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4. RESULTS AND DISCUSSIONS

4.4 Social acceptance of the technology

4.4.1 Motivation

Uma das coisas mais estranhamente falsas, ditas, repetidas e sustentadas, por Nápoles é a profunda miséria da sua Prefeitura, é a falta da lira e do soldo para seguir adiante: uma daquelas lendas bizarras, grotescas e injuriosas que muitos de nossos ilustres e obscuros cidadãos se comprazem, em todos os lugares, de confirmar; com as provas mais singulares e fantásticas. Sabiam? Não há um centavo para abrir uma escola:

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o Município pode a duras penas pagar os seus professores e professoras. Sabiam? Não há mais do que quatro mil liras por ano, para plantar árvores nos jardins públicos e na Vila e, assim, deve conservar, na direção do mar, aquele aspecto de jardim devastado. Sabiam? É impossível tapar os buracos perigosos na pavimentação de rua Chiaia: os senhores devem quebrar o pescoço: os blocos são muito caros, precisa esperar o balanço do próximo ano: então, veremos. Desta passagem, a cada vez que o Município deve arrumar cinquenta centavos, torna a lenda da pobreza à qual foi reduzido, um mendigo que nenhuma instituição pode mais receber: e, sobre estas mentirosas aparências, sobre estas frases feitas, pela qual a multidão se faz comodamente governar, ninguém se dá conta que, no Município, lentamente, de forma invisível, os milhões presentes e futuros, dançam uma quadrilha que, a cada dia, torna-se mais alegre. Quem ousaria afirmar, se tiver olhos e ouvidos, que o Município de Nápoles é pobre, quando colocou em discussão, há um ou dois anos, somas enormes, ora para uma coisa, ora para outra? Quem poderá continuar a dizer isto, quando, pouco a pouco forem examinados todos os projetos que estão em discussão e, que custam muitas centenas de milhares de liras e alguns custam milhões? Quem ainda poderá afirmar que não há dinheiro para as creches, para as escolas, para os jardins, para a limpeza, para a irrigação, quando está diante de nós um monte de castelos de areia, um mais caro do que o outro? Quem poderá dizer que há poucos milionários em Nápoles, para dar um índice mesquinho, exíguo, da nossa riqueza, quando o primeiro milionário é, na verdade, a Prefeitura, e, como todos os milionários, é um pouco inconsequente, pois deixa de gastar algumas centenas de liras, em coisas necessárias e desperdiça, ou se compromete em desperdiçá- lo, em despesas supérfluas? O Município não é, provavelmente, nem Morgan, nem Carnegie, nem Vanderbilt, nem Rockefeller; a sua fortuna é mais modesta: os seus milhões são em menor número: mas isso nos engana, agora, como um bom pequeno milionário que fuma cigarros de três centavos, mas que possui um haras de cavalos de corrida. Tenho diante dos olhos e espero poder comunicar, sempre que for o caso, um elenco de projetos, de propostas, de coisas feitas pela metade ou a se fazer, onde os gastos, às vezes inúteis, às vezes extravagantes, quase sempre imprudentes, são altíssimos. Eu não sou a tutora da Prefeitura, graças a Deus, e nem você, amigo leitor, para sua sorte: mas algum soldo, destes milhões, é seu e meu. Interessemo-nos por estes poucos centavos, teus, meus, leitor, porque são uma parte destes milhões.

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O Bairro da Beleza! Aqui está um, aqui está ele. O seu nome é eminentemente pretensioso: quando souber bem o que é, este bairro, meu amigo leitor e irmão, irá achá- lo eminentemente ridículo. Trata-se daquele grande deserto de Santa Luzia nova, onde todos os apaixonado pela velha Nápoles, preferiam, talvez, ver aquele belo mar de Santa Luzia, o antigo, o nosso mar: vamos dar-lhes um suspiro de lamento, em nome do pitoresco, consolemos a desilusão dos estrangeiros e reneguemos a civilização, tacitamente, no nosso espírito. Quando não havia sido inventado o bairro da Beleza, este deserto melancólico, atrozmente triste, em certas horas do dia, ladeado por aquela rua cheia de pó e desigual, devia ser povoado assim, pelo Banco de subvenções genovês: deveriam erguer treze enormes edifícios, treze quartéis, semelhantes aos dois já construídos, aquele onde se encontra o Hôtel Santa Luzia e o segundo está em construção. Não existe nada de mais feio, mal feito e pesado: ruas estreitas entre os edifícios: e completamente perdida, atrás, a subida de Luzia antiga. Quando estes horríveis quartéis forem erguidos, outra prova da falta de educação estética, chegaria para afligir o nosso espírito inquieto: e as abominações retilíneas, das quais fala Edgar Poe, afastariam, com seu horrendo aspecto, a nossa fantasia, amante da beleza, da graça, da leveza. Mas existe um Deus, no céu! Dado o alto preço que o Banco de Subvenções havia colocado para aqueles terrenos há cinco anos, que ainda são mantidos, e como para construir, lá, onde está o mar, embaixo, exige-se o dobro ou triplo do valor, ninguém quis comprar aqueles terrenos, ninguém pensou em erguer um palácio ou palacete e a sociedade nem ousou construir nada. Certamente, a sociedade perdeu e ainda perde muito dinheiro: mas isto não nos interessa. Nós lamentamos por Santa Luzia antiga, as casas de banhos, a água sulfurosa, as vendedoras de água, os vendedores de ostras, as trattorie e os cesteiros! Nós lamentaremos ainda mais, amigo leitor, se por acaso o bairro da Beleza se concretizar. O novo projeto, no qual parece que concorreram Raffaello da Urbino, Michelangelo Buonarroti, Vanvitelli e Dante Gabriele Rossetti, será assim: ao invés de treze quartéis, serão onze e serão divididos por vias um pouco mais largas, com filas de árvores, semelhantes às da Avenida e que, certamente, próximas ao mar, serão destruídas pelas brisas marinhas, como foi dito, já foram destruídas as da Vila. Estes onze edifícios também terão, um pouco de verde ao seu redor, uma pequena faixa, próximo ao mar. E basta. Mas então esta é a ideia original que permitirá que Santa Luzia seja chamado o bairro da Beleza? E o autor do projeto, digamos assim, será comparado a Arnolfo di Lapo ou a Lenôtre, arquiteto de Versalhes?

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Não, senhor. No centro do novo bairro, próximo ao mar, os edifícios se dividirão em semicírculo e deixarão um espaço, no meio, de oito mil metros quadrados - não se iluda, amigo leitor, oito mil metros quadrados não são grande coisa – onde haverá um jardim, e, no centro, parece impossível, uma fonte. Ao redor, ao redor do semicírculo haverá um pórtico, de estilo grecorromano, com apenas um andar, para ser ocupado por cafés, cervejarias, cafè chantant, talvez, sempre em estilo grego. E basta. Este é o bairro da Beleza: nada além disso. Um jardinzinho, ou seja, um pouco maior do que aqueles da praça Cavour, o ponto preferido dos mendigos de São Gennaro, dos cabalistas, dos pequenos pensionistas do governo: um pequeno jardim que será duas ou três vezes maior do que o da piazza Municipio, considero, estes, de pessoas que é inútil mencionar, sob os olhos fechados e paternais dos conselheiros comunais, um pequeno jardim, com uma fonte, onde, provavelmente, haverá um chafariz, desligado nos dias úteis e funcionando nos dias de festa: e, enfim, o pórtico, para evocar na vida moderna, a origem de Partenope, para relembrar um pouco Pompeia, diz o autor do projeto. Na verdade, ele desejava fazer um passeio pompeano, mas esta ideia pareceu um tanto barroca, um pouco boba, que todas as almas boas e distraídas dos assessores perceberam e protestaram. Não haverá o passeio pompeano mas uma pequena parte de Pompeia, com os pórticos, teremos. Ignoramos quem estará sob estes pórticos: não é nem mesmo certo que será construído o primeiro andar. O bairro da Beleza, portanto, resume-se a um jardim, com uma fonte e um pórtico. O seu nome, então, não lhe parece um pouco exagerado, amigo leitor? Não lhe parece que a palavra beleza tenha um sentido diverso e profundo? E que aplicado a uma coisa exígua e ambígua, seja uma grande audácia? E que o projeto e seu autor devem sucumbir sob o ridículo desta audácia?

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Para ter este jardim, com a fonte e os pórticos, mostro quanto deve gastar o Município de Nápoles. Deve dar, antes de tudo, ao Banco de subvenções de Gênova a egrégia soma de setecentas mil liras: é verdade que podem ser pagas em trinta anos, estas setecentas mil liras, mas uma dívida é uma dívida, mesmo que for paga em pequenas prestações. Não gostaria de afirmar que o Comune deverá pagar também os juros, porque não sei: mas é provável que para ter a fonte no jardim e os pórticos em volta, para ter isso a crédito, alguns juros deverão ser pagos. Além disso, o Comune permite à sociedade construir um sexto andar em todos os onze edifícios: calculado, assim, a olho, um andar a mais, sobre onze imensos edifícios, pode render à sociedade

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entre noventa e cem mil liras a mais, ou seja, um presentinho de mais de dois milhões de capital, sempre para ter aquilo que já sabem. Como serão mais belos, acolhedores e estéticos estes edifícios de seis andares, em vez de cinco, só Deus sabe! E tem mais: a sociedade tem o direito de não pavimentar mais com pedras as ruas entre os seus grandes edifícios, já que esta pavimentação custa muito: com o objetivo de facilitar ainda mais a posição, o Comune lhe permite de instalar o macadame, o que provoca a existência de barro no inverno, barro que mancha e estraga as roupas; e o pó mais acre, no verão.

Não é só isso: a sociedade possui a concessão da fonte de água sulfurosa: não deve ser grande coisa; mas é alguma coisa. Não lhes parece que, por um jardim, uma fonte e um pórtico tudo custe muito, demais, imensamente? E com tanto dinheiro, tantas concessões, tantas facilidades, o resultado será este: e o suposto bairro da Beleza, será mortalmente feio, se for concluído com seu anacronismo de Pompeia, entre edifícios de seis andares como na América; que o preço dos terrenos, sempre alto e as dificuldades de construção sempre grandes, o Banco de Subvenções, continuará sem vender e continuará sem construir e que no fim da história o bairro da Beleza consistirá em um pequeno jardim, em uma fonte e pórticos vazios, em meio a um vasto deserto árido e poeirento. A sociedade estará parcialmente recuperada de seus problemas, com as setecentas mil liras; o Comune deverá pagar e passando por Santa Luzia nova, o cidadão desinformado morrerá de rir, ao ver aquela trapalhada, e você amigo leitor e eu, cronista cética e pessimista, você e eu que não somos desinformados, lamentaremos aqueles vinte e cinco ou cinquenta centavos, tua parte e minha parte das setecentas mil liras!