7. Implementation of the infrastructure TSI
7.7. Specific cases
7.7.2. Particular features on the Belgian network
Adrezzo (2005) desenvolveu uma pesquisa intitulada Um estudo do uso de padrões figurativos na aprendizagem de Álgebra por alunos sem acuidade visual (s.a.v.)18. Neste estudo, ela objetivou identificar os fatores que podem contribuir para a apreensão de expressões algébricas por DV e por videntes.
Esta autora assevera que seus estudos se fundamentam nas ideias de Vygotsky e, portanto, suas escolhas levaram em consideração que o aluno portador de alguma deficiência apresenta potencial para um desenvolvimento normal, restando, assim, integrá-lo socialmente, apreciação que corrobora o posicionamento de todos os outros estudiosos aqui citados.
Conforme esta pesquisadora, participaram de seu estudo cinco alunos do Ensino Médio, uns com cegueira congênita e outros com cegueira adquirida, ________________
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Aluno sem acuidade visual (s.a.v.) – termo utilizado por Adrezzo (2005) e Fernandes (2004) para se referir ao aluno cego.
todos maiores de 18 anos. Ela informa, também, que visando atingir seu objetivo, elaborou tarefas e materiais manipulativos voltados para facilitar a participação dos alunos em tarefas de generalização. Entre estes materiais, Adrezzo (2005) apresentou aos alunos imãs circulares com 5 mm de diâmetro por 2,5 mm de espessura contendo escrita em Braille e outros imãs com texturas variadas. No entanto, ela explicita que os alunos demonstraram dificuldade na percepção tátil destes artefatos. Assim, Adrezzo (2005) concluiu que os resultados são mais satisfatórios quando se utiliza formas diferentes ao invés de diferentes texturas.
A autora expõe que, na sequência, construiu sua ferramenta a partir de uma prancha de metal com dimensões 40 cm x 60 cm e imãs com formas geométricas (quadrado, círculo e triângulo com lados ou diâmetro de 2 cm), conforme apresentamos na Figura 1.9. Ela complementa suas informações explicando que escolheu trabalhar com os imãs, nem fixos e nem tão soltos, buscando, desta forma, uma magnetização ideal para a manipulação sobre a placa, bem como facilitando a exploração, pelos alunos, dos padrões algébricos presentes nas tarefas.
Figura 1.9 - Imãs e prancha de metal
Fonte: Adrezzo (2005, p. 66 e 67).
Adrezzo (2005) explica, ainda, que, na concepção de sua ferramenta, levou em consideração a sensibilidade do aluno, utilizando, para tanto, materiais que não lhe causassem reação alérgica e que fossem agradáveis durante a manipulação tátil da ferramenta.
Para Adrezzo (2005), seu trabalho se insere no contexto da adaptação curricular voltada para o tratamento e desenvolvimento do conteúdo. Neste contexto, ela desenvolveu as tarefas e elaborou o material manipulativo da atividade de sondagem. Quanto às tarefas, afirmou ter utilizado algumas propostas encontradas em livros paradidáticos nacionais, e outras presentes em estudos de outros pesquisadores sobre a generalização de padrões figurativos. Segundo ela, durante a aplicação das tarefas em entrevistas que foram registradas em áudio e vídeo, além dos artefatos criados para esta pesquisa foram também disponibilizados, aos alunos, uma máquina datilográfica Braille, reglete e punção.
Salienta esta pesquisadora (2005) que no teste de sondagem, selecionou, dentre as 43 tarefas propostas aos videntes, apenas 21 para aplicar aos cegos. Isso diminuiu o número de tarefas para que o aluno tivesse melhor condição de executá-las, posto que ele mesmo deveria fazer a leitura em Braille. Seriam necessárias muitas folhas transcritas em Braille para conter todas as questões, o que seria muito enfadonho para o aluno lê-las e revolvê-las. Salienta que uma folha digitada em nosso sistema corresponde a três em Braille. É interessante registrar que a primeira tarefa, permitiu aos alunos se familiarizar com o material e as peculiaridades da sequência que envolveram termos e padrões de regularidade.
Para compreender as estratégias utilizadas pelos alunos durante a resolução das tarefas, Adrezzo (2005) confrontou as respostas dadas pelos alunos às tarefas em Braille com a transcrição dos registros em vídeo e com os resultados encontrados pelos estudiosos consultados. Em suas análises, informa que os alunos s.a.v. demonstraram dificuldade para escrever as expressões algébricas em Braille a partir da manipulação dos imãs, e os erros apresentados por eles eram similares aos erros dos alunos videntes.
Finalizamos este capítulo esclarecendo que apresentamos as principais ideias dos estudos citados que poderiam contribuir para a concepção e avaliação do MD desta tese.
C
APÍTULO
2
FUNDAMENTAÇÃO TÉORICA:
de olho no instrumento da atividade
Neste capítulo, expomos os principais fundamentos teóricos que nortearam esta pesquisa. Iniciamos refletindo sobre a Ergonomia, área de conhecimento que estuda o homem no seu trabalho, realizando sua tarefa cotidiana, executando as suas atividades do dia a dia. Expomos as especialidades desta área e abordamos a criação e adaptação de artefatos voltados para pessoas cegas, isto é, sobre os suportes técnicos.No campo da Ergonomia encontramos abordagens teóricas que nos permitiram, metaforicamente, colocar o olho no instrumento e, assim, construir e testar uma maquete centrada no aluno e voltada para a sua aprendizagem em cbP. No entanto, é preciso deixar registrado que não tivemos a pretensão de desenvolver um trabalho ergonômico, não obstante tenhamos utilizado diversos procedimentos técnicos já validados nesta esfera de conhecimento.
Dentre essas abordagens, fundamentamo-nos especificamente na Teoria da Instrumentação, de Rabardel (1995), que, por sua vez, encontra base nos conceitos de assimilação e acomodação de Piaget, na ideia de esquemas de Vergnaud e no conceito de mediação de Vygotsky.
Rabardel (1995) propôs os modelos de análise S.A.I. e S.A.C.I., dos quais adaptamos o S.A.C.I. para analisar nesta tese os dados referentes à construção da maquete e ao seu manuseio pelo aluno. Na sequência descrevemos os quatro
polos do modelo adaptado, ou melhor, apresentamos informações necessárias sobre o aluno cego, a maquete e as tarefas, os cbP e os especialistas/pesquisadores que contribuíram com o desenvolvimento do nosso instrumento. Em suma, nessa teoria colhemos elementos suficientes para nortear a construção da maquete (artefatos e tarefas) voltada para o aluno cego, comportando as adaptações curriculares necessárias e sem perder de vista seu uso como (MD) para a aprendizagem de cbP.