7. LEGITIMATE?
7.1 Routinization of charismatic authority
Os adolescentes desta pesquisa apresentaram as características típicas da adolescência. A maior parte deles apresentou pensamento crítico, mais intenso nos adolescentes mais velhos. Somente os mais novos frequentam a religião dos pais. A participação deles nesta pesquisa foi um exercício reflexivo. Quando surpreendidos em relação a muitas questões, não demonstraram postura fechada.
Percebeu-se que existe relação entre a formação de valores e a religiosidade. Porém, essa relação não foi percebida em todos os valores pesquisados, pois existiram valores compartilhados pelos adolescentes religiosos e os não religiosos. O valor da família e da amizade foi compartilhado por todos os adolescentes. Particularmente, a respeito de valores nas diferentes religiões/ espiritualidades, os agnósticos se mostraram mais racionais e menos disponíveis a ajudar ao próximo; os católicos e os evangélicos se mostraram mais gentis; os evangélicos se apresentaram mais religiosos, comportados, certinhos, e tradicionais; a menina católica não era praticante, e revelava uma tendência de muitos que se dizem católicos e não praticam; os espíritas foram os menos hedonistas.
As meninas se apresentaram mais em oposição, responderam gostar menos de ir à escola que os meninos, e estão menos de acordo com os princípios paternais do que eles. Elas não apresentaram o perfil de mulher recatada e submissa, muito comum antes do movimento feminista – o que também foi encontrado nos resultados da pesquisa de Taceli (2014). Outro aspecto importante é que Brasília desvela apresentar um campo fértil para pesquisas sobre religiosidade e gênero, pois não se percebeu maior
religiosidade/ espiritualidade nas meninas. Em outras pesquisas, no Brasil e exterior, há maior religiosidade em mulheres.
Percebeu-se aproximação entre o catolicismo e o espiritismo. Somente os espíritas e a menina católica demonstraram acreditar em crenças esotéricas. Somente a menina católica e a espírita disseram acreditar em clarividência. Além disso, pais católicos iniciaram seus filhos no espiritismo.
Poucos adolescentes apresentaram crença em esoterismo e clarividência, o que é parecido com os resultados da pesquisa na Alemanha e Suíça, pois Käppler et al (s/d/) verificaram que a crença em Deus/ algo Divino, bem como a crença em anjos/ bons espíritos e em satanás/ maus espíritos, foram muito mais significativas e relevantes que as crenças esotéricas, o que também foi encontrado por Taceli (2014) em Frutal – MG.
Brasília, conforme visto na literatura, realmente se revela como solo fértil para o surgimento de novas religiosidades/ espiritualidades. Surgiram muitas manifestações de jovens sem religião querendo participar, mas não foi possível incluí-los devido ao prazo para concluir a pesquisa.
A respeito de como os adolescentes lidam com religiosidades/ espiritualidades diferentes da sua, todos demonstraram respeito e tolerância à religiosidades/ espiritualidades diferentes da sua. Entretanto, alguns citaram vivência de divergências com colegas de religiões/ espiritualidades diferentes. Além disso, a religião católica, única sem representantes na entrevista em grupo, foi a única que o grupo criticou, o que pode ter sido influenciado pela ausência dos representantes.
O instrumento vem sofrendo aperfeiçoamento – e passou por várias etapas. Para melhorá-lo, após a aplicação na presente pesquisa, foi necessário apenas modificar uma frase que apresentou problemas na compreensão dos adolescentes, e modificar a formatação para que todas as opções de respostas pudessem ser visualizadas em todas as páginas.
O processo de aperfeiçoamento deve continuar. Com as modificações realizadas até o momento, o instrumento desvela poder ser empregado em pesquisas mais abrangentes no Brasil, devendo-se considerar as possíveis modificações para atender às diferenças de regionalidades. As alterações realizadas em decorrência deste trabalho desvelam ser adequadas para
aplicação do instrumento na Região Centro-Oeste. Para que seja aplicado em outras regiões, ele deve passar por adaptações culturais.
Considera-se importante que profissionais da saúde estejam disponíveis para a escuta sobre R / E dos pacientes no contexto da saúde mental, pois estas experiências são parte fundamental do ser e podem ser recursos propiciadores da melhora do paciente.
Diante do exposto, os objetivos da pesquisa foram alcançados. Não foi possível, porém, aprofundar todos os aspectos, e demonstrar a riqueza e a necessidade de realização de mais pesquisas neste campo. Abre-se, pois, o convite a outras pesquisas para aprofundamento e maiores esclarecimentos.
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Apêndice A
Roteiro de entrevista individual
Eixo temático 1: “Quem sou eu?” – valores pessoais
1- Estabelecer rapport.
2- Como você se descreveria? Que características melhor descrevem você? 3- Diga algumas coisas que você gosta de fazer.
4- Diga algumas coisas que você não gosta de fazer. 5- Quais são as coisas mais importantes na sua vida?
6- Como você percebe o mundo socialmente e politicamente? Como você gostaria que fosse?
Eixo temático 2: “Quem é minha família?”: valores familiares
7- Como é a sua família? Quais características ela possui que você gosta e quais você não gosta?
8- Como você gostaria que a sua família fosse?
Eixo temático 3: “Como vivencio a minha religião?” ou “como vivencio a ausência de uma religião?” : valores religiosos ou valores a-religiosos
9- Qual é a sua religião? Ou como é não ter religião?
10- Como você vivencia a sua religião? Ou como você vivencia a ausência de uma religião?
11- De quais atividades você participa associadas à sua religião? (Somente para aqueles que têm).
12- Qual é o grau de importância da vivência religiosa na sua vida? É importante? Não é importante?
13- Como você lida com pessoas com religiões diferentes da sua ou com pessoas que não têm nenhuma religião?
14- Como você percebe a religião em Brasília? E em jovens em Brasília? 15- Tem algo mais que você gostaria de falar?
Apêndice B
Roteiro de entrevista em grupo
1- Estabelecer rapport. 2- Aquecimento.
3- Dinâmica para se conhecerem.
4- Como foi responder o Questionário sobre valores e orientações religiosas na
adolescência?
5- Existem dúvidas com relação às questões do questionário? Quais? 6- Quais questões mais chamaram a atenção?
7- Como foi para vocês participarem desta pesquisa? 8- Existe algo mais que vocês gostariam de dizer?