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The Zeppelin and Birkenes Observatories; Norwegian atmospheric supersites

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A relação entre as formas de uma organização social e o resultado em termos espaciais tem uma importância fundamental para analisar o turismo como um fenómeno social. O desenvolvimento de um espaço turístico específico pode ser visto como a consequência da diferenciação, característica da modernidade, da divisão da esfera do trabalho e da esfera do lazer em termos conceptuais, temporais e espaciais (Meethan, 2001). Neste sentido, existe uma demarcação espacial, quer literal quer simbolicamente. Todavia, as estâncias turísticas estão ligadas aos processos de urbanização e de industrialização e à massificação do consumo e dos mercados. Ora, este espaço só passa a ser uma realidade a partir do momento em que os agentes económicos e sociais decidam usá-lo para consumo turístico. Existe, portanto, o que Soneiro designa por uma “intencionalidade transformadora prévia” (1993: 332).

Mais do que a mera identificação de padrões de ocupação física ou tipologias de espaços turísticos, nesta dissertação interessa compreender a forma como estes padrões espaciais interagem com os valores socioculturais e com as percepções. Tal como se defendeu no capítulo anterior, pretende-se deste modo ultrapassar a abordagem do espaço como uma mera categoria abstracta ou neutra.

A apropriação do espaço num produto turístico comporta dois tipos de produtos espaciais: os espaços materiais, construídos, ordenados (alojamento, transporte, equipamentos recreativos) e os espaços imateriais, ou seja, as imagens construídas pela promoção turística para vender o espaço material. As paisagens convertem-se em “imagens”. O espaço turístico é, assim, uma projecção espacial do produto turístico, mas que alimenta (em feedback) o próprio produto turístico e a procura social (enformada pelo mito). O espaço turístico – material e imaterial – intervém na oferta turística e alimenta o desenvolvimento do mito e da procura social.

Neste sentido, as componentes da oferta são sempre condicionadas pela procura. Por um lado, se a oferta é excessiva pode significar bens não utilizados, por outro lado, a falta de oferta pode resultar na ideia de excesso de ocupação. A previsão das necessidades e desejos da procura não é uma tarefa fácil, no entanto, Goeldner (2000) sugere que uma análise estatística adequada pode fornecer informação de qualidade para os decisores. Deste modo se compreende que, em última análise, a alteração dos equilíbrios ambientais nas regiões onde se desenvolveu o turismo, como o Estado de Goa, é de

algum modo modelada a partir dos países onde se gera a procura. Ou seja, há um fenómeno de “aculturação” a partir dos países do “centro”, que pode levar a questionar as culturas e as estruturas sociais 1ocais.

As características do meio natural e da paisagem constituem uma das principais componentes da oferta e de atracção turística14. A qualidade dos recursos naturais deve ser mantida para sustentar a procura turística e garantir os níveis de qualidade essenciais para a satisfação dos visitantes. De facto, caso não se mantenham os padrões de qualidade, há inevitavelmente uma desvalorização da procura. Deste modo, Goeldner (2000) salienta que as considerações ecológicas e ambientais são vitais para justificar a definição de limites na intensidade de utilização dos recursos naturais.

Desde logo, a ocupação do espaço pelas actividades turísticas ou pelas infra-estruturas de apoio obriga ao consumo de espaços naturais e paisagens agrárias, por áreas de “ambiente construído”15. A dimensão das áreas construídas difere com o tipo de alojamento (hotéis, apartamentos em condomínios16, apartamentos em time-sharing17 e, noutro tipo de mercado, o bed and breakfast ou alojamentos em casas particulares). Ora, a gestão destas áreas deve considerar que o ambiente construído deve estar dimensionado ao nível da procura, mantendo critérios de qualidade de construção e a arquitectura destas infra-estruturas18 (Goeldner, 2000).

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Os recursos naturais e o ambiente correspondem à categoria dos recursos que qualquer área tem disponível para utilização dos visitantes. Os elementos básicos incluem o ar e o clima, as formas de relevo, a vegetação, a fauna, o mar, os rios ou outros cursos de água e as praias. Uma grande variedade de combinações de recursos naturais pode criar ambientes atractivos para o desenvolvimento turístico. Num processo de reconhecimento da importância destes elementos, alguns autores desenvolveram índices climático-turísticos para avaliar as possibilidades turísticas de um determinado lugar, outros procuram desenvolver métodos para analisar a potencialidade recreativa de um espaço natural, por exemplo, combinando o relevo, as superfícies hídricas e a cobertura vegetal (Soneiro, 1993: 332).

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O ambiente construído inclui as infra-estruturas – as construções de superfície e subterrâneas, tais como os sistemas de abastecimento de água, os sistemas de esgoto e de drenagem, as canalizações de gás, os sistemas eléctricos, as estradas, as redes de comunicações e os vários serviços comerciais – e a superestrutura – o que foi construído especificamente para servir os turistas e as suas actividades – aeroportos, linhas férreas, estradas, parqueamentos, parques, marinas e docas, autocarros e estações de comboio, estâncias, hotéis, motéis, restaurantes, centros comerciais, locais de lazer ou recreativos, museus, lojas e estruturas similares (Goeldner, 2000).

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Os proprietários individuais de unidades de condomínio possuem os apartamentos para uso próprio, ou arrendam a turistas durante todo ou uma parte do ano. Esta forma de alojamento tem tido uma importância crescente e, em algumas áreas, compete consideravelmente com as cadeias de hotéis.

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Time-sharing consiste numa técnica de propriedade múltipla e/ou uso de alojamentos ou propriedades recreativas. Pode ser aplicada a hotéis, motéis, condomínios e outros tipos de estruturas. A vantagem é poder comprar direitos de ocupação durante um período de tempo do ano, por uma fracção do preço total da unidade.

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O turista é frequentemente mais atraído por edifícios com uma arquitectura adequada ao local ou às características da paisagem.

Outra componente da oferta fundamental para a definição de um destino turístico e para a capacidade de atracção de turistas são as actividades de lazer e recreativas19.

O mercado dos destinos turísticos encontra-se segmentado e a análise das formas de turismo deve ter em conta as componentes e as características desses segmentos. Lash e Urry (1994) caracterizam os novos segmentos “pós fordistas” como flexíveis e personalizados, já longe dos “pacotes” do turismo de massas.

Frequentemente, as tipologias desenvolvidas no estudo do fenómeno turístico são construídas a partir da análise das características do espaço utilizado por esta actividade. Neste caso, as características do espaço são factores determinantes da atracção ou repulsão que, consequentemente, permitem ou impedem algumas actividades recreativas ou a sua utilização para fins turísticos. Entre os tipos de desenvolvimento turístico mais fortemente associados às características do espaço, destacam-se as seguintes formas de turismo: o turismo desportivo20, o turismo aventura21; o turismo de bem-estar22, o turismo cultural23, o turismo escolar24, o turismo de incentivo25, o turismo de investigação26; o turismo profissional27; o turismo rural28.

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