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Kunnskapsbasert tjenesteutvikling i NAV

In document FoU-plan for NAV (sider 25-30)

Devido ao alargamento do número de páginas dos jornais nacionais nas duas últimas décadas, a produtividade dos jornalistas aumentou, ao contrário do número de jornalistas nas redações, que tem vindo a diminuir. Em 2005, já se constatava tal facto, mas, nos últimos anos, o panorama não se alterou (Bastos, 2014; Fidalgo, 2005).

Num mercado jornalístico de pequenas dimensões, a quebra acentuada de receitas publicitárias e a perda de audiências, sobretudo na imprensa, faz com que alguns autores (Leal et al, 2013; Wolf & Hohlfeld, 2012) afirmem que o jornalismo está a atravessar um período de crise. Além da vertente económica, há também uma crise associada à forma como as notícias são atualmente construídas.

Muitos dos jornalistas que foram contratados para trabalhar no

V Digital

tinham experiência profissional em imprensa e rádio. Isto, porque, alguns deles tinham passado pela fase de emagrecimento das redações, por exemplo, do

Diário de Notícias

, aquando da sua passagem de jornal diário a semanário. Por consequência, verificou-se que os jornalistas estavam presos à linguagem que regeu a sua profissão durante vários anos. Por isso, sentiam dificuldades em se adaptarem à linguagem do

V Digital

, mais híbrida, onde a imagem assumia um papel dominante face às demais linguagens que compunham as peças.

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Cada jornalista deste órgão de comunicação social era o mote para a construção das narrativas, tal como fui mostrando a partir da minha experiência de estágio no ponto 1.4. Mas, o seu papel variava consoante o formato em se estava a produzir o conteúdo. No

V

, existiam dois géneros de produção que se mostravam predominantes, ou seja, conteúdos da

Lusa

(construídos apenas com texto e uma imagem) e conteúdos

Wibbitz

(vídeos produzidos pela plataforma informativa internacional).

A maioria das notícias produzidas, tanto por mim, como pelos meus colegas, partiu de conteúdos pré-fabricados de

Wibbitz.

Esta é uma agência de notícias online de produção noticiosa, com o qual o

V Digital

possui um contrato, de modo a ter acesso a esses conteúdos. Essa informação já pronta a ser utilizada está disponível em diferentes línguas: inglês, espanhol e francês. Os temas são vários, como, por exemplo, o estilo de vida, política e atualidade. O conteúdo

Wibbitz

necessita apenas de ser traduzido. Caso o jornalista queira alterar ou acrescentar informação, pode fazê-lo. Já possui fotografias e legendas dos vídeos, semelhante ao estilo de vídeo do

V Digital

. A plataforma permitia editar, no momento, os vídeos e transformá-los, quer no que concerne à informação (que pode ser modificada e completada), mas também no que respeita ao estilo do vídeo (como as fotografias usadas – já que o

Wibbitz

possui um banco de imagens – a música e tipo de letra). Verificou-se que uma grande das notícias publicadas por dia no

V Digital

era proveniente desta agência, como será mostrado no capítulo 4 deste trabalho com a investigação empírica e levantamento de dados sobre o assunto.

No entanto, na minha experiência de estágio verifiquei que, como esta plataforma já nos fazia chegar tudo pronto, várias fases de produção eram avançadas, nomeadamente a seleção de temas, a procura pelos factos da atualidade e, por vezes, até a averiguação dos dados noticiados. Muitas vezes, o jornalista limitava-se a traduzir o que chegava já pré-feiro pelo

Wibbitz

e publicava. No caso das notícias em que a fonte é a

Lusa,

o trabalho do jornalista assemelha-se ao dos outros meios de comunicação: selecionar a informação e apresentá-la, de forma o mais diferente possível dos outros meios de informação. Na criação de conteúdos para o canal

V Digital

a partir da

Lusa

, observava que se ultrapassa uma das fases de produção jornalística: a de recolha de informação, porque ela já chega recolhida ao jornalista. Da minha experiência, os jornalistas faziam alterações aos textos oriundos desta agência. Quando necessário, complementava-se a informação através da pesquisa autónoma do jornalista. Mas, a

Lusa

era utilizada principalmente para alimentar as redes, enquanto os jornalistas não entravam ao serviço. No horário das 8h00, apenas uma

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jornalista se encontrava a trabalhar. Essa era a principal utilizadora de conteúdos vindos da

Lusa.

Escolhiam os temas que mais se apropriavam ao

V Digital

e esses eram trabalhados. No entanto, estas notícias continham uma imagem alusiva aos factos e o respetivo texto. O formato de vídeo era esquecido até que a redação estivesse completa. Essa foi uma das mudanças implementadas mal entrou a nova direção. Os conteúdos que aliavam apenas duas linguagens – textual e visual – foram lentamente desaparecendo. “Isso é o que já todos os outros meios do grupo fazem, não é o nosso estilo e tem de deixar de existir”, salientou membro da direção.

No entanto, avanços tecnológicos aumentaram o nível de competição entre os órgãos de comunicação, que passaram a trabalhar a um ritmo de minuto-a-minuto do ciberespaço (Bastos, 2014). Esta conjuntura veio aumentar os constrangimentos dos jornalistas, visto que passaram a sentir necessidade de chegar o mais cedo possível aos locais, aumentar a velocidade de escrita, de modo a serem os primeiros a publicar conteúdos no ciberespaço, o que evidencia a competitividade entre os meios. Toda esta conjuntura levou à preponderância do trabalho realizado por agências e Relações Públicas (Lewis, Williams & Franklin, 2008). O tempo para a realização de um número acrescido de notícias é o mesmo, o que, consequentemente, tem aumentado o impacto e a dependência do trabalho dos

RP

e do trabalho de assessoria de imprensa, face aos jornalistas (Lewis et al, 2008). Todo este fenómeno parece adequar-se à realidade encontrada no

V Digital

. Basta observar que a maioria do trabalho por mim desenvolvido era oriundo de agências. Não se pode descurar os efeitos que esta produção noticiosa feita, na maioria, por conteúdos pré- fabricados poderá representar para a notoriedade da marca. Dahlgren, (citado em Leal, 2013, p.5), considera que alguns desses efeitos se prendem com o enfraquecimento e desmoralização pelos quais o jornalismo tem vindo a passar. E isso pode estar relacionado com a perceção dos leitores de que a maioria das notícias é praticamente igual em todos os meios, consequência da dependência para com as agências de notícias. A meu ver, o

V Digital

é um desses casos e, pela posição que a direção de Sérgio Sousa marcou, quando chegou à liderança do canal, corrobora a minha perceção de que, depender de agências e publicar notícias no site semelhantes às demais produzidas pelos outros meios de comunicação, afasta os leitores.

1.10. As notícias de agenda… que saltam da agenda

Mas havia um esforço para fazer conteúdos fora da agenda mediática, longe do trabalho pré- fabricado, e isso via-se nas reuniões de planeamento. Todas as sextas-feiras, os jornalistas eram chamados a reunir para darem as suas ideias. Essas constituíam a grelha de trabalho para as

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próximas semanas. Eram atribuídas aos jornalistas e delineada uma data de publicação. Tal facto dava, no meu ponto de vista, autonomia aos jornalistas, no que concerne àquilo que é produzido, aumentando, consequentemente, o seu nível de motivação. A mim fez-me ser ativa, procurar informação, estar atenta à atualidade e puxar pela criatividade para enquadrar os temas naquilo que eram os programas do canal, pois era destas reuniões de planeamento que saíam a maioria deles.

No entanto, verifiquei no decorrer do estágio que a maioria das reuniões de planeamento, das quais saíam imensas ideias, tinham também muitas supostas notícias que nunca chegavam a acontecer e outras publicadas depois do prazo, falhando o planeamento. Fui-me apercebendo que eram mais os prazos que não eram cumpridos do que aquelas notícias que, efetivamente, saíam na data prevista.

Com a entrada de uma direção para o canal, foi aumentando quer o número de notícias que não eram cumpridas, quer decrescendo o número de notícias publicadas por mês. Tais dados serão alvo de análise no quarto capítulo deste relatório, para uma posterior discussão sobre este assunto. Também eu falhei com as notícias do planeamento. Em causa estavam, muitas vezes, fatores alheios à redação. Por exemplo, nem sempre era possível agendar as entrevistas quando se queria. Também a minha falta de rapidez a montar a linha da reportagem, no início, fez atrasar algumas das minhas entregas. Em outros casos, o facto de ser verão e muitas das fontes estarem de férias, impossibilitava o contacto direto com a fonte na data idealizada. Ou seja, não se pode descurar que nem sempre os jornalistas conseguem controlar as datas das entrevistas.

A falta de cumprimento dos prazos estabelecidos provocava alguns constrangimentos. O

V Digital

tinha datas específicas para saírem certos programas, tais como o “Suplemento de Alma”. Numa das vezes em que esse programa me estava atribuído, surgiu um imprevisto e os entrevistados – que estavam em viagem – falharam a data planeada. Foram momentos de aflição, porque a editora disse-me que não tinha outro programa para substituir o meu, caso não conseguisse obter a entrevista. A pressão foi enorme, pois, sem entrevista não havia programa. Foi necessário passar o trabalho a outro colega que estava de serviço no fim-de-semana, para se conseguir cumprir com o planeamento. Embora este tenha sido um caso de sucesso, reflete a impotência dos jornalistas face a algumas destas situações.

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Porém, considero que, através do diálogo entre os colaboradores, algumas situações poderiam ser precavidas. Fui-me apercebendo do desejo, quer dos jornalistas, quer da direção e editores, em criar-se notícias intemporais que ficassem guardadas para utilizar-se sempre que imprevistos acontecessem. No entanto, até à data de conclusão de estágio, tal ideia não tinha sido implementada.

Tendo em conta que as notícias e reportagens do

V Digital

não privilegiavam o fator “atualidade”, penso que não haveria problema em não se cumprir escrupulosamente o planeamento. Mas o facto de haver, à data do estágio, reportagens com data de publicação fixa, fez-me considerar importante esse cumprimento. Não publicar um conteúdo significava quebrar um hábito do leitor que sabia que, à segunda-feira, por exemplo, havia “Suplemento de Alma”. Mas, para que isso não acontecesse, era comum verificar o

stress

da redação sempre que havia esses programas, pois, se alguma coisa falhasse, nada seria publicado. Essa falha de planeamento pode ser ainda mais grave, se atendermos ao facto de que o

V Digital

publicava um conteúdo original – isto é, longe do trabalho das agências de notícias. Isto porque a ausência dessa publicação significaria um dia inteiro dependente do trabalho “pré-fabricado”.

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