4. RESULTS AND DISCUSSIONS
4.3 Economic benefits and health aspects related to the technology
A HONRA
Melancolicamente sentado à mesa na famosa Osteria della Giarrettiera o grande cavaleiro Falstaff remói a maliciosa e audaz afronta feita pelas alegres comadres de Windsor, que o enfiaram em uma grande cesta, debaixo de uma montanha de roupa suja e o atiraram no Tâmisa. Com uma enorme caneca de vinho quente, ele tenta aquecer seu pobre estômago, gelado pelas águas do rio: com filosóficas meditações, um pouco cínicas e dolorosas, procura revigorar sua alma deprimida. Bebe, Falstaff, um grande trago de seu grog e diz com um sorriso amargo: «A honra? O que é então a honra? Talvez seja uma sobreveste? É um par de botas? Pode-se comer a honra? Ou será que se pode beber a honra? O que fazes com a honra? Pode-se, quem sabe, ganhar dinheiro com a honra? De qual honra falas? Da minha? Da tua? A minha é diferente da tua! A honra? Uma palavra: um sopro, na verdade, nada mais que um sopro.» Curva as suas costas largas, bebe mais um pouco e com a mão quadrada pousando o copo, faz um gesto para afastar a honra, este sopro, de sua vida de ébrio.
Falstaff, aquele que quando jovem havia sido pajem do duque de Norfolk e esbelto a ponto de passar por dentro de um anel, aquele que havia sido amigo de Harry Plantageneta, príncipe herdeiro e depois rei da Inglaterra, Falstaff, agora com cinquenta anos, obeso, calvo, preguiçoso, guloso, comilão, bêbado, dissoluto, pleno de espírito, pleno de recursos, mão leve, trambiqueiro famoso porém simpático, com uma certa elegância, Falstaff, ousa dizer, naquele tempo, todo o seu pensamento sobre a honra. Ele possui todos os vícios, exceto a imundície da hipocrisia; ele pode ser culpado de todos os crimes, menos de fingir virtude: ele vive de todo tipo de negócio sujo, mas declara
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que não pode fazer outra coisa a não ser cometer fraudes e roubos, pois precisa viver, comer, beber, vestir-se, enfim! O grande William é tão sincero, tão humanamente sincero e até brutal nas suas criações de verdade ou de vida! A partir do momento em que, com honra, Falstaff não consegue ter nem uma roupa, nem um par de sapatos, nem uma caneca de claret, nem um ganso recheado, nem um vasto leito onde possa espalhar seu físico colossal, ele declara abertamente que renuncia à honra e que desperdiça este sopro inútil de sua existência. Outros tempos! Quem ousaria dizer isto, agora, com toda a polidez, os refinamentos e os seize reflets da sociedade moderna? Qual cínico entre os mais cínicos homens de negócios modernos, ou qual célebre aventureiro faria a declaração de Falstaff? Quem renegaria a honra, com essa cruel filosofia como fez o ventrudo cavaleiro de ventura inglês? Outros tempos! Tantos, provavelmente, pensam como ele ainda hoje; tantos como Falstaff, no segredo de seu espírito, estão convencidos que não sendo possível ganhar dinheiro, com a honra, e o dinheiro, sendo não apenas útil, mas necessário é melhor renunciar tacitamente a este sopro inútil da honra: tantos, e talvez sejam os menos numerosos mas os mais temíveis, começaram a fazer o glacial e mortal raciocínio de Falstaff, mesmo antes de entrar na luta da vida. Outros tempos! A superfície humana mudou: toda a aparência social é diversa: e Falstaff, gordo ou magro, elegante pajem gentil ou grande capitão de ventura, pode sempre desenvolver os seus instintos, sob qualquer forma das mais altas e das mais baixas, mas ninguém ouvirá nunca dizer que honra é um sopro e que não se faz dinheiro com o vento.
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Nós, porém, temos uma ideia solitária. Ao contrário do que se agita no fundo das consciências apegadas ao tormento da necessidade, minadas pelo desejo de todo tipo de riqueza e poder, em oposição a este cômodo e fácil cinismo secreto, nós acreditamos que a honra não é uma palavra, não é um sopro inútil e que não é nem belo nem útil fazer um gesto, com a mão, e expulsá-la da própria vida. Nós acreditamos em mais do que isso: ou seja, que, com a honra, seja possível até mesmo ganhar dinheiro. Parece- nos impossível acreditar que apenas os desonestos, ou os ladrões consigam enriquecer, na sociedade; acontece, isto é verdade: acontece muito: mas, por outro lado, diante de toda gente de consciência ambígua, de caráter equívoco, de tendências suspeitas, diante de toda gente que faria qualquer coisa, a fim de alcançar tudo, os nossos olhos mortais veem muitas outras que de forma discreta e austera, fazem a sua parte, no mundo,
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criam a sua fortuna e a de outros sem prejuízo da honra. Diante de órgãos financeiros que baseiam sua sorte sobre mil cálculos sutilmente enganadores e dos quais qualquer manifestação econômica representa um marchè de dupes, diante destes grupos que, agora, se fazem sempre mais raros, no mundo, outros vemos surgir, prosperar, entre nós, na Europa, longe, em todo lugar, no qual cada ato é regulado pela honestidade comercial, pela lealdade industrial. Para quem vê o minuto presente, para quem sabe olhar na direção do horizonte, na direção do futuro, pode parecer, talvez, que a honestidade é um mau negócio e que um cavalheiro permanece pobre: assim é: mas não para todos: mas não por muito tempo: mas o cavalheiro ou termina por vencer o seu horrível destino, ou conserva, como um tesouro, a sua perfeita reputação. Com a honra também se ganha dinheiro, graças a Deus! Centenas, milhares nos confortam nesta fé um pouco solitária mas sólida, os exemplos particulares, os exemplos coletivos, no qual a probidade, a integridade, o rigoroso escrúpulo foram a fonte de fortunas individuais e de fortunas sociais verdadeiramente poderosas; em todos os cantos da terra, nos livros, nos jornais, nas crônicas, na vida, florescem estas histórias de prosperidade muitas vezes colossais, baseadas apenas no trabalho, na vontade, no intelecto, mas baseadas, sobretudo, na honestidade pessoal ou coletiva. Era natural ao barrigudo de Windsor, a quem convinha ficar sentado sob a pérgola da taberna, bebendo vinho aromatizado e jogando dados, dizer que a honra não traz os côvados de veludo para fazer uma sobreveste ou não paga a conta da taberna: é cômodo aos ambiciosos modernos pensar entre si que a honra non si transforma em cheques, em palácios de mármore, em guarda- roupas deslumbrantes, em galerias de quadros e em coleções de joias. É cômodo: mas é falso. Quem já escreveu, escreve, ou escreverá a história da riqueza, a história dos ricos, diga se não é falso: e quais países, sociedades, homens, mil vezes, cem mil vezes partiram dos mais humildes desejos de bem e de honestidade para chegar aos mais belos ápices da fortuna, sem jamais ter se desviado.
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Que pensem assim, aqueles que, hoje, se reúnem, com certa solenidade, estes deputados de Nápoles, que desejam ardentemente fazer o bem à sua cidade. Pensem: não deixem vacilar um só instante, suas consciências de cavalheiros: não lhes falte em nenhum momento a confiança na probidade humana, sobre a qual se baseia a sua vida e na qual encontrou a sua fórmula. Eles querem, os deputados napolitanos, a prosperidade ampla da encantadora metrópole que, apesar de dotada de todas as belezas, ainda é
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pobre e triste; mas querem a sua prosperidade junto ao alto respeito de sua honra. Seja, seja acima de tudo, a honra: acima de tudo que os escolhidos, para decidir sobre as coisas do Comune e que, escolhidos, serão indicados pelo voto popular, tenham como marca de seus nomes, a transparência de seu caráter: acima de tudo que, diante da Itália, diante da Europa, onde quer que o nome de Nápoles for pronunciado, seja, então, pelo decoro, pela consciência de quem a representa, unido ao da mais bela dignidade civil: acima de tudo que, por convicção, jamais a suspeita, a acusação, a delação possa atingi- la: acima de tudo que em qualquer lugar, o homem honesto, inteligente, ativo, produtivo, seja o seu trabalho dado a Nápoles, fazendo-lhe o bem com todas as suas forças. Quando isto for organizado, com sapiência, com generosidade, integrando aqueles que deverão ser os futuros administradores, onde quer que se encontrem cavalheiros e homens capazes, sem se preocupar com ultrapassadas questões de partido, de cor, coisa velha, coisa destruída: quando isto for uma missão cumprida, a honra de Nápoles, que lentamente se reconstrói, mas com segurança, esta honra de Nápoles servirá também para ganhar dinheiro. Quando os capitalistas estrangeiros, do norte, souberem que, contra qualquer obstáculo, Nápoles quis para seus magistrados, comunais, os seus melhores cidadãos, quando os homens de negócios de todos os países, de todas as regiões, souberem que, aqui, o sentimento da probidade social foi recuperado, nas pessoas nas coisas e nos costumes: quando os industriais de todo o mundo compreenderem que é possível ter confiança; então, sim, uma pequena ou grande planta da fortuna pública, nascerá, germinará, frutificará neste solo fecundo, nesta terra de belas almas. Tudo se fará, aqui, a partir do momento em que o bom nome napolitano, que, o decoro da sua cidadania, que, toda a sua honra, enfim, for exaltada: tudo será tão fácil, tão simples, tão natural que o mundo se surpreenderá. E na honra, nesta potência completamente moral, neste elemento mais puro e, digamos, mais etéreo da consciência social, Nápoles reencontrará a sua vida, a sua fortuna, a sua riqueza!