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7   Diskusjon og konklusjon

7.2   Tidligere forskning og hypoteser

4.1 - Conceitos

O significado de mobilidade, confinado às características corporais do movimento humano, vai-se libertando dos constrangimentos geográficos, graças à tecnologia de informação e comunicação. O uso intensivo da tecnologia informática e dos telefones móveis, levaram a uma alteração do nosso modo de viver a vida social, quase de uma forma virtual. Ter mobilidade já não significa, apenas, deslocar-se ou viajar; mais importante é, como cada um interage com os outros. Novas configurações sócio-tecnológicas resultam da difusão das tecnologias de informação e comunicação, estimulando diversas dimensões de mobilidade. A tecnologia de informação é um dos sectores da economia que mais rapidamente tem crescido. Mais de 40% das famílias na América do Norte possuem um computador; as famílias com crianças, são as que apresentam níveis mais elevados de posse de computador. A relação entre a criança e as novas tecnologias tem sido o fulcro de debates sobre o uso, por parte das crianças, do espaço e do tempo (Kakihara & Sorensen, 2001).

As novas tecnologias são, muitas vezes, indiciadas como responsáveis pelas alterações bruscas nas relações sociais das crianças no contexto famíliar e com os amigos, tirando-lhes a capacidade de escolherem diversas brincadeiras imaginativas de exterior, das quais os adultos se recordam na sua infância. Muitas vezes, é referido que o uso do computador promove uma actividade sedentária, ficando a criança muito tempo dentro de casa, a usar as inovações tecnológicas – a complacência dos pais, promove uma certa estruturação do uso do seu tempo, impedindo que as crianças brinquem em espaços públicos, sem a sua supervisão, com receio do tráfego automóvel e das pessoas estranhas. Mas, o receio de muitos pais passa já, por se sentirem menos competentes no domínio das tecnologias, não sabendo como controlar os filhos e temendo que a sua autoridade natural afecte o seu poder no agregado familiar (Valentine et al., 2000). As mesmas autoras, assinalam que as novas tecnologias podem ser integradas nos “velhos” modos de vida. Os jogos de computador e a internet tornaram-se em novos interesses para as crianças, como novos modos para partilharem as amizades e não substituirem os amigos; surgem como uma ferramenta diferente. Muitas crianças usam as novas tecnologias diariamente para manter amizades, porque lhes é mais conveniente e prático do que encontrarem-se cara a cara – ex. Em certas áreas rurais de povoamento disperso. Tal como acontecia com a televisão, anteriormente, também o computador é acusado de tirar o tempo às crianças para brincarem no exterior. Muitas das crianças entrevistadas, afirmaram que brincam mais regularmente fora: vagueam pelas ruas e passeios, vão às compras (shoppings), ao cinema e praticam mais desporto do que usam o computador. Para as autoras, o uso do computador é muito sasonal, mais frequente no Inverno e em dias de chuva. Quando está bom tempo, a maioria das crianças prefere brincar com os amigos no exterior, em espaços públicos. Desta forma, as tecnologias podem modelar as identidades das crianças, localizando-as num grupo particular de amigos ou incapacitando-as de desenvolver hobbies particulares. São também as crianças que modelam as tecnologias, pela definição e uso de diferentes maneiras, nos diferentes grupos de pares (Valentine et

al, 2000).

No entanto, ainda que as comunicações tenham evoluído e o uso extensivo da Internet nos tenha levado a pensar que iríamos prescindir de algumas deslocações, como parte fundamental do intercambio, a necessidade do contacto físico e de certos acontecimentos associados aos novos ritmos de vida do quotidiano, parecem garantir, a longo prazo, a continuidade de uma mobilidade territorial bastante importante (Teles, 2005). Algumas inovações tecnológicas permitem-nos compreender melhor o processo de globalização e a sua relação com as novas dinâmicas de mobilidade. O tele- trabalho e o progresso tecnológico associados, poderiam contribuir bastante, para a redução do número de impactos sobre o tráfego automóvel. Por exemplo, uma diminuição da duração das deslocações casa-trabalho, pode levar a passar mais tempo nas deslocações casa-lazer ou casa- compras. O tempo de trabalho diminuiu, os horários alteraram-se, as pessoas cada vez mais têm o

tempo mais fragmentado, participando durante o seu dia em diversas actividades (ex. ginástica, aulas, compras, tráfego, etc...), tendo de conjugar horários familiares com profissionais. A alteração do tipo de famílias aumentou por toda a Europa (ex. famílias mono parentais) com implicações acrescidas nos padrões de mobilidade (Teles, 2005).

O movimento geográfico humano, só por si, é hoje incapaz de captar a complexa realidade da mobilidade que emerge na nossa vida contemporânea. A mobilidade no espaço de interacção humana resulta, assim, de um rápido e complexo fluxo de todas as entidades do nosso mundo vivo incluindo, não só os homens, mas também os objectos, os símbolos e as imagens (Kakihara & Sorensen, 2001).

Quando analisamos a mobilidade na sociedade pós moderna, a principal tendência é a polarização entre aqueles que têm consciência de ter mobilidade, tendo uma parte do espaço disponível e os outros que não têm mobilidade e como consequência têm mais espaço restringido (Fotel & Thomsen, 2004). Para estes autores, a mobilidade relacionada com o bem-estar pode ser definida: (1) como um recurso objectivo, em geral, ter automóvel, uma bicicleta, ter acesso a transporte público ou capacidade económica para tomar um táxi se for preciso ou (2) como uma capacidade subjectiva, para lutar pela mobilidade todos os dias.

Para Teles (2005) o conceito de mobilidade refere-se à deslocação de pessoas, bens e informação, relacionando sítios de trabalho com acesso a bens de consumo, as residências e espaços de entretenimento e lazer, com as compras e com as relações de amizades. É assim um conceito de integração com a noção de proximidade.

Neste contexto, Giddens (1999) acrescenta que mobilidade urbana é, em parte, um produto da globalização e que, por isso, hoje está em mutação, no sentido do crescimento de movimentos de pessoas, bens e informação; tem de ser entendida integralmente, num sistema de interdependências entre esses diferentes movimentos. O fenómeno da mobilidade apresenta-se como uma realidade complexa com inter-relações diversas; é necessário identificar muitas das variáveis em causa. O Quadro 4 apresenta algumas variáveis genéricas que podem influenciar a mobilidade , resumindo relações directas ou indirectas entre mobilidade.

Quadro 4 – Conjunto de variáveis genéricas que afectam a mobilidade Variáveis genéricas Variáveis particulares

Individuais - sexo - grupo etário

- posicionamento no ciclo da vida Sociais - nível de rendimento

- tipo de actividade profissional - tipo de consumo

Culturais - nível de instrução

- novos ritmos e estilos de vida - as novas famílias

- as novas relações Económicas - custos de transporte

- custos de viagem - novas tecnologias - globalização

Físicas e urbanísticas - ocupação e uso do solo

- ordenamento do território e dos transportes - gestão da mobilidade

- tempo de viagem

- concentração da população - distribuição espacial da residência - distribuição espacial das actividades - desenho urbano

Fonte: Teles, 2005

O conceito de mobilidade, hoje, apresenta-se multidimensional e transversal, interagindo com a sociologia urbana. Devemos falar de mobilidade espacial numa relação transversal com a mobilidade social. A mobilidade é, assim, um conceito transversal, na medida em que tem implicação sobre muitas áreas específicas (Teles, 2005).

O conceito alargado de mobilidade, referido atrás, contém a ideia de um contacto directo e sem restrições com o envolvimento, como suporte da evolução do conhecimento espacial no processo de desenvolvimento humano.