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5.   Ressursgrunnlaget  for  biodrivstoffproduksjon  i  Norge

5.1   Dagens  uttak  fra  norske  skoger

Para os autores, a definição de contracultura pode ser entendida como “fenômeno histórico caracterizado pela afirmação do poder individual de criar sua própria vida, mais do que aceitar os ditames das autoridades sociais e convenções.” (GOFFMAN et JOY, 2008, p. 49) Nesse cenário, a liberdade de comunicação se torna indispensável. Para melhor entendimento do conceito, os autores sugerem três características fundamentais presentes em toda manifestação de contracultura. Segundo GOFFMAN et JOY (2008) são elas:

1- As contraculturas afirmam a precedência da individualidade acima de convenções sociais e restrições governamentais.

2- As contraculturas desafiam o autoritarismo de forma óbvia, mas também sutilmente. 3- As contraculturas defendem mudanças individuais e sociais.

Esta liberdade individual não pode ser de caráter opressor. Respeito às diferenças se faz necessário. Deve-se ir além da liberdade de opinião, incluindo respeito às crenças, aparência pessoal, sexualidade e todos os demais aspectos da vida. Não se trata também de criar-se um movimento autoritário alternativo para substituir a autoridade pré-existente. Deve-se buscar uma crescente liberdade e fortalecimento democrático para o maior número de pessoas.

Os autores apresentam, ainda, cinco características universais presentes nos movimentos de contracultura. Conforme GOFFMAN et JOY (2008), são elas:

1- Ruptura e inovações radicais em arte, ciência, espiritualidade, filosofia e estilo de vida.

2- Diversidade.

3- Comunicação verdadeira e aberta e profundo contato interpessoal, bem como generosidade e a partilha democrática dos instrumentos.

4- Perseguição pela cultura hegemônica de subculturas contemporâneas. 5- Exílio ou fuga.

Os movimentos de contracultura pautam-se pela vanguarda e pelas transgressões. A experimentação serve como teste para ampliação dos limites estéticos e conceituais vigentes. Muitos desses movimentos (literalmente no sentido de mover-se) implicam em transgressões radicais que mudam o curso da história. Deve-se ter o cuidado para não confundir as contraculturas com as subculturas. Como apontam os autores, “as contraculturas apresentam uma excepcional diversidade, e as subculturas normalmente são definidas por um tipo de conformismo alternativo ou minoritário.” (GOFFMAN et JOY, 2008, p. 55) O movimento contracultural exige engajamento e vivência plena dos ideais. Estes ideais, ainda que se nutram do desejo de mudança revigoradora e nasçam de uma elaboração mental do imaginário, devem possuir raízes orgânicas e verdadeiras (analogamente ao que comentei, anteriormente, sobre a verdade artística). Desse modo, não podem estar ancorados em pensamentos narcisistas, etnocentristas, ingênuos e infantis. Essa vivência dos ideais pode ser melhor compreendida partindo do exemplo da geração beat 62 : como apontam os autores, “os beats passaram centenas de noites falando intimamente uns com os outros” (GOFFMAN et JOY, 2008, p. 56) até que o movimento beat realmente eclodisse e tomasse corpo e forma.

Outra questão relevante refere-se ao caráter efêmero e visceral dos movimentos de contracultura. A marca da contracultura está intimamente ligada à fluidez de formas e estruturas, à perturbadora velocidade e flexibilidade com que surge, sofre mutação, se transforma em outra e desaparece. O objetivo da contracultura não é tomar as rédeas ou eliminar o controle externo nem mover uma guerra contra aqueles que o detêm (mesmo que esse elemento possa estar presente em alguns momentos históricos, principalmente

62 Grupo de escritores norte-americanos alternativos da década de 1960, cujos princípios vanguardistas

em se tratando de questões políticas). Em vez disso, as contraculturas buscam viverem livres de restrições à força criativa. (GOFFMAN et JOY, 2008)

Além das características fundamentais e universais já apresentadas aqui, os autores sugerem, ainda, que existem três fios de ligação possíveis de serem identificados em movimentos dessa natureza, fios esses que promovem o intercâmbio e construção entre um movimento e outro. Segundo GOFFMAN et JOY (2008), são eles:

1- Contato Direto: O mais poderoso e óbvio tipo de ligação entre contraculturas. Participantes de uma contracultura interagem diretamente com participantes de outra, abrindo canais de comunicação que encorajam a individualidade e amplificam o impulso contracultural.

2- Contato Indireto: Uma cultura fecunda a outra através do tempo por intermédio de obras de arte, registros e lendas. Graças aos avanços tecnológicos dos últimos cem anos, principalmente no que se refere à internet, esse cabo se encontra cada vez mais emaranhado interligando diversas contraculturas.

3- Ressonância: Semelhança de idéias, produtos artísticos, meios de desenvolvimento e formas de vida que se apresentam em contraculturas entre as quais não há nenhum indício de contato direto ou indireto.

Devemos ter claro, também, que os produtos gerados no seio de uma contracultura são subprodutos e não a contracultura em si. Isso vale, por exemplo, para obras de arte produzidas neste contexto (no nosso caso, como veremos adiante, os álbuns musicais). Além disso, embora analise alguns recortes importantes à medida que este sub-capítulo se desenvolve (como será visto adiante), devo ter em mente que existe um elemento comum: “Os movimentos contraculturais, não importa quão diferentes uns dos outros possam parecer, surgem de diferentes combinações dos mesmos princípios e valores.” (GOFFMAN et JOY, 2008, p. 50) Lendo a obra de GOFFMAN et JOY (2008) é possível compreender o porque de muitos dos movimentos contraculturais terem obtido grande adesão por parte dos jovens. O jovem, por natureza, apresenta uma necessidade quase orgânica de superar as gerações que o antecederam. Esse “conflito” se inicia no âmbito familiar. O jovem gosta de ser transgressor, pois desse modo sente que está “destruindo” para “reconstruir”. Esse processo é muito comum no campo da produção musical. Jovens produtores, ainda que admirem alguns (ou até muitos) de seus antecessores, tomam o trabalho destes como ponto de partida, para, em sequência, quebrar paradigmas (muitas vezes tidos como imutáveis) e desenvolver novos

caminhos, buscar soluções alternativas e fomentar mudanças estéticas, comportamentais e até técnicas. Les Paul pode ser um exemplo desse processo, uma vez que, até sua experimementação com o overdubbing, as gravações eram feitas sempre ao vivo, sem edições. No momento em que ele estabelece esse novo patamar de produção, por consequência, a estética e sonoridade dos trabalhos serão alteradas. Assim, ele “supera” seus antecessores e oferece novas possibilidades técnico-criativas para as futuras gerações. Outro marco importante nesse sentido é o álbum dos Beatles “Sgt. Peppers” (1967), um artefato contracultural, que quebrou paradigmas e será analisado no sub- capítulo seguinte.

Como já disse antes, a obra de GOFFMAN et JOY (2008) apresenta inúmeros recortes históricos que ilustram a questão da contracultura. Partindo destes autores e de outros, irei me centrar em três momentos que foram de grande importância para a produção musical contemporânea: Dadaísmo; Pop Art e Movimento Punk.

3.2 O DADAÍSMO E MARCEL DUCHAMP: ARE YOU READY