4. MARC TEÒRIC
4.4. TEORIA DELS SISTEMES DE BROFENBRENNER
A vila de Fortalezinha é constituída por cerca de cento e vinte famílias, majoritariamente por moradores originários de Maracanã (57 famílias), segundo respostas das sessenta e uma entrevistadas. Contudo, acredita-se que estas pessoas preferiram mencionar a sede do município por não ter entendido local de origem como o local de nascimento. Os demais são dois de Marapanim, um de Belém e um de Fortalezinha.
Ao contrário de Algodoal, as famílias entrevistadas têm como responsável financeiro a mãe, representando trinta destas famílias, seguidos do marido (15 famílias), pais (10 famílias) e as demais ficaram entre: sem resposta, filho e pai e mãe, respectivamente. Percebe-se que apesar destas mães estarem mais ocupadas para prover o sustento destas famílias, ainda assim estão mais disponíveis para dialogar, especialmente quando o assunto é plantas medicinais, uma vez que a maioria das pessoas (52), que representaram as famílias nas entrevistas, é do gênero feminino. Diferente de Algodoal, o número de pessoas em Fortalezinha que compõe cada família é na maioria dois, seguido de três e quatro pessoas. As faixas etárias mais frequentes destes familiares são de dezenove a quarenta anos (28 famílias) e de quarenta e um a sessenta anos, frequência identificada em vinte e uma famílias.
Para as sessenta e uma famílias entrevistadas em Fotalezinha, a renda familiar predominante é de um salário mínimo, representando os ganhos de vinte e três famílias, seguido de renda abaixo de um salário mínimo (19 famílias) e de dois salários mínimos (12 famílias), as demais, respectivamente, giram entre sem renda e acima de dois salários mínimos. A grande maioria dos domicílios dispõe de energia elétrica (60), água encanada (59) e banheiro próprio (52), no entanto, nove das famílias entrevistadas não possui banheiro
próprio, uma não tem acesso à energia elétrica e duas não tem água encanada, de onde se pode concluir que na Fortalezinha também há desigualdades, em termos de acesso a serviços básicos, entre as famílias.
Das sessenta e uma famílias entrevistadas em Fortalezinha mais da metade (39 famílias) declarou não possuir casos de doenças crônicas, apesar de nove entrevistados acusarem hipertensão nas famílias, seguido de diabetes (07 famílias) e os demais não terem respondido. Os casos de gripe são os mais frequentes entre os moradores, respondendo por vinte e nove das famílias entrevistadas, em seguida eles alegam que são acometidos de febre com frequência (18 famílias), diarreia (11 famílias), dor de cabeça (08 famílias) e reumatismo (05 famílias). As demais estão distribuídas entre vários outros tipos de problemas de saúde, com menor ocorrência.
Quando perguntados sobre quem indica os medicamentos para o tratamento de suas doenças, cerca de metade dos entrevistados (31 famílias) responderam que é o médico, seguido de o enfermeiro (21 famílias), automedicação (06 famílias), o farmacêutico (02 famílias) e um não respondeu. Eles adquirem os medicamentos no posto de saúde (28 famílias) e na farmácia (28 famílias), na maioria dos casos. A maioria das famílias (40) adquire todos os medicamentos receitados pelo médico e vinte e quatro delas afirmam não adquirir todos os medicamentos.
Entre as justificativas de não aquisição dos medicamentos, as mais relevantes pelo número de respostas, é devido não serem disponibilizados no posto de saúde (17 famílias) e/ou por causa dos preços muito elevados (08 famílias). Quanto ao recebimento de orientação para a utilização dos medicamentos, a grande maioria (60 famílias) afirma que sim.
Considerando as famílias entrevistadas, os moradores de Fortalezinha, unanimemente, conhecem e utilizam remédios elaborados com plantas medicinais. Deste modo, sessenta e uma famílias admitem não apenas conhecer e utilizar, mas, também declaram acreditar na cura por meio das plantas medicinais. Justificam suas respostas com argumentos diversos, dos quais os mais relevantes são “efeito esperado” (09 famílias), “tem poder curativo” (04 famílias), “é natural” (03 famílias), “faz bem para a saúde” (03 famílias), entre muitas outras justificativas.
A comunidade de Fortalezinha tem preferência por remédios caseiros (42 famílias) e consolida sua preferência com afirmativas como: “é mais fácil de adquirir” (11 famílias), “tem efeito mais rápido” (10 famílias), “não tem química” (06 famílias), “é mais barato” (05 famílias), “é natural” (05 famílias), “porque cura/tem maior poder de cura” (04 famílias), etc.. Uma pequena parcela das famílias entrevistadas (08) prefere medicamentos da farmácia,
apresentando, geralmente, como justificativa: “o uso é mais fácil”, “o médico indica” e “maior eficácia”. Entretanto, há famílias (11) que preferem tanto os medicamentos quanto os remédios, alegando principalmente que “os dois curam” e “quando não pode comprar o de farmácia usa o caseiro”.
As famílias de Fortalezinha, em sua maioria (37 famílias), nunca tiveram indicação médica para fazer uso de plantas medicinais em tratamentos de saúde, enquanto vinte e seis já tiveram. A utilização mais frequente de plantas medicinais alcançou trinta e três famílias para a resposta “todos” e, em seguida, estão as faixas etárias de mais de sessenta anos (10 famílias), de quarenta e um a sessenta anos (09 famílias), de dez a quarenta anos (07 famílias), etc.. Quanto ao acesso a estes recursos, apenas uma família afirma não ter acesso, enquanto a afirmativa de acesso alcança quase a totalidade, o qual se dá, na maioria dos casos, por meio de plantar em seus quintais, pedir aos vizinhos, colhe do mato e compra de raizeiros, necessariamente nesta ordem.
Na preparação dos remédios, os moradores da vila de Fortalezinha usam os mais diversos métodos, que vão desde a coleta das partes dos vegetais a serem usadas, lavam bem e fazem xaropes, declaração de maior número (24 famílias). Os xaropes são preparações aquosas caracterizadas pela alta viscosidade e apresentam elevado teor de sacarose na sua composição. Em seguida, os métodos para elaboração de chás alcançam frequência de dezenove famílias, seguidos dos banhos citados por dezesseis famílias, estes últimos são elaborados e aplicados de várias formas: banho de assento, banho de cabeça e banho de tronco. Contudo, a lista de métodos de elaboração de remédios pelos comunitários de Fortalezinha é muito ampla, cerca de dezoito técnicas citadas, sendo utilizadas de acordo com a necessidade.
Plantas medicinais são encontradas com facilidade na APA porque são cultivadas nos quintais, segundo declarações mais frequentes (18 famílias), e porque é mais fácil de obter (11 famílias). A frequência de uso das plantas medicinais, pelos moradores de Fortalezinha, se dá de acordo com a necessidade. A afirmação de usar pouco estes recursos alcançou respostas de trinta e duas famílias, seguido de “sempre” (17 famílias), “quando alguém adoece” (07 famílias), entre outras respostas. As plantas medicinais são consideradas muito importantes para a subsistência das famílias (157), que sustentam esta afirmativa com os mais diferentes argumentos dentre os quais o mais citado (16 famílias) é “porque cura”.
O saber e o fazer, responsáveis pela identificação, manejo e processamento das plantas medicinais, se deram por meio do repassar destes conhecimentos através das gerações, especialmente pelas mães, declaração feita na maioria das respostas (20 famílias), pelos avós
(16 famílias), por pessoas mais idosas (14 famílias), entre outras. Para que estes recursos naturais se mantenham disponíveis na natureza, as famílias de Fortalezinha assumem medidas de preservação das espécies (50 famílias) que vão desde o replantio, passando por cuidados como adubar e regar.
Perguntadas sobre se gostariam de participar de treinamentos/capacitações sobre plantas medicinais, quarenta e sete famílias das entrevistadas responderam que sim, bem como, cinquenta e duas manifestaram o desejo de participar da construção de um laboratório/oficina etnofarmacêutico(a) na APA Algodoal-Maiandeua. Assim sendo, preferem se vincular a uma associação ou cooperativa já existente, manifestação feita por trinta e nove das famílias entrevistadas. Em oposição a esta afirmativa, treze famílias preferem se vincular a uma a ser formada especificamente pra tal e as demais famílias não opinaram.