3.2 Innovation studies and sustainability transition studies
3.2.4 MLP for studies of automobility
Resumo
Objetivo: O presente estudo pretende, utilizando o método sistemático, elaborar uma síntese
da literatura, com o objetivo de conhecer os motivos e determinantes do abandono na modalidade de natação.
Métodos: A revisão sistemática foi realizada através das bases de dados eletrónicas Web of
Knowledge e PsycInfo, desde 2 fevereiro de 2015 até 29 de julho de 2015, usando as seguintes
palavras-chave: “dropout”, “withdrawal”, “motives”, “reasons” “sport”, “framework- theories”, “motivation”, “swim*”, “review”, “attrition” e “compliance”. Dos 15 estudos localizados, 6 foram revistos integralmente, sendo os seus dados extraídos e analisados.
Resultados: A maior parte dos estudos foram conduzidos no Canada e EUA e um estudo em
Espanha. Maioritariamente os participantes são do género feminino (65.74%) e as principais razões para o abandono são: “conflitos com os treinadores”, “ter outras coisas para fazer”, “fracasso na melhoria das competências”, “pressão dos pais, pares ou treinadores”, “falta de divertimento” e “aborrecimento” e ainda que a “amotivação” foi um preditor do abandono.
Conclusões: A presente revisão sistemática pretendeu contribuir para a compreensão do
fenómeno do abandono, uma vez que integrao conhecimento disponível sobre o assunto. Contudo é necessário continuar a investigar nesta área, validando instrumentos de medida que avaliem os motivos para o abandono após os atleas abandonarem a prática, bem como estudar os processos motivacionais subjacentes ao abandono e à persistência.
Introdução
O desporto organizado desempenha um importante papel no desenvolvimento de crianças e jovens (Fraser-Thomas, Côte, & Deakin, 2008a). Não obstante, cada vez mais se verifica um abandono da prática desportiva nestas faixas etárias principalmente em países ocidentais, devido à massificação da prática desportiva em crianças e jovens, o que invariavelmente conduz a um maior abandono (Salguero, Gonzalez-Boto, Tuero, & Márquez, 2003), sendo particularmente preocupante na faixa etária dos 13 aos 18 anos de idade (Balish, McLaren, Rainham, & Blachard, 2014; Sallis, 2000; Weiss & Amorose, 2008).
Vários estudos realizados nos Estados Unidos da América (EUA) têm apontado para esta tendência: indicando que cerca de 35% dos jovens abandonam a prática desportiva por ano (Petlichkoff, 1996), e que 80% das crianças entre os 12 e os 17 anos, abandona os programas desportivos organizados em que estiveram envolvidos (Balish et al., 2014), sendo que um terço o faz após os 12 anos (Gould,1987; 2007). Ainda nos EUA, de acordo com o National for
Education Statistics (1989), a faixa etária dos 14 aos 17 anos, apresenta um declínio no
número de jovens envolvidos no desporto, em comparação com o verificado nas faixas etárias dos 5 aos 13 anos. Esta tendência parece também registar-se na Austrália, seguindo as evidências encontradas no continente americano, uma vez que Swabey e Rogers (1997), num estudo realizado na fase de transição do ensino secundário para o ensino superior, revelaram que 72% dos inquiridos tinham abandonado a prática desportiva.
No continente europeu, num relatório realizado por De Knop, Vanreusel, Theeboom e Wittock (1996) sobre as tendências desportivas em 11 países (Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Alemanha, Holanda, Noruega, Polónia, Portugal, Espanha, Suécia, Reino Unido), os autores afirmam que o abandono desportivo nos jovens vai aumentando com a idade, em especial nas raparigas. Evidências semelhantes foram encontradas nos estudos de Brown (1985) e Guillet, Sarrazin, Fontanyne e Brustad (2006). Estes resultados são corroborados por outros estudos, realizados em outros países, que apontam igualmente para elevadas taxas de abandono em diferentes modalidades desportivas, nomeadamente: na Irlanda, um estudo realizado por Trew, Kremer, Gallagher, Sculley e Ogle (1997), com uma amostra de 20 mil jovens, indicou que cerca de 20% responderam ter abandonado completamente a prática desportiva; e em França, estudos longitudinais realizados no andebol feminino, de uma forma geral, relevaram que 50% das atletas que tinham começado a praticar a modalidade entre os 9 e os 12 anos abandonavam a prática, três a quatro anos depois, e outro estudo realizado ao longo de 10 anos, revelou taxas de abandono na ordem dos 50%, dois ou três anos após os atletas terem iniciado a prática, percentagens essas que aumentavam para os 75% após 5 anos (Guillet, 2000). Ainda em França, mas na modalidade de boxe, também um estudo longitudinal, conduzido ao longo de 5 anos por Trabal e Agustini (1997), foram reveladas taxas de abandono na ordem dos 54% durante esse período de tempo. Estima-se assim, que mais de um terço de todos os participantes, entre os 10 e os 17 anos de idade abandonam as suas modalidades anualmente, sendo que grande parte desta percentagem é representada por
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muitos milhões de jovens na Europa e América do Norte (Balish et al., 2014; Gould & Horn, 1984).
Pode, assim, dizer-se que a proliferação de estudos realizados nas últimas décadas em várias modalidades desportivas (e.g., Balish et al., 2014; Crane & Temple, 2015) atesta a preocupação existente por parte dos investigadores com o aumento do número de atletas que abandonam a prática desportiva (Weinberg & Gould, 2015). Contudo, as investigações sobre os fatores e processos sociais e psicológicos relacionados com o abandono são escassas (Guillet, Sarrazin, & Cury, 2000), e revelam-se fundamentais para perceber as principais razões e/ou determinantes do abandono da prática desportiva nos jovens (Balish et al., 2014).
Na realidade, em retrospetiva, o estudo do fenómeno do abandono da prática desportiva teve a sua origem em estudos descritivos (e.g., Orlick,1974), onde se demonstrava grande preocupação por conhecer quais os motivos/razões que levavam os atletas, quer à prática desportiva quer ao abandono dessa prática (Weinberg & Gould, 2015). Posteriormente, esses estudos foram dando origem a outros mais complexos (e.g., Sarrazin, Vallerand, Guillet, Pelletier, & Cury, 2002) com o intuito de compreender as determinantes pessoais e sociais subjacentes ao abandono no desporto (Cervelló, 2002). Este autor afirma ainda que a maior parte dos estudos realizados são de natureza transversal e não longitudinal (ou retrospetiva). Não obstante, outra das questões que importa realçar, diz respeito ao conceito de abandono, uma vez que, segundo Sarrazin e Guillet (2001), o seu conceito não parece ser consensual na literatura sendo que, grande parte dos autores, não o define em concreto. Acresce ainda o facto de que, na maior parte dos estudos, os autores não mencionam se o abandono se trata especificamente numa modalidade ou no desporto em termos gerais (Gould, 1987;2007). Neste âmbito, parece relevante a definição apresentada por Cervelló (2002, p.175): “o
abandono desportivo, de uma forma geral pode-se considerar como aquela situação, na qual os sujeitos finalizam o seu compromisso explícito com uma modalidade desportiva específica”. Neste sentido, com o intuito de minimizar esta indefinição Gould (1987) propôs
um modelo (Modelo integrador de Gould) em que o abandono desportivo é considerado ao longo de um continuum, que inclui o abandono de uma atividade desportiva específica, a mudança para outra atividade desportiva e o abandono da participação desportiva.
Por conseguinte o controlo da decisão do atleta abandonar a prática desportiva, parece estar associada quer a causas incontroláveis (e.g., lesões), podendo neste caso conduzir ao abandono permanente (Klint & Weiss, 1986), quer a causas controláveis (e.g., aborrecimento), considerando-se as causas associadas a este tipo de abandono mais frequentes, e também merecedora de maior atenção, já que é aqui que poderá estar a “chave” para a sua prevenção (Gould, 1987;2007).
Segundo Sarrazin e Guilet (2001), para além dos principais motivos que possam ser indicados para o abandono (i.e. controlados ou não controlados), a decisão dos sujeitos abandonarem a prática desportiva não surge apenas como uma consequência de uma ação isolada, mas sim de um conjunto de razões, mais ou menos diversificadas. Essa é a razão pela qual a literatura
parece ser unânime na atribuição de uma importância fundamental à motivação como variável preditora do abandono no desporto (Sarazin & Guillet, 2001; Vallerand & Rosseau, 2001). De facto, a motivação parece ser responsável pela explicação da iniciação, direção, intensidade e persistência no comportamento (Deci & Ryan 1985). Todavia pouco se conhece sobre as determinantes motivacionais do abandono, pelo que se torna fundamental conhecer os motivos do abandono, especificamente de cada modalidade, de forma a perceber como podemos ajudar os atletas a permanecerem na prática desportiva ao longo do tempo (Cervelló, Escartí & Guzmán, 2007).
Ao longo das últimas duas décadas, a motivação tem sido um dos temas mais estudados na área das ciências comportamentais (Kingston, Harwood, & Spray, 2006), verificando-se uma certa tendência para a utilização preferencial de alguns modelos teóricos (e.g., Self-
Determination Theory ou Achievement Goal Theory) que tentam compreender os padrões
cognitivos, comportamentais e emocionais relacionados com os conteúdos dos objetivos dos praticantes no contexto desportivo (Kingston et al., 2006). De facto, a proliferação de investigações com estas preocupações, e que se baseiam em modelos teóricos motivacionais, tem colocado em evidência o impacto da motivação no comportamento dos sujeitos no contexto do desporto: menor abandono da modalidade (Sarrazin et al., 2002), mais persistência na modalidade (Pelletier, Fortier, Vallerand, & Briére,2001), melhor estadopsicológico (flow) dos atletas (Moreno-Murcia, Cervelló & González-Cutre, 2010), maiorcoesão de grupo (Calvo, Leo, Sánchez, Jiménez & Cervelló, 2008), mais autoestima dos atletas (López-Walle, Balaguer, Castillo, & Tristán,2011), maior perceção de esforço (Monteiro, Moutão, Baptista, & Cid, 2014), maior divertimento e menor aborrecimento (Álvarez, Balaguer, Castillo, & Duda, 2009).
No entanto, os estudos sobre os fatores e processos psicossociais relacionados com o abandono continuam a ser escassos (Guillet et al., 2000), e muito pouco se conhece sobre as determinantes do abandono, em especial do ponto de vista motivacional (Cervelló et al., 2007), existindo, no caso específico da modalidade da natação, apenas um estudo publicado que aborda esta temática (Pelletier et al., 2001). Por outro lado, ainda no que a esta modalidade diz respeito, a maior parte dos estudos são de natureza descritiva e inferencial (e.g., Brown, 1985; Gould, Feltz, Horn, & Weiss, 1982; Salguero et al., 2003).
De facto, de acordo com uma primeira pesquisa exploratória efetuada na Web of Knowledge (WOK), com os termos, “Dropout” e “Sport”, nas áreas “Sport Science” e “Behavioral Science”, apenas surgem 38 estudos, entre 1980 a 2015. Desta pesquisa, a única revisão sistemática encontrada sobre o abandono em crianças e jovens no desporto organizado, em várias modalidades, foi desenvolvida por Crane e Temple (2015), que apresenta a natação como a segunda modalidade com mais estudos dedicados (a seguir ao futebol).
Ao refinar a pesquisa relativamente à modalidade de natação, com a adição do termo “swim*”, apenas surgiram dois estudos, não parecendo existir nenhuma revisão sistemática que contemple todos os estudos que abordam os motivos/determinantes do abandono, especificamente na modalidade de natação.
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Neste sentido, o presente estudo pretende, utilizando o método sistemático, elaborar uma síntese da literatura, de forma a conhecer os motivos e determinantes do abandono na modalidade de natação, interpretando e discutindo os principais resultados e instrumentos de medida utilizados, bem como, o enquadramento teórico que lhes estão subjacentes, com o intuito de fornecer indicações para futuras investigações na área, e também apresentar eventuais orientações para a prática.