• No results found

THE FORWARD PROJECT

In document English version (5.015Mb) (sider 29-35)

A evolução do setor eólico no país tem despertado o interesse de vários fabricantes e representantes dos principais países envolvidos com esta energia. A excelente qualidade e potência dos ventos, principalmente na costa nordestina, associado com as políticas de incentivo por parte do governo, fazem com que o Nordeste brasileiro seja um ponto estratégico para a entrada de novas tecnologias na América Latina.

5.1. Pontos Fortes e Fracos

Os grandes argumentos favoráveis à fonte eólica são a auto-sustentabilidade, abundância de matéria prima no País, custo zero para obtenção da matéria prima, baixo custo de manutenção, baixo impacto ambiental, curto prazo para construção da unidade produtora.

O principal argumento contrário à energia eólica se dava quanto ao custo relativo à outras fontes – como a hídrica e térmica. Tendo em vista que, em 2008, no Brasil, considerando-se também os impostos embutidos, era de cerca de R$ 230,00 por MWh, enquanto o custo da energia hidrelétrica estava em torno dos R$ 100,00 por MWh. No entanto, conforme foi constatado nos últimos leilões, o preço médio de venda da energia elétrica de fonte eólica alcançou o nível de competitividade financeira próximo das demais fontes elétricas.

No entanto, permanecem ainda como pontos negativos a falta de uma legislação específica, a dependência tecnológica internacional por não desenvolver pesquisa na área, o oligopólio do mercado de oferta de equipamentos eólicos e a precária estrutura logística para a importação de equipamentos e transporte dos portos aos parques.

5.2. Oportunidades e Riscos

Diversificar a matriz energética é uma forma de reduzir o risco de desabastecimento da energia elétrica. No caso brasileiro, a maior parte do abastecimento nacional é dado pela fonte hídrica. Em uma má hipótese, em caso de prolongada estiagem e uma consequente redução a níveis mínimos de reservas hídricas nos reservatórios das hidrelétricas, resultará em uma delicada situação para o Estado enfrentar quanto ao abastecimento de energia elétrica. Portanto, diversificar a matriz energética, acima de tudo, é uma forma de mitigar riscos.

É relevante o potencial de geração de energia eólica no Brasil. Tendo em vista que o País possui um volume de ventos duas vezes maior do que a média mundial com baixa oscilação da velocidade, o que garante maior previsibilidade à geração de eletricidade. O último estudo completo sobre o potencial eólico do país é o Atlas do potencial eólico brasileiro. Apesar de desatualizado, o atlas aponta que o potencial de geração de energia elétrica por meio dessa fonte é de 143 milhões de kW, valor superior à capacidade total instalada no Brasil atualmente, que é de 114 milhões de kW, considerando todas as fontes. As regiões com maior potencial são o Nordeste, principalmente no litoral, com 75 milhões de kW, o Sudeste, com 29,7 milhões de kW, e o Sul, com 22,8 milhões de kW. Esse potencial pode ser ainda maior se considerarmos os novos sistemas offshore, ou seja, de captação de vento com turbinas instaladas no mar.

É importante destacar a conveniente aplicação da energia eólica no Brasil como fonte complementar ao regime hídrico de produção elétrica. Como exemplo, o Rio São Francisco, na região Nordeste, quando no período estacional ou na geração de ponta do sistema – ou seja, no período da seca que é quando os níveis que a afluência hidrológica nos reservatórios hidrelétricos se encontram mais baixos – que os ventos têm maior capacidade de geração de eletricidade.

Conforme a Aneel (2013), o Nordeste brasileiro, é a região que detém a maior concentração de empreendimentos em operação – 64,2% da potência instalada no Brasil, ou seja, 1.212.230 MW de potência em números absolutos.11

Em geral, as localidades em que são instalados os parques eólicos ficam distantes da zona urbana e, principalmente no Nordeste, são áreas com baixo nível de desenvolvimento econômico. A construção e operação do parque eólico gera emprego, renda e até relevância política da localidade, trazendo portanto benefícios diretos e indiretos para a população local.

Por fim, a pesquisa realizada demonstra a energia eólica como uma alternativa competitiva e economicamente viável. Em especial, para o Nordeste, a fonte eólica se revela uma ótima opção que impulsionará a economia local e será capaz de gerar maior desenvolvimento sustentável na Região.

11

BIG - Banco de Informações de Geração, Fevereiro de 2013. Disponível em: < http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/capacidadebrasil/OperacaoGeracaoTipo.asp?tipo=7&ger=Outros& principal=E%C3%B3lica>. Acesso em: 13:42 – 06/02/2013.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANEEL, Agência Nacional de Energia Elétrica. Atlas de energia elétrica, 2005, 2ª Ed., Disponível em: < http://www.aneel.gov.br/biblioteca/EdicaoLivros2005atlas.cfm>. Acesso em 05 de setembro de 2012.

______. ANEEL, Agência Nacional de Energia Elétrica. Atlas de energia elétrica,

2009, 3ª Ed., Disponível em:

<http://www.aneel.gov.br/biblioteca/EdicaoLivros2009atlas.cfm>. Acesso em 28 de setembro de 2012.

BEN, Balanço Energético Nacional. Disponível em:

<https://ben.epe.gov.br/downloads/Relatorio_Final_BEN_2012.pdf> Acesso em: 16 de novembro de 2012.

BIG, Banco de Informações de Geração. Disponível em: <http://www.aneel.gov.br> Acesso em: 05 de setembro de 2012.

ALVES, J. J. A. Análise regional da energia eólica no Brasil. G&DR, São Paulo, v. 6, n. 1, p. 165-188, jan-abr/2010. <http://www.rbgdr.net/012010/artigo8.pdf>. Acesso em: 25 de maio de 2010.

AYRES, R. U. Cowboys, cornucopians and long-run stability. Ecological Economics, v. 8, 1993.

BEZERRA, F. D.; ROCHA, A. M. M. Perspectivas para a Energia Eólica no Brasil e no Nordeste. In: BNB Conjuntura Econômica Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste Banco do Nordeste do Brasil, 24., 2010, Ceará. Anais

eletrônicos... Ceará: BNB, 2010. Disponível em:

<http://www.bnb.gov.br/projwebren/exec/rcePDF.aspx?cd_rce=28>. Acesso em: 31 de maio de 2010.

CASTRO, Nivalde José. O Setor de energia elétrica no Brasil: A transição da propriedade privada á propriedade pública (1945-1961). Rio de Janeiro: Instituto de Economia. Dissertação de mestrado, 1985.

CENTRO BRASILEIRO DE ENERGIA EOLICA. Notícias / Mídia. Recife, 2006. Disponível em: <http://www.eolica.com.br/home/pt>. Acessado em: 1 junho de 2010.

CENTRO DE MEMÓRIA DA ELETRICIDADE NO BRASIL. Panorama do setor de energia elétrica no Brasil. Rio de Janeiro: Centro de Memória da Eletricidade no Brasil, 2006.

CNI, Matriz Energetica e Emissao de gases de efeito estufa. Brasília: Confederação Nacional da Indústria, 2008.

EPE, Empresa de Pesquisa Energética. Nota Técnica PRE 01/2009-r0. Proposta para a expansão da geração eólica no Brasil, 2009. Ministério de

ERNST & YOUNG. Brasil sustentável: desafios do mercado de energia. Brasil, 2008. 28 p. (Série Brasil Sustentável, v. 3).

INFORMATION HANDLING SERVICES, IHS. Disponível em: < http://www.ihs.com/industry/renewable-energy/index.aspx>. Acesso em: 14 de dezembro de 2012.

LEMOS, José de Jesus Sousa. Mapa da exclusão social no Brasil: radiografia de um país assimetricamente pobre. 2ª ed. Fortaleza: Banco do Nordeste do Brasil, 2008. 474p. LIMA, José Luiz. Políticas de governo e desenvolvimento do setor de energia elétrica. Rio de Janeiro: Centro de Memória da Eletricidade no Brasil, 1995.

MELLO, H. C. F. Setor Elétrico Brasileiro: Visão política e estratégica. Rio de Janeiro, 1999. Monografia (Altos Estudos de Política Estratégica). Escola Superior de Guerra.

MINISTERIO DE MINAS E ENERGIA, MME. Disponível em: <http://www.epe.gov.br/leiloes>. Acesso em: 12 de setembro de 2011.

______. MINISTERIO DE MINAS E ENERGIA; EMPRESA DE PESQUISA ENERGETICA. Plano Decenal de Expansão de Energia 2020. Brasilia: MME/EPE,

2011. 344p. Disponível em: <

http://www.mme.gov.br/mme/galerias/arquivos/noticias/2011/PDE2020.pdf>. Acesso em: 12 de setembro de 2012.

Atlas do potencial eólico brasileiro, 2005. Disponível em: <http://www.cresesb.cepel.br/atlas_eolico/index.php>. Acesso em: 8 de setembro de 2012.

REIS, L. B. dos; SILVEIRA, S. A energia elétrica no âmbito do desenvolvimento sustentável: introdução de uma visão multidisciplinar. 2. ed. São Paulo: EDUSP, 2001. SALLES, A. C. N. de. Metodologias de análise de risco para avaliação financeira de projetos de geração eólica. 2004. 93 f. Tese (Mestrado em Planejamento Energético)

Pós-graduação em Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro. 2004.

SOARES DE MELLO, J.C.C.B.; ANGULO MEZA, L.; GOMES, E.G.; FERNANDES, A.J.S.; BIONDI NETO, L. Estudo não paramétrico da relação entre consumo de energia, renda e temperatura. IEEE Latin America Transactions. Disponível em: <http://www.revistaieeela.pea.usp.br/ieee/issues/vol6issue2June2008/6TLA2_05Correia BaptistaSoaresdeMello.pdf>. Acesso em: 30 de setembro de 2012.

VARIAN, Hal R. Princípios Básicos da Microeconomia. Fortaleza, 2006. Tradução da 7ª edição.

In document English version (5.015Mb) (sider 29-35)