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Tema, analysemodell og problemstillinger

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1.2 Tema, analysemodell og problemstillinger

Antes de enfrentar novos argumentos e novas ampliações, ainda algumas observações a respeito de questões já tratadas. A precedente Visão parece comentário e reforço das palavras de A Grande Síntese, no cap. XLII ("Nosso Objetivo - A Nova Lei"): "Aí onde o mundo, com perspectivas cada vez mais desastrosas, se arma contra si mesmo, com instrumentos tão terríveis, em face dos modernos progressos científicos, que nova conflagração extinguirá na terra o homem e a civilização; aí onde o homem age desse modo, existe apenas esta possibilidade de defesa: o abandono de todas as armas. Mais tarde veremos como".

Neste livro vimos como. Não só neste, mas em qualquer campo de atividade humana, raciocinando objetivamente e, principalmente, observando os acontecimentos e descrevendo-os no que têm de essencial, sem apriorismo e sem outra referência senão a realidade intima das coisas, acabamos por chegar ao Evangelho. Quando atingimos a intimidade das coisas, a voz dos fenômenos coincide com a voz de Deus e surge a ordem universal que, num só sistema, os reúne a todos, desde a matéria até ao espírito. Vamos agora focar nossa atenção especialmente nesse sublime pensamento do Evangelho, de sabor sobre-humano e

que, provindo embora de fontes completamente diferentes e sendo produto resultante de outras elaborações, todavia coincide de maneira tão surpreendente com a ciência e a sociologia sadias atingidas por quem saiba ler no grande livro da vida. Essa coincidência constitui confirmação e prova. Essa ressonância mostra como o pensamento aqui desenvolvido se sintoniza com ritmo espiritual dos mais profundos da vida, para o qual converge o consenso da maior e mais adiantada parte da humanidade. Assim, a ciência e a fé coincidem, significando em substância a mesma coisa; a ciência interpreta a fé e a fé interpreta a ciência: assim se mostra, mesmo ao homem prático, o valor utilitário do Evangelho.

Nos capítulos anteriores, ao analisarmos o fenômeno econômico, vimos como pequena riqueza, sadia e robusta porque honesta e justa, pode, por força da duração e do rendimento, valer muito mais do que enorme riqueza, doente e fraca porque desonesta e injusta. Assim, a análise das forças motoras do fenômeno nos permitiu introduzir na economia esse fator moral, que normalmente é expulso dela, isto é, estender a economia política até à economia moral do Evangelho. Trata-se de economia muito mais vasta, de que passam a participar numerosos elementos vitais, a que doutro modo não se daria importância. Só assim podemos atingir a essência do fenômeno econômico, que é também psicológico, biológico e moral; analisando- lhe o dinamismo podemos atingir o novo conceito de higiene econômica, de patologia e profilaxia econômicas. Estudando o sistema de forças do fenômeno, podemos determinar-lhe a anatomia e, reduzindo-a à substância de seu íntimo dinamismo, podemos descobrir-lhe defeitos estruturais, de modo a mostrar-se, na realidade, péssimo o que nos parecia ótimo, porque nos revela a devastação interior que o sistema clássico de economia não sabe revelar-nos. Assim também neste campo chegamos ao Evangelho e descobrimos novo utilitarismo, mais sólido e menos ilusório, mais evoluído, socialmente mais harmônico e profícuo. Então, o homem se torna verdadeiramente senhor do dinamismo do fenômeno, pois adquire consciência de seu funcionamento. Chegamos desse modo a muito mais completa e substancial disciplina das relações em que reside a ciência do futuro, disciplina necessária porquanto a convivência constitui fato insubstituível e cada vez mais ponderável e necessário. Assim, a ordem social se fortifica, penetrando até mesmo nos motivos, transformando-se de edifício exterior formal em edifício interior substancial. Chegará o dia em que o furto, a desonestidade, o arrivismo serão tidos na conta de ingenuidade de involuídos obtusos, que não compreenderam ainda a impossibilidade de algo verdadeiramente honesto nascer de fontes assim turvadas pelo mal, força destruidora por excelência.

O dia em que se compreender o Evangelho, se compreenderá também que o amor do próximo não constitui utopia ou sentimentalismo, mas é sólida e prática lei de vida, o modo mais lógico e utilitário relações humanas. É natural que, semeando desordem, apenas se possa colher desordem e para obtermos justiça tenhamos necessidade de ser justos.

São estas as descobertas que mais nos interessam fazer, porquanto são as mais certas, e, disciplinando organicamente a atividade humana, nos permite extrair- lhes rendimento imensamente maior. Representam a conquista de novos valores, mais preciosos para o homem que novas descobertas científicas, que nas mãos de inconscientes podem significar destruição, enquanto as descobertas morais significam construção de consciência. O espírito é o verdadeiro sal das coisas e representa princípio diretivo capaz de centuplicar o rendimento dos atuais meios humanos. Antes de por meio da ciência conquistar novos meios, importa é conquistar a sabedoria que nos ensine a empregar os já existentes. A ciência pode transformar a terra em inferno. Só a sabedoria pode transformá-la em paraíso. Quando o homem houver compreendido a economia da natureza e conquistado o senso da Divina Providência, então substituirá o terror da necessidade, a violência

da conquista, a incerteza do dia de amanhã, e o aniquilamento de nosso próximo por um sistema de fé, paz, segurança e ajuda fraterna. A ciência não é capaz de consegui-lo. Quando o homem chegar a compreender que sofrimento significa conquista e a morte, ressurreição, então se tornará invulnerável. São estas as descobertas mais úteis, aí está o verdadeiro utilitarismo. A compreensão destas verdades, embora parceladamente, permite ao indivíduo evoluído refugiar-se, mesmo nos dias de hoje, na inviolável autarquia do espírito.

Em nosso século mecânico crêem que número signifique verdade e a maioria possa e saiba elaborar a lei. Cremos hoje que na vida se torne possível o agnosticismo, isto é, uma espécie de neutralidade espiritual, absenteísmo nas diretri- zes. Assim, creram resolver o que não sabiam, acreditaram na possibilidade de fugirmos dos grandes problemas do ser. Desse modo, a imparcialidade se tornou ambigüidade e a amoralidade se transformou em imoralidade. Mas o agnosticismo significa não entender e não resolver nada, significa mentir a si mesmo. Não podemos viver sem ação e não podemos agir sem determinada orientação pessoal. Apenas em teoria agnosticismo pode significar imparcialidade. Na prática significa obediência aos próprios instintos. A vida está toda inteira em suas posições. É impossível permanecer neutro na luta entre o bem e o mal, não podemos deixar de atingir determinado grau de evolução, de existir sob forma definida. Em todo ato, em todo campo o espírito penetra e torna-se impossível não assumir uma posição moral qualquer.

A transformação biológica que conduz à nova civilização encontra sua lei no Evangelho; o evoluído é apenas o sábio que o aplica. Procuremos observar, ainda, de novos pontos de vista e sob diversos aspectos, essa revolução biológica que leva do atual mundo humano a futuro mundo super-humano. A este podemos chamar nova civilização, nova ordem ou, então, reino de Deus, aquele de que há dois mil anos o Evangelho nos fez a profecia e nos assinalou o inicio. O fenômeno enxertou- se na História e foi percebido pelo pensamento das sumidades. É nuclear em nossa vida. Assim, A Grande Síntese não é somente, como dissemos, o plano regulador de nova civilização, mas também comentário ao Evangelho, que há muito tempo lhe lançou as bases. De resto, a verdade é uma só. Compreende-se, por isso, que quanto mais profundas são as verdades humanas tanto mais se afastam da periferia do relativo, mais se aproximam do centro do absoluto e mais tendem a coincidir. Compreende-se que quanto mais nos avizinhamos de Deus tanto menos poderemos, logicamente, esperar novidades. A Grande Síntese, exatamente porque exprime a substância das coisas, não podia oferecer a novidade própria do mutável do relativo e da forma, mas apenas podia repetir a verdade eterna, que jamais muda. Esse livro, portanto, poderia apenas constituir o desenvolvimento e a demonstração de tudo quanto já se disse e revelou, de tudo quanto já pertence às religiões, à moral, à vida. As verdades eternas voltam e tornam a voltar perante nossos olhos, vestidas de acordo com as formas mentais do tempo; descendo, assim, até à psicologia do momento e acomodando-se com ele, tornam-se-nos cada vez mais acessíveis. Só as pessoas superficiais podem esperar continua novidade, uma das características de seu mundo relativo e efêmero. Ora, para nós o primeiro iniciador da grande revolução foi Cristo, que por sua vez, era, também Ele, continuador. Seja o que for que se descubra ou se invente, Cristo não muda. Suas palavras não passarão e nada podemos fazer se não segui-Lo. Ou o homem o compreende e segue ou deverá renunciar a seu progresso. Cristo é um centro. Só nos resta gravitar em torno d’Ele. Por mais que, através dos milênios, pensadores e líderes procurem lei que resolva e regule os problemas da vida humana, ninguém a encontrou nem jamais encontrará outra igual à lei selada com sangue na cruz. Por isso devemos examinar de perto o pensamento social de Cristo, porque esse pensamento constitui o fundamento da "Construção".

Certo dia Cristo sentiu a necessidade de expor com exatidão seu pensamento aos apóstolos e às turbas, mostrando-lhes completamente a sua doutrina, que até àquele momento apenas vagamente poderia penetrar-lhes na mente. Então, Cristo expôs a síntese de seu programa no Sermão da Montanha. Não podemos fazer outra coisa senão citar aqui, a propósito, a bela página da "Vida de Jesus Cristo" de Ricciotti (seguimento 318):

“Empregando terminologia musical, o Sermão da Montanha pode comparar-se a majestosa sinfonia que, desde o primeiro compasso e com o ataque simultâneo de todos os instrumentos, exponha com rigorosa clareza os temas fundamentais: e são os temas mais inesperados, mais inauditos deste mundo, totalmente diferentes de qualquer outro tema jamais executado por outras orquestras; no entanto, apresentam-se como se fossem os temas mais espontâneos e mais naturais para ouvido bem educado. E, realmente, até à época do Sermão da Montanha, todas as orquestras dos filhos do homem, embora com variações de outro gênero, haviam anunciado em uníssono que para o homem a beatitude consiste na felicidade, a saciedade depende da saturação, o prazer é efeito da satisfação, a honra é produto da estima; pelo contrário, e desde o primeiro compasso, o Sermão demonstra que para o homem a beatitude consiste na infelicidade; a saciedade, na fome; o prazer, na insatisfação; a honra, na desestima, mas tudo isso tendo em vista o prêmio futuro. Quem houve a sinfonia fica sem cor à exposição desses temas: mas a orquestra, prosseguindo imperturbável, volta aos temas fundamentais, separa-os, decompõe-nos, tece variações em torno deles: em seguida repete no clangor dos instrumentos metálicos outros temas timidamente expostos pelos instrumentos de corda, corrige-os, modifica-os, torna-os sublimes, levando-os a alturas vertiginosas: ao contrário; faz desaparecerem num fragor de sons algumas velhas ressonâncias, ecos de longínquas orquestras, excluindo-as da sinfonia; depois, funde tudo numa onda de sons, que, subindo muito acima da humanidade real, atinge uma humani- dade não-humana e se derrama sobre ela e sobre um mundo imaterial e divino”.

"Os antigos estóicos chamavam paradoxo o enunciado contrário à opinião corrente: nesse sentido o Sermão da Montanha é o mais amplo e mais radical paradoxo jamais dito. Nenhum discurso proferido na terra foi mais perturbador ou, melhor, mais revolucionário do que este: o que antes todos chamavam branco já nem recebe o nome de pardo ou escuro, mas exatamente o de preto, enquanto o preto agora se chama alvo; o antigo bem passa para a categoria de mal e o antigo mal para a de bem; onde antigamente o vértice se erguia altaneiro agora está colocada a base; onde a base se alicerçava coloca-se agora o vértice. Em face da revolução implícita no Sermão da Montanha, as maiores revoluções operadas pelo homem na terra parecem infantis guerras de brinquedo..."

Como o mesmo autor diz mais adiante, "o Sermão da Montanha não quer apresentar-se como contraposição destrutiva, mas aperfeiçoadora, da lei mosaica". Efetivamente, Cristo não viera "abolir, mas cumprir". Essa continuação do passado, prossigamos, confirma tudo quanto dissemos antes, isto é, que a verdade é una e por isso não podemos renová-la, mas apenas aperfeiçoar e completar-lhe a expressão. Mas acrescentávamos ter sido Cristo o primeiro iniciador da grande revolução, no sentido de que quem aperfeiçoa e executa, se é um continuador em relação ao passado em que se apoia e se eleva, é sempre um iniciador, quanto ao novo trajeto evolutivo que nele se inicia. Cristo é marco miliário do eterno progresso da vida, pedra-de-toque do pensamento humano, é, na história da civilização, o "pomo de discórdia" em torno do qual, sob a forma de ódio ou de amor, para exaltar ou destruir, se concentram os esforços antagônicos do gênero humano. Para explicar esses fenômenos não basta a distinção simplista em "tipos" que a ciência estabelece segundo as três psicopatias dominantes: sadismo, masoquismo e fetichismo. Os dois primeiros, isto é, os sádicos e os masoquistas, são os violentos e

as vítimas, os heróis da prepotência ou do sacrifício, em redor de quem se reagrupam os fetichistas, quer dizer, os neutros que, em face do dinamismo, funcionam como massa, vivem de motivos alheios e representações ideológicas, adorando ora uns ora outros. Não podemos compreender Cristo, se não houvermos entendido todo o mecanismo fenomênico, toda a trama do funcionamento universal, todo o plano evolutivo, através de que na realidade o pensamento de Deus se exprime progressivamente. O progresso do mundo liga-se ao progresso da idéia cristã e todos contribuem para ele, como estimulo ativo os que o afirmam e como desencorajamento negativo os que o negam; de fato, a evolução, já o dissemos, se processa por força desse contraste e avança, apoiando-se nas ações e reações produzidas entre esses dois extremos, e acaba sendo o resultado da íntima colaboração nascida dessa luta. A fase materialista não passou de simples impulso negativo, aspirante ao invés de premente, dirigida para a fase espiritualista. A negação constitui apenas o contrário da afirmação; liga-se-lhe, não pode viver sem ela, dela se nutre. E, gasto seu impulso e exaurida sua função de resistência estimulante de reação criadora, por força da lei de equilíbrio, se transforma em afirmação.

Cristo não é apenas fenômeno religioso, moral ou social. É fenômeno biológico. Entrosa-se com a vida, sua ação penetra-a profundamente. Inclui-se em seu dinamismo como força central, funde-se na expressão fundamental da Lei, quer dizer, do pensamento de Deus que nos manda evoluir e civilizar-nos. Quanto o Sermão da Montanha através dos séculos caminhou ao lado do homem! Embora ainda não se tenha transformado em realidade, todas as suas frases se tornaram proverbiais, todas as suas palavras constituem pedras angulares. Na Idade Média encontrou eco no sermão de S. Francisco a respeito da verdadeira alegria. Agora, a humanidade, ao findar-se o segundo milênio, atingiu um ponto em que o motivo de Cristo se apresenta de novo para novamente ser meditado. Estamos vivendo novo episódio da grande batalha do espírito para conquista do progresso. O atual mo- mento histórico, apocalíptico e doloroso, não tem outro significado. Guardadas as proporções, o problema é substancialmente o mesmo, quer no tempo de Cristo, como hoje em dia: civilizar-se. Trata-se de dar ainda mais um passo no sentido do superamento da ferocidade e no abrandamento dos costumes. O progresso caminha em direção a Deus, cujas manifestações mais elevadas são a bondade e a justiça. Esse é o caminho do Cristianismo e o de toda a civilização. A lei dos homens deve aderir cada vez mais à lei de Deus, deve deixar transparecer sempre mais essa intima substância Ao mesmo tempo que, evoluindo, se torna mais fino e sensível e desse modo passa para fase mais adiantada, o homem percebe quão bárbara e feroz era a fase anterior, na qual no começo vivia satisfeito, nota dissonâncias irritantes e imperfeições inaceitáveis justamente onde tudo lhe parecia perfeito e aceitável. Quando nova compreensão desponta no homem, por força do processo evolutivo, nele também nasce nova insatisfação, que o constrange a procurar formas mais civilizadas e harmônicas da vida. Dizer quais são essas formas constituiu a tarefa do Evangelho. E é exatamente a isso que também A Grande Síntese se propõe. O quadro da velha estrutura biológica está tornando-se muito estreito para os espíritos renovadores, nele o homem se sente angustiado e se agita em meio de numerosas indagações, ao mesmo tempo que o passado transborda de seus velhos limites. Começaremos a compreender a utilidade e a alegria que podem advir-nos de maior liberdade, impossível de obter senão à custa de maior sinceridade, resultante por sua vez de consciência mais profunda. O impulso dos acontecimentos de nossa época consiste exatamente em conduzir o homem à compreensão da conveniência de executar esse esforço de bondade, sem o qual não se concebe o melhoramento da convivência social. Trata-se de tornar mais completa e espontânea a inclusão da lei de Deus na luta pela vida, Isto é, da bondade na bestialidade, do livre conhecimento na coação. Na prática, inclusive a lei do bem tinha de, no passado, revestir-se de sanções e utilizar a vingança (o Deus dos exércitos e das

vinganças), pois o hábito da violência lhe era necessário para impor-se e ter eficácia. O progresso obriga essas duras necessidades a se civilizarem e a isso che- gamos apenas a maturidade, uma vez atingida, possa permiti-lo sem prejuízo para o homem, isto é, quando este se civilizou ao ponto de a força não precisar mais obrigá-lo ao cumprimento da própria Lei. Só então pode a Lei abrir-nos os braços e o Deus da vingança tornar-se o Deus do amor. Isso aconteceu primeiro com Cristo e se repete agora. A Lei, achando-se praticamente na necessidade de enfrentar a luta, teve de tomar necessariamente formas adaptadas a esse grau de desenvolvimento, formas que, todavia, depois se foram tornando cada vez menos adequadas a graus mais elevados e atingidos pela consciência humana. Em face desse desenvolvimento, essas formas da Lei, para seres psiquicamente mais adiantados, acabava transformando-se em escola de astúcia para evitar-lhes as insídias, em velado ensino da arte de fugir-lhes. A Lei então, deixava pois de constituir auxilio para a vida e se tornava uma prisão a evitar, mais um inimigo contra quem devíamos aprender a lutar. Essa Lei, quando posta em prática, se absorvia na luta humana, reduzida a instrumento desta; assim, acabava sendo modificada. Isso significava inverter-se-lhe a função lógica, reduzindo-a a recrudescimento da luta pela vida, já de si dura. Porém, apenas em determinada fase de maturação se compreende que nos tornamos cruéis em nome de Deus, muitos males se cometeram por causa do bem e muitos crimes se praticaram em nome da verdade. Compreende-se, então, que no passado, sob o pretexto de aplicação da justiça, o povo assistia a exemplos de vingança e, assim, iludido pelo exemplo, se familiarizava com o espetáculo do ato sanguinário e educava-se. Compreende-se como a lei de seleção do mais forte diz respeito a um plano biológico inferior de que nos é lícito. sair e como não constitui a única nem a última expressão das leis da vida. E, além disso: quando estas apenas sabem manifestar-se sob a forma do primitivo equilíbrio-justiça da lei de Talião e da força, então no indivíduo débil fazem desabrochar o astuto, o traidor, o cínico, isto é, o maligno em que a força se sub-roga. Está soando a hora de a Lei vir ao nosso encontro, dotada de maior bondade; de fato, a vida pertence a todos e o princípio da seleção do mais forte refere-se a fases evolutivas inferiores e está destinado a ser superado. Cada um de nós representa uma força e, em ordenamento social mais consciente, até mesmo uma utilidade. Ninguém, pois, deve ser esmagado, suprimido, eliminado, mas compreendido e valorizado. Eis-nos em pleno conceito cristão. Eis o conteúdo da Boa-Nova de Cristo. Porém, essa nova distribuição de bondade, liberdade e felicidade só será feita na Terra, se o permitir consciência mais desenvolvida, porque justamente essa consciência é que lhes traça o limite e estabelece a proporção.

Quando Cristo viveu e morreu há dois mil anos, o mundo, preso a problemas imediatos e presa de espetáculos de grandeza, de vício e de sangue, o mundo nem

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