7. Aerosols and climate: Observations from Zeppelin and Birkenes Observatories
7.3 Physical aerosol properties measured at Birkenes in 2010-2012
que os turistas têm que visitar os locais de produção para consumir o produto final. No entanto, a maior parte dos malefícios provocados no ambiente como resultado do turismo são causados pela pressão do volume de visitantes que chegam às áreas de destino, que não estão preparadas para suportar um número tão elevado de pessoas45.
45
Salienta-se que o turismo tem, potencialmente, impactos positivos sobre o ambiente, contribuindo para a protecção e conservação ambiental e funcionando, quer como uma forma de aumentar a consciência sobre os valores ambientais, quer como um instrumento para financiar a protecção de áreas naturais e aumentar a sua importância económica (UNEP, 2002).
Os impactes negativos do turismo ocorrem quando o nível de utilização dos visitantes é maior que a capacidade do ambiente corresponder a essa utilização. Paralelamente, os impactes causados pelo crescimento do turismo podem ser especialmente geradores de problemas, quando as áreas de destino têm ecossistemas frágeis.
De acordo com Cater (1992), habitualmente os estudos sobre os impactes ambientais do turismo ignoram as interacções e interdependências com o ambiente local. Além disso, a maior parte das análises são posteriores aos problemas e, faltando informação sobre as condições originais do ambiente, dificilmente se distinguem os impactes provocados pelo turismo e dos que resultam de outras actividades.
No final dos anos setenta do século XX, a OCDE criou um quadro de análise para o estudo da pressão gerada pelo turismo, em que salienta quatro categorias de actividades causadoras das maiores pressões.
A primeira é a “reestruturação ambiental” permanente, ou seja, a necessidade de realizar grandes obras de construção civil, tais como auto-estradas, aeroportos e estâncias de férias. De facto, em muitos locais turísticos, a fase de crescimento caracterizou-se por um aumento intenso e prolongado em infra-estruturas gerais, que tiveram um impacte significativo nas mudanças de uso do solo e no ambiente.
A segunda é a produção de resíduos, biológicos ou não, que podem causar danos nos recursos marinhos, criar riscos para a saúde humana e até diminuir a capacidade de atracção do destino turístico.
A terceira consiste na pressão directa sobre o ambiente natural, como por exemplo, a destruição de habitats de plantas e animais, a eliminação de recursos geológicos causada por escavações, a poluição das águas subterrâneas e superficiais, a destruição de recifes de corais, de áreas de floresta46 e a destruição de áreas e vegetação de dunas.
Por último, os efeitos sobre a dinâmica da população, as migrações, o aumento da densidade urbana, acompanhada pelo declínio de população noutras áreas rurais (Cooper et al, 1998).
A este propósito, verifica-se um certo paradoxo no desenvolvimento do turismo (Mazón, 2001). De facto, os impactes negativos do seu crescimento podem destruir
46
Os impactes negativos sobre as florestas são causados pela recolha e utilização da madeira como combustível e eliminação de áreas florestadas. O turismo pode ainda contribuir para a destruição das florestas locais, com a utilização da madeira para lenha, com o pisoteio da vegetação e com os detritos.
gradualmente os recursos, dos quais ele depende, pondo em causa a própria actividade. Esta contradição observa-se em muitas áreas costeiras, onde começa por existir uma forte atracção por um espaço natural de qualidade – praias, beleza marítima e paisagística -, e onde a pressão turística muitas vezes destrói o que constituía o seu principal factor de atracção47.
Na verdade, a qualidade do ambiente, natural e construído, é essencial para o turismo e a sua degradação pode dar origem à diminuição da capacidade de atracção (Cater, 1992). Casagrandi, & Rinaldi (2002) identificam áreas que foram abandonadas em benefício de outras mais atractivas, ou mais recentes no mercado do turismo.
As consequências negativas do elevado volume de turistas foram resumidas por Hoffmann (2002) em três tipos de impactes: a diminuição dos recursos naturais provocada pelo uso excessivo de água48, energia, solo e paisagem; a poluição provocada
pela produção de resíduos sólidos e líquidos, ruído49, emissões poluentes para a
atmosfera; e os impactes físicos, como a perda de habitats naturais e o aumento do risco para as espécies ameaçadas, de erosão do solo e o aumento da vulnerabilidade a fogos florestais. A extracção intensa e o transporte dos recursos também provocam o aumento dos impactes físicos associados à sua exploração.
Os recursos hídricos, especialmente a água doce, são um dos recursos naturais mais sensíveis e em situação mais crítica. As elevadas necessidades deste recurso em períodos do ano em que a pluviosidade é muito reduzida - o que é simultaneamente um dos factores de atracção turística – originam problemas de abastecimento de água potável. Estes problemas podem estar relacionados com a escassez e a degradação do fornecimento e qualidade da água, mas também com o tratamento do grande volume de
47
A capacidade de atracção dos destinos pode também ser reduzida pela localização de outras actividades, tais como a indústria e as actividades portuárias.
48
O turismo origina, frequentemente um excesso de utilização de água para os hotéis, a rega, as piscinas, os campos de golfe e o uso individual, além dos outros usos comerciais e industriais. O aumento da popularidade do golfe provocou um crescimento rápido do número de campos, requerendo uma grande quantidade de água todos os dias e provocando a escassez de água nos casos em que houve uma excessiva extracção. A manutenção dos campos de golfe também pode afectar os recursos aquíferos devido à bombagem excessiva que pode causar a intrusão de água salgada nas águas subterrâneas. Os campos de golfe situados perto de áreas protegidas ou áreas com recursos limitados têm impactes ainda mais acentuados sobre os recursos hídricos. De acordo com dados da UNEP (2002), um campo de golfe médio num país tropical como a Tailândia necessita de 1500 kg de fertilizantes químicos, pesticidas e herbicidas por ano e usa tanta água como 60000 habitantes de áreas rurais.
49
A poluição sonora provocada pelos aviões, carros e autocarros, assim como os veículos recreativos, tais como motas de água ou os esquis aquáticos, é um problema crescente. Além de causar aborrecimento,
stress e até perdas de audição para os humanos, é também causador de impactes sobre a vida animal,
águas residuais geradas, directa ou indirectamente, pela actividade. Além disso, a excessiva utilização das águas subterrâneas provoca a salinização dos aquíferos, em consequência da invasão da água do mar. As alterações na salinidade podem ter uma vasta gama de impactes nos ambientes costeiros e, no limite, contribuem mesmo para impossibilitar certo tipo de utilizações dessas águas.
O turismo induz frequentemente a ocupação intensiva do solo, com muito pouco planeamento. O uso do solo para a construção de alojamentos e para outras infra- estruturas dirigidas aos turistas são causadores de impactes directos nos recursos naturais, quer sejam renováveis quer não50. A ocupação urbanística com fins recreativos
e turísticos pode transformar certas áreas em cenários hostis para a ocupação humana. Adicionalmente, a construção de estradas e de aeroportos pode levar à degradação do solo e perda de habitats de vida selvagem, assim como a deterioração da beleza da paisagem.
Os locais com paisagens atractivas, tais como as praias, os lagos, as margens dos rios, os topos de montanhas, são muitas vezes áreas caracterizadas por terem ecossistemas ricos em espécies51. Os ecossistemas mais ameaçados são áreas ecologicamente frágeis,
tais como as regiões alpinas, as florestas tropicais, as áreas húmidas, os mangais e os recifes de corais. As pressões sobre estes ecossistemas são frequentemente mais severas porque estes locais são bastante atractivos para os turistas e para os investidores.
As áreas húmidas litorais são, frequentemente, drenadas devido à falta de mais locais adequados para a construção de infra-estruturas e equipamentos. Estas actividades podem causar importantes perturbações e a erosão do ecossistema local, levando mesmo à sua destruição a longo prazo.
Por sua vez, a construção de marinas e pontões pode causar mudanças nas correntes marítimas e nas áreas costeiras. A construção de diques para a edificação de portos desportivos é muitas vezes causa da alteração das correntes marítimas encarregues da distribuição e sedimentação das areias, pondo em causa a sobrevivência de algumas praias.
50
Por exemplo, os equipamentos turísticos, tais como os alojamentos, os restaurantes e os equipamentos recreativos. Estas construções podem utilizar materiais que obrigam à extracção de areia, à erosão de dunas e das praias e à erosão do solo.
51
O ecossistema corresponde a uma área geográfica, incluindo todos os seus organismos vivos (pessoas, plantas, animais e microrganismos), as suas condições físicas (como o solo, a água e o ar), assim como os ciclos naturais que os suportam.
Os habitats podem também ser degradados pelas actividades de lazer dos turistas. Por exemplo, a observação de vida selvagem pode causar distúrbios na alimentação de animais e aves, provocar situações de stress e pode alterar o seu comportamento natural e o seu habitat, principalmente quando os turistas se aproximam muito ou quando há ruídos e perseguições de animais selvagens. O comportamento dos turistas pode causar danos sobre estes ecossistemas, através do uso de veículos fora da estrada em áreas sensíveis, como por exemplo as dunas.
Segundo Simpson (2008), a contribuição do turismo para o aquecimento global foi estimada, em 2005, entre 5% e 14% do aquecimento total causado por emissões humanas de gases com efeito de estufa (GEE) 52.
A presença de turistas é também geradora do aumento da produção de resíduos sólidos. Em áreas onde há uma elevada concentração de actividades turísticas e atracções naturais apelativas, o lixo pode pôr em causa a qualidade do ambiente natural, quer em beleza quer em limpeza. Os resíduos podem degradar a aparência física da água e da costa, além de causar a morte de animais marinhos53. Estas práticas degradam o
ambiente principalmente em áreas remotas onde não existe, ou é muito raro instalar, equipamento para o armazenamento e a recolha de lixo.
Um dos efeitos mais tangíveis da frequência turística no litoral é, desde logo, a contaminação das praias, sob a forma de resíduos sólidos flutuando na água (papéis, latas, garrafas, etc.), mas também de líquidos, que sendo menos perceptível, podem tomar a forma de resíduos oleaginosos procedentes dos portos desportivos ou lixo orgânico provocado pela sobre utilização para a qual não está previsto qualquer sistema de tratamento ou depuração.
A construção de hotéis e outros equipamentos recreativos conduz frequentemente ao aumento das águas residuais e da poluição através dos esgotos. Estas poluem os mares e
52
A poluição atmosférica causada pelo transporte de turistas ocorre dentro e fora do destino turístico, nomeadamente nas áreas atravessadas pelas comunicações aéreas e terrestres. Estimativas apresentadas por Mayer Hillman (obra cit. por UNEP, 2002) indicam que um único voo transatlântico emite quase metade do CO2 produzido anualmente por todas os outras fontes de consumo de uma pessoa, para aquecimento, iluminação e utilização do carro. As emissões dos transportes e as emissões para produção e utilização de energia estão ligadas à chuva ácida, ao aquecimento global e à poluição fotoquímica. A poluição atmosférica provocada pelo transporte de turistas tem impactes a nível global, especialmente na produção de CO2 e pode contribuir para o agravamento da poluição local do ar. Em todo o mundo, o número de passageiros aéreos internacionais passou de 88 milhões em 1972 para 344 milhões em 1994 (UNEP, 2002). Ora, o turismo corresponde a mais de 60% dos transportes aéreos, sendo por isso responsável por uma importante fatia das emissões atmosféricas. Globalmente cerca de 7% das emissões totais de carbono devem-se ao transporte aéreo de turistas.
53
os lagos nas áreas turísticas, danificando a flora e a fauna. Os esgotos podem causar sérios danos nos corais, ao estimular o crescimento de algas que os cobrem, pondo em causa a sua capacidade de sobrevivência. Além disso, a poluição provocada pelas águas residuais pode ameaçar a saúde de humanos e animais.
O envelhecimento e a degradação da qualidade do parque habitacional caracterizam o património imobiliário de muitas áreas costeiras. A proximidade do mar agrava consideravelmente o processo de deterioração das estruturas dos edifícios, o que se acentua pela baixa qualidade dos materiais empregues na construção.
A renovação das áreas construídas pode revelar-se mais difícil, segundo Mazón (2001) quando a decisão é atomizada, isto é, quando deve partir de muitos proprietários, como é o caso das áreas de vivendas. Pelo contrário, as áreas de hotéis podem ser renovadas com mais facilidade porque a decisão depende de critérios de gestão.
Em síntese, a falta de planeamento da utilização do solo e de regulamentos para a construção em muitas zonas turísticas facilitou a ocupação de áreas costeiras que tinham anteriormente uma reconhecida beleza cénica e qualidade ambiental. Esta ocupação deve-se aos próprios equipamentos turísticos e às infra-estruturas de apoio.