isto eu pensei, com maravilha, quando percebi que, pela primeira vez, um hóspede soberano chegará entre nós e entrará na Casa do Rei, em um nobre cortejo, sem ter passado pela rua Toledo: e ao ouvir isto, os milhares de bons cidadãos da rua Toledo lamentam profundamente, desiludidos em suas legítimas esperanças, e centenas de comerciantes e de industriais que, de tal acontecimento belo e popular, esperavam não

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apenas diversão para os olhos, mas honesta vantagem para seu trabalho. Motivos de força maior que nós ignoramos fizeram escolher um itinerário belo, porém muito mais breve: e cortaram, com involuntária crueldade, certamente, a própria vida napolitana, a antiquíssima e fiel rua de Toledo, aquela que leal e entusiasticamente festejou os seus reis e seus hóspedes, aquela que também soube adornar-se de tecidos e guirlandas e fez chuvas de flores sobre as rainhas e princesas. Motivos de força maior! Nós os desconhecemos: e devem, certamente, ser muito fortes e muito respeitáveis: nem o itinerário, agora, pode ser mudado. Talvez! Mas como em Paris, logo depois que os Soberanos da Itália atravessaram a Avenue des Champs Elysées e a inesquecível praça da Concórdia, para dirigir-se ao palácio das Relações Exteriores, sem passar pelo centro da Paris viva, o coração de Paris a praça da Ópera, encontrou-se um modo de fazê-los sair, novamente, e de fazê-los atravessar a Avenue de l'Opèra, que se encontre aqui também um modo de fazê-los atravessar, oficialmente, em uma hora estabelecida, o Presidente da República, pela rua Toledo, por toda a rua Toledo: e que isto se promulgue: e que se contentem, assim as justas expectativas de uma rua onde tudo de Nápoles se concentra e se exprime: e que se dê aos olhos curiosos e doces de Emile Loubet que vem de uma das mais belas cidades do mundo este espetáculo indescritível. Se o Presidente da República for embora sem ter visto a rua Toledo, em uma tarde de primavera, lotada de gente, adornada de flores e bandeiras, com uma multidão flutuante e ondulante, é como se não tivesse visto Nápoles.