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TILLEGGSINFORMASJON DU KAN VURDERE DERSOM DET OPPSTÅR SPENNINGER NÅR

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Até meados do século XX, o Figurado era visto como uma arte menor. Mas com Rosa Ramalho, a peça/brinquedo deu lugar ao objeto de culto das elites citadinas. Esta mudança deve-se, sobretudo, a esta 'velhinha' muito simpática, muito humilde, como ainda hoje ouvimos descrever. Rosa Ramalho transportou o artesanato que se fazia em Barcelos para o mundo. Foi a artesã mais carismática da região de Barcelos, símbolo da capacidade criadora de Barcelos.

Rosa Barbosa Lopes nasceu a 14 de Agosto de 1888, no lugar da Cova, na freguesia de Galegos S. Martinho. Ficou conhecida por Rosa ‘Ramalho’ ou ‘Ramalha’28 (Município de Barcelos, s.d.: s.p.).

Filha de Luís Lopes, sapateiro, e de Emília Barbosa, tecedeira, nunca pode frequentar a escola. Aos sete anos, para ganhar algum dinheiro, foi para casa de uma

28 Recebeu o apelido ‘Ramalho’ ou ‘Ramalha’, como também era conhecida porque a “Sua avó, sempre que

saía de casa, recomendava ao seu filho, aquele que veio a ser pai de Rosa, – “ não saias daqui, põe-te à sombra dos ramalhos!” – queria dizer que brincasse à sombra de umas árvores que existiam lá perto. Nasceu assim o apelido que se imortalizou com esta artesã barcelense – “Ramalho” (Município de Barcelos, s.d.: s.p.).

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vizinha que modelava bonecos. Começou por fazer tiras para cestas, com o objetivo de imitar as ciganas, que faziam cestas em vime (Idem).

Aos 18 anos casou com António Mota, moleiro de profissão, e teve oito filhos. Durante o período em que esteve casada, Rosa Ramalho dedicou-se à criação dos filhos e ajudava o marido. O barro era apenas um passatempo que servia para entreter as crianças nas suas brincadeiras (Ibidem).

Quando o seu marido morreu, Rosa tinha quase 68 anos, abandonou a profissão de moleira e voltou a trabalhar no barro. A partir daí, começou a frequentar feiras e romarias, locais onde escoava facilmente os seus trabalhos, espalhadas por todo o país mas, principalmente, pela zona do Porto (Ibidem).

Rosa Ramalho foi descoberta na segunda metade da década de 1950, quando Alexandre Alves Costa, arquiteto e colecionador, juntamente com os seus colegas da Escola de Belas-Artes do Porto, e seguindo a intuição do pintor e professor António Quadros deslocaram-se a S. Martinho de Galegos à procura da arte popular. Foi assim que Alexandre Alves Costa conheceu Rosa Ramalho, que ainda não era conhecida.

Foi António Quadros quem retirou a arte e o nome daquela artesã do anonimato, depois de a ter visto, um dia, a fazer um boneco em barro com uma agilidade desconcertante, na feira das Fontainhas, no Porto. (...) O pintor desafiou-a, então, a fazer uma fornada, que ele próprio compraria. Foi o início de uma relação que duraria anos e o começo da segunda fase da vida de Rosa Ramalho como barrista, depois de se ter dedicado ao trabalho de moleiro até à morte do marido (Andrade, 2008: s.p.).

A partir de 1958, Rosa Ramalho começou a assinar as suas peças, a conselho de Jaime Isidoro, que desenhou “RR” num papel e lhe disse que aquelas duas letras significavam o seu nome e que seriam o suficiente para que as suas peças fossem reconhecidas e tivessem um símbolo de autenticidade. (Idem).

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O primeiro Figurado que fez foi em chacota (barro por cozer), pintada com tinta verde, vermelha e azul não cerâmica, e em chacota sem pintura. Só mais tarde é que começou a fazer figurado vidrado, com cores, principalmente, castanho melado (Ibidem). Fez inúmeras exposições por todo o país e além-fronteiras. Chegava a ser procurada por inúmeras pessoas, ilustres e anónimos, na sua própria casa, onde apreciavam e compravam as suas peças. Foi distinguida com vários prémios, dos quais destacamos a medalha “As Artes ao Serviço da Nação”, na Feira de Artesanato de Cascais, em 1964 e, ainda neste mesmo ano, com o Prémio do melhor conjunto de Figurado, no Concurso de Artesanato realizado em Barcelos (Ibidem).

Rosa Ramalho faleceu a 24 de Setembro de 1977 com 89 anos (Ibidem).

A Dra. Cláudia Milhazes, diretora do Museu de Olaria, descreve Rosa Ramalho como:

Uma barcelense com uma criatividade única. Inspirada pela realidade que a envolvia, modelava peças em barro que retratavam as cenas do quotidiano popular, mas para além de se inspirar no dia-a-dia, também produziu peças que faziam parte de um imaginário enigmático e original, como as feiticeiras, os diabos, os bichos informes, entre outras figuras que não fazem parte do mundo real.

Foi a sua originalidade que a distinguiu de outros barristas de Barcelos. E lhe deu um reconhecimento público até aos dias de hoje. Acrescenta, ainda, que “O reconhecimento mundial de Rosa "Ramalho" colocou a região de Barcelos no centro do mundo e ainda hoje muitos dos visitantes nacionais e internacionais do Museu de Olaria relembram esta barcelense como um símbolo nacional”.

Rosa Ramalho expôs também na Cooperativa Árvore, no Porto, que editou um texto de bastante interesse de Ernesto Veiga de Oliveira, no qual se descreve Rosa Ramalho como “ … «uma velha jovem» artista (…) e que seus olhos vêm nas coisas que

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olham: ironia e malícia, facécia que é pessimismo e troça, um sentido vivo do inverosímil da realidade…” (Município de Barcelos, 2006b: 28).

Com Rosa Ramalho surgem outros barristas seus contemporâneos, como Maria Sineta, Domingos Côta, Luísa Lopes, S. Bento e Armando Macedo Vale (Museu de Olaria, s.d.: s.p.).

A partir do reconhecimento do grupo de professores de Belas Artes do Porto, esta geração conquistou um novo estatuto e o Figurado assume uma nova função. “Se, até ali, todas as mulheres dos oleiros produziam sortido, agora passa a ser trabalho só de algumas (Município de Barcelos, 2006b: 45).

A partir deste momento, as peças de Figurado, que eram inicialmente produzidas para as crianças passam a ser produzidas para os adultos e, consequentemente, as produções tornam-se mais valiosas, bem como o estatuto de quem as produz. Esta valorização permitiu que os artesãos começassem a introduzir mais artigos religiosos nas suas produções, como Cristos, presépios, Virgem Maria ou procissões.

Fruto deste reconhecimento, Rosa Ramalho é relembrada e divulgada nas diversas exposições apresentadas nas salas de exposição do Museu de Olaria.

Numa primeira pesquisa relativamente à presença internacional do Museu de Olaria, verificamos que ela se fundamenta, em boa parte, na ‘descoberta’ de Rosa Ramalho, como figura emblemática da olaria tradicional portuguesa que teve eco no estrangeiro. Refere-se que, com a sua apresentação na Feira de Artesanato de Cascais, em 1968, “os seus trabalhos passaram a ser procurados por milhares de portugueses e estrangeiros” (artigo wikipedia sobre Rosa Ramalho, desde 2006). Na altura da morte de Rosa Ramalho, em 24 de setembro de 1977, “a população de Barcelos dirigiu, (…), uma proposta ao governo no sentido de transformar o barracão e o telheiro num museu de

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cerâmica com o nome da barrista” (ibidem)29, já havendo o Museu Regional de Cerâmica Popular, criado em 1963 (vd. Descrição da entidade: Anexo 1).