Entre as questões de ética e deontologia das imagens publica- das na imprensa, a manipulação digital de fotografias talvez seja aquela que é mais debatida.
Em Novembro de 1997, a Newsweek publicou na capa uma fotografia da senhora de Iowa que teve sete gémeos. Os den- tes da senhora estavam estragados, mas na imagem reluziam de brancura. No mês seguinte, na Suíça, um jornal decidiu averme- lhar a água que descia do templo de Hatschepust, em Luxor, no
Egipto, dizendo que se tratava do sangue dos turistas assassina- dos pelos fundamentalistas islâmicos. Estes são dois dos mais conhecidos exemplos de truncagem electrónica de fotografias jor- nalísticas possibilitada pelas novas tecnologias digitais. Mas, en- tre muitos mais, poderiam relatar-se vários casos semelhantes que vêm sendo listados desde 1988, como o enegrecimento da cara de O. J. Simpson numa capa da Time, o deslocamento das pirâmides egípcias na página um da National Geographic, o apagamento de referências publicitárias nas camisolas de desportistas, o desapa- recimento de objectos das fotografias, como latas de Coca-Cola, carros e similares, a substituição de bandeiras bascas por bandei- ras de Navarra na capa do diário espanhol ABC, a ocultação da queda da esposa de Felipe González numa foto em que este an- tigo presidente do Governo de Espanha era o motivo principal, etc.
O retoque, a alteração, a supressão e a inclusão de elementos nas imagens fotojornalísticas foram procedimentos relativamente comuns ao longo da história. Novo é o facto de a manipulação digital de fotografias ser fácil e de difícil ou virtualmente impos- sível detecção por um observador que não tenha visto o aconte- cimento fotograficamente representado ou que não tenha sido ad- vertido da manipulação imagética. Por outro lado, embora a foto- grafia seja sempre uma forma de manipulação visual da realidade -recordemos a focagem ou o controle da profundidade de campo, da velocidade e da exposição- as tecnologias digitais exponenci- aram esse fenómeno, pois transformam as imagens em impulsos electrónicos processáveis em computador. Tornou-se fácil, por exemplo, alterar, na imagem, as cores do cabelo, da roupa, dos olhos e da pele, alterar penteados, colocar frente a frente pessoas que nunca se viram, inserir pessoas e objectos em ambientes di- ferentes, criar imagens virtuais e combiná-las com imagens in- diciáticas da realidade, etc. Enquanto as alterações introduzidas nas imagens fotográficas ao longo dos tempos usualmente acaba- vam por ser detectadas por especialistas e, por vezes, mesmo por pessoas comuns, quando, por exemplo, se tratava de uma trunca-
gem mal feita ou quando se conhecia o original ou até o contexto da realização da foto, com os computadores abrem-se as portas à possibilidade de mentir, fotograficamente falando, de maneiras inimagináveis no passado.
Assim sendo, e apesar de as novas tecnologias trazerem van- tagens incontestáveis no que respeita à qualidade da imagem, à expressividade e à capacidade de se vencer o tempo e o espaço com maior rapidez e comodidade, as questões ligadas à geração e manipulação digital de imagens são, talvez, das mais relevantes para o fotojornalismo actual, especialmente no que diz respeito à ética e à deontologia profissionais. Inclusivamente, a tecnologia digital da imagem está a ter cada vez maior utilização e é pro- vável que venha a suplantar a fotografia tradicional, coisa que, possivelmente, afectará a nossa percepção do mundo, os proces- sos de geração de sentidos e, portanto, o processo de construção social da realidade.
Tal como a fotografia tradicional difere da pintura, a imagem digital difere da fotografia tradicional quanto à realidade física. Enquanto a fotografia tradicional vive de processos analógicos e contínuos (a fotografia é “análoga” à luz que lhe deu origem), a imagem digital é uma realidade discreta, codificada num código de zeros e uns, subdividida uniformemente numa grelha finita de células -os pixels- cuja gradação tonal de cor pode mudar em fun- ção do código. Na fotografia tradicional, o suporte é o negativo. Na imagem digital, a resolução tonal e espacial é limitada e con- tém uma quantidade fixa de informação. Uma vez ampliada, re- vela a sua micro-estrutura.
O contínuo espacial e tonal das fotografias analógicas tradi- cionais não é reproduzível com exactidão. Transmitidas ou copi- adas são sujeitas a alguma degradação. Porém, a imagem digi- tal pode ser repetida até ao infinito sem perda de qualidade, mas também é fácil e rapidamente manipulável através da substituição de dígitos no código binário -de zeros e uns- que a sustenta. É por esta razão que uma imagem digital pode ser totalmente sin- tetizada por computador, ser resultante da digitalização de outra
imagem, ver a sua perspectiva alterada através das mudanças da zona de sombras, ser pintada electronicamente ou ser até sujeita a uma mistura de todos esses processos, possuindo, ainda assim, coerência interna. Trata-se, de facto, de uma espécie de electro-
bricollage, como lhe chama Mitchell (1992), que demonstra que o multimédia é o medium pós-moderno por excelência: vive da fragmentação e da interactividade, sendo fomentador da polisse- mia, mas, também por isso, da indeterminação e da heterogenei- dade.
O ser humano não está desprovido de defesas contra a mani- pulação imagética. A educação, a cultura e a experiência terão levado as pessoas, eventualmente, a não aceitar hoje tão facil- mente como no passado as fotografias como representações vá- lidas da realidade que tomam parte directa na sua mundividência. Nesta matéria, há filmes que mostram como se fazem manipula- ções e existem fotografias que se sabe terem sido manipuladas. De qualquer modo, não é por isso que o fenómeno da imagem digi- tal deixa de levantar questões preocupantes. Por exemplo, Kelly e Nace (1993) descobriram que a credibilidade de uma foto se- melhante às que se vêem todos os dias na imprensa não se alte- rava significativamente quando as pessoas viam antecipadamente um vídeo sobre manipulação digital de imagens. Esta ocorrência pode demonstrar que, por muito grande que seja a fotoliteracia das pessoas, as fotografias sujeitas a manipulação, quando esta é desconhecida para o receptor, tendem a ser tão credíveis como as outras.
Será que no fotojornalismo se chegou a um ponto em que tanto importa a realidade que se cria como a realidade que se representa de forma directa nas fotografias? Talvez não. Por alguma razão, a Associação de Jornalistas da Noruega pediu que fosse introduzido em todas as imagens digitalmente manipuladas um símbolo que as identificasse. Por alguma razão, determinados códigos deonto- lógicos (Noruega, por exemplo) e livros de estilo ( o do El Pais, por exemplo) proíbem a manipulação sem que o leitor seja adver- tido. Provavelmente, a questão prende-se com a velha teorização
do uso e do abuso. Podem combinar-se ou alterar-se analógica ou digitalmente fotografias jornalísticas desde que o observador saiba que essa alteração foi feita, em que moldes ela foi feita, e desde que a alteração sirva para tornar a comunicação fotojorna- lística em comunicação mais útil. Não se devem fazer alterações casos estes pressupostos não existam.
Redacção na imprensa
escrita
Podemos delimitar o significado da palavra "redigir"como sendo o acto de transposição para a linguagem escrita das ideias e ima- gens que surgem na nossa mente. Antes da redacção ocorre, por consequência, a verbalização dessas ideias e imagens. Ao redi- girmos, ordenamos as letras de forma a formarem palavras e as palavras de maneira a conferirmos ao discurso um determinado significado.
Será que a redacção para os meios jornalísticos impressos deve ter algumas especificidades? A resposta é sim. É por esta razão que podemos falar de estilos jornalísticos. E é também por essa razão que se pode ensinar redacção jornalística. Um aluno de jornalismo deve ser ensinado de maneira a ser capaz de adaptar-se às normas e ao funcionamento dos órgãos de comunicação social que o possam vir a recrutar, nomeadamente às normas de estilo mais usuais.
Quando nos referimos aos modos de enunciação jornalística devemos usar a palavra "estilos"no plural. O jornalismo não ad- mite um estilo, mas vários. Cada órgão de comunicação social tem um determinado estilo. Todavia, encontramos elementos es- tilísticos comuns a vários órgãos jornalísticos. O Expresso, o Pú-
blico e o Diário de Notícias podem ser categorizados entre os jornais que têm um estilo "clássico"de enunciação, pautado pelo rigor, pela sobriedade, pela profundidade interpretativa e mesmo pela separação entre informação (descrição e análise) e a opi- nião. Trata-se de um estilo que nasceu com a imprensa de opi- nião (party press) do século XIX e que se desenvolveu com a imprensa de negócios e com a imprensa de elite (Timoteo Álva- rez, 1992). Pelo contrário, o Correio da Manhã e o 24 Horas são jornais onde se notam menos as fronteiras entre sensação e informação. No Jornal de Notícias, usa-se um nível de língua que torna a informação muito acessível a indivíduos com todo o tipo de informação, mas, por vezes, envereda-se por algum sen- sacionalismo. Correio da Manhã, 24 Horas e Jornal de Notícias são, de alguma maneira, os herdeiros da imprensa popular (penny
press), que surgiu no final do século XIX, nos Estados Unidos, com Pulitzer e Hearst (Timoteo Álvarez, 1992). O Independente é difícil de categorizar, já que se trata de um jornal híbrido, que mescla elitismo (basta reparar no vocabulário) com sensação (o que o torna um herdeiro da imprensa popular) e subjectividade (como preconizado pela segunda corrente de Novo Jornalismo).
O caso de O Independente mostra, de facto, que nem sempre é fácil categorizar jornais em função do estilo. Aliás, por vezes os jornais admitem variados estilos no seu seio. Podem-se encontrar notícias escritas de maneira "clássica"misturadas com notícias es- critas de forma amena e até de forma emotiva e sensacionalista, especialmente em secções sobre fait-divers, vida social, etc. Ou- tras vezes, os jornais admitem variações estilísticas aos seus jor- nalistas. Estas variações são toleradas porque a um jornal inte- ressa, sobretudo, ser eficaz na veiculação de informação e cativar a audiência. As notícias não trazem unicamente o que é "impor- tante", têm também de trazer o que é "interessante"ou, pelo me- nos, têm de ser contadas de uma forma interessante. Não se pode ignorar que os jornais pertencem, geralmente, a empresas que vi- sam, antes de mais, o lucro, tendo de satisfazer os interesses e necessidades da audiência. Mas a latitude de tolerância estilística
é limitada, pois é a personalidade de um jornal, em parte deter- minada pelo seu estilo, que dita, em última análise, o seu sucesso ou insucesso. Daí que tenham de ser os jornalistas profissionais a adaptar-se às regras de estilo específicas de cada órgão de comu- nicação social e não estes a admitir que cada redactor faça da sua prosa um hino à individualidade.
As notícias seguintes foram retiradas do jornal Público de 26 de Novembro de 2000. Elas mostram que, por vezes, mesmo no corpo principal do jornal se encontram variações ao estilo domi- nante. Todas registam fait-divers e foram redigidas num estilo ameno e bem-humorado. Os títulos são emotivos e não informa- tivos. A sua estrutura é relativamente atípica. Por exemplo, no primeiro caso ("Quarenta anos de azia"), o elemento mais impor- tante da informação, que corresponde à resolução de um enigma, surge no meio da notícia e não no seu início nem no final. O jor- nalista, inclusivamente, não se absteve de interpretar com ironia a situação, sendo sua a última palavra ("Compreende-se"). Na segunda notícia, um novo enigma é proposto ao leitor, logo no início da narrativa. Só no final este enigma é revelado. A notícia desenvolve-se num esquema relativamente piramidal, como um conto. Os elementos menos importantes da história são lançados como isco para cativar o leitor. A história vai-se progressivamente adensando até ao clímax final. A terceira notícia também se de- senvolve no sentido da resolução de um enigma, proposto inicial- mente, possuindo, tal como a segunda, uma estrutura piramidal. O leitor é agarrado porque quer resolver esse enigma e porque sabe que o pode resolver fácil e rapidamente: basta ler a notícia até ao final.
Quarenta anos de azia
Foram quatro décadas de desassossego, mas, fi- nalmente, o estômago de Otília Castro, uma anciã co- lombiana de 72 anos, conheceu a paz.
Durante todos esses anos, as dores e o descon- forto levaram-na a suspeitar de todo o tipo de desar-
ranjos gástricos, mas um exame a sério só esta se- mana pôde ser feito. E descobriu-se que a causa do mal-estar era a presença de um feto calcificado de uma gravidez extra-uterina iniciada há cerca de qua- renta anos. Com 25 cm e 1,2 kg, ocupava uma zona importante da cavidade abdominal e foi removido na passada quarta-feira. "Nunca pensei que fosse isso", desabafou Otília. Compreende-se.
Um gesto amigo
Não há nada mais bonito do que enviar mensa- gens de melhoras a um paciente... e receber em troca uma avultada soma em dinheiro. Não que tivesse sido para proveito pessoal, que o donativo de 30 mil dóla- res (mais de sete mil contos) foi entregue à escola dos dois bons corações juvenis. Bobby McKim, de 11 anos, e o seu irmão Billy, de 9 anos, entraram em contacto com conhecidos do paciente quando foram visitar a sua avó a uma clínica de Cleveland e aca- baram por se comover com a sorte do homem que aí se encontrava hospitalizado para um transplante re- nal e tratamento a uma fractura da anca. O homem chama-se Zayed bin Sultan al Nahyan e é presidente dos Emirados Árabes Unidos.
Quem vai ao mar
O lema é partilhado por muitos - e bons! - pes- cadores, absolutamente convictos de que, mais até do que a cana e o carreto, o melhor amigo de quem vai à pesca é a geleira. Desde que cheia, evidente- mente. No caso de Howard Rock ela estava cheia de ar, mas, afinal, era isso mesmo que dava jeito, após o seu barco ter capotado ao largo de Adelaide. O seu parceiro, Danny Thorpe, insistiu em manter-se em cima do casco virado, receando os tubarões (dois sur-
fistas morreram na zona, em Setembro) e ainda está a ser procurado pelas autoridades. Quanto a Rock, lançou-se à água e, com a ajuda de barbatanas e da geleira fazendo funções de flutuador, nadou 15 mi- lhas marítimas até chegar a terra. [Nota: o jornalista deveria ter convertido em quilómetros as milhas ma- rítimas.]
No mesmo jornal e no mesmo dia encontram-se notícias só- brias, rigorosas, concisas, escritas num estilo de agência notici- osa, com base no esquema da pirâmide invertida. Nestes casos, o mais importante da informação abre a notícia e o menos impor- tante encerra-a. A notícia desenvolve-se do mais importante para o menos importante. Este modelo hierarquizado de apresentação da informação é, talvez, o mais clássico do jornalismo. É o que sucede na notícia seguinte, que apenas merece um reparo: a esco- lha vocabular talvez não seja a mais feliz. De facto, há melhores soluções (ex.: "prendido") do que empregar as palavras "metido na cadeia"num jornal de referência como é o Público.
Guiné-Bissau
Vão ser detidos mais civis
O Governo da Guiné-Bissau anunciou que vai pro- ceder à detenção de mais civis, depois de já ter me- tido na cadeia o chefe da principal força da oposição, o PAIGC, Francisco Benante, o presidente da Ali- ança Socialista Guineense, Fernando Gomes, o an- tigo procurador-geral, Amine Saad, e dois dirigentes da União para a Mudança.
O ministro da Administração Interna, Artur Sa- nhá, disse à agência Lusa que as detenções se devem a apoio à rebelião armada que foi protagonizada pelo general Ansumane Mané.
No dia 17 de Dezembro de 2000, o Público inseria uma notícia sobre o naufrágio do navio "Corvo"ao largo da ilha Graciosa, nos
Açores. O título é confuso. A palavra "Corvo", grafada desta ma- neira, sem outro vocábulo que denote o seu sentido (por exemplo: “Navio "Corvo"encalhado...”), está sujeita a uma leitura aberta no que respeita ao seu significado. O antetítulo "Açores"apenas fornece uma localização geográfica. Poderia ter sido aproveitado para denotar a informação (por exemplo: "Naufrágio nos Aço- res"). No início do lead (primeiro parágrafo) da notícia parece que se brinca com coisas sérias:
Açores
"Corvo"encalhado a sul da Graciosa
A população da Graciosa pode ficar sem brinque- dos no sapatinho e bacalhau para a noite de consoada. Um navio mercantil que transportava estas e outras mercadorias para os comerciantes locais encalhou, na sexta-feira à noite, a sul da ilha, junto ao ilhéu da Praia, estando com uma fuga de combustível.(...)
Na actualidade o jornalismo está a sofrer um processo de trans- formação e de contaminação por outros sectores da comunica- ção social, como a publicidade e o marketing. Esta circunstância torna mais difícil de delimitar o que é "o"estilo jornalístico. Mas podem-se, como ficou demonstrado, fazer aproximações ao es- tilo "clássico"da imprensa de referência e ao estilo das agências noticiosas. Este livro segue esse caminho, assumindo uma visão conservadora do jornalismo e insistindo nas regras "clássicas"da redacção jornalística.
Redigir com estilo é encontrar uma determinada forma de re- duzir os acontecimentos e ideias à linguagem escrita. No jorna- lismo, ter um estilo ou outro não significa, à partida, ser menos verdadeiro. Mas pode significar ser menos compreendido ou até ser menos credível.
O estilo aconselhado neste manual não é a única forma jorna- lística de redigir, nem a mais "correcta"ou "verdadeira". Também pode não ser o estilo mais eficaz e credível em todas as ocasiões.
Mas os conselhos aqui dados sobre a forma de redigir são sensa- tos e pertinentes, pois já foram testados com sucesso em múltiplas ocasiões.
2.1 Os princípios do estilo jornalístico
As características do discurso jornalístico impõem o domínio da língua e da sua gramática, bem como das técnicas de redacção. É uma consequência inevitável. Podem existir jornalistas extraordi- nariamente bons a recolher informação e muito maus a enunciá- la. Por isso é que entre as funções dos editores se inscreve, lo- gicamente, a edição dos textos. Mas um jornalista que não saiba redigir com qualidade será sempre um jornalista incompleto, es- tigmatizado.
Dominar a língua escrita passa por um estudo aturado. Passa também pela prática. É preciso escrever, escrever muito. E passa também pela leitura. É muito estranho, por exemplo, que um aluno de jornalismo não leia quotidianamente um ou mais jornais de informação geral. Como podem os alunos querer saber, conhe- cer, dominar a actualidade, o jornalismo e as técnicas jornalísticas dos meios impressos se não lêem jornais?
Um texto jornalístico impresso destina-se, primeiramente, a manter informados muitos leitores. Quer se queira quer não, este factor restringe as formas de enunciação jornalística e impõe de- terminados princípios à escrita. Um texto jornalístico pode pro- porcionar uma leitura mais ou menos amena, pode até fazer brotar uma gargalhada dos lábios do leitor, ou comovê-lo até às lágrimas, pode fugir às formas rotineiras de elaborar as mensagens. Mas não deve perder de vista os princípios régios da enunciação jorna- lística. É aferindo essas qualidades que se julga, em princípio, a qualidade do texto jornalístico.
A rebelião criativa pode, no entanto, revelar-se um precioso auxiliar do jornalista inteligente. Escrever sobre o que se sabe e
lise, os principais ingredientes da enunciação jornalística. Mas pode ser-se criativo, pode contar-se bem o que há para contar, respeitando-se as regras que fazem do texto jornalístico um texto informativo capaz de chegar a um grande número de pessoas.
1. Princípio da correcção - Um texto jornalístico deve respei- tar as regras gramaticais. E deve, igualmente, obedecer às normas de estilo em vigor no jornal. Mas, acima de tudo, deve ajustar-se à realidade, contando bem o que há para
contar, com intenção de verdade.
2. Princípio da clareza - Um texto jornalístico tem de ser construído e organizado de maneira a ser facilmente ace- dido e compreendido, sem dúvidas ou ambiguidades. 3. Princípio da simplicidade - A linguagem do texto jornalís-
tico deve ser simples. Isto significa, por exemplo, que entre sinónimos deve preferir-se o mais comum e que as frases devem respeitar a ordem sujeito - predicado - complemento,