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5 PROPORTIONALITY IN THE SCENARIO CONTEXT

5.1 Preclusion of liability

5.1.2 The alternatives

Dada a associação das características de brincadeira de conceitos, o deleite na filosofia e a auto-propedêutica, o projeto para o qual foi propositadamente cogitado e que realiza é a construção de uma conjugação de modelos e observações acerca do uso de conceitos em filosofia, que possa nortear adições posteriores, que possibilite e coadune esforços mais específicos e de abordagens heurísticas caracterizadas de maneira completamente distinta. A sua estrutura geral seria a de um manual de instruções, que indica partes componentes, relações, associações tendenciais, maneiras de criar modelos particulares … apontamentos e indicações acerca da atividade da filosofia, que expanda o material utilizável, o que, nesta apresentação, a fim de ser o mais sucinta possível e atendendo às limitações de espaço, não foi possível realizar.

A designação de manual de conceitos reporta-se assim, não a um mero registo de adições de eventos e instâncias, mas à construção de conceitos e teses temporariamente assumidos, que podem depois ser ligados a outros conceitos e teses, precisando e complexificando os termos das suas relações – enfim, concretizando-os na figura de mecanismos e utensílios a utilizar, que nessa utilização aludem às vicissitudes ou benefícios associados ao serem utilizados, sugerindo elementos posteriores. Não apenas, contudo, detém a capacidade de “recombinatoriedade” dos seus elementos, como igualmente nunca esgota as suas tarefas, desígnios e construções: cada um surge não apenas como meio a usar, mas a ampliar, pelo que cada utilizador que se sujeite à mesma prontifica a sua recoleção, modificação e alteração.

Logo, é um manual de amplificação de disposições filosóficas – não é um projeto de adição de conceitos, elencar de termos ou da sua desconstrução, mas de precisão e amplificação de modos de criar conceitos e do que é e como criar o criar de conceitos, e assim adiante, rumo à sofisticação de meios. Ao admitir a ação alheia sobre o que é, capacita a sua evolução e modificação, A sujeição ao capricho do outro, a reunião de esforços ou mesmo uma mera aplicação pontual – foi feita como o meio do filósofo poder aprimorar e gerar, readequar o seu esforço e mentalidade e, assim, aperfeiçoar os seus propósitos.

O próprio modo de registo e organização destes elementos é digno de consideração – diversos tipos de meios teriam designações distintas, sendo o objetivo não apenas o

145 refinar de conceitos, mas uma faceta que serve como que necessariamente tal propósito, conseguir perceber o criado em si e face a demais. Por conseguinte, a precisão das caraterísticas dos modelos não pode ter como preocupação meramente a preservação do esforço que os gerou, mas igualmente a organização-função que desempenham ou que determinam. Este propósito não tem que cair numa obsessão taxonómica – basta dizer o seu uso mais claro que decorra do esforço, tal como um martelo pode ser usado para mais do que apenas martelar, mas certamente acarreta no seu desenho e tendência de uso e esforço normativo um maior favor ao martelar do que servir outro propósito. A organização pode até variar consoante o desejo pessoal de quem organiza o seu próprio registo heurístico.

A realização deste projeto não é senão a possibilidade de a filosofia constituir, se tal pretender, o seu esforço como pretende que ele seja, para que se possa rever naquilo que se quer tornar. Que consiga fazê-lo é inevitável – cabe-lhe é que seja ela a alcançar a conclusão e não apenas cair no ser ignorada face ao que realiza; a marca do seu determinar-se é-lhe inescapável. O que se questiona aqui é se a filosofia pretende encontrar o escopo da sua ação ou manter-se apenas na sua tradição e repetição, sofrendo o risco de ser mero escombro ou outra área abandonada, pelo menos nas suas pretensões, o que acaba por ser dizer o mesmo. Enquanto ignorada, ou enquanto ignorável, este processo será, mesmo assim, a marca do que a filosofia se tornará, possivelmente com exigência, honra e respeito pelo que é – e nada mais interessa.

Quanto ao projeto da heurística, nesta conclusão apercebemo-nos de que carece ainda da sua exposição plena, como foi sendo dito ao longo do trabalho; e que, no decurso da sua apresentação neste trabalho, fomos verificando como requer a concretização destas suas caraterísticas gerais num esforço que as apresente in loco, enquanto a prática que propriamente a carateriza. Logo, no final do trabalho apercebemo-nos de quais os seus propósitos; mas, ao mesmo tempo, tais propósitos estão ainda distantes de serem devidamente alcançados. A heurística geral tem, por fim, de se projetar enquanto esforço – aí ganhará o seu sentido genuíno (como toda a atividade filosófica).

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Bibliografia

a) Fenomenologia do Espírito

Hegel, Friedrich 1770-1831, Fenomenologia do espírito / G. W. F. Hegel; tradução de Paulo

Meneses, com a colaboração de Karl-Heinz Efken e José Nogueira Machado, Vozes, Petrópolis, 2002;

Hegel, Friedrich 1770-1831, Phénomenologie de l’esprit / G. W. Hegel, Gallimard, Paris,

1993;

Hegel, Friedrich 1770-1831, Phänomenologie des Geistes / Georg Wilhelm Friedrich Hegel,

Suhrkamp, Frankfurt am Main, 1973;

Hegel, Friedrich 1770-1831, Phenomenology of Spirit; translated by A.V. Miller; analysis of

the text and foreword by J.N. Findlay, Oxford University Press, Oxford, 1977.

b)Outras obras de Hegel centrais para o trabalho

Hegel, Friedrich 1770-1831, Enciclopédia das ciências filosóficas em epítome / Georg

Wilhelm Friedrich Hegel, Edições 70, Lisboa, 1988-1992;

Hegel, Friedrich 1770-1831, A razão na história: introdução à filosofia da história universal /

Georg Wilhelm Friedrich Hegel; tradução de Artur Morão, Edições 70, Lisboa, 1995.

c) Dicionário Crítico

Inwood, Michael, Dicionário Hegel / Michael Inwood, Zahar Editor, Rio de Janeiro, 1997.

d) Bibliografia secundária

Hartmann, Nicolai, A filosofia do idealismo alemão / Nicolai Hartmann; tradução de José

Gonçalves Belo, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 1983;

The Cambridge companion to Hegel / edited by Frederick C. Beiser, Cambridge University

Press, Cambridge, 1993;

Heidegger, Martin 1889-1976, La phenoménologie de l’esprit de Hegel / Martin Heidegger;

texte établi par Ingtraud Görland; tradução Emmanuel Martineau, Gallimard, Paris, 2001;

Hyppolite, Jean, Genèse et structure de la phénoménologie de l’esprit de Hegel / Jean

Hyppolite, Aubier, Paris, 1963;

Hyppolite, Jean, Logique et existence: essai sur la logique de Hegel / Jean Hyppolite, Presses

Universitaires de France, Paris, 1961;

Chiereghin, Franco, Introdução à leitura de fenomenologia do espírito de Hegel / Franco

Chiereghin; tradução de Abílio Queirós, Edições 70, Lisboa, 1998;

Houlgate, Stephen, The Hegel reader / ed. by Stephen Houlgate, Blackwell, Oxford, 1998;

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Hegel, Friedrich, Prefácios / G. W. F. Hegel; tradução, introdução e notas de Manuel J. Carmo

Ferreira, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Lisboa, 1989;

Châtelet, François 1925-1985, O pensamento de Hegel / François Châtelet; tradução Lemos de