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The practice paradigm in sustainability transitions

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Segundo o Comité Olímpico de Portugal (COP, 2015, p.2), “o número de atletas filiados nas

federações desportivas não apresenta crescimentos significativos e várias são as modalidades em que a tendência é regressiva face a números alcançados em décadas anteriores”. Esta é

uma questão prioritária para a sustentação do desporto nacional e projeção no panorama internacional, sendo um alerta para a necessidade de reverter este processo: diminuir o abandono e aumentar a longevidade na carreira desportiva. Por outro lado, de acordo com uma pesquisa efetuada na web of knowledge, entre 1980 e 2015, utilizando os termos “dropout” e “sport”, nas áreas “sport sciences” e “behavioral sciences”, apenas 38 artigos se referem ao estudo do abandono e nenhum em Portugal. Adicionando o termo “swimm*”, surgem apenas 2 estudos na modalidade de natação.

Para além disto, também a Federação Portuguesa de Natação (FPN), assumiu a prevenção do abandono como um dos vetores estratégicos, descritos no seu plano estratégico para 2014- 2024 (Silva, 2014).

Neste sentido, revela-se pertinente compreender os motivos do abandono e as determinantes motivacionais da persistência, sustentando-se este estudo na Teoria dos Objetivos de Realização (AGT: Achievement Goal Theory) (Nicholls, 1984) e Teoria da Autodeterminação (SDT: Self-Determination Theory) (Deci & Ryan, 1985), que são dois modelos teóricos motivacionais que explicam o “porquê” de as pessoas adotarem e desenvolverem determinados comportamentos (e.g., prática desportiva).

A AGT (Nicholls, 1984) preconiza que as cognições, afetos e comportamentos das pessoas em contextos de realização são influenciados pelos fatores pessoais e situacionais. As pessoas motivam-se para demonstrarem ou desenvolverem competência, baseando-se em dois tipos de orientação: tarefa (ênfase na realização e avaliação da competência segundo critérios autorreferenciados) e ego (ênfase no resultado e avaliação da competência segundo critérios normativos) (Álvarez et al.,2009), podendo ambas ser influenciados pelo clima motivacional induzido pelos demais significativos (e.g., os pais/treinadores). Em termos concetuais, o clima motivacional foi inicialmente proposto e aplicado ao contexto da educação (Ames, 1992), mas rapidamente foi adotado para o contexto do desporto (Seifriz, Duda, & Chi, 1992). De acordo com a AGT, no contexto do desporto, o clima motivacional induzido pelo treinador e percecionado pelos atletas refere-se ao ambiente criado pelo treinador, quer no treino, quer na competição, que é influenciado pelo que ele diz e faz nesses contextos (Duda, 2001). Neste sentido, emergem dois tipos de climas: um clima com envolvimento para a tarefa que enfatiza a aprendizagem e o progresso pessoal, onde o esforço na tarefa é recompensado e os erros fazem parte do processo de aprendizagem; e um clima com envolvimento para o ego, que enfatiza a comparação entre sujeitos e demonstração de competência perante os outros, o resultado é recompensado e atribui castigos pelos erros cometidos (Keegan, Spray, Harwood, & Lavalle, 2011).A SDT (Deci & Ryan, 2000) aborda a motivação numa perspectiva

mais ampla, tomando em consideração os fatores da personalidade e as causas e consequências do comportamento autodeterminado. De acordo com Deci e Ryan (2000), é a satisfação das três necessidades psicológicas básicas (BPN: Basic Psychological Needs), inatas a todos os seres humanos: autonomia (regular as próprias ações), competência (interagir com sucesso com o meio) e relação (vinculação aos outros), que vão influenciar a regulação da motivação , que se estabelece ao longo de continuum motivacional que varia entre formas mais controladas e mais autónomas (menos e mais autodeterminadas, respetivamente), com impactos diferenciados no comportamento.

A SDT também sugere que o contexto social afeta o nível de autodeterminação do sujeito através da facilitação/inibição da satisfação das BPN (Ryan & Deci, 2007). Assim, o clima motivacional (induzido pelo treinador) preconizado na AGT pode ser importante para fornecer as condições necessárias para o suporte da motivação autónoma; um clima motivacional com envolvimento para a tarefa parece associar-se a maiores níveis de autonomia e consequentemente a padrões comportamentais mais adaptativos (e.g., persistência), enquanto um clima com envolvimento para o ego parece associar-se a menores níveis de autonomia e consequentemente a padrões comportamentais menos adaptativos (e.g., abandono) (Wang & Biddle, 2007). Estas evidências têm vindo a ser demonstradas no desporto: menor participação (Sarrazin et al., 2002), maior persistência (Pelletier et al., 2001), maior divertimento (Spray et al., 2006), maior autoestima (López-Walle et al., 2011), maior satisfação com a performance (Vankeekiste et al., 2014) e maior perceção de esforço (Monteiro et al., 2014), realçando a importância de uma abordagem mais centrada no comportamento dos atletas.

Desta forma, a presente tese tem os seguintes objetivos:

1- Caracterizar o abandono na natação, de forma a ser percetível o estado atual no que ao abandono diz respeito e caracterizá-lo em função das disciplinas da federação portuguesa de natação, género, associações territoriais e escalões competitivos;

2- Caracterizar o “estado da arte”, especificamente no que respeita ao abandono desportivo, em particular na modalidade de natação, através da realização de uma revisão sistemática; 3-Traduzir, validar e adaptar instrumentos de medida para o contexto da natação, de forma a avaliar os motivos para o abandono na natação, bem como as variáveis motivacionais subjacentes ao divertimento e às intenções de os atletas continuarem na prática. Salienta-se que nos estudos de validação (necessidades psicológicas básicas, clima motivacional e divertimento) foram utilizadas amostras de outras modalidades, de forma a evitar que o mesmo instrumento fosse validado várias vezes. Para comprovar esta evidência foram realizadas análises da invariância em função das modalidades praticadas e do género. Contudo, numa fase anterior a esta análise, todos os instrumentos foram submetidos a uma Análise Fatorial Confirmatória, de forma a comprovar o ajustamento do modelo de medida, para a modalidade de natação;

4- Identificar os motivos do abandono, diferenças entre géneros e escalões competitivos e o impacto dos motivos do abandono nas intenções de os atletas voltarem à prática da natação;

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5- Analisar as determinantes motivacionais do divertimento e das intenções de os atletas continuarem na prática, recorrendo um modelo estrutural hipotetizado, que engloba a teoria dos objetivos de realização e da autodeterminação.

Em suma, esta tese procura analisar a participação desportiva na natação portuguesa, nomeadamente, os motivos do abandono e as determinantes motivacionais da persistência na prática, na tentiva de colmatar a ausência de conhecimento nesta área específica.

Desta forma, a presente investigação será organizada da seguinte forma:

Caracterização do abandono nas diferentes disciplinas da Federação Portuguesa de Natação, em função do género, escalão competitivo e associação territorial (Capítulo 2);

Revisão da literatura com recurso ao método sistemático com o intuito de perceber o estado da arte no respeita às razões e determinantes do abandono na modalidade de natação (Capítulo 3);

Identificação dos motivos para o abandono e as suas diferenças em função do género e escalão competitivo, bem como, a tradução, análise exploratória, confirmatória e invariância do modelo de medida subjacente ao Questionnaire of Reasons for Attrition e numa última instância análise de um modelo estrutural entre os motivos para o abandono e as intenções de os nadadores voltarem à prática (Capítulo 4);

Adaptação da Basic Psychological Needs Exercise Scale para o contexto do desporto e a análise da invariância do modelo de medida entre a natação e o futebol (Capítulo 5);

Tradução e validação do Physical Activity Enjoyment Scale para o contexto do desporto e a análise da invariância do modelo de medida entre géneros, natação e desporto de natureza (Capítulo 6);

Análise das propriedades psicométricas da versão portuguesa do Motivational Climate Sport

Youth Scale (MCSYSp) e a análise da invariância do modelo de medida em função do género e

de cinco modalidades (natação, futebol, anadebol, basquetebol, fustal) (Capítulo 7);

Determinantes motivacionais do divertimento e das intenções dos nadadores continuarem na prática, com recurso a um modelo de equações estruturais fundamentado nos pressupostos teóricos da Achivement Goal Theory e Self-Determination Theory (Capítulo 8);

Discussão geral englobando todos os estudos da presente investigação (Capítulo 9); Conclusões gerais e implicações para a prática (Capítulo 10);

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Capítulo 2. Caracterização do Abandono

Estudo 1

Caracterização do Abandono em função da disciplina praticada,

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