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4.7 Econometric Methodology

4.7.1 The Logit Multinomial Model (MNL)

Esta pesquisa é um estudo qualitativo de base etnográfica. Os métodos de pesquisa qualitativa permitem conhecer e compreender os fenômenos em um determinado campo de conhecimento, superando os limites dos métodos das ciências naturais e empregando a realidade social da população em seu próprio contexto (COLLET e ROZENDO, 2001).

Uma característica que a pesquisa qualitativa oferece ao pesquisador é a possibilidade de captar a maneira pela qual os indivíduos pensam e reagem diante das questões focalizadas.

Outros autores (SILVA e PINTO, 1986) referem que:

Os homens são seres sociais. As suas ações desdobram-se em práticas materiais e simbólicas, relações com a natureza e relações com outros homens, no âmbito de grupos com várias dimensões, dos grupos elementares como as famílias até as organizações vastas a que chamamos sociedades (SILVA e PINTO, 1986, p. 13).

São estas práticas que devemos conhecer e analisar para melhor compreender a multiculturalidade que nos rodeia. A riqueza do conhecimento destas práticas não se limita ao presente, ao contrário, ela recria condutas antigas, justifica atitudes e comportamentos atuais e projeta práticas futuras. Paralelamente, fornece indicações preciosas sobre os valores, as pessoas e o meio onde essas se inserem socialmente, condicionadas por estes fatores.

A escolha do método qualitativo justifica-se como uma abordagem mais pertinente para conhecer e compreender as práticas e os cuidados em saúde, de modo a proporcionar um entendimento mais amplo do valor de cada pessoa, de cada gesto e de cada palavra.

A pesquisa social mostra interesse na forma como as pessoas se expressam e mostram o que pensam sobre suas atitudes e as atitudes das outras pessoas. Para isso, ela apoia-se em dados sobre o mundo social, confeccionados durante um processo de comunicação (BAUER e GASKELL, 2008), afinal, temos conhecimento de um mundo representado, formado pelos processos de comunicação, e não do mundo em si (BERGER e LUCKMANN, 1979).

Enquanto a pesquisa quantitativa lida com números e faz uso de modelos estatísticos para tratar os dados, a pesquisa qualitativa trabalha com interpretações das realidades sociais e pode dar voz às pessoas. Alguns pesquisadores optam por enxergar essas frentes como paradigmas competitivos de pesquisa social (BAUER e GASKELL, 2008), o que empobrece

a construção do conhecimento, pois não há quantificação sem qualificação, não há análise estatística sem interpretação. Essa dicotomia não apresenta qualquer utilidade. De uma perspectiva mais holística do processo de pesquisa social, observa-se o que cada metodologia pode oferecer para enriquecer determinado trabalho.

Filstead (1979), citado por BAUER e GASKELL (2008), traz que:

Métodos qualitativos e quantitativos são mais que apenas diferenças entre estratégias de pesquisa e procedimentos de coleta de dados. Esses enfoques representam, fundamentalmente, diferentes referências metodológicas para teorizar a natureza do conhecimento, a realidade social e os procedimentos para se compreender esses fenômenos (p. 29).

A pesquisa qualitativa permite que o pesquisador adquira capacidade de ver “através dos olhos daqueles que estão sendo pesquisados” (Bryman, 1988 citado por BAUER e GASKELL, 2008, p. 32). Bauman (1976, citado por BAUER e GASKELL, 2008, p. 106), aponta que “o potencial emancipatório do conhecimento é posto à prova – e na verdade só pode ser conscientizado – somente a partir do diálogo quando os objetos das afirmações teóricas se transformam em participantes ativos no processo incipiente de autenticação”.

Diante disso, percebe-se a importância de os pesquisadores questionarem os conceitos adotados, as interpretações feitas e a maneira como os resultados são recebidos. São esses tópicos que encaminham para uma possível ação emancipatória e não a técnica empregada pelo pesquisador.

5.1.1 Etnografia

O método etnográfico de pesquisa compreende um conjunto de concepções e procedimentos utilizados tradicionalmente pela antropologia para fins de conhecimento científico da realidade social. Uma abordagem qualitativa dos problemas de saúde identifica- se de várias formas com o método etnográfico, possibilitando ao investigador compreender as práticas culturais dentro de um contexto social mais amplo e estabelecendo as relações entre os fenômenos específicos numa determinada visão de mundo (YAJAHUANCA, 2009).

Nesse estudo a etnografia foi importante pela sua aplicabilidade para compreender aspectos específicos das mulheres bolivianas e o seu encontro com outra cultura em São Paulo. A etnografia é um dos métodos para representar uma dada cultura e para descrever, compreender e articular fatos ligados ao trabalho do pesquisador (VAN MAANEM, 1988; MCCURDY et al., 2005).

ANGROSINO (2009, p. 30) descreve a etnografia como “arte e ciência de descrever um grupo humano, suas instituições, seus comportamentos pessoais, suas produções materiais e seus valores” e GEERTZ (2001) tece para este método observações minuciosas, caracterizadas pela abordagem holística, humanística e qualitativa.

GEERTZ (2001) também utiliza dois termos: “estar lá” (campo) e “estar aqui” (no escritório). É a introdução desse relato detalhado das vicissitudes pelas quais passa o etnógrafo, junto com a descrição minuciosa e apaixonante do que chama de “imponderáveis da vida real”, aqueles fatos cotidianos sutis, mas ricos de significados, como os cuidados com o corpo, o modo de comer, o tom das conversas e da vida social, a amizade, simpatia ou aversão entre as pessoas e outros, que vai “criar, para o leitor, a imagem viva e humana de um povo completamente diferente de nós” (DURHAM, 2004, p. 9).

MAGNANI coloca que utilizar o método etnográfico:

[...] sobre a cidade e sua dinâmica é resgatar um olhar de perto e de dentro capaz de identificar, descrever e refletir sobre aspectos excluídos... em vez de um olhar de passagem, cujo fio condutor são as escolhas e o trajeto do próprio pesquisador, o que se propõe é um olhar de perto e de dentro, mas a partir dos arranjos dos próprios atores sociais, ou seja, das formas por meio das quais eles se avêm para transitar pela cidade, usufruir seus serviços, utilizar seus equipamentos, estabelecer encontros e trocas nas mais diferentes esferas – religiosidade, trabalho, lazer, cultura, participação política ou associativa (MAGNANI, 2002, p. 7-8).

Numa investigação sobre a realidade social, deve-se considerar o fato de que a pesquisa de campo do tipo etnográfica implica uma relação social entre o pesquisador e os pesquisados. A qualidade dos dados obtidos depende em grande parte da maneira como essa interação social se estabelece (GOMES et al., 2000, p. 53-55).

5.1.2 Entrevista

Esta técnica de coleta de dados, privilegiada em pesquisas qualitativas, busca apreender, nas produções verbais dos indivíduos, a cultura e a subcultura às quais pertencem e os mecanismos próprios a sua constituição (MICHELAT, 1982). Para esse autor, só se pode construir o modelo de uma cultura a partir de suas produções A entrevista etnográfica é fundamental para complementar as observações de campo (BEAUD e WEBER, 2007).

De acordo com SCHRAIBER (1995), a técnica da entrevista traz a vantagem de explorar o coletivo por meio da construção pessoal de cada narrador. Esta “reprodução individual” do coletivo trabalha por dizer na subjetividade do relato dado, a objetividade do

real, ao mesmo tempo em que o conteúdo do que é relatada parte da experiência do entrevistado com determinações sociais, culturais e históricas que lhe são próprias e que vão marcar as concepções das quais ele lançará mão em seu relato acerca do real.

A entrevista é o instrumento mais adequado para delimitar os sistemas de representações, de valores e de normas veiculados pelos indivíduos. É preciso, nesse momento, dirigir a conversação entre pesquisador e informantes como processo de coleta de informação relevante. Assim, é importante diferenciar informantes-chaves e informantes gerais.

A entrevista, na pesquisa qualitativa, ao privilegiar a fala dos atores sociais, permite atingir um nível de compreensão da realidade humana. Esta se torna acessível por meio de discursos, sendo apropriada para investigações, cujo objetivo é conhecer como as pessoas percebem o mundo. Em outras palavras, a forma específica de conversação que se estabelece em uma entrevista para fins de pesquisa favorece o acesso direto ou indireto às opiniões, aos valores e aos significados que as pessoas atribuem a si, aos outros e ao mundo circundante8.

A partir das entrevistas realizadas foi selecionada uma amostra diversificada o que permitiu enriquecer o estudo.

Segundo RUQUOY:

Nos estudos qualitativos interroga-se um número limitado de pessoas, pelo que a questão da representatividade, no sentido estatístico do termo, não se coloca. O critério que determina o valor da amostra passa a ser a sua adequação aos objetivos da pesquisa, tomando como princípio a diversificação das pessoas interrogadas e garantindo que nenhuma situação importante seja esquecida (RUQUOY, 1997, p. 103).