7. Implementation of the infrastructure TSI
7.7. Specific cases
7.7.19. Particular features on the Slovak network
Participaram do processo empírico desta pesquisa quatro alunos (S1, S2, S3, S4) portadores de cegueira adquirida, conforme anunciado anteriormente. O S1 residia e estudava na Cidade de Araras, no Estado de São Paulo. Os outros três, S2, S3 e S4 residiam e estudavam no Sul da Bahia, sendo um do Município de Ilhéus (S2) e os outros dois de Itabuna (S3 e S4).
Quando a pesquisa foi desenvolvida, todos eles já possuiam maior idade, estavam matriculados em classes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e também no atendimento especial no turno oposto ao do horário de suas aulas. Foi condição fundamental na escolha dos sujeitos que eles estivessem matriculados em Escola Regular do Ensino Médio.
Inicialmente prevíamos a participação de três alunos, sendo S1 para o Estudo Piloto e S2 e S3 para o Estudo Principal. No entanto, no transcorrer da pesquisa, precisamos envolver mais um aluno (S4) para definir, dentre os protótipos M4 e M5, aquele com melhores condições de usabilidade para a aprendizagem dos cbP.
Para manter o anonimato dos participantes, preferimos utilizar nomes fictícios. Pelo mesmo motivo omitimos o nome das escolas. Solicitamos a assinatura do Termo Livre e Esclarecido, no qual tanto os responsáveis pelas escolas (Anexo 02) onde os dados foram coletados, quanto os participantes do estudo, davam-nos autorização para uso das imagens e das falas (Anexo 03).
Feitos os devidos esclarecimentos éticos, a seguir caracterizaremos os alunos a partir de fatos de suas vidas contados por eles mesmos durante os encontros e organizados em texto por nós.
I. Juca (S1)
Juca perdeu a visão aos 20 anos de idade por causa de glaucoma. Realizou sua adequação no Centro de Estudos e Pesquisas em Reabilitação
"Prof. Dr. Gabriel O. S. Porto" – CEPRE – da Universidade de Campinas – UNICAMP/SP. Lê e escreve em Braille e apresentou, no Estudo Piloto, uma sensibilidade tátil ágil e desenvolvida. Foi alfabetizado na escrita convencional, pois estudou até a 8ª série em uma escola regular antes de perder a visão. Cursou o primeiro ano do Ensino Médio por meio do Telecurso 2000. No momento da pesquisa, ele cursava o 3o ano do Ensino Médio e, conforme nos expôs, não pretendia continuar os estudos a partir do final de 2011.
Ele apresentava bastante experiência com maquetes e seu nome foi sugerido para este trabalho pelos pesquisadores do Grupo de Cartografia Tátil da UNESP/Rio Claro, com o qual ele tornou-se experiente com este tipo de MD. Feitos os primeiros contatos com Juca e com sua escola especial, encontramo- nos para o manuseio do segundo protótipo deste estudo, que denominamos Estudo Piloto.
II. Paulo (S2)
Paulo tinha 32 anos no momento em que participou do estudo, casado e com um casal de filhos. Recorda-se que desde criança tinha baixa visão e ficou cego aos 21 anos por motivo de doença. No período da pesquisa ele estava matriculado no 2o Ano do Ensino Médio e pretendia ingressar na Universidade para fazer Licenciatura em Geografia ou Bacharelado em Direito.
Sobre sua história de vida, contou-nos ele: Morei mais ou menos vinte e cinco anos na roça. Mesmo cego, trabalhei com a enxada plantando. Aprendi a fazer conta de cabeça, com meu pai. Eu sou bom nisso! Vim para a cidade já cego. Eu sou muito feliz. Estou cego porque Deus sabe o que a gente precisa.
Paulo mostrou pouca familiarização com os elementos do tabuleiro no primeiro contato com o protótipo da maquete (M4). Conforme nos expôs, ele não teve contato anteriormente com maquetes, mas, após o reconhecimento tátil, ele demonstrou competência e destreza com o MD apresentado.
III. Rosa (S3)
Rosa é uma pessoa determinada e, mesmo cega, decidiu prosseguir em seus estudos. No momento da pesquisa, ela morava no Município de Buerarema e estuda na cidade de Itabuna, que fica a 40 Km de distância de sua morada. Ela destaca que a família não a incentivava ao estudo, porém não deixava de levá-la ao ponto do ônibus para se dirigir à escola.
Sobre sua infância. Disse-nos ela: eu fui muito feliz. Gostava muito de brincar com outras crianças do bairro até tarde da noite. Foi muito bom! Eu gostava de brincar, mas não era danada. Eu brincava de tudo, de correr, de cobra cega, de se jogar no rio. Era bom demais. Ai fiquei adulta e acabou!
Até os 17 anos, quando cursava a 8a série do Ensino Fundamental (hoje 9o Ano), ela desenvolveu seus estudos em sua cidade. Rosa revelou que neste tempo sentia muitas dores de cabeça, o que ela e seus familiares relacionavam com a necessidade de uso dos óculos. Como estavam todos desempregados, os pais decidiram esperar que o tempo se encarregasse de curar suas dores. Ela nos narrou que com a dor de cabeça começou sua dificuldade com a visão: sua vista às vezes escurecia e às vezes clareava. Até que, aos 19 anos ficou sem estudar. Por fim, aos 22 anos, apagou tudo. E eu nem fui ao médico porque não tinha dinheiro. [...] Nesse tempo eu já nem andava sozinha e a minha cabeça doía, doía muito.
Com auxílio das irmãs, fez algumas tentativas com médicos no Espírito Santo, sem sucesso. Foi quando sua mãe levou-a ao medico em Itabuna, que
encontrou um grande tumor no lado direito da cabeça, por atrás da orelha. Com a operação, relatou Rosa, fiquei completamente sem dor, mas sempre faço tomografia. Graças a Deus deu tudo certo, a visão não voltou, mas a dor de cabeça foi embora. Outro médico disse que minha córnea secou e eu não ia enxergar mais. Fazem doze anos que fiquei cega de tudo. Também não movimentava nada do lado direito do corpo, nem perna e nem braço. Hoje melhorei bastante, pois já ando e mexo o braço e a mão, mas não tenho segurança para andar sozinha, por isso não posso usar a bengala.
Apesar de apresentar inexperiência com este tipo de MD ao manusear pela primeira vez o protótipo da maquete, Rosa logo se familiarizou com os elementos do tabuleiro e os outros artefatos.
IV. Neta (S4)
Quando participou da pesquisa Neta estava matriculada no 3o Ano do Ensino Médio e queria fazer vestibular para ser professora ou psicóloga. Ela estava com 23 anos e nos relatou que ficou cega aos 5 anos de idade.
Neta no tempo da pesquisa morava com seus pais e estava com 23 anos. Ela perdeu a visão aos cinco anos de idade e, por isso foi alfabetizada somente em Braille, o que lhe permitia escrever e ler neste código com muita facilidade. Ela também fazia cálculos muito bem com o Soroban e apresentava uma memória privilegiada para cálculos mentais. Afirmou não gostar muito da Matemática, sendo sua disciplina preferida a Geografia. Tal como Paulo e Rosa, ela também demonstrou inexperiência com o protótipo em seu primeiro contato com ele, mas logo se familiarizou com os elementos do tabuleiro e com os outros artefatos. Em nosso primeiro encontro nos disse Neta: Adoro ser desafiada. Adoro aprender com jogo. Esta maquete é moleza... moleza.