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4. MARC TEÒRIC

4.2. LLENGUA CATALANA

Desenhar um perfil social da vila de Algodoal para este contexto significa dizer que, pelas observações participantes, corroboradas pelos dados obtidos em entrevistas com cento e sessenta e seis famílias, das trezentas e trinta, aproximadamente, que constituem a comunidade, as respostas e interações vivenciadas direcionaram esta pesquisa o mais próximo possível da realidade/atualidade local, especialmente considerando que cento e cinco dos entrevistados são originários do lugar.

Expressiva parcela das famílias entrevistadas tem como responsável financeiro o pai, representando oitenta destas famílias, seguidos da mãe, as quais são responsáveis pelo sustento de sessenta e duas das famílias. Ademais, nota-se que as mulheres estão mais disponíveis para uma conversa, principalmente quando se trata de plantas medicinais, pois do total de entrevistados a maioria (112) é do gênero feminino. O número de pessoas que compõe cada família é na maioria três, seguido de quatro pessoas na família. A faixa etária mais frequente destes familiares é de dezenove a quarenta anos, frequência identificada em noventa e três famílias.

Para as cento e sessenta e seis famílias entrevistadas, a renda familiar predominante é de menos de um salário mínimo, representando os ganhos de oitenta e seis famílias. A grande

maioria dos domicílios dispõe de energia elétrica (162), água encanada (141) e banheiro próprio (144) que, contudo, não são características comuns à todas as famílias entrevistadas e, por conseguinte, não alcança unanimidade em Algodoal.

Em Algodoal mais da metade dos entrevistados (87) alega não possuir casos de doenças crônicas, apesar de trinta e quatro deles não ter respondido por não saber, seguido de vinte e nove que acusam hipertensão nas famílias e diabetes (19 famílias). Os casos de gripe são muito frequentes entre os moradores de Algodoal, respondendo por cento e quatro das famílias entrevistadas, em seguida eles alegam que são acometidos de febre com frequência (59 famílias), o que, entretanto, é um sintoma. Das três doenças que os moradores de Algodoal mais são acometidos, a terceira mais citada foi dor na cabeça.

Quando perguntados sobre quem indica os medicamentos para o tratamento de suas doenças, cerca de metade dos entrevistados (82) responderam que é o enfermeiro, seguido de médico (64) e automedicação (17). Eles adquirem os medicamentos, na maioria dos casos (107 famílias), no posto de saúde, seguido da opção na farmácia, para a qual oitenta e três famílias opinaram, ressaltando, contudo, que trinta e três destas famílias adquirem em ambos os locais. Grande parte das famílias (94) sempre adquire todos os medicamentos receitados pelo médico e sessenta e nove delas afirmam não adquirir todos os medicamentos.

Entre as justificativas de não aquisição dos medicamentos, as mais relevantes pelo número de respostas, é devido a não encontrá-los no posto de saúde (41 famílias) e/ou por causa dos preços muito elevados (25 famílias). Quanto ao recebimento de orientação para a utilização dos medicamentos, a grande maioria (154 famílias) sustenta que sim, enquanto apenas dez das famílias entrevistadas diz que não.

Os moradores de Algodoal, considerando as famílias entrevistadas, em geral conhecem e utilizam remédios elaborados com plantas medicinais. Neste aspecto, cento e cinquenta famílias admitem que sim e um número ainda maior (164 famílias) declara acreditar na cura por meio das plantas medicinais, justificando suas respostas com argumentos diversos, dos quais os mais relevantes são “porque cura” (60 famílias), “já foi curado” (14 famílias), “faz bem para a saúde” (12 famílias), “resultado mais rápido” (08 famílias), “os pais usavam” (07 famílias), “é natural” (07 famílias), “vem dos antigos” (05 famílias), entre tantas outras justificativas.

A preferência desta comunidade é por remédios caseiros (121 famílias), que consolida sua preferência com justificativas como: “é melhor” (17 famílias), “é natural” (13 famílias), “faz bem para a saúde” (12 famílias), “porque cura/tem maior poder de cura” (12 famílias), “não tem efeito colateral” (11 famílias), “efeito mais rápido” (11 famílias), “mais fácil de

adquirir” (07 famílias), “é mais eficaz” (07 famílias), “é mais saudável” (05 famílias), “usa desde criança/pais ensinaram” (04 famílias), etc.. Uma pequena parcela das famílias entrevistadas (28) prefere medicamentos da farmácia, apresentando como justificativa, geralmente, porque “o uso é mais fácil”. Entretanto, há famílias (20) que preferem os dois tipos, medicamentos e remédios, alegando principalmente que “quando um não faz efeito o outro faz” (07 famílias).

A maioria das famílias algodoalenses (117) nunca teve indicação médica para fazer uso de plantas medicinais no tratamento de algum adoecimento, enquanto quarenta e seis já tiveram. A utilização mais frequente de plantas medicinais, pelas pessoas destas famílias, está nas faixas etárias de dez a quarenta anos (54 famílias), de quarenta e um a sessenta anos (44 famílias), de menos de dez anos (41 famílias) e de mais de sessenta anos (25 famílias). Ter acesso a estes recursos alcança quase a totalidade (161 famílias), o qual se dá, na maioria dos casos, por meio de pedir aos vizinhos e plantar em seus quintais, respectivamente.

Para preparar os remédios, os moradores da vila de Algodoal usam os mais diversos métodos, que passam pela coleta das partes dos vegetais a ser utilizadas, lavam bem e fazem chás, declaração de maior número (23 famílias). Estes chás são elaborados de várias formas: por decocção, infusão, maceração, etc.. Outra forma bem comum de preparo é processando o vegetal no liquidificador (21 famílias), bem como, batido com mel de abelhas (08 famílias). Todavia, a lista de métodos de preparo é muito ampla, em torno de vinte maneiras citadas, dependendo da necessidade e da parte do vegetal que será utilizada. Estes recursos naturais são encontrados com facilidade porque são cultivados nos quintais, segundo declarações mais frequentes (103 famílias) e porque são encontrados na natureza (35 famílias).

A frequência de uso das plantas medicinais, pelos moradores de Algodoal, se dá de acordo com a necessidade. A afirmação de usar estes recursos “quando alguém adoece” alcançou resposta de cinquenta e uma famílias, seguido de “de vez em quando” (36 famílias), “pouca” (29 famílias), “sempre” (26 famílias), “todos os dias” (09 famílias), “raramente” (08 famílias), entre outras respostas. O grau de importância das plantas medicinais para a subsistência desta comunidade é considerado muito elevado ou muito importante pelas famílias (157), que suportam esta afirmativa com os mais diversos argumentos que variam entre “é natural”, “bom para a saúde”, “tem poder de cura”, apenas para evidenciar os mais citados.

O aprendizado para a identificação, manejo e processamento das plantas medicinais, pelas famílias de Algodoal, se deu por meio do repassar destes conhecimentos, principalmente pelas mães, declaração que atingiu maioria das respostas (79 famílias), pelos avós (22

famílias), por pessoas mais idosas (17 famílias), etc.. Para que estes recursos naturais se mantenham disponíveis na natureza, as famílias de Algodoal adotam medidas de preservação (104 famílias) que vão desde o replantio, passando por cuidados como regar e adubar, bem como, fazer mudas, não arrancar a raiz e não cortar as árvores.

Quando perguntados se gostariam de participar de treinamentos/capacitações sobre plantas medicinais, cento e quarenta e quatro famílias responderam que sim, assim como, cento e quarenta e duas famílias manifestaram o anseio de construir um laboratório/oficina etnofarmacêutico(a) na APA Algodoal-Maiandeua. Para tanto, preferem se vincular a uma associação ou cooperativa já existente, manifestação esta de setenta e uma das famílias entrevistadas em contraste com sessenta e duas que preferem se vincular a uma específica, a ser formada, e as demais famílias não opinaram.