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5.   Ressursgrunnlaget  for  biodrivstoffproduksjon  i  Norge

5.2   Tiltak  for  å  øke  uttak  til  bioenergi

No início do século XX, a Revolução Industrial (em franca expansão) pode ser considerada como um dos pontos de partida para o consumo de massa. Linhas de montagem produzindo várias cópias seriadas para serem consumidas por várias pessoas. Conforme Klaus Honnef (2004),

A cultura de fabrico industrial sempre pareceu suspeita aos críticos empenhados. Para Max Horkheimer e Theodor W. Adorno, representava um instrumento de subtil opressão nas mãos daqueles que possuíam e administravam o poder econômico e político. (HONNEF, 2004, p. 20)

Não só roupas ou alimentos, mas a própria arte passa gradativamente a ser produzida segundo essa lógica. Adorno e Horkheimer, pensadores pertencentes à chamada Escola de Frankfurt 68 , criaram o conceito de Indústria Cultural para definir a conversão da cultura em mercadoria. Este conceito aparece na obra “A Dialética do Esclarecimento”, publicada em 1947. Na década de 1960 nos Estados Unidos, como aponta Honnef, “cinema, design e publicidade pertenciam ao ambiente cultural, tal como os hambúrgueres e a Coca Cola.” (HONNEF, 2004, p. 23). Se os dadás trouxeram os objetos do cotidiano para o plano artístico, os integrantes da Pop Art fizeram o mesmo, porém de uma forma “mais leve”, ainda que igualmente crítica. Nesse cenário, a diferença entre a cultura elitista e a popular desaparece. A publicidade passa a ser um dos temas preferidos do movimento. A Pop Art celebra a sociedade de consumo. O “pop” deriva de cultura popular, fonte de recolhimento de material para ser transformado em Pop Art. Historias em quadrinhos, notícias de jornal e recortes publicitários eram algumas das variadas matérias primas utilizadas. Assim como destaquei um artista representativo do movimento dadá (no caso, Marcel Duchamp),

68 Nome dado a um grupo de filósofos e cientistas sociais de tendências marxistas que se encontram no

farei o mesmo com a Pop Art. Embora existam vários artistas reconhecidos nessa esfera, a Pop Art é comumente associada a um de seus mais conhecidos propagadores: Andy Warhol. Warhol (nascido em 1928 — falecido em 1987) produziu extensa obra que traduz a essência desse movimento.

Fig. 17 – Andy Warhol 69

Assim como na escola dadá, na Pop Art pode-se observar um caráter interdisciplinar. O próprio Warhol realizou trabalhos envolvendo cinema, artes plásticas e música. A obra autobiográfica “A Filosofia de Andy Warhol” (publicada no Brasil em 2008) foi originalmente lançada em 1975. Nela, o artista discorre sobre vários temas como vida, dinheiro, sexo, arte e fama. A leitura dessa obra auxilia na compreensão não só acerca do artista, mas do movimento como um todo. Uma das frases mais conhecidas de Warhol é: “No futuro todos terão seus quinze minutos de fama.” (WARHOL, 2008) Esse caráter atualmente se mostra verdadeiro, observado nas chamadas “celebridades instantâneas”, anônimos que principalmente através da internet alcançam uma fama efêmera graças a atributos e realizações passíveis de questionamento quanto à sua relevância e, no caso da arte (em específico da música), verdade artística. Carol Strickland (2004) aponta que “A arte pop elevou a ícones os mais crassos objetos.”

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Fonte:

<http://www.botecodesign.org/wp-content/uploads/2008/12/andy_warhol_2000x0475x517.jpeg> acesso em 05/02/2010

(STRICKLAND, 2004, p. 174) Dentre esses objetos, poderiam figurar hambúrgueres, louça sanitária, cortadores de grama, estojos de batom, pilhas de espaguete e celebridades com o cantor norte-americano Elvis Presley. A Pop Art não se tornou apenas um movimento artístico ou um movimento contracultural, mas também uma ode ao consumo e um fenômeno de marketing. Warhol retratou diversos famosos que pagavam um valor considerável para serem retratados por ele. Seu ateliê, intitulado “Factory” (em inglês, “fábrica”) representava um efervescente ponto de encontro entre os artistas vanguardistas das décadas de 1960 e 1970, incluindo músicos como os integrantes da banda britânica Rolling Stones.

O consumo na Pop Art é encarado como meio para se obter prazer. Assim, ainda que exista um caráter contracultural percebido, e mesmo que represente em muitos momentos uma crítica social, artistas como Andy Warhol gostavam muito de consumir e serem objeto de consumo, quer seja midiático, quer seja de suas obras. Segundo Strickland,

Warhol pegava seus temas nas prateleiras de supermercados e nas manchetes de tablóides e apresentava uma produção de massa com imagens de Marilyn Monroe ou de latas de sopa Campbell, numa espécie de linha de montagem, repetindo a imagem por meio de silk-screen. As imagens populares trouxeram a arte para fora dos museus. (STRICKLAND, 2004, p. 175)

Warhol trouxe a arte para as massas. Tratava-se, pois, de um movimento libertário típico das contraculturas, um movimento de democratização e desmistificação da arte. Ainda que parecesse avesso à exposição pública e à publicidade, as leituras realizadas para este estudo 70 mostraram que no fundo o artista apreciava a fama (não de quinze minutos, mas duradoura e sedimentada).

Outro dado relevante para meu estudo é o de que a Pop Art, ao contrário de muitos outros movimentos, pregava a reprodução em massa. A reprodução mecânica passa a ser valorizada em vez da reprodução manual. O caráter artesanal e único presente nas obras artísticas desaparecia nesse contexto. Uma vez que a matriz de uma obra fosse gerada, poderia ser reproduzida inúmeras vezes. Desse modo, todos poderiam

70 Para mais detalhes sobre as fontes consultadas, veja a relação de obras consultadas ao final deste

ter a sua cópia, todos poderiam acessar os bens culturais. Andy ficou fascinado com os gravadores de áudio portáteis de fita. A base de seu livro (“A Filosofia de Andy Warhol”) foi toda elaborada a partir de transcrições de várias das fitas gravadas por ele. Ele preferia gravar a escrever. E levava o processo a sério. Esse caráter pode ser percebido em uma passagem de seu livro na qual utiliza o termo “representar para a fita” (WARHOL, 2008, p. 41). Sobre a questão da verdade artística que já comentei nesse estudo, o artista diz que “você tem que resistir nos períodos em que seu estilo não for popular, porque se ele for bom, ele vai voltar.” (WARHOL, 2008, p. 78) Abordarei a questão referente à aura artística (G) mais adiante. Porém, Warhol fornece pistas que são úteis para que o conceito comece a ser construído 71 : “Acho que a ‘aura’ é alguma coisa que só os outros podem ver, e só veem o que querem ver. Está tudo nos olhos do outro.” (WARHOL, 2008, p. 93 – grifo do autor) Na verdade, Warhol parece indicar que a sua definição de aura poderia ser sistematizada como “verdade artística percebida”, quer seja pelo público, quer seja por intelectuais, formadores de opinião ou curadores artísticos. Por outro lado, Warhol desloca o valor aurático do artista para a obra do artista:

Você deve ter sempre um produto que não seja apenas ‘você’. Uma atriz deve contar suas peças e seus filmes, uma modelo deve contar suas fotografias, um escritor deve contar suas palavras, um artista plástico deve contar seus quadros, de forma que você sempre saiba exatamente quanto você vale, em vez de empacar achando que seu produto é você e sua fama, e sua aura. (WARHOL, 2008, p. 102 – grifo do autor)

Tendo em vista os conceitos apresentados relativos à contracultura, principalmente no que diz respeito à democratização e à liberdade, o livro de Warhol (2008) apresenta um recorte importante que reforça a sua busca pela democratização da arte para as massas. Ainda que o artista não fale diretamente sobre isso, a sua fala, no que tange ao consumo de massa, deve ser levada em conta e pode funcionar de forma análoga:

71 Embora, como veremos adiante, este conceito já havia sido sistematizado por Walter Benjamin em

O que é incrível é que a América começou a tradição de que os consumidores mais ricos compram essencialmente as mesmas coisas que os mais pobres. Você pode estar assistindo à televisão e ver uma Coca-Cola, e pode saber que o presidente bebe Coca, Liz Taylor bebe Coca e, veja só, você bebe Coca também. Uma Coca é uma Coca e nenhum dinheiro do mundo compra uma Coca melhor do que aquela que o mendigo da esquina está bebendo. Todas as Cocas são iguais, e todas as Cocas são boas. Liz Taylor sabe disso, o presidente sabe disso, o mendigo sabe disso, e você sabe disso. (WARHOL, 2008, p. 118)

Se aplicarmos a lógica de raciocínio de Warhol (2008) para a Indústria do Disco, perceberemos que um álbum produzido em série se comporta do mesmo modo. Ainda que em alguns países a qualidade de prensagem possa ser melhor do que em outros, as cópias serão muito similares. Quando entrarmos mais adiante no campo da digitalização, veremos que em grande parte, se comportarão exatamente como a “Coca de Andy Warhol”.

Fig. 18 – “Garrafas Verdes de Coca-Cola”. Andy Warhol (1962) 72

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Warhol era assumidamente um consumista compulsivo. A questão valorativa da obra de arte foi abordada por ele em várias passagens dentro de sua obra. Para ilustrar esse tema, apresento a seguir uma citação seguida de uma imagem que retrata este caráter:

Gosto de dinheiro na parede. Digamos que você fosse comprar uma pintura de 200 mil dólares. Acho que você deveria pegar esse dinheiro, amarrar e pendurar na parede. Aí, quando alguém visitar você, a primeira coisa que essa pessoa vai ver é o dinheiro na parede. (WARHOL, 2008, p. 154)

Fig. 19 – “192 Notas de Um Dólar”. Andy Warhol (1962) 73

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Se no Dadaísmo Duchamp promoveu uma releitura crítica da “Monalisa” de Leonardo da Vinci, Warhol também o fez na Pop Art. Recorte, colagem, cores saturadas e vibrantes, elementos que compõem a estética pop podem ser observados a seguir:

Fig. 20 – “Monalisa”. Andy Warhol (1963) 74

Assim como ocorreram estas releituras da “Monalisa”, o mesmo pode ocorrer com as obras musicais. Obras já realizadas servem como nutrientes criativos para posteriores ressignificações. Este caráter de “dar a sua visão dos fatos” também se faz presente nas contraculturas. No caso específico apresentado aqui, partindo-se de princípios da semiótica pierceana (SANTAELLA, 2003), observei que o significante

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Fonte: < http://thepublicinterest.freedomblogging.com/files/2009/10/warhol-mona-lisa.jpg> acesso em 06/02/2010.

(no caso, a imagem da “Monalisa”) se faz presente nos três momentos (da Vinci, Duchamp e Warhol). No entanto, ao promover-se uma releitura e novas intervenções estáticas, altera-se o significado da obra original.

Por fim, Warhol teve um grande envolvimento com a música, não só criando capas de álbuns para artistas como John Wallowitch, Rolling Stones, John Cale, Diana Ross, Aretha Franklin e John Lennon, como produziu a banda Velvet Underground (ao final dos anos 1960), que realizava um som de caráter experimental e contestador (o). O desprezo pela arte pode ser percebido através da leitura do livro de Warhol (2008). Conforme o artista, “Espaço vazio é espaço nunca desperdiçado. Espaço desperdiçado é qualquer espaço com arte dentro dele.” (WARHOL, 2008, p. 163) Além de criticar a arte, ele coloca em xeque até o papel do próprio artista ao dizer que “Artista é alguém que produz coisas que as pessoas não precisam ter, mas que ele – por alguma razão – acha que seria boa idéia dar a elas.” (WARHOL, 2008, p. 164)

Após o Dadaísmo e a Pop Art questionarem as obras artísticas, sua estética e seu papel social, mostrarem que era possível de se desenvolver uma arte genuína, questionadora, crítica, não-excludente e não-elitista e de que os objetos cotidianos (assim como os “Ruídos de Russolo”) poderiam e deveriam ser utilizados como elementos construtores da arte, é chegado o momento de romper em definitivo não só com a obra, mas com os autores, isto é, os astros das artes e dar passagem às pessoas comuns para que produzam a sua própria arte utilizando tudo o que estiver ao seu alcance. É o que propôs o movimento contracultural que apresentarei a seguir.