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4 THE SCENARIO

4.2 The dispute

Esta foi a conclusão do processo aqui encetado acerca da descrição do processo hegeliano – mas pode ser motivo de interrogação se, nesta última passagem, não incorremos contra o modelo tensional ao fazer claros julgamentos acerca do estatuto do funcionamento hegeliano descrito. A resposta é simples: não, pois apenas reunimos as suas funções descritas; e porque, acabada essa síntese, já abandonámos o modelo tensional de interpretação – o que fizemos foi uma avaliação do seu produto decorrente da execução do seu uso. Ou seja: estamos a contemplar o modelo propriamente e as avaliações foram dadas foram da sua execução, pois já não é o seu uso que nos preocupa, mas avaliarmos a sua utilidade. Após a nossa conceção do produto e do nosso esforço ser esclarecido, o caminho traçado e a apresentação da abordagem heurística geral tornam-se um passo consequente do que fomos realizando.

92 O modelo tensional foi exposto na associação dessas caraterísticas ao seu uso- funcionamento, e estas não são dados como se fossem meras aplicações neutras (pois alguém as executa e realiza), mas são tomados na constituição particular desta instância em causa. Face à necessidade de precisar esta particular aplicação e atenção ao seu funcionar, temos que precisamente caracterizar o nosso caso de uso, para que tais recursos consigam ser precisados o melhor possível. Ora, as determinações centrais ao modelo, face à sua específica aplicação, são:

1.A tensão como fator de manipulação de uso próprio ao modelo – Neste modelo, a tensão face ao seu propósito de interpretação serve como o uso primário para lidar com os fatores de determinação e problematização do recurso ao próprio modelo. Tendo em conta que o interpretado é adequado no contexto do próprio modelo (para evitar, por recurso a essa tese de contexto, que a interpretação e o interpretado não sejam ambos tomados em conta como faceta da prática e utilização de recursos em causa), o conceito de tensão lida com a necessidade de ambas se irem constituindo por responsividade comum das suas facetas, ou seja, em que ambos são encarados como estabelecendo um nexo de relações, em que o uso da tensão comunica a aparente oponência ou determinação relacional que precisa as dificuldades em causa. Assim sendo, a manipulação de recursos é uma característica altamente controlada e limitada na utilização do modelo, sendo que é completamente deposta face à identificação de uso de meios e tensão; e a tensão em questão é sempre um “como configurar” face à instância em causa. Enquanto caraterística própria à consideração e execução do modelo, esta sua capacidade e determinação é definível como a manipulação de fatores e o uso enquanto a ativação de um recurso tensional que regra e motiva todo o esforço que neste é efetuado;

2.A interpretação como posicionamento tensional – A utilização do recurso da tensão identificar-se com o limite do funcionamento do modelo e dessa utilização proceder a interpretação que constitui o seu fim próprio permite descrever o que constitui o seu interpretar como o posicionamento dessa tensão que observa, utiliza e descreve. Logo, o interpretar corresponde a como modificamos e tomamos em consideração a assunção dessa modificação face ao objeto que implementámos como dimensão de criação e manutenção dessa tensão; e é nessa responsividade que estabelecemos a sua utilização enquanto instrumento de construção filosófica que cria e considera fatores nessa tensão;

93 3.Interpretação-descrição – A interpretação em causa para a execução do modelo corresponde a este interpretar dar-se enquanto descrição do que deriva da utilização e execução de recursos – ou seja, o interpretado não é assumido como um algo dado no modelo, mas algo produtivamente gerado por este na sua execução. Esse produto é a descrição-construtiva, pela qual maximiza a sua otimização e criação de conceitos e termos relativos à sua execução. A interpretação, ou o propósito próprio da execução do modelo, admite plenamente a sua intromissão positiva sobre o que interpreta, e esta assunção, face à tensão que acomete, é um recurso próprio do seu posicionamento. A descrição e a interpretação são, então, duas dimensões de manutenção e modificação da tensão enquanto recurso, ou os componentes imediatos sobre os quais exerce a sua natureza de ferramenta, mas nos quais igualmente ganha a sua possibilidade de configuração e utilização: pois estas delineiam também a limitação e determinação constituinte do recurso operado face ao que é enquanto modelo. A descrição incorpora todas estas facetas na sua execução como um jogo de forças, em que vai descrevendo a maneira de organização particular em causa, e apropria este seu contexto inescapável para a manipulação de instâncias e recursos, criando, nessas descrições, tanto uma interpretação sobre o algo considerado como, pela descrição, caraterísticas isoláveis dessa operação e funcionamento. A interpretação é concebida como prescrição e detalhar de funcionamento face ao que, no interpretar, decorre em descrição.

4.O funcionamento face ao modelo – O encapsular do interpretado-descrito como característica isolável com dada aplicação particular corresponde à definição de funcionamento para o modelo e constitui a natureza própria do seu fim interpretativo. A caraterização exposta constitui essa execução tal como dada no modelo e segundo igualmente a constrição deste – estes são os elementos separáveis e caracterizáveis em que tal funcionamento foi exposto e uma imagem geral da associação desses elementos constitui a precisão de como a tese hegeliana se dá face a esta abordagem. Todavia, essa associação foi também dada segundo os parâmetros do modelo, ou seja, nos limites próprios da sua aceção de uso e manipulação de partes – esta deriva a sua coerência e força construtiva precisamente de ter tais determinações destacadas e imbuídas na tessitura do que gerou e no próprio gerar dado. Assim, o propósito final da sua execução é caraterizável como funcionamento relativo à sua própria construção – e nisto

94 distingue-se da heurística geral, pois esta pode conferir a regra do funcionamento na sua observação, ou o funcionamento enquanto funcionamento;

5.O critério da instância particular – Embora a verificação e modificação da tensionalidade como uso seja a determinação própria da execução do modelo, após o seu produto construído ser observável e constituído de dada maneira, o modelo tensional detém o critério de justificação do que gera na mentalidade de que o seu instanciar e manipulação constituem um caso e instância particular. Ou seja: apenas no isolamento do produto e na assunção da validade deste produto como constrangido por completo pela sua consideração e aplicação particular dá-se a sua justificação – mas apenas nessa isolada construção como momento particular de construção. Note-se que não referimos a instanciação como caso desse modelo, mas sim aplicação desse modelo: o produzido não lhe é relativo como uma verificação qualquer desse modelo, mas um usar dado e de dada maneira em que a justificação prender-se com esse dar singular cinge a sua validade de uso e do produzido nesse uso como utilização específica. Quem quiser referir este momento construtivo como prova da verdade e validade do modelo incorre contra este critério, que determina que tal validade e verdade são subalternizadas pela instanciação em recursos e meios para o favorecer de esforços mais concertados e detalhados neste campo. O modelo não garante a validade do produto – apenas capacita o produto como recurso para algo.

Face a esta apresentação, o modelo delineado pode, então, ser apropriado pela heurística geral para a execução das suas próprias pretensões – e posicionar-se criticamente face às assunções pelo uso enquanto uso e a prática enquanto prática, e assim esgotar em que sentido a constrição do modelo modifica a possibilidade de consideração do seu processo e esforço. Certos preceitos que o modelo enquanto tal nunca poderia considerar, como em que medida a sua abordagem é questionável e modificável quanto à sua própria construção, estão-lhe vedados precisamente porque, na sua criação, a heurística geral debilitou-o propositadamente nestas. Todavia, não podemos realizar esse esforço neste trabalho, por duas razões: em primeiro lugar, pois para compreender sequer em que medida a execução da heurística geral se dá, há que apresentar o seu esforço de construção dos seus preceitos e assunções de projeto. Para realizarmos essa preparação, a heurística geral tem que destruir completamente a sua própria execução de uso enquanto uso, para poder repor a sua consideração e o seu próprio contexto na

95 prática enquanto tal – este projeto será executado após este trabalho, e não pode nele ser integrado, devido à sua expansividade e ao fator do tempo face a esse próprio executar. Em segundo lugar, antes de executarmos o projeto da heurística geral, há que precisar em que consiste tal ambição na sua generalidade – e para tal, executámos um modelo tensional que, na sua execução, apresenta facetas dessa abordagem, e abre-nos o caminho à sua apresentação, face às limitações do próprio modelo, enquanto ao mesmo tempo realizando a descrição-interpretação-funcionamento de teses hegelianas. Face ao modelo, e assumindo apenas as características vagas da heurística geral, o modelo é-lhe, comparativamente, carregado de lacunas quanto a assunções práticas consideráveis na sua execução – por exemplo:

1.A tensão enquanto uso capacita a interpretação enquanto recurso construtivo, mas a sua execução compromete o sentido de interpretação literal, genuína e autêntica do algo considerado – se tal consideração é devida ou uma pretensão realizável, contudo, pode ser considerada na heurística geral, e o modelo tal como aqui delineado utilizado como fator de análise de procedimento;

2.A ausência na sua capacidade da compreensão e expansão do uso enquanto uso impossibilita o modelo de execução heurística plena;

3.A sua aplicação tensional possibilita a integração de mais do que um algo a considerar, mas torna essa mesma aplicação mais e mais desvirtuada face à tensão assumida;

4.A inespecificação dos termos do seu interpretar maximiza o seu propósito descritivo, mas secundariza o algo e a descrição em termos de igualdade de relação – ou seja, o seu contexto não pode ser assumido em termos de construção.

Contudo, foi graças à sua execução que percebemos melhor, após introdução, conceitos fundamentais como uso, contexto, prática e projeto, e como se organizam em modelos – e na fundação e legitimação da heurística geral, mesmo estas lacunas são móbeis de construção e prática. Assim sendo, a conclusão do desenvolvimento do trabalho será a exposição da heurística geral enquanto projeto, que complementa a execução do modelo tensional através da precisão do seu lugar face a um projeto que motiva e organizou o tipo de esforço e interpretação realizado para tal propósito. Esta apresentação,

96 igualmente, esclarece a razão para a utilização desse modelo – pois dota-o do contexto próprio para a compreensão das suas lacunas e construção como facetas da prática e do uso consideráveis por si mesmos. A conclusão, então, adequa tudo o que realizamos até agora como caminho para a apresentação mínima da heurística geral e esta constitui o local próprio para o aqui executado revelar-se como, ele mesmo, utensílio prático.

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