• No results found

TID, STED OG HVEM ER JEG?

In document Betwixt & Between 2013 (sider 63-76)

Além das crônicas de viagem, como 8 60 % , publicada em treze de abril de 1891, em P - , Maupassant publicou três narrativas de viagem, todas contendo descrições da costa Mediterrânea entre a Europa

e a África: . (1884), 3 A (1888) e " (1891). Os dois

últimos livros são os mais mencionados pelos críticos e comentadores. Os três volumes são subdivididos em pequenos relatos, ora com subtítulos que apresentam as localidades visitadas, as impressões do artista, a paisagem ou

87 Louis Forestier prefere classificá&lo como autor impressionista. FORESTIER, Louis.

o momento do dia recortados para descrição; ora pela data de sua redação, como um diário.

A apresentação formal das narrativas de viagem, porém, foi também forjada pelo escritor no momento de organização dos volumes. A maior parte dos textos ali reunidos pouco difere de muitas de suas crônicas (e até de alguns de seus contos), sejam as que relatam algum aspecto de suas viagens, sejam as que se detêm em reflexões sobre política ou literatura. No prefácio que abre a edição Folio de 3 A , Jacques Dupont afirma:

Como já havia feito para . (que conta uma viagem na

África do Norte), e como ainda fará para # ,

Maupassant reutilizou crônicas, contos ou novelas, já

publicados entre 1881 e 1887. Conhecemos, atualmente,

aproximadamente uns trinta desses textos que são

retomados, remanejados, redistribuídos em 3 A +88

São, de fato, textos que misturam narração, descrição, reflexão, o que torna difícil sua classificação. O melhor, nesse caso, parece ser a manutenção da etiqueta dada pelo autor, já que qualquer outra seria tão arbitrária quanto essa.

Contam&se sempre em primeira pessoa as aventuras durante os cruzeiros feitos em momentos diversos da vida do escritor, na busca de evadir&se, repletos de sensações poeticamente descritas e retratos captados por seu dom de observação fina. Forma, técnica literária e assunto estão em harmonia, uma vez que, para o escritor, « Le voyage est une espèce de porte par où l’on sort de la réalité connue pour pénétrer dans une réalité

88 « Comme il l’avait déjà fait pour . (qui raconte un voyage en Afrique du Nord), et

comme il le fera encore pour # , Maupassant a réutilisé des chroniques, contes ou nouvelles, déjà publiés, entre 1881 et 1887. Nous connaissons donc, à ce jour, une bonne tretaine de ces textes qui sont repris, remaniés, redistribués dans 3 A + » DUPONT, Jacques MAUPASSANT, Guy de. 3 A + Paris : Gallimard, 1993a. (Folio Classique), p. 10.

inexplorée qui semble un rêve. »89 Muitas vezes, o tom subjetivo do narrador

atinge um alto grau, estabelecendo uma conexão tênue entre os momentos de pura imaginação, divagações e os de descrição realista do quadro observado.

. divide&se em nove partes: . . "

A ?. " A. S A 1 T ?

' + Outras três narrativas (. , e . ' ) são

acrescentadas em algumas edições, mas apenas para aumentar&lhe o volume90, sendo que . foi incluído por Louis Forestier na edição dos

contos e novelas. A escolha pela primeira pessoa narrativa provoca o prevalecimento do subjetivismo. As paisagens vistas, as histórias ouvidas dos colonos pobres e dos militares, suas observações (as de um europeu) sobre a cultura e a religião árabes compõem a maior parte da narrativa, na qual, porém, o protagonista é o Sol – implacável e silencioso na sua destruição. A viagem transcreve um período não preciso, a partir de 6 de julho de 1881, quando o narrador parte de Marseille. Chega a Alger, de navio, entrando no continente por trem, a pé e a cavalo, até a última cidade visitada, Constantine.

Dando por parâmetro, em certas descrições, . , o

narrador maupassantiano nos oferece de receitas da culinária árabe, descrições de tempestades de areia e miragens até relatos sobre as relações políticas entre oficiais franceses e os nativos. O escritor abre também espaço

89 MAUPASSANT, Guy de. . + Paris : Ollendorf, 1902, p. 5. Essa edição contém

também . , e . ' +

90Como na edição de 1888, da Havard, como consta no site ( /

para refletir sobre as tradições diversas daquelas que compartilha com seus leitores, vendo&as ainda como exóticas e pitorescas:

Les Árabes passent, toujours errants, sans attaches, sans tendresse pour cette terre que nous possédons, que nous rendons féconde, que nous aimons avec les fibres de notre coeur humain ; ils passent au galop de leurs chevaux, inhabiles à tous nos travaux, indifférents à nos soucis, comme s’ils allaient toujours quelque part où ils n’arriveront jamais.91 Por outro lado, onde a cultura francesa já está estabelecida, nos centros urbanos, seu lamento parece outro. Este fragmento sobre a presença francesa em Alger mostra a pertinência histórica do texto de Maupassant, pois ele abre seu texto à discussão do colonialismo, ao qual ele já se opunha em suas crônicas:

Le quartier européen d'Alger, joli de loin, a, vu de près, un aspect de ville neuve poussée sous un climat qui ne lui conviendrait point. En débarquant, une large enseigne vous

tire l'oeil: 3 ? 5 ; et, dès les premiers pas, on

est saisi, gêné, par la sensation du progrès mal appliqué à ce pays, de la civilisation brutale, gauche, peu adaptée aux moeurs, au ciel et aux gens. C'est nous qui avons l'air de barbares au milieu de ces barbares, brutes il est vrai, mais qui sont chez eux, et à qui les siècles ont appris des coutumes dont nous semblons n'avoir pas encore compris le sens. Napoléon III a dit un mot sage (peut&être soufflé par un ministre): "Ce qu'il faut à l'Algérie, ce ne sont pas des conquérants, mais des initiateurs." Or nous sommes restés des conquérants brutaux, maladroits, infatués de nos idées toutes faites. Nos moeurs imposées, nos maisons parisiennes, nos usages choquent sur ce sol comme des fautes grossières d'art, de sagesse et de compréhension. Tout ce que nous faisons semble un contresens, un défi à ce pays, non pas tant à ses habitants premiers qu'à la terre elle&même.

[...] Les Arabes, dans tous les cas, ont sur nous un avantage contre lequel nous nous efforçons en vain de lutter. Ils sont les fils du pays.92

91MAUPASSANT, Guy de. Le Zar’ez. In:___. 1902, p. 120. O trecho citado pertence à sétima

parte da narrativa, S A 1, sobre o lago do mesmo nome, visto em miragem.

92 7 O primeiro excerto é da parte intitulada . p. 20&21; o segundo, de ?

3 A apresenta&se na forma de um diário, cujas oito partes são introduzidas pela data da redação, compreendendo um período bastante curto, entre 6 a 14 de abril. O texto começa assim:

Ce journal ne contient aucune histoire et aucune aventure intéressante. Ayant fait, au printemps dernier, une petite croisière sur les côtes de la Méditerranée, je me suis amusé à écrire chaque jour ce que j’ai vu et ce que j’ai pensé.

En somme, j’ai vu de l’eau, du soleil, des nuages et des roches – je ne puis raconter autre chose – et j’ai pensé simplement, comme on pense quand le flot vous berce, vous engourdit et

vous promène.93

Sabemos, porém, que o momento da redação é outro. O ficcionista cria um contexto de escritura que não corresponde àquele que nos revela seu texto. Sobre o período de sua redação, também Jacques Dupont nos esclarece:

A quinzena de dias que define a cronologia fictícia da narrativa mascara a duração de aproximadamente seis anos de escrita e destrói a sucessão cronológica dessas publicações – e provavelmente da redação dessas últimas. Da mesma forma, o itinerário segundo o qual parece se ordenar a narrativa fornece pontos de ancoragem narrativos e camufla a

descontinuidade desses textos relativamente breves e

inicialmente “calibrados” segundo as exigências do

jornalismo.94

Nessa narrativa, Maupassant introduz diversas reflexões estéticas, digressões sobre a paisagem, o vento e a luz. Ao se instalar em Cannes, por conta do vento que impedia de prosseguir a viagem, o narrador critica a burguesia que ali se encontrava, bem como os homens de letras que

93MAUPASSANT, 1993b, p.2.

94 « La quinzaine de jours qui définit la chronologie fictive du récit masque la durée de

quelques six ans d’écriture, et détruit la succession chronologique de ces publications – et probablement de la rédaction de ces dernières. De même, l’itinéraire selon lequel semble s’ordonner le récit fournit des points d’ancrage narratifs, et camoufle la discontinuité de ces textes relativement brefs, et initialement « calibrés » selon les exigences du journalisme. » DUPONT, + ., p. 10.

conversavam sobre banalidades. Mais adiante, num tom relativista, põe em dúvida até a necessidade da literatura e da arte:

Les arts? La peinture consiste à reproduire avec des couleurs les monotones paysages sans qu’ils ressemblent jamais à la nature, à dessiner les hommes, en s’efforçant sans y jamais parvenir, de leur donner l’aspect des vivants. [...] Les poètes font avec des mots ce que les peintres essaient avec des

nuances. Pourquoi encore ?95

Fazendo e citando literatura (Haraucourt, Musset, Hugo, Lisle), perfaz sua viagem até a Itália, nesse texto que oferece como um diário pessoal despretensioso, na verdade escrito para a publicação:

Il me reste à demander pardon pour avoir ainsi parlé de moi. J’avais écrit pour moi seul ce journal de rêvasseries, ou plutôt j’avais profité de ma solitude flottante pour arrêter les idées errantes qui traversent notre esprit comme des oiseaux.

On me demande de publier ces pages sans suite, sans composition, sans art, qui vont l’une derrière l’autre sans raison et finissent brusquement, sans motif, parce qu’un coup de vent a terminé mon voyage.

Je cède à ce désir. J’ai peut&être tort.96

" apresenta&se em sete narrativas menores: ,

, * , 3 , &A. F 9 , 9 e # T . Não

dá, por sua vez, a data de partida, mas somente a da última parte da viagem, escrita entre 11 e 16 de dezembro. Cansado da Torre Eiffel, essa “carcasse métallique [...] squelette disgracieux et géant” sobre a qual todos os jornais falavam e que multidões corriam para ver, o narrador explica na primeira parte porque deixou Paris e seguiu em viagem, sozinho, a fim de se 5 em Florença.97 Está claro que o ficcionista, aberto às novas

expressões da literatura – o Simbolismo como vemos na segunda parte,

95MAUPASSANT, 1993b, p. 33. 967 , p. 138.

97MAUPASSANT, Guy de. « Lassitude ». In : ___. " + Paris : Ollendorf, 1903, p. 1&

&, em artes visuais não era modernista. A concepção de Maupassant sobre a pintura e a arquitetura era fechada ao que o cosmopolitismo e a indústria pudessem contribuir com as artes. Sua visão, nesses termos, era ligada ao belo clássico, à arte aristocrática e ao não&utilitarismo.

Informado por Baudelaire e Rimbaud, cujos poemas '

e # , respectivamente, ele cita e rapidamente estuda, o narrador maupassantiano oferece um relato de grande apelo aos sentidos, a fim de refletir sobre a visão do artista. Entre explicações científicas que justificam o que se chamava na época de “audição colorida”, Maupassant dá a sua própria proposta: a de que escritores como Heine, Baudelaire, Balzac e Byron sucumbiram ao mecanismo infatigável de seu pensamento, visando à superação da inteligência pelos sentidos:

[…] Je ne pouvais pas dormir, et je me demandais comment un poète moderniste, de l'école dite symboliste, aurait rendu la confuse vibration nerveuse dont je venais d'être saisi et qui me paraît, en langage clair, intraduisible. Certes, quelques&uns de ces laborieux exprimeurs de la multiforme sensibilité artiste s'en seraient tirés à leur honneur, disant en vers euphoniques, pleins de sonorités intentionnelles, incompréhensibles et perceptibles cependant, ce mélange inexprimable de sons parfumés, de brume étoilée et de brise marine, semant de la musique par la nuit.

[…] Ce phénomène, d'ailleurs, est connu médicalement. On a écrit, cette année même, un grand nombre d'articles en le désignant par ces mots : l'audition colorée. Il a été prouvé que, chez les natures très nerveuses et très surexcitées, quand un sens reçoit un choc qui l'émeut trop fortement, l'ébranlement de cette impression se communique, comme une onde, aux sens voisins qui le traduisent à leur manière. Ainsi, la musique, chez certains êtres, éveille des visions de couleurs. C'est donc une sorte de contagion de sensibilité, transformée suivant la fonction normale de chaque appareil cérébral atteint. Par là, on peut expliquer le célèbre sonnet d'Arthur Rimbaud, qui raconte les nuances des voyelles, vraie déclaration de foi, adoptée par l'école symboliste.

[…] C'est en ce domaine impénétrable que chaque artiste essaie d'entrer, en tourmentant, en violentant, en épuisant le mécanisme de sa pensée. Ceux qui succombent par le cerveau, Heine, Baudelaire, Balzac, Byron, vagabond, à la recherche de la mort, inconsolable du malheur d'être un grand poète, Musset, Jules de Goncourt et tant d'autres, n'ont&ils pas été brisés par le même effort pour renverser cette barrière matérielle qui emprisonne l'intelligence

humaine ?

Oui, nos organes sont les nourriciers et les maîtres du génie artiste.98

E conclui: “C'est là une simple question de pathologie artistique bien plus que de véritable esthétique.”99

O itinerário de " prossegue pela Sicília até a costa africana. As descrições dos habitantes e da cor local novamente ganham espaço, por esse viajante que deixa o seu iate para percorrer o continente de trem. Maupassant trabalha nesses textos seu dom de observação e sua prática de narrar e descrever. Mais palavroso e intimista que em certos contos (como ( e . ) reaproveita as experiências de viajante, trazendo como pano de fundo paisagens e personagens árabes.

Ao se conhecer um pouco mais das narrativas de viagem de Maupassant, nota&se que elas apresentam em comum o fato de revelarem além da paixão do escritor normando pela paisagem e, sobretudo pela água, o seu olhar face a diferentes culturas e povos. Assim, em nota presente no volume 3 A , Maupassant revela aos seus leitores que suas narrativas foram escritas a partir de suas próprias impressões durante as viagens realizadas:

Ce journal [3 l’eau] ne contient aucune histoire et aucune

aventure intéressante. Ayant fait, au printemps dernier, une petite croisière sur les côtes de la Méditerranée, je me suis amusé à écrire, chaque jour, ce que j’ai vu et ce que j’ai pensé.100

Mais uma vez, prezando pela observação dos costumes e dos diferentes povos, e pela atenção a fatos da época, Maupassant revela em

98MAUPASSANT, 1903, p. 20&22. 997 +

suas narrativas que constituem a coletânea . 3 o seu olhar acerca da situação do colono e de uma possível insurreição que seria orientada pelo sheik Bou&Amama.101 Enfim, a originalidade das narrativas de viagem de

Maupassant parece residir em um sincero comprometimento do escritor em estabelecer um diálogo entre o Oriente e o Ocidente do século XIX.

3.5 – O romance

Uma característica marcante dos romances escritos por Maupassant, publicados entre 1883 e 1890, é o emprego do narrador onisciente de terceira pessoa. No que diz respeito ao espaço, esses romances apresentam como pano de fundo Paris ou paisagens naturais normandas, ou ainda da estação termal de Enval, como ocorre em ( ? . Já no que concerne a seus protagonistas, nota&se que alguns são viajantes, como Georges Duroy de ?. , que passou dois anos na África do Norte, e Aubry&Pasteur, de ( ? que fez fortuna na Rússia, e cuja aprendizagem amorosa se faz pelo deslocamento no espaço, além da maturação proposta pelo tempo. Os meios sociais em que convivem são apresentados em menor número que nos

contos: a aristocracia (8 " $ ! ) ou a alta

burguesia ( ?. e ( ? – ambas as classes se

misturam nestes dois últimos).

A interface entre os gêneros literários, contidos no romance moderno, também se mostra recorrente nas narrativas longas de Maupassant. Em 8 " , tem&se um pequeno conto popular narrado pelas personagens córsicas,

visitadas pelo casal Julien e Jeanne, durante sua lua&de&mel.102 Assim como

preza pela presença dos diálogos em seus escritos, Maupassant também faz questão de apresentar as cartas trocadas entre as personagens – principalmente as amorosas – em seus romances 8 " ?. $

e ! . Versos das leituras literárias de suas

personagens integram também alguns romances: em $ , a

pedido do pintor Bertin, Annette lê “Les pauvres gens”, de 5

D , de Victor Hugo, a fim de caracterizar o modelo que reproduzirá na tela; ele mesmo lê Musset, visando recuperar um amor juvenil incompatível com o seu, ou se identifica com o $ , de Goethe, que vê encenado; em

! ' , André Mariolle ouve a empregada ler&lhe ( , de

Antoine François Prévost, o que dará margem ao seu romance com essa leitora.

Vários estudiosos de Maupassant tentaram organizar sua obra romanesca em fases, tomando diversos critérios, como uma mudança no modo narrativo e a cronologia das obras, todos observando certa presença de análise psicológica a partir do romance prefaciado por “Le Roman”. André Vial e Louis Forestier (este último de maneira mais categórica do que o primeiro) apontam duas fases: os três primeiros romances – 8 " ?. e ( ? – como romances de costumes; e a partir de

(incluindo, portanto, $ e ! ), os romances de

análise.103 Os dois primeiros também são freqüentemente inseridos na

102MAUPASSANT, 1987a, p. 59&60.

103 FORESTIER, + +, p. XXXII. André Vial define todos os seis romances como de

tradição romanesca de Flaubert – Jeanne, de 8 " é comumente associada a Emma Bovary –, de Balzac e Stendhal; Georges Duroy, de ? . , seria uma versão atualizada dos ambiciosos Julien Sorel e Eugène de

Rastignac104; já os últimos & , $ e ! &

antecipariam os romances de Paul Bourget e de Marcel Proust, na sondagem psicológica.105 É possível que, rivalizando com tantos romancistas de

qualidade, essa faceta do autor tenha se ocultado, o que estimulou a sua valorização como contista, em que a variedade de soluções literárias propostas e de situações contempladas é, de fato, maior.

A diferença principal entre os primeiros e os últimos romances reside em uma maior concentração na vida interior das personagens. Ainda em termos gerais, há uma mudança de foco entre os primeiros romances, em que acompanhamos a evolução do protagonista ao longo de um período maior da sua vida adulta, ao passo que, nos últimos, notamos com mais freqüência a técnica do retrospecto narrativo (6 - ), o fluxo de consciência de duas ou mais personagens, o que restringe o período de suas vidas retratado durante o tempo de ação do romance. Tanto em

quanto em $ , por exemplo, a ação inicia&se

pressupondo os fatos que convergem para a situação, cujo nó será mantido

capítulo 2 da parte II: VIAL, André. Du Roman de moeurs au Roman psychologique. In :___. ( A + Paris: Nizet, 1954, p. 373&434.

104 Brigitte Hervot estudou as semelhanças e diferenças entre esses e outros protagonistas

na sua dissertação # " / 5 " + Ver em especial o segundo capítulo da segunda parte: “2. Duroy e alguns companheiros”. HERVOT, Brigitte. # " / 5 " + Assis: UNESP, 1993, 220 p. (dissertação de Mestrado)

105Segundo Louis Forestier, Maupassant está a meio caminho entre Baudelaire e Proust “na

arte de suscitar a lembrança pela sensação”. In: FORESTIER, + +, p. 1588. Tal constatação se mostra de maneira evidente ao leitor de $ , em que visões, sons e outras sensações do protagonista voltam à sua memória, confundindo&o.

até as últimas linhas do romance: no primeiro, os dois irmãos viviam aparentemente bem até que foi despertada a desconfiança, em Pierre, de que

Jean não era filho do Sr. Roland; em $ Anne Guilleroy e

Olivier Bertin eram amantes há doze anos quando ocorre o retrospecto narrativo para a explicação do início do relacionamento, ativado pelas reminiscências do protagonista. A mudança do ponto de vista do narrador, ora focando as ações isoladas e os pensamentos de uma personagem, ora de outra, contribuem para o afastamento desejado pelo romancista realista. A sua pretensão, porém, de observar somente de fora – expressa em “Le Roman” – não é bem sucedida, visto que há o conhecimento onisciente dos sentimentos de Pierre e sua mãe, Louise Roland, em , e Olivier

Bertin, em $ . Sentimentos que não são dados somente por

suas falas e ações, mas por esses pensamentos retrospectivos, ora relatados pelo narrador, ora dados como discurso indireto livre. É evidente o recurso cada vez mais freqüente a esse modo de apresentação dos sentimentos das personagens em seus momentos de maior tensão.

A presença da análise psicológica nos últimos romances auxilia no aumento da idéia fixa que domina a mente dos protagonistas dos três últimos romances, discutindo questões como a possessão alucinante pelo

In document Betwixt & Between 2013 (sider 63-76)