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The rapid increase of shared cycling in China

In document A “revival of cycling” in China? (sider 104-107)

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8.1 The rapid increase of shared cycling in China

a génese da esfera pública. Na esfera privada o homem apenas satisfazia as suas necessidades básicas e biológicas como a alimentação, o alojamento e a segurança, encontrando-se privado de participar em acções políticas.

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45 | P á g i n a Viver uma vida inteiramente privada significava, acima de tudo, estar privado de coisas essenciais a uma vida verdadeiramente humana: estar privado da realidade que advém do fato de ser visto e ouvido por outros, privado de uma relação “objectiva” com eles decorrente do facto de ligar-se e separar-se deles mediante um mundo de coisas, e privado da possibilidade de realizar algo mais permanente que a própria vida (Arendt ,2010:79).

A esfera pública manifestava-se pelo domínio da vida política, exercida através da acção e do discurso. Fazer parte do mesmo implicava coragem, na medida em que o indivíduo não se resignava à vida biológica privada. Com efeito, a polis era, na antiguidade grega, assumida como o espaço político por excelência, destinado ao exercício da liberdade.

Pertencer aos poucos que tinham liberdade e igualdade entre si, pressupunha um espírito de luta: cada cidadão procurava demonstrar perante os outros que era o melhor, exibindo, através da palavra e da persuasão, os seus feitos singulares, isto é, a polis era o espaço de afirmação e reconhecimento de uma individualidade discursiva (Arendt, 2010) Na sociedade grega daquela época, o homem só era reconhecido como inteiramente humano se ultrapassasse o domínio instintivo e natural da vida privada.

Com efeito, o domínio público estava intimamente relacionado com a acessibilidade, uma vez que tudo o que é tornado público se torna acessível a todos e pode ser presenciado e julgado por todos. Assim, o expressar de um pensamento, sentimento ou experiência artística individual faz com que o espaço público transcenda o espaço privado.

A ágora grega era o espaço no qual a delimitação da esfera pública urbana estava claramente definida, onde se exercia a democracia directa, sendo o lugar, por excelência, da discussão e do debate de ideias entre os cidadãos. Era, normalmente, delimitada por um mercado, um edifício governamental e restantes edifícios.

Em contraponto, o fórum romano representava, em si mesmo, a monumentalidade do Estado, sendo que o indivíduo que por ele passasse estava espacialmente subordinado aos enormes prédios públicos que o compunham. Este diferenciava-se da ágora na medida em que o espaço de discussão não abrangia a praça pública, aberta, mas o espaço fechado dos edifícios, nos quais a penetração era restrita e controlada.

Posteriormente, na cidade medieval, controlada pela aristocracia, a vida desenrolava-se nas ruas, onde se davam as relações entre os cidadãos. No entanto, muitas das actividades que lá se organizavam começaram a mudar-se para o interior dos edifícios, para evitar grandes agitações e confusões. E assim se assistiu a uma grande mudança na apropriação do espaço público.

O pensamento político medieval do cristianismo defendia apenas que “os indivíduos privados têm interesses materiais e espirituais em comum” (Arendt, 2010:42), pondo de parte qualquer questão política e qualquer interesse público nas actividades privadas, como parece acontecer na sociedade moderna.

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Posteriormente, na época das cidades Renascentista e Barroca, assistiu-se a uma teorização da produção do espaço urbano. O traçado das ruas torna-se o elemento gerador da forma urbana, e o espaço público é delimitado e desenhado com regras de composição e escala, desenvolvendo-se, desde o início, como projecto unitário através de um processo geométrico rigoroso.

Segundo Ascher (1998:172),

(…) a expressão espaço público, propriamente dita, parece surgir pela primeira vez num documento administrativo em 1977, no quadro de um processo de intervenção pública nos bairros antigos, reagrupando numa mesma categoria, os espaços verdes, as ruas pedonais, as praças, a valorização da paisagem urbana e o mobiliário urbano, mas será retomada seguidamente em numerosos documentos e conhecerá um êxito crescente.

No século XIX, como consequência da revolução industrial, desenvolveu-se um novo urbanismo com preocupações higienistas onde a qualificação do espaço público se tornou factor determinante ao planeamento urbano. Destacam-se o plano de Haussman, em meados do séc. XIX – plano de expansão urbana de Paris com o intuito de melhorar as condições da circulação quer rodoviária, quer dos peões, criando as famosas boulevards com espaços de circulação bem definidos; e o plano de Cerdá para Barcelona, em 1859 – que cria uma malha ortogonal, composta por grandes quarteirões, ruas dimensionadas no sentido da coexistência confortável e optimizada da circulação rodoviária e pedestre e englobando infraestruturas, equipamentos, parques, indústria, serviços, comércio e habitação.

Por volta da década 30 do séc. XX o conceito de espaço público é alvo de uma nova abordagem por parte do movimento modernista. Le Corbusier (1933) elabora a carta de Atenas onde propõe um zoneamento claro da cidade (Habitar, Trabalhar, Circular e Lazer), pondo de lado o conceito de rua tradicional, apostando em grandes blocos de habitação implantados sobre um imenso espaço público constituído por jardins, parques e equipamentos públicos destinados ao lazer dos cidadãos, afastados dos eixos de circulação. Deste modo, predominava a lógica da integração económico-funcional e com a expansão do mercado automóvel, o espaço público era maioritariamente utilizado para o estacionamento ou circulação de veículos motorizados. A forma urbana resultava de uma ocupação funcionalista do solo sob a forma de zonas especializadas e de figuras em rede (Castro, 2002).

Nos anos 70, por influência de alguns autores como Jane Jacobs, Kevin Lynch e Aldo Rossi, muitas cidades apostaram na revitalização do espaço público, conferindo-lhe como principais valores, as interacções sociais, as funções culturais, comerciais e outras actividades económicas. Actualmente “é, pois, num momento em que a comunidade é violentada, discutida, fracturada que aparece o espaço público como conceito operatório do planeamento urbano e como um instrumento político para enquadrar e reforçar o laço social” (Castro,2002:57). Segundo Levy (citado por Castro, 2002), tal como a outros níveis, também o espaço público parece surgir em crise. Levy afirma que “a cena pública mediática tende a substituir cada vez mais a cena pública urbana e a simbólica a transformar-se em espectáculo (Castro, 2002:58).

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47 | P á g i n a Esta crise amplamente discutida em alguma da bibliografia consultada, já tinha sido anunciada por Richard Sennett (2002 [1977]). Para Sennett o espaço público perdeu a sua importância enquanto lugar de intercâmbio de pessoas e actividades, assumindo-se como um espaço vazio de sentido quer para os cidadãos residentes, quer para os arquitectos, sendo equivalente a uma zona de passagem, ou seja, as pessoas simplesmente o usam como via de passagem.

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