• No results found

RESULTATS DELS FORMULARIS I LA TAULA D’OBSERVACIÓ

Mocoóca é um pequeno vilarejo formado por uma comunidade de, aproximadamente, trinta e cinco famílias, das quais foram entrevistadas dezoito e a maioria delas (12 famílias) declara que seu local de origem é Maracanã. Acredita-se, entretanto, que estas pessoas mencionaram a sede do município por não ter compreendido “local de origem” como o local de nascimento. Os demais são de Timboteua-Novo, Primavera, Belém e Duque Barcelar (Maranhão).

As famílias entrevistadas têm como responsável financeiro o pai, como afirmado por dez destas famílias, seguido da mãe (06 famílias) e um que não respondeu. Nota-se que as mulheres estão mais disponíveis para dialogar, em especial quando o tema é plantas medicinais, já que a maioria das pessoas (15), que representaram as famílias nas entrevistas é do gênero feminino. O número de pessoas que compõe cada família em Mocoóca é na maioria três e quatro, seguidos de dois, cinco e sete pessoas. As faixas etárias destes familiares são de dezenove a quarenta anos (12 famílias), a mais frequente, e o restante de quarenta e um a sessenta anos (10 famílias), de zero a doze anos (10 famílias), de treze a dezoito anos (07 famílias) e com mais de sessenta anos foi a faixa menos apontada, identificada em cinco famílias.

As dezoito famílias entrevistadas em Mocoóca possuem renda familiar predominante abaixo de um salário mínimo, o que representa os ganhos de dez das famílias, seguido de rendas de dois salários mínimos (04 famílias) e de um salário mínimo (03 famílias). Todos os domicílios dispõem de energia elétrica, água encanada e banheiro próprio.

Mais da metade (11 famílias) das dezessete famílias entrevistadas na comunidade de Mocoóca alega não possuir casos de doenças crônicas, seguido de quatro que acusam hipertensão nas famílias, um caso de diabetes, um de deficiência mental e uma família não respondeu. Em geral, as famílias são acometidas de gripe, opção que alcançou treze respostas, apesar da maioria (16 famílias) ter declarado que febre é a doença que mais afeta os comunitários. Sabe-se, entretanto, que a febre é um sintoma. Em seguida, eles alegam que são acometidos de diarreia com frequência (11 famílias).

A maioria dos entrevistados (09 famílias) respondeu que é o enfermeiro quem indica os medicamentos para o tratamento de suas doenças, seguido de enfermeiro (05 famílias) e os próprios entrevistados (03 famílias), com remédios caseiros. Adquirem os medicamentos, na maioria dos casos (10 famílias) na farmácia, seguido da opção no posto de saúde (05 famílias). Mais da metade das famílias (09) não adquire todos os medicamentos receitados pelo médico e oito delas afirmam adquirir todos os medicamentos. Suportam suas respostas de não aquisição dos medicamentos, principalmente, pelo fato de não encontrarem todos os medicamentos no posto de saúde local (06 famílias) e devido aos preços serem muito elevados (05 famílias). Quanto ao recebimento de orientação para a utilização dos medicamentos, todos os entrevistados sustentam que sim.

A grande maioria dos moradores de Mocoóca (16 famílias), considerando as famílias entrevistadas, conhece e utiliza remédios elaborados a partir de plantas medicinais e apenas uma família declarou que apesar de conhecer, não utiliza. A unanimidade (17 famílias) se fez evidente quando perguntadas se acreditam na cura por meio das plantas medicinais, justificando suas respostas com argumentos diversos, dos quais os mais relevantes são “efeito esperado” (07 famílias), “resultado positivo” (03 famílias), “resultado mais rápido” (02 famílias), “já foi curado” (02 famílias), entre outras justificativas.

A preferência desta comunidade é por remédios caseiros (11 famílias), que consolida sua preferência com justificativas como: “é mais barato” (07 famílias), “efeito mais rápido” (03 famílias), “é mais fácil de adquirir” (02 famílias), “é mais eficaz” (02 famílias), entre outras. As demais famílias entrevistadas (06) preferem medicamentos da farmácia, apresentando como justificativa, geralmente, “maior eficácia”.

A maioria das famílias de Mocoóca (12) nunca teve indicação médica para fazer uso de plantas medicinais no tratamento dos seus processos de adoecimento, enquanto cinco famílias já tiveram. A utilização de plantas medicinais é praticada por todas as pessoas destas famílias, resposta que englobou nove famílias. Depois segue nas faixas etárias de quarenta e um a sessenta anos (04 famílias), de menos de dez anos (04 famílias) e de mais de sessenta

anos (03 famílias) e apenas uma família na faixa de dez a quarenta anos. Ter acesso a estes recursos alcança a totalidade das famílias entrevistadas, o qual se dá, na maioria dos casos (12 famílias), por meio de plantar em seus quintais.

Os moradores da comunidade de Mocoóca usam as mais diversas técnicas e métodos para elaborar os remédios a partir das plantas medicinais. Estas técnicas passam pela coleta das partes dos vegetais a serem utilizadas, geralmente folhas (17 citações), raízes (12 citações) e cascas (10 citações), e processam com raspagens, extração de leite, etc. Contudo, a lista de métodos de preparo é mais ampla e o uso da técnica depende da necessidade e da parte do vegetal que será utilizada. Estes recursos naturais são encontrados com facilidade na ilha de Maiandeua porque são cultivados nos quintais, segundo declarações de todos os entrevistados, e porque são encontrados na natureza, parecer de nove famílias.

A frequência de uso das plantas medicinais no vilarejo de Mocoóca se dá de acordo com a necessidade. A resposta de usar estes recursos com pouca frequência obteve afirmativa de todas as famílias entrevistadas, sendo que dezesseis justificaram suas respostas declarando que dificilmente adoecem e duas famílias que afirmam usar mais o medicamento da farmácia. Quanto ao grau de importância das plantas medicinais para a subsistência desta comunidade, a maioria das famílias entrevistadas (15famílias) considera muito importante e suporta esta afirmativa com os mais diversos argumentos, dos quais os mais representativos são: “é mais barato” (12 famílias) e “pode gerar renda” (10 famílias). Apenas uma família considera pouco importante, porque não as usa com frequência.

A identificação, manejo e processamento das plantas medicinais, pelas famílias entrevistadas em Mocoóca, se deram por meio da transmissão de conhecimentos entre gerações, principalmente por meio de pessoas mais idosas da comunidade, declaração que reuniu ampla parcela das respostas (08 famílias) e pelas mães (05 famílias). As famílias de Mocoóca adotam medidas de preservação das espécies (14 famílias), principalmente através do replantio de mudas das espécies medicinais (13 famílias), para que estes recursos naturais se mantenham disponíveis na natureza.

A respeito da indagação sobre se gostariam de participar de treinamentos/capacitações sobre plantas medicinais, todas as famílias entrevistadas responderam que sim, assim como, igualmente manifestaram o anseio de construir um laboratório/oficina etnofarmacêutico(a) na APA Algodoal-Maiandeua. Para isto, preferem se vincular a uma associação ou cooperativa exclusivamente constituída para tal, manifestação esta de quinze famílias, em contraste com a opinião de duas que preferem se vincular a uma já existente, o Grupo Ecológico de Fortalezinha (GAF).