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CASE STUDIES

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O Atlas do Potencial Eólico do Estado do Ceará, elaborado pela Secretária de Infraestrutura no ano 2000, durante o governo de Tasso Jereissati, foi um marco essencial para o desenvolvimento sustentável no setor de geração de energia elétrica no nosso Estado. Alguns de seus objetivos era:

 Propiciar a redução da dependência do Ceará por energia elétrica;

 Aumentar a oferta de energia mediante utilização dos potenciais disponíveis na área dos recursos naturais;

A geração de energia elétrica a partir de uma fonte renovável, no caso a eólica, segundo o Atlas do Potêncial Eólico do Estado do Ceará (SEINFRA, 2000),

[..] eleva o Estado do Ceará à condição pioneira na aplicação dos princípios estabelecidos na Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, através do Protocolo de Quioto, contribuindo para a redução de emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa em nosso planeta.

O Governo Tasso Jereissati tinha como visão principal a longo prazo, os seguintes planos, de acordo com o Atlas do Potencial Eólico do Estado do Ceará (SEINFRA, 2000),

No primeiro plano está a busca de fortalecimento do sistema elétrico estadual, com pouca geração e situado na ponta do sistema interligado de transmissão elétrica. No segundo plano e tão ou mais importante, está a diretriz de longo prazo: auto- sustentabilidade pelo uso de recursos naturais estaduais, atração de investimentos em geração elétrica e fábricas de componentes de turbinas eólicas, geração de empregos, fixação de tecnologias, fortalecimento descentralizado da economia, e outros benefícios sócio-economicos reconhecidamente associados ao aproveitamento eólio-elétrico em escala. No plano mais abrangente, está a contribuição efetiva ao sistema elétrico brasileiro, pela grande complementaridade sazonal entre os regimes eólico e hidráulico no País.

Com o objetivo de fazer o levantamento do potêncial eólico do Ceará e Rio Grande do Norte, estudos foram realizados para o litoral destes estados. “Estes estados são responsáveis por cerca de 68% das potências dos parques eólicos autorizados pela ANEEL no Brasil.” (CARVALHO, 2003, p.120)

De acordo com este estudo seria um total de aproximadamente 9.000 turbinas. Continua Carvalho (2003, p.120-121),

Para este estudo, foi considerada uma porcentagem de 20% da área ao longo da costa do Ceará (573 Km de costa x 2 Km de largura) e do Rio Grande do Norte (450 Km de costa x 2 Km de largura) para a construção de parques eólicos. Isso significa uma área total de 409,2 Km2. O número adotado de turbinas eólicas por quilômetro

quadrado é 22, de acordo com valores assumidos pelo governo do Ceará ( Governo do Estado do Ceará, 2000 )

O potencial eólico cearense concentra-se mais na área litorânea, devido ao relevo ser mais plano e auxiliado pelas brisas marinhas, que são consequências dos ventos alísios, segundo o Atlas do Potencial Eólico do estado do Ceará (SEINFRA, 2000),

Os ventos alísios, provenientes dos dois hemisférios terrestres, convergem para uma região de baixa latitude no entorno da linha do equador - a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Como os ventos alísios carregam umidade e são gradualmente aquecidos, sua convergência em uma região de pressões menores (ZCIT) é caracterizada por forte convecção e chuvas quase contínuas. A posição média anual da ZCIT pode ser aproximadamente identificada na figura, onde também se notam os baixos índices pluviométricos no Ceará. Essa posição da ZCIT migra em ciclos anuais, coincidindo sobre o território cearense durante os meses de Março a Maio - o que provoca a sua principal e muitas vezes única estação chuvosa, na qual os ventos atingem sua intensidade mínima anual. Nos restantes 9 meses do ano a ZCIT retorna às latitudes equatoriais, resultando em predomínio do período seco, e a existência de grandes regiões com clima semi-árido no Ceará e região Nordeste do Brasil. É nesse período seco (Julho-Dezembro) que os ventos da região atingem seu máximo, com intensidade e constância notáveis.

Figura 7 - Direção dos ventos alísios, no entorno da linha do Equador

Fonte: CAMARGO SCHUBERT (apud CUSTÓDIO, 2009, p.31).

A produção de energia eólica no Ceará, contribuiria para minimizar os impactos da redução da produção de energia pelas hidrelétricas, durante o periodo de estiagem nas suas regiões. Contribuiria também para reduzir os impactos dos projetos de irrigação às margens do rio São Francisco. Conforme Gomes (2009, p.32) apud REVISTA ECO 21 (2004),

A energia eólica poderá também resolver o grande dilema do uso da água do Rio São Francisco no Nordeste. Grandes projetos de irrigação às margens do rio podem causar um impacto negativo no volume de água dos reservatórios das usinas hidrelétricas e, consequentemente, prejudicar o fornecimento de energia para a região. Entretanto, as maiores velocidades de vento no nordeste do Brasil ocorrem justamente quando o fluxo de água do Rio São Francisco é mínimo. Logo, as

centrais eólicas instaladas poderão produzir quantidades expressivas de energia elétrica evitando que se tenha que utilizar a água do Rio São Francisco.

Gráfico 19 – Relação entre o nivel d’agua no rio São Francisco e a velocidade dos ventos no Ceará

Fonte: Atlas do Potencial Eólico do Ceará (2000).

Os custos para se produzir energia eólica vem diminuindo a taxas crescentes, devido aos avanços tecnológicos. Segundo Gomes (2009, p.30) apud CARVALHO (2003, p.110),

O custo de geração de eletricidade neste setor desde 1976 tem sido reduzido por um fator de 10, isto ocorre se considerarmos um parque eólico de grande porte como os projetos que obtenham mais de cinco turbinas geradoras. Isto levaria a um custo médio nos valores do ano de 2002 de aproximadamente US$ 0,04/ kWh produzido e um custo estimado dos equipamentos da ordem de US$ 765,00 kW instalado. Como exemplo temos o modelo E-40/500 (500 kW cada) e o modelo atualizado E-40/600 (600 kW cada), ambos instalados no Ceará, cujo custo total por aerogerador seria de US$ 382.500,00 para o E-40/500 e US$ 459.000,00 para o E-40/600.

Os custos principais de um projeto são dois, de acordo com Gomes (2009, p.31), Os custos iniciais incluem os estudos de viabilidade, desenvolvimento, engenharia, equipamentos de energia renovável, balanço da planta... Os custos anuais incluem aluguel da terra, imposto sobre propriedade, seguro, manutenção das linhas de transmissão, peças e mão-de-obra, contingência, geral e administração.

Estudos realizados pela Secretária de Infraestrutura do Estado do Ceará, demonstrados no Atlas do Potencial Eólico do Ceará, comprovam que no Estado cearense, as torres que sustentam os aerogeradores, não precisam ter alturas equivalentes as que existem pelo mundo. Isso torna os investimentos mais rentáveis. “Aqui no estado estão entre 50 a 70, metros de altura, pois em muitos locais do mundo, que já possuem turbinas eólicas a altura mínima para que haja um bom retorno do investimento é de 90 metros ou mais.” (GOMES, 2009, p.36).

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