6. Assessment of conformity of interoperability constituents and EC verification of the subsystems
6.2. Infrastructure subsystem
O polo do sujeito da atividade foi representado pelo aluno cego (S). Assim, é importante compreender quem é considerado assim.
Conforme o boletim da World Health Organization (1995), os graus de visão abrangem um amplo espectro de possibilidades que vai da cegueira total
até a visão perfeita ou total. Surge, neste contexto, o termo deficiência visual que de acordo com o PCN: AC (BRASIL, 1998a), é a redução ou perda total da capacidade de ver com o melhor olho e após a melhor correção ótica. Manifesta- se como cegueira e visão reduzida ou baixa visão. Este documento explicita que é considerado como cego a pessoa que enxerga a 20 pés de distância aquilo que uma pessoa normal enxerga a 200 pés. O documento complementa que é considerado cego o aluno que necessita do método Braille como meio de leitura e escrita, além de outros recursos didáticos e equipamentos especiais para sua educação.
Buscando o conceito de outros teóricos, temos Amiralian (1997), citado por Ventorini (2007, p. 21), que explana que “cegos são aqueles que não conseguem ler o Braille por meio da visão, e para quem o tato, o olfato e a sensibilidade cutânea (sentidos cujos receptores se encontram situados na pele) são os sentidos primordiais na apreensão do mundo externo”.
Sabemos que a cegueira pode ser congênita ou adquirida. A cegueira congênita, segundo Ochaita e Espinosa (2004), produz diversos efeitos no desenvolvimento e na aprendizagem dos indivíduos que a possuem. Elucidam estas autoras que alguns desses efeitos são sentidos na parte orgânica, como por exemplo, dificuldades severas envolvendo a locomoção, a orientação espacial a movimentação, a interação com o ambiente e o acesso à informação.
É importante também citar que os bebês nesta situação, conforme as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (BRASIL, 2001), devem ser atendidos em programas de intervenção precoce a fim de que se minimize os efeitos da incapacidade visual. De acordo com esse documento, no processo ensino e aprendizagem de crianças cegas em idade escolar deve-se levar em consideração, entre outras orientações, a comunicação a partir do sistema Braille, materiais especiais, livros, atividades da vida diária (AVD) e a locomoção (Orientação e Mobilidade).
Em referência à cegueira adquirida, os Cadernos da TV Escola (BRASIL, 2000b) informam que o individuo que nasce com o sentido da visão, perdendo-o mais tarde, guarda memórias visuais, quer dizer, consegue lembrar-se das imagens, luzes e cores que conheceu e isso é muito útil para sua readaptação.
Carrol (1968) e Ponchillia (1996) asseveram que a cegueira adquirida na adolescência ou na idade adulta acarreta diversas limitações para esses indivíduos e, nesse caso, as perdas devem ser analisadas a partir de suas histórias de vida. Conferem esses autores que estas limitações podem envolver: segurança psicológica, integridade física, cognição e sentidos remanescentes, processos perceptivos, habilidades básicas, mobilidade independente, atividades da vida diária e auto estima, entre outras questões pessoais. Elas sugerem que esses indivíduos sejam atendidos nos programas de reabilitação, além do atendimento escolar com os apoios especializados.
Abrimos um parêntese para elucidar que é neste grupo, de sujeitos portadores de cegueira adquirida, que se inserem os alunos que foram sujeitos de pesquisa desta tese. Conforme já anunciado, eles são todos portadores de cegueira adquirida na adolescência, ou na fase adulta, e adquiriram-na por motivos diversos. Esses indivíduos serão mais bem caracterizados no Capitulo 3, quando traçaremos o perfil dos alunos, expondo fatos de suas histórias de vida.
Prosseguindo nossas reflexões sobre as condições do sujeito cego, Ochaíta e Espinosa (2004) consideram que o sistema háptico, ou tato ativo, é o principal sistema perceptivo utilizado pelo cego para processar informações. Elas informam também que, a partir deste sistema, a informação é buscada de forma intencional, diferentemente do tato passivo, no qual a informação é recebida de forma não intencional/passiva, contando somente com os receptores da pele e dos tecidos subjacentes.
Sobre o tato, o PCN: AC (BRASIL, 1998a) salienta que este permite analisar um objeto de forma parcelada e gradual, diferente da visão, que é sintética e globalizada. Este documento expõe, ainda, que as informações parciais fornecidas pelo tato precisam ser integradas para que o sujeito chegue a uma conclusão global.
De acordo com os Cadernos da TV Escola do MEC (BRASIL, 2000b), além do tato os cegos precisam recorrer a outros sistemas-guia. Por isso, ao manusear os objetos, eles utilizam formas curvas e esquinas, aproveitam pistas olfativas ou auditivas. Esses cadernos também salientam que a visão é o sistema guia mais
poderoso que há, mas os que o utilizam, geralmente se orientam no espaço sem consciência.
No âmbito dessas discussões, o Projeto Escola Viva (BRASIL, 2000a) informa que, apesar das diferenças existentes entre o sistema guia de videntes e o de cegos, ambos têm as mesmas condições para aprender e acompanhar os conteúdos matemáticos, contanto que sejam feitas as devidas adaptações quanto às representações gráficas e aos recursos didáticos.
Essa ideia corrobora as de Vygotsky27 (1998), que defende que a criança que porta alguma deficiência tem potencial para um desenvolvimento normal. Para tanto é preciso que ela seja orientada para a superação da cegueira e para a normalidade e saúde, e não para a insuficiência da enfermidade, pois só lhe falta um órgão ou um analisador.
Vale lembrar que os pesquisadores Ferronato (2002), Fernandes (2004; 2008a) e Adrezzo (2005) também afirmam este princípio, conforme explicitamos no Capítulo 1, quando tratamos sobre seus estudos.
Na esfera desta discussão o PCN:AC (BRASIL, 1998a) expõe que a percepção de um objeto é um processo único em cada sujeito e tudo depende do sentido que ele dá ao que vê ou toca; a percepção se constrói pelo uso de diversos canais perceptivos e, no caso do cego, pelo tato e pelos demais sentidos perceptivos (audição, olfato, paladar e cinestesia).
Voltando nosso olhar para as orientações no campo pedagógico, Ventorini (2007, p. 37) postula que a “estimulação deve ser realizada com o manuseio de diversos objetos de texturas, tamanhos e formas distintas e adequadas à inspeção, por meio do tato e também do grau de maturação da pessoa”. Para ela, quando o trabalho envolver a sensibilidade tátil deve-se utilizar: (i) texturas que sejam agradáveis ao toque, que não ofereçam risco de acidentes, como objetos quentes, cortantes, ásperos, dentre outros; (ii) tamanhos e formas adequados ao tato e ao objetivo das atividades; (iii) com a utilização da textura, forma e tamanho adequados à exploração tátil se alcança a estética tátil. Ventorini (2007) pontua ________________
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Vygotsky, segundo Veer e Valsiner (1996), por volta de 1896, dirigiu na União Soviética um departamento de educação de crianças deficientes. Em 1924, publicou seu primeiro trabalho na área da Defectologia ou ciência que estuda crianças surdas-mudas, cegas e deficientes mentais com vários tipos de problemas/ defeitos mentais ou físicos
que é um “erro grave considerar que todas as texturas e formas provocam sensações agradáveis e positivas” (p. 38).