4. Observations and trends of greenhouse gases at the Zeppelin Observatory in the Norwegian
4.1 Greenhouse gases with natural and anthropogenic sources
4.1.1 Observations of Methane in the period 2001-2012
Em 2003, as receitas do turismo internacional representam aproximadamente 6% das exportações mundiais de bens e serviços. Considerando apenas as exportações de serviços, a importância relativa do turismo aumenta para quase 30%. O turismo é uma das cinco categorias mais importantes nas trocas comerciais com o exterior para 83% países e o principal para, pelo menos, 38% países (UNWTO, 2007).
O UNWTO calculou que o turismo é a principal fonte de divisas em 46 dos 50 países menos desenvolvidos (Simpson, 2008), sendo uma actividade com potencial para criar empregos e oportunidades de negócio capazes de tirar as pessoas da situação de pobreza29. A International Labour Organisation (ILO) estima que por cada emprego directo criado no turismo surgem adicionalmente um e meio indirectos em actividades relacionadas. Esta actividade cria directa e indirectamente mais de 230 milhões de empregos em todo o mundo, representando 8% da força de trabalho mundial (ILO, 2009).
A actividade turística implica uma rotação constante de pessoas, que gera um fluxo permanente de capital, imprimindo dinamismo às economias locais. Este processo pode ser examinado através da avaliação do impacte a três níveis: o directo30, o indirecto31 e o induzido32 (Mathieson e Wall, 1982; UNEP, 2002).
Há uma multiplicidade de impactes no sistema económico de destino, no entanto, os benefícios económicos têm uma importância acrescida quando se trata de países em vias desenvolvimento, nomeadamente como factor importante de equilíbrio da balança de pagamentos. Daí que os actores e as instituições promovam os seus territórios como destino turístico, na expectativa de aumentar o rendimento económico através da entrada de divisas.
Os impactes económicos podem ser divididos entre os que estão associados aos gastos dos turistas e os relacionados com o desenvolvimento da actividade e se traduzem nos impactes da construção e do financiamento de equipamentos com fins turísticos. Como as empresas na economia local estão dependentes de outras para o seu fornecimento, qualquer mudança nos gastos dos turistas trará uma alteração ao nível da produção, dos
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De acordo com o UNWTO (2007), o turismo suporta cerca de 7% do total dos trabalhadores de todo o mundo.
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Corresponde ao valor dos gastos dos turistas menos o das importações de produtos e serviços necessários para lhes fornecer. Há portanto uma parte do rendimento que se perde directamente na forma de importações. As importações podem ser de alimentos ou bebidas que não são produzidos localmente, ou podem ser serviços ou estabelecimentos localizados fora da economia que está a ser analisada. Esses rendimentos que vão para o exterior não têm qualquer papel adicional na reprodução da economia local. Os restantes valores são usados para comprar os produtos e serviços locais, o trabalho e as competências empresariais, tais como salários e lucros, assim como para pagar as taxas, as licenças e os impostos ao Estado.
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Os efeitos indirectos são causados pela necessidade dos hotéis e outros estabelecimentos comprarem produtos e serviços a outros sectores da economia local. Por exemplo, os hotéis compram os serviços aos construtores, aos contabilistas, aos bancos, aos fornecedores de alimentos, de bebidas, de electricidade e de água. Adicionalmente, os fornecedores destes estabelecimentos também precisam de comprar produtos e serviços a outros estabelecimentos dentro da economia local.
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Numa economia em crescimento, o consumo também aumenta, o que provoca um impulso adicional na actividade económica.
rendimentos dos agregados domésticos, do rendimento do Estado e dos fluxos de trocas com o estrangeiro (UNEP, 2002).
Além disso, o rendimento para os residentes locais, sob a forma de salários, distribuição de lucro e rendas, será, em parte, gasto novamente na economia local em produtos e serviços, o que ajuda a dinamizar a actividade económica (Cooper et al, 1998)33.
Apesar do efeito multiplicador do turismo favorecer a criação de numerosos postos de trabalho, estes efeitos dependem também do tipo de turismo dominante na região considerada. O turismo residencial, por exemplo, caracteriza-se por originar fluxos económicos reduzidos, limitando-se à compra do terreno, à fase de construção e à venda final do produto. Estes fluxos não têm nada a ver com a indústria turística, uma vez que não geram nenhum tipo de rotação e geram pouco emprego (Mazón, 2001).
Assim, os principais impactes positivos do turismo estão relacionados com ganhos nas trocas comerciais com o exterior, as contribuições para o rendimento do Estado34 e a geração de emprego35 e oportunidades de negócio.
O turismo pode ainda induzir os governos locais (ou mesmo nacionais) a realizar melhorias nas infra-estruturas, tais como melhorar a qualidade do tratamento e distribuição da água, os sistemas de esgoto, as estradas, a rede eléctrica, telefónica e a rede de transportes públicos. Estas melhorias, além de facilitarem o turismo, vão contribuir para aumentar a qualidade de vida dos residentes.
Além dos efeitos sobre a economia formal, o turismo tem um efeito directo na economia informal, quer no emprego, quer em actividades produtivas e comerciais36.
Apesar dos efeitos positivos que o turismo pode ter a nível do desenvolvimento local, há também efeitos negativos, que convém assinalar. Primeiro, o turismo contribui para desviar recursos para outros fins (Cooper et al, 1998), por exemplo a construção de uma estância turística pode implicar a imigração de força de trabalho das áreas rurais para as áreas urbanas, o que terá implicações económicas nestas regiões: as áreas rurais perdem
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Em áreas com menos trabalho disponível, as exigências de trabalho da actividade turística podem implicar a transferência de mão-de-obra de actividades como a agricultura ou a pesca para o turismo.
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A exportação e importação de produtos e serviços relacionados com esta actividade são geradores de rendimento para a economia e podem estimular o investimento necessário para financiar o crescimento noutros sectores económicos.
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O turismo pode gerar empregos directamente através dos hotéis, restaurantes, bares, táxis e lojas de recordações, e indirectamente através do fornecimento de produtos e serviços necessários à actividade turística.
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Por exemplo, os vendedores de rua, os guias informais, os condutores de rickshaws, algum artesanato, entre outras actividades.
capacidade produtiva, enquanto as áreas urbanas sofrem uma pressão adicional sobre as suas infra-estruturas de saúde, de educação e outros serviços.
A falta de trabalho qualificado numa área pode obrigar à importação de força de trabalho de outras regiões ou países, que resultará em perdas económicas adicionais, uma vez que este rendimento poderá ser, em parte, gasto fora da região turística. De modo similar, o uso de recursos de capital no desenvolvimento de estabelecimentos para fins turísticos exclui a possibilidade de ser usado noutras formas de desenvolvimento económico.
Estas transformações das actividades económicas locais em Goa, induzidas pelo turismo, serão analisadas mais pormenorizadamente nos capítulos seguintes.
Outro impacte negativo do turismo está relacionado com as perdas de rendimento directo37. De facto, os rendimentos das empresas locais são frequentemente reduzidos pela criação de “pacotes” turísticos que incluem transporte, alojamento e alimentação. Estes “pacotes” deixam poucas possibilidades dos locais beneficiarem desta actividade, de tal modo que este tipo de turismo tem um efeito reduzido nas economias locais. Na maior parte dos “pacotes” de viagens que incluem todas as despesas, uma parte significativa fica nas companhias aéreas, nos hotéis e nas outras empresas internacionais, que têm frequentemente as suas sedes nos países de origem dos turistas. Os valores que ficam na economia do destino turístico são, por isso, mais reduzidos38.
Existem duas formas principais de perdas: a perda por importações e por exportações. A perda através das importações ocorre habitualmente quando os turistas exigem equipamentos, alimentos e outros produtos que o país de acolhimento não pode fornecer. A maior parte do rendimento obtido através dos gastos dos turistas acaba por sair do país para pagar essas importações39.
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O rendimento directo de uma área corresponde ao valor que os turistas deixam no local depois de deduzir as taxas, os lucros e o salários pagos fora da área e depois de pagar as importações.
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Um estudo sobre as perdas de capital na Tailândia estimou que 70% de todo o dinheiro gasto pelos turistas acaba por sair do país, através dos operadores estrangeiros, das companhias aéreas, dos hotéis, das bebidas e alimentos importados, etc. Estimativas de outros países em desenvolvimento apontam para valores entre os 80 na Caraíbas e 40% na Índia (UNEP, 2002).
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Um relatório das Nações Unidas de 1996, que avaliou a contribuição do turismo para o rendimento dos países de destino, revela que existem perdas significativas associadas às importações de materiais e equipamentos de construção, importações de produtos de consumo, principalmente alimentos e bebidas, repatriação de lucros obtidos por investidores estrangeiros, gastos em promoções nos países de origem, amortização da dívida externa que resultou do desenvolvimento de estâncias e hotéis.
O impacte das perdas varia fortemente entre os países, dependendo da estrutura da economia e da actividade turística. Por exemplo, nos países menos desenvolvidos, os alimentos e as bebidas têm que ser importados, uma vez que os produtos locais não correspondem ao nível de exigência dos hotéis ou dos padrões dos turistas ou porque estes países não têm um sector produtivo que garanta o fornecimento
Adicionalmente, a perda por exportações aumenta muito quando os investidores que financiaram as estâncias turísticas recolhem os lucros e os levam para o seu país de origem. Os operadores turísticos têm um papel importante neste processo, nomeadamente no turismo das estâncias localizados junto ao mar, que é, segundo Cater e Goodall (1992) frequentemente dominado por estas empresas40.
Os custos com infra-estruturas podem constituir uma grande fatia dos investimentos dos governos locais. Os investidores na actividade turística podem querer melhorar os aeroportos, as estradas e outras infra-estruturas e pressionar os governos para obter vantagens nos impostos ou outras vantagens financeiras. Os recursos públicos gastos nas infra-estruturas podem reduzir os investimentos do governo para outras áreas criticas, tais como a educação e a saúde.
Ao nível da administração local, nas pequenas localidades com segundas residências41 aumenta a carga económica para os municípios, uma vez que os residentes exigem a criação e manutenção de infra-estruturas destinadas a zonas que só estão ocupadas alguns meses do ano.
O aumento dos preços locais, induzido pela ampliação do mercado de carácter sazonal, é também um impacte negativo provocado pela procura do turismo. Este aumento afecta os residentes locais cujo rendimento não aumenta proporcionalmente.
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Refira-se que em Goa uma parte substancial do turismo junto ao mar baseia-se em estâncias promovidas por operadores externos à região.
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A segunda residência é considerada por Soneiro (1993), a forma de alojamento mais característica da condição turística de um espaço. Esta constituiu uma consequência do crescimento do rendimento e do aumento da capacidade de poupança, factores que explicam a sua proliferação nos países desenvolvidos, principalmente quando acrescidos de razões de tipo fiscal e cultural. Nos países em desenvolvimento, os fenómenos de crescimento económico mais recentes apontam também para a necessidade de analisar estes movimentos.
De igual modo, o crescimento do turismo pode provocar o aumento dos custos de construção e do valor da terra, levando a que, principalmente nos países em vias desenvolvimento, os estrangeiros tenham domínio sobre o mercado da terra42.
Apesar de ser aceite comummente que uma economia saudável deve ter como base diversas actividades, muitos países em desenvolvimento, com pouca capacidade para explorar outros recursos, apoiam a sua economia apenas no turismo, e grande parte da sua força de trabalho está directa ou indirectamente ligada a esta actividade. O excesso de confiança no turismo, especialmente o turismo de massas, implica riscos significativos para estas economias. Os períodos de recessão económica43, os impactes dos desastres naturais - tais como as tempestades tropicais, ciclones, terramotos,
tsunamis - ou os impactes de acontecimentos terroristas pontuais ou continuados,
podem ter efeitos devastadores no sector turístico de um local.
O carácter sazonal do emprego na actividade turística cria problemas económicos e sociais a nível local, particularmente a insegurança no trabalho, a dificuldade na obtenção de formação e a precariedade dos benefícios médicos e sociais.