No primeiro dia de estágio, a editora pediu-me que escrevesse uma notícia do género das que estava habituada a fazer na imprensa online. A partir de um conteúdo vindo da
Agência Lusa
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escrevi um texto e publiquei-o juntamente com uma fotografia. Neste primeiro contacto com o
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questionei-me sobre a utilização deste formato de apresentação das notícias – exibidas ao público apenas com texto e uma imagem - uma vez que o canal se apresentava como sendo de vídeo. No entanto, associei a opção da jornalista Ana Isabel Pereira ao facto de ser o meu primeiro trabalho na redação. E, de facto, esta foi a única vez em que produzi conteúdos desta tipologia. Logo no primeiro dia, foi-me feito outro pedido: pesquisar sobre uma exposição intitulada "100 Dollar Bills Y'All", a fim de agendar uma reportagem no local da exposição. Fiquei surpreendida, contente até, mas ao mesmo tempo com medo deste desafio. Isto porque, por mais que tivesse feito um trabalho de pesquisa sobre o género de conteúdos pretendidos noV
antes de iniciar o estágio, sentia falta de uma explicação sobre as minhas funções. O meu trabalho autónomo permitiu perceber o que os meus colegas costumavam fazer, tal como explanado anteriormente. Parti do conhecimento que me foi transmitido durante o meu percurso académico, no que concerne às etapas de produção de uma narrativa. Levei a cabo uma pesquisa online sobre a marca organizadora da exposição e percebi o que ia encontrar no local. Depois, contactei a minha fonte de informação, sendo que a mesma me explicou que poderia falar, quer com ela, quer com o seu companheiro, também mentor do projeto. Após saber quem seriam os meus entrevistados, decidi delinear as perguntas que fariam parte da entrevista.Em todo o caso, existiam algumas questões que me deixavam inquieta: sabia que seria o meu primeiro contacto com a produção de vídeo. Mas, não sabia ao certo quais as etapas da produção audiovisual que regiam a atividade do
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. Foi-me apresentado o meu colega de trabalho, o editor de vídeo e câmara, César Sousa, um dos melhores profissionais e colegas com quem tive oportunidade de trabalhar. Embora já tivesse mais de 20 anos de experiência, percebeu que eu era estagiária, mas, nem por isso, me fez sentir como tal. Pelo contrário. Tomou a iniciativa de vir conversar comigo e explicar-me o que tinha em mente para o trabalho que tínhamos em mãos. Valorizei esta atitude, pois, embora saiba bem ser tratada como jornalista, o certo é que ainda não o era, sinal de que ainda tinha muito para aprender. Considero que o editor de vídeo foi dos poucos que agiu comigo como estagiária, ensinando-me muito daquilo que ele sabia. Os seus ensinamentos foram muito importantes para o meu percurso enquanto principiante. A sua vasta experiência fez com que me sentisse um pouco mais segura. No entanto, tentou colocar-me à prova, fazendo-me aparecer, logo no primeiro dia, num vivo. Foram os cinco segundos de pivô mais sofridos de toda a minha vida.34
Após a primeira experiência na produção de conteúdo híbrido para o online, os trabalhos seguintes não tardaram a aparecer. Um dia, depois dessa experiência, a editora considerou que eu e o César Sousa conseguíamos formar uma boa equipa. Por isso, a segunda reportagem voltou a ser com ele. Após um dia de pesquisa e contactos, fui até à sede de uma empresa de sabão que estava a celebrar o seu centenário: a Ach Brito. A experiência foi ainda mais complicada. A primeira dificuldade do trabalho teve a ver com a assessora de comunicação da empresa, que colocou vários entraves à execução da reportagem. Tinha planeado conversar não só com o bisneto dos fundadores da marca, como com dois funcionários: um dos mais antigos e outro dos mais recentes. Mas, a assessora disse-me redondamente que não, que os funcionários não tinham capacidade para falarem para as câmaras. A atitude soou a desprezo, o que me deixou incomodada. Sabia que tinha de esquecer essa atitude, para conseguir levar a cabo a minha tarefa: criar uma narrativa. Pedi-lhe para falar com alguém que estivesse envolvido na campanha do centenário, a fim de ter mais do que uma voz na peça. Mas, a resposta foi igualmente negativa. Eu e o meu colega decidimos optar por outro formato: eu, através de um vivo, explicar os produtos e dar a contextualização do centenário. Esta tarefa de aparecer à frente da câmara deixava-me insegura, mas, com a ajuda e palavras de confiança do meu colega de trabalho, consegui fazê-lo. Foi uma experiência incrível e que me fez pensar que tinha vindo para o local certo, para uma experiência que me tornaria mais polivalente, uma das exigências cada vez mais frequente na contratação de um profissional de trabalho (Canavilhas, 2003). Esse era o meu objetivo. Ainda assim, penso que a nossa insistência em levar um trabalho feito para a redação foi imensa. Sabíamos que este trabalho seria o vídeo original do
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no dia seguinte e, por isso, temíamos a não concretização da reportagem. Não concluir um dos meus primeiros trabalhos era uma frustração e poderia transmitir incapacidade de reagir ao imprevistos da profissão. Seria mais fácil desistir, mas não o fizemos. Embora tivesse sido a própria fonte a ditar o que deveríamos fazer – o que muito nos desagradou e deu vontade de ir embora –, o certo é que tentamos contornar as adversidades. O resultado final foi diferente do planeado, mas não se cingiu àquilo que a fonte queria. Não considero que tenha sido por autonomia minha, nem pela capacidade de improviso, mas antes do meu colega. Ele permitiu que não fôssemos “pés de microfone” perante o entrevistado, o que exigiu uma grande capacidade de improvisação, para que conseguíssemos material para um conteúdo informativo distinto dosWibbitz
que marcavam a maioria da produção. Penso que ser jornalista também é ter capacidade de contornar os “espinhos” que vão sendo colocados no processo de produção da informação e, para tal, também é necessário ter35
capacidade comunicativa e argumentativa, para conseguir levar o entrevistado para o caminho que convém ao jornalista.
O repórter César Sousa foi quem editou o vídeo, desde a escolha à montagem do vídeo. A minha tarefa, para além de todo o trabalho de preparação e implementação da entrevista, era apenas a de escolher as partes da mesma que queria utilizar na peça. O demais trabalho – que é muito – foi todo ele realizado pelo editor de vídeo. Isto provocou duas perguntas que me acompanharam quase até ao final do estágio: Qual o papel do jornalista dentro de um canal de vídeo? É no jornalista que assenta o papel primordial para o entendimento da informação e obtenção de audiências?