6. A SHORTAGE OF ALTERNATIVES
6.3 The Weak Opposition
3.1. OBJETIVO GERAL
Investigar a religiosidade/ espiritualidade e suas possíveis relações com os valores de adolescentes no Distrito Federal.
3.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS
· Investigar como é a religiosidade/ espiritualidade no contexto da religião específica de adolescentes residentes no Distrito Federal;
· Identificar como os adolescentes lidam com religiosidades/ espiritualidades diferentes da sua própria no grupo de iguais;
· Sondar as possíveis relações entre a religiosidade/ espiritualidade e os valores nos contextos familiar e social;
· Aperfeiçoar o Questionário sobre valores e orientações religiosas na
adolescência, com vistas à sua aplicação em maior escala no contexto brasileiro.
4. MÉTODO
A fenomenologia é um movimento filosófico que pressupõe o retorno à experiência básica, para além de suas sistematizações, permitindo, assim, que apareça a pureza original do fenômeno, ou seja, busca as essências, o retorno às coisas mesmas (AMATUZZI, 1999; 2005; HUSSERL, 2008). Ela faz deste método algo especial para a investigação da religiosidade/ espiritualidade pois, com a suspensão do a priori, ou seja, com a suspensão da experiência anterior, ocorre um clima fundamental para o surgimento da experiência mesma.
4.1. PARTICIPANTES
Participaram da pesquisa oito adolescentes do Distrito Federal, com idade entre 15 e 17 anos, sendo um adolescente e uma adolescente de cada uma das seguintes religiões/ espiritualidades: católica apostólica romana, evangélica neopentecostal, espírita kardecista e sem religião. A escolha das religiões ocorreu com base no Censo de 2010 no Brasil e em Brasília (IBGE, 2010).
Os adolescentes, na ocorrência da coleta, cursavam o Ensino Médio em escola pública, e tiveram seus nomes mantidos em sigilo adotando-se nomes fictícios para fins de elaboração desta dissertação.
4.2. INSTRUMENTOS
Foram realizadas entrevistas semiestruturadas em temas-eixo, conforme o método clínico fenomenológico (AMATUZZI, 2005). Primeiramente, foi realizada uma entrevista individual conforme o roteiro do Apêndice A. Em seguida, foi aplicado o Questionário sobre valores e
orientações religiosas na adolescência (TACELI, 2014). Por fim, foi realizada uma entrevista em grupo conforme o apêndice B, onde foi investigada a experiência deles em responder o questionário.
O questionário foi aplicado em adolescentes da Suíça e Alemanha. Em 2012 ele foi submetido a juízes em Brasília, no processo de adaptação de seu
uso no Brasil. Reduziram-se o número de questões, pois considerou-se que, de acordo com o hábito de leitura da maioria de nossos jovens, ficaria muito cansativo caso fosse aplicado em sua totalidade. Em seguida, ele foi aplicado na Bahia e em algumas cidades-satélites do Distrito Federal. Em 2013 ele foi aplicado em adolescentes de Minas Gerais – o que resultou em uma readaptação cuja versão foi utilizada para esta coleta (TACELI, 2014).
Conforme pode ser constatado nos Anexos 3 e 4, o instrumento é amplo, contém 35 questões. Possui uma versão para meninos e uma versão para meninas, sendo diferenciado apenas na questão 31 (trinta e um), direcionada especificamente a meninos ou a meninas, mas trata do mesmo assunto em cada item. O questionário abrange questões socioeconômicas, religiosas, familiares e pessoais e permite uma grande abrangência de dados. As entrevistas e o questionário são instrumentos complementares. Este último serviu para obter informações quanto a aspectos sociais, econômicos, familiares e valores pessoais. As entrevistas, por sua vez, serviram para aprofundar cada um desses aspectos. A entrevista individual ocorreu antes da aplicação do questionário, e foi realizada na tentativa de aquecimento e motivação para responder ao instrumento, como também para favorecer que os adolescentes pudessem entrar em contato com os temas do questionário de forma mais estruturada. Buscou-se também entrar em contato com o jovem de forma mais espontânea, o que ajudou também ao pesquisador na compreensão de suas respostas ao questionário. A entrevista em grupo foi livre e buscava investigar as questões do questionário que mais mobilizaram os adolescentes, para permitir melhor contextualização e um maior aprofundamento na compreensão de suas respostas. Ela também buscou perceber como os adolescentes se apresentariam diante de outros que possuíam religiões ou espiritualidades diferentes das suas próprias.
4.3. PROCEDIMENTOS DE COLETA DOS DADOS
O projeto foi submetido ao Conselho de Ética da Universidade Católica de Brasília e aprovado sob o número 22664413.0.0000.0029.
Primeiramente, realizou-se contato com alguns líderes religiosos para apresentar a pesquisa e solicitar indicação de participantes. Esse contato foi realizado por meio de e-mails e telefonemas. Porém, percebeu-se que seria difícil conseguir todos os participantes por meio deste procedimento. Portanto, os dados foram coletados em um colégio de Ensino Médio.
Este colégio tem cerca de 800 alunos, sendo mais ou menos 40 alunos em cada turma. Primeiramente, foi concedida autorização para realização da pesquisa no local. Em seguida, passou-se nas salas para apresentar brevemente a pesquisa e anotar os contatos dos interessados. Os jovens receberam muito bem a proposta, mas poucos se disponibilizaram a participar. O maior número de interessados foram cinco voluntários em uma das turmas, sendo que quatro deles eram sem religião. Nas restantes foram cerca de dois, e em algumas turmas nenhum adolescente manifestou interesse em participar da pesquisa. Alguns alunos sem religião questionaram se haveria tentativa de conversão, já que a instituição a que a pesquisa está vinculada é uma universidade católica. A dúvida foi imediatamente esclarecida. Percebeu-se um clima de inibição, timidez e, talvez, desconfiança por parte dos alunos, como se eles desejassem participar, mas tivessem receio. Os participantes mais difíceis de serem encontrados foram os da religião espírita. Quando se perguntava se havia algum adolescente da religião espírita, os alunos apontaram para um e outro que ficavam imóveis, ou acenavam com a cabeça em sinal negativo, negando serem espíritas. Conseguiu-se a menina espírita indo às salas. Já o menino espírita só consentiu em participar após indicação direta de outro adolescente que já estava no processo da coleta de dados.
O colégio disponibilizou a sala onde se realizam os atendimentos psicopedagógicos e o refeitório dos professores para a coleta. Utilizou-se a sala de atendimentos psicopedagógicos para as entrevistas, e o refeitório, com mesa grande, para aplicação dos questionários.
Em uma das situações que se pretendia realizar as entrevistas, os alunos não estavam no colégio por conta de paralisação dos professores.
No dia em que a entrevista individual foi realizada, o questionário foi aplicado. Na mesma semana, realizou-se a entrevista em grupo. Nessa última entrevista, os participantes católicos não participaram. A menina católica
faltou à aula naquele dia, e o menino católico “fugiu” ao alcance da pesquisadora. Disse que tinha aula, mas assim que terminasse, iria até a sala. Após o término da aula, porém, ele foi embora.
Os adolescentes sem religião foram os que mais se mostraram interessados em participar. Apenas dois puderam participar, devido à restrição de tempo para realizar a coleta. Os católicos se mostraram pouco interessados na experiência, como se estivessem muito resistentes – ou, quem sabe, na “defensiva”–, e demonstravam pressa para ir embora. A menina espírita demonstrou grande interesse em participar indo, inclusive, ao consultório de psicologia. O menino evangélico parecia pouco à vontade, talvez por desvelar tímido, além de outros aspectos que serão mais bem descritos nos resultados.
As entrevistas foram conduzidas conforme a postura fenomenológica (AMATUZZI, 2005), que se caracteriza pela “suspensão do a priori”, ou seja, um colocar entre parêntesis a experiência anterior e o deixar a conversa fluir naturalmente, sem obstáculos. Elas foram gravadas e, posteriormente, transcritas.
4.4. PROCEDIMENTOS DE ANÁLISE DOS DADOS
As questões do questionário que tratavam de um mesmo eixo temático foram avaliadas em conjunto e foram expostas em quadros. As entrevistas foram analisadas conforme a proposta de Gomes (1998). O material obtido foi organizado segundo eixos temáticos, e seus respectivos sentidos foram apreendidos. A partir de uma leitura fenomenológica, procurou-se identificar os aspectos convergentes e divergentes, e os aspectos mais significativos – em consonância com a postura fenomenológica – foram ilustrados com trechos de falas dos próprios estudantes, como pode ser visto nos quadros específicos. Os resultados obtidos com os adolescentes nas entrevistas individuais e em grupo foram analisados, bem como os resultados de cada questionário, de modo a permitir uma análise qualitativa em profundidade. Os dados obtidos nos quadros foram ilustrados por meio do emprego de
diagramas, visando a uma compreensão mais dinâmica do processo. É importante considerar que as cores de todos os diagramas são aleatórias. Ao final, o conjunto de informações obtidas com os próprios sujeitos foi colocado em diálogo com a literatura pertinente.