• No results found

Klinisk tilpasning mellom andre og tredje time

Tal como a sociedade, o turismo e a museologia também evoluíram. Como já ficou demonstrado nos capítulos I e II, passámos de um turismo de massas para um conceito mais sustentável e preocupado com os recursos disponíveis. Por outro lado, o museu evoluiu e modificou-se, sobretudo de três formas principais sistematizadas por Alexandra R. Gonçalves (2009: 4):

(…) o museu passou a preocupar-se não só com o objecto, mas também com a representação do passado, pelo que, teve lugar um alargamento do que vale a pena preservar; teve lugar uma mutação da natureza do museu – “os museus vivos” substituem os “museus mortos”; museus fechados substituem os museus ao ar livre; alteração da relação do museu com outras instituições sociais – os museus estão a tornar-se mais sociais e comerciais (integram cafés, livrarias e restaurantes; possuem dias abertos; alugam colecções e organizam eventos).

Resumindo, os museus redefinem a sua função tradicional de preservação e exposição de objetos considerados valiosos no âmbito duma maior preocupação com a contextualização da instituição, assumindo um papel “para o desenvolvimento do turismo cultural e de novas oportunidades de lazer, mas também como bandeira diferenciadora e identitária dos locais, num mundo cada vez mais global” (Gonçalves, 2009: 4). Para um manual como Museum Basics (1ª ed. 1993), trata-se dum ‘benefício’ fundamental:

Museums may serve as an important tourist or cultural element in an overall re-development or regeneration programme for a location. (…) In a location where tourist economy is important, a museum can play a significant role as an ‘attractor’ for a tourist destination. In rural areas, for example, where economic development may need to take place because of changes to the traditional agricultural economy, a museum may have a useful role to play in serving as a focus for presenting and interpreting economic and associated cultural change to a local community and visitors. (Ambrose & Paine, 2012: 13 s.)

61

É nesta base, e tendo em conta o duplo público de comunidade local e visitantes (nacionais e estrangeiros), que Ambrose & Paine (2012: 14) definem um ciclo entre política museológica e o desenvolvimento de economia local (Ibidem, fig. 4.2):

Where tourism is an important part of local economy, a museum can act as a magnet or attractor for encouraging tourist visitors to visit the wider destination. Visitors to a museum will also spend money within the local economy, (…). (Ibidem).

“No museum is an island” (Idem, 111) diz o mesmo manual, alertando para a necessidade de um trabalho em rede e planeamento integrado, enfatizando o papel dinamizador de “Friends’ organisations and membership programmes” (Ibidem). Na era da globalização, este papel não está confinado à comunidade local ou ao visitante nacional, mas abrange também o turista estrangeiro, e requer o desenvolvimento de conteúdos em línguas estrangeiras e a sua atualização contínua.

Atualmente, os turistas representam uma parte importante das visitas aos museus e, em alguns casos, uma percentagem expressiva do seu público. O reconhecimento da importância da sustentabilidade cultural já foi apreendido pelo turismo cultural e os agentes do turismo estão hoje conscientes que o futuro da indústria turística depende da proteção e preservação dos recursos ambientais, patrimoniais e culturais de cada região (Idem, 3).

O turismo cultural assume-se como um produto estratégico para os museus e estes são um importante recurso para o desenvolvimento do turismo cultural, no sentido do ciclo proposto por Ambrose & Paine (2012: 14). Contudo, embora se perspetive, de forma clara, a relação dos museus com o turismo em prol do desenvolvimento de ambos, nem sempre esta relação e articulação funciona da melhor forma. A falta de articulação entre os dois setores leva ao desconhecimento mútuo da atividade de cada um e assim, só uma pequena percentagem de museus desempenha um verdadeiro papel na ativação do turismo a nível internacional (Ponte, 2014: 348).

62

Se o turismo deverá conhecer as unidades museológicas que poderão enriquecer e valorizar a atividade, também os museus deverão encetar um processo de adaptação das suas estruturas, no sentido de se afirmarem como uma verdadeira oferta no domínio do turismo (Idem, 348). O visitante atual dos museus deixou de se satisfazer somente com olhar os objetos nas vitrinas, conhecendo apenas o seu lado estético. O turista quer interagir com os objetos e os seus contextos, quer estar envolvido, participar na descoberta e deseja experimentar. Por isso, o museu deve conhecer os desejos dos públicos, perceber o que é que eles pretendem ver ao visitar a instituição. Nesta linha deverão ser previstas diferentes tipos de abordagens e níveis de comunicação capazes de responder aos diversos tipos de público (Ambrose & Paine, 2012: 66).

O turismo poderá funcionar como uma mais-valia para os setores que estabelecem sinergias com ele, nomeadamente, os museus, contribuindo para a captação de novos públicos e criação de novas receitas, que poderão ser aplicadas na regeneração de edifícios e conservação de acervos. Por outro lado, os museus podem transformar-se em elementos essenciais na valorização dos destinos, da experiência turística e para a fixação de comunidades nos seus locais de origem, as quais, desta forma poderão, se bem orientadas, funcionar como mais um ativo para o setor do turismo (Idem, 135)

Existe, por isso, uma relação muito estreita entre turismo e museologia. Com efeito, perceber se os museus fazem o turismo ou se o turismo faz os museus é uma questão difícil de responder e resulta:

(…) da intensificação e da diversificação da mobilidade num âmbito internacional, onde os museus desempenham um papel crucial na oferta urbana, colocando-se ao serviço de uma sociedade da informação e do lazer (Gonçalves, 2009: 3).

O turista cultural, ao procurar escapar de uma cultura global e estetizada, procura novos interesses de viagem relacionados especialmente com a cultura original de cada

63

local que visita. Este facto faz com que muitas entidades promotoras do turismo tirem proveito dos recursos culturais existentes nas suas cidades para atraírem mais turistas. Em muitos dos casos, estes recursos acabam por perder a sua autenticidade:

Não será por acidente que o autêntico constitui um fetiche socialmente mobilizador da descoberta das verdadeiras raízes dos indivíduos (…) é nessa conjunção que o turismo se torna um ‘campo’ de tensões despertas por uma reinvenção dos espaços locais (…). (Santos, 2014: 5).

65