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Samarbeid og samarbeidsrelasjoner

In document Hva virker – for hvem? (sider 113-116)

4 Opplæring i norsk og samfunnskunnskap

4.2 Samarbeid og samarbeidsrelasjoner

Agora que percorremos caminho tão comprido podemos finalmente enfrentar o problema da personalidade humana. Mas, antes de mais nada, observemos mais uma vez os problemas precedentes. O estudo da lei de dualidade conduziu-nos a visão da vida total e completa, mais ampla que a unilateral vida física. Nada mais lógico que, como todas as individualidades, também essa unidade da vida se divida em metades justapostas. A vida completa, como um pêndulo a oscilar continuamente, vai de um a outro de seus extremos e percorrendo esse caminho oscilante, evolui, não como vulgarmente se pensa, isto é, através de simples evolução biológica terrestre, mas sim através de evolução dupla, inversa e com- plementar, a material terrena e a espiritual ultra-terrena, a do corpo e a do espírito. Uma vez que tudo é bipolar, é lógico que também o homem deva passar por duas experiências opostas, a da vida ativa e da vida contemplativa. Para conceber a existência no além-túmulo, basta-nos imaginá-la como o inverso da existência terrena. Dissemos que a psique apenas contém os resultados conseqüentes das experiências possíveis no ambiente que a cerca, isto é, não pode ser impressionada senão por elementos oriundos do mundo exterior. Essa crença, se podemos explicá- la como resultante da concepção comum que se faz da vida ou, seja, da meia-vida e não da vida completa, todavia não corresponde à realidade. Quem possui a vida terrena e a vida espiritual sabe muito bem que a psique contém, em quantidade e variedade, muito mais do que o ambiente externo pode oferecer e que grande parte de nossos conhecimentos podem, por vias interiores, provir de outras realidades. Os sonhos, a intuição, a inspiração proporcionam-nos sensações e resultados diferentes dos sensoriais, filhos da experiência terrena, oferecem-nos concepções diversas das comuns concepções racionais, demonstrando conhecimentos que a terra não pode dar. A sensibilidade do evoluído fica na fronteira de dois mundos e sua psique se enriquece com as experiências nascidas de duas realidades diversas. Muitas vezes o mundo interior lhe oferece muito mais do que o mundo externo. Mas, seja quem for o indivíduo, por mais rudimentar e inerte que se mostre seu espírito, a percepção interior sempre dá sinal de si, embora fraco; não existe quem, em algum momento da vida, não a tenha experimentado, mesmo embrionariamente. Quem viveu o fenômeno inspiração sabe como é lábil e pronto a evanescer-se qualquer conceito espiritual, cuja radiação ainda não alcançou o cérebro e como só então o sujeito adquire consciência desse conceito e se torna senhor dele. Sabe como a solução dos problemas percorre vias absolutamente independentes dos processos lógicos e racionais e como o relâmpago, que ilumina uma zona de pensamento, de improviso o apreende. Poincaré, no seu livro Invention Mathématique registra nestes termos o fato: "O que nos fere a atenção desde logo são as aparências de súbita iluminação, reveladoras de longo e prévio trabalho anterior". O autor observa, à custa de experiência própria, que nesses casos o pensamento se caracteriza pela rapidez, subitaneidade e certeza imediata. Quando menos se espera, apresenta-se à nossa mente a solução de problemas já de há muito propostos. Poderíamos citar inúmeros trabalhadores intelectuais, como, por exemplo, Goethe, para quem a

criação artística não passava de revelação. Isso nos mostra como grande parte de nós mesmos opera fora do campo da consciência lúcida, onde se manifestam apenas os resultados de numerosos processos de elaboração e maturação. Nesses casos como influem pouco nossa vontade e nosso esforço! Nossos conceitos podem ficar adormecidos dentro de nós, bem recalcados e invisíveis nos planos mais profundos da consciência. Não obstante, desenvolvem-se e se aperfeiçoam, como se, aí nessas profundidades, reencontrassem a ordem divina, e se fortalecessem graças à retomada de contato com a essência e as origens das coisas. Mais cedo ou mais tarde, porém, uma vibração afim os desperta e por sintonia (as outras vibrações não o conseguem) os faz reaparecerem, como um relâmpago, no campo da consciência. Percebe-se facilmente que se trata de criação pura e simples; constitui conquista de espírito, que exulta por desse modo aproximar-se de Deus. A meditação prepara o fenômeno, coloca a matéria-prima no abismo do espírito, propõe o problema e lança a interrogação. Silêncio. A mente debate-se no redemoinho do pensamento, não consegue escapar-lhe, logo se cansa e esquece. Mas pôs em liberdade uma força que continuará agindo. Onde? Como? Esquecemo- la, chegamos quase a ignorá-la. E eis que de repente ressurge, transformada, fortalecida, luminosa. E antes se nos mostrava obscura e cansada! A alma, então, grita, como Arquimedes pelas ruas de Siracusa: "Eureka, eureka". Quem viveu o fenômeno inspiração sabe que a concepção mais profunda corresponde a uma posição psiquicamente inerte, de desatenção passiva, de distração relativamente ao assunto ou, mais exatamente, num estado de inexistência do pensamento ativo normal; sabe que, quanto mais rápido e percuciente for do ponto de vista sensorial, quanto mais, em relação à vontade, tende para a pesquisa e a observação, tanto mais esse pensamento serve de obstáculo à intuição. Sabe também, por experiência, que toda atividade reflexa de atenção e controle, toda tentativa cons- ciente no sentido de passar do estado passivo de contemplação ao estado ativo de apreensão (recordação, controle, raciocínio, escrita etc.), destrói a miragem e faz as idéias se desvanecerem.

Isso tudo nos mostra esta grande verdade: a criação inspirada constitui fenômeno de colaboração entre o homem e Deus, isto é, a construção, como se poderia crer, não resulta apenas da vontade e da ação, mas também no cumprimento da Lei, na obediência a Deus, a quem devemos entregar-nos sem reservas. Mostra-nos também que a finalidade criadora se atinge ativa e passivamente, não só se impondo às sábias forcas vitais, mas também deixando-se arrastar por elas. A sabedoria egípcia resumiu num aforisma esse conceito: "o arqueiro atira ao alvo, esticando e soltando o arco; o nadador chega à praia, nadando e ao mesmo tempo deixando-se levar pelas ondas". Em conseqüência da lei universal de dualidade, também esse fenômeno resulta do equilíbrio de duas partes inversas e complementares. Portanto, queremos e fazemos tudo quanto for necessário; somos, porém, tão ignorantes, limitados e imperfeitos que necessitamos de ser guiados por uma sabedoria que nos supra a ignorância e por uma força capaz de trabalhar onde a nossa não o consiga mais. E além de nossas possibilidades está a Lei que satura a corrente das coisas com o pensamento de Deus e plena de natural sabedoria. Assim, parte de nossa melhor atividade pode consistir em obedecer à vontade de Deus. Assim, depois que fizemos nossa parte do trabalho, nossa obrigação cessa e convém abandonarmo-nos à Providência. Por isso o mundo consegue, em caótico estado de inconsciência, falar sobre assuntos de que não entende absolutamente nada. Do ponto de vista racional isso se chama inconsciência, pois o homem não prepara e, além do mais, ignora o seu futuro. Mas, do ponto de vista da intuição, no instinto em que a Lei se faz ouvir, essa atitude representa, em essência, maravilhosa fé na sua sabedoria e na proteção divina. E a vida, que se sabe protegida, vai progredindo. Apenas desse modo se justifica o fato de querermos continuar a viver e a reproduzir-nos para irmos ao encontro de futuro pleno de espantosas incógnitas, embora saibamos que a vida nos oferece apenas

canseira e dor.

A intuição constitui fenômeno espiritual e, por isso, revela e cria. A razão, ao contrário, é função cerebral e, pois, mais do que à concepção de grandes idéias reveladoras, orientadoras e sintéticas, se destina às pequenas idéias da vida terrestre, práticas e analíticas. Algumas aplicações. A ciência moderna tem desvantagem em ignorar a vida do espírito e não dispensar-lhe cuidado algum. Esta ciência, porém, é filha de fase materialista do pensamento humano, quer dizer, racional, em antítese com a fase intuitiva; limita-se, em conseqüência, ao lado terrestre, prático, utilitário e material da vida. Pelo menos, enquanto essa fase não for superada, a ciência moderna não pode conhecer-lhe senão a referida parte. Enquanto isso, permanece na zona constituída de experimentos, análises, afastada da que se constitui de intuições e sínteses. Isso a torna incompleta, mutilada pela orientação, pela visão de conjunto necessárias para dirigir as pesquisas e chegar a uma conclusão. De fato, a ciência moderna tem finalidades utilitárias e não sabe pô- las de lado. Essa unilateralidade representa lacuna e defeito graves. Mas também a síntese é necessária, mas a síntese não se consegue senão através da intuição, isto é, trabalhando no pólo oposto ao em que trabalha a ciência ou, seja, no pólo espiritual. Ativa ao lado material, a ciência acumula conhecimentos, porém não fecunda. Falta-lhe a centelha do espírito. É necessário, sem dúvida, acumular conhecimentos materiais; mas é necessário também, como acontece no binômio sexual, que mais tarde o outro termo intervenha e os fecunde. Se isso não se der, coisa alguma pode nascer. Quem afirma ser verdadeiro apenas o que possa ser demonstrado experimentalmente não exprime senão parte da verdade e ignora a outra metade, que afirma serem fruto de inspiração, fruto mais do espírito que experimental, de laboratório, todas aquelas verdades fautoras do progresso científico. Como conseqüência das observações até aqui feitas assinalamos, para o bem da ciência, o perigo constituído pela exasperação analítica de nossos dias, limitados a acumular experiências ao invés de se estenderem à descoberta de relações remotas, o perigo da especialização divergente devida ao predomínio desse método analítico. Se não ocorrer mudança de direção, que inteligentemente nos impulsione para direção convergente e conclusiva, esse caminho nos conduzirá à pulverização da consciência. Membros não nos faltam; o que nos falta é cabeça. Os fatos acumularam-se demais; falta-lhes o senso unitário da coordenação. Há cento e poucos anos Augusto Comte escrevia em seu curso de Filosofia Positiva, anunciando o advento do período atual: "O presente período é a idade de especialização, graças a universal preponderância do particular sobre o espírito de conjunto". A observação muito minuciosa nos tornou míopes. G. B. Shaw chega a dizer: "Ninguém pode ser puro especialista sem ser perfeito idiota, no mais rigoroso sentido do termo". Leonardi na introdução de seu livro A Unidade da Natureza (1933), acrescenta: "Seria necessária uma classe de cientistas que, sem entregar-se inteiramente à cultura especializada, se ocupasse unicamente da determinação do espírito das diversas ciências, descobrindo-lhes o nexo, a fim de determinar-lhes os princípios comuns". Henri Poincaré, no seu livro A Hipótese e a Ciência, afirma que "também as ciências, inclusive as mais exatas, necessitam de certa inspiração e devem seus progressos ao fatigante trabalho das faculdades subconscientes". Em seguida acrescenta: "É quase infinito o número de fenômenos; por isso, não pode- mos submetê-los todos a experiências". "A menos que não se queira conseguir simples acumulação de fatos... pois a experimentação nos dá apenas certo número de pontos isolados, torna-se necessário ligá-los". Não basta, portanto, que a observação registre e a experiência controle; não caminhamos de modo algum senão à luz da intuição. Esta, naturalmente, deve submeter-se ao controle da experimentação, que, sozinha, jamais abandona os atalhos experimentais para percorrer a estrada real do conhecimento. Ao lado das pequeninas experiências particulares, espalhadas pelo infinito mundo fenomênico, é necessária também a experiência unitária do ego, único a quem se torna possível aproximar-se do pensa-

mento divino. Para subirmos pelos caminhos do espírito, necessitamos de uma atitude de fé e de prece. Os caminhos da dúvida e do controle sensório nos levam para o lado da matéria, para a periferia, afastando-nos cada vez mais do centro. Os primitivos, que em lugar de senso de análise, como nós, possuíam senso de síntese, enfrentavam de modo diferente o mesmo enigma que nos assoberba. Enquanto enfrentamos o mistério, como a um verdadeiro inimigo, armados de todos os recursos e todas as astúcias, para derrotá-lo, dominá-lo e submetê-lo a nós, os antigos se aproximavam dele com palavras sagradas e solenes que suscitavam no coração dos homens o silêncio e a veneração. Hoje em dia, porém, não queremos tanto contemplar, compreender e harmonizar-nos como intervir na natureza, operar, influindo nos ritmos da vida para submetê-los ao nosso desejo. Este mais parece um assalto à Divindade. Nossa época tenta-o de novo. Semelhante experimentação se conduz por tentativas, com movimentos completamente desorientados, na completa ignorância das conseqüências e reações que possam desencadear. Isso é extremamente perigoso em universo tão orgânico e interdependente, num campo de forças tão sensíveis e equilibradas. Ninguém desconhece a importância da contribuição do método positivo experimental. Afirmamos, isso sim, a necessidade de completá-la com a contribuição oferecida pelo método intuitivo. Do mesmo modo que a vida, a ciência é bipolar; e, assim como estivemos à procura da vida total e completa, procuramos agora a ciência completa nos seus dois ramos: razão-análise e intuição-síntese. A intuição não é considerada como caso excepcional e pouco apreciável, mas elevada a verdadeiro sistema de pesquisa. Os resultados do objetivismo, que vêm de baixo, deveriam fundir-se com os resultados do subjetivismo, vindos do alto. Deveriam dividir entre si as duas fases do trabalho, uma consistente em encontrar, a outra em analisar e demonstrar. Por que motivo, então, nos é tão difícil encontrar na prática conceitos assim fáceis de compreender, tão lógicos e persuasivos? A razão é esta: a intuição apenas pode ser exercida por tipo biologicamente selecionado, isto é, pelo evoluído, de que há poucos exemplares e esses mesmos acabam sendo, cedo ou tarde, eliminados pela sociedade na luta pela vida.

A sede dessas fontes particulares, a que agora lançamos um apelo, se encontra na personalidade humana, imenso problema cujo resumo procuraremos fazer nestas últimas páginas, a título de coroamento desta obra. Não poderíamos enfrentá-lo antes de propormos a solução de tantos outros problemas até agora tratados, que lhe servem de orientação e dos quais o problema da personalidade serve de fecho. Começamos a falar da personalidade nos fins do capitulo XXVI. Mas era necessário percorrer outro caminho e antepor outras demonstrações para que agora possamos continuar elaborando a conclusão. Na parte final daquele capítulo, definimos a lei de dualidade. Não pode fugir à lei universal o problema que agora nos preocupa. Até mesmo essa individuação constitui, por isso, unidade dupla, isto é, formada de metades inversas e complementares, em choque e em equilíbrio. Também nesse caso nasce desse choque aquela elaboração intima que lhe constitui a evolução. Vimos as características dos dois termos da unidade e agora retomamos o contato com eles. Portanto, a personalidade humana é bipolar: espírito e matéria, alma e corpo. Quer dizer: equilíbrio e desequilíbrio. Do movimento das duas partes, que se entrechocam, nasce a elaboração evolutiva. As duas partes são amigas e rivais, atraem-se e repelem-se, procuram-se e evitam-se; estão ligadas uma a outra, para que assim possam viver, mas, apenas uma delas se mostra mais fraca, a mais forte predomina e invade o campo da outra. Dissemos que as raízes do psiquismo mergulham profundamente nos meandros misteriosos da estrutura orgânica. Acrescentemos agora que as causas e as razões da estrutura orgânica estão sediadas na parte mais elevada do campo do psiquismo. O mistério do espírito estende-se até à intimidade da célula, cuja complexa estrutura já estudamos. A vida palpita num e noutro pólo, desde a inconfundível individualidade sintética e unitária à extrema ramificação sensorial, à infinita multiplicação celular, à analítica

pulverização fenomênica ambiental. O eu é duplo, não fica no centro apenas, mas também na periferia, ora analítico, para captar e absorver experiências, ora sintético, para resumi-las e destilar-lhes as qualidades; no centro, permanece idêntico a si mesmo, como eu inconfundível; na periferia, flutua em meio a experiências mutáveis. A corrente move-se em duplo sentido: o mundo interior nutre-se das vibrações provenientes do mundo exterior, mas acaba dominando-o e plasmando-o à sua vontade. A atividade celular repercute na atividade psíquica e ao contrário. O eu pode ser concebido como centro apenas enquanto pudermos relacionar-lhe a idéia complementar de periferia. Assim, a personalidade espiritual pode significar a síntese de inteligência celulares; e o oceano dos microorganismos celulares, inclusive o átomo e seus elétrons, representará o veículo dessa personalidade, como corpo, roupagem da alma. O espírito, uma vez que é o centro, pertence a todos os pontos da periferia: é o centro e, ao mesmo tempo, a periferia.

No homem se repete, em ponto pequeno, o plano construtivo do universo; o microcosmo é feito à imagem e semelhança do macrocosmo. A natureza obedece a esquemas únicos e simples, repetidos em todos os estágios evolutivos, em todas as dimensões e presentes em todas as complexidades, de maneira que, para dirigir e animar tudo, basta um único princípio, método e dinamismo. As infinitas manifesta- ções fenomênicas obedecem a um só motor e a um só tipo diretivos. E isso de um extremo a outro, dos mais complexos agregados às unidades mais elementares, (por exemplo: do sistema solar ao átomo). Assim, todo fenômeno não passa, em substância, de uma espécie do mesmo modelo; todas as formas se calcam no esquema originário de que derivam os demais. Torna-se fácil, portanto, compreender a analogia entre todos os fenômenos e justificar-lhes o parentesco. Daí a possibilidade de reduzi-los a tipo único; assim se explicam as comparações, a que tantas vezes recorremos, entre os fenômenos morais e físicos e a relação unitária dos campos mais díspares. Como a personalidade humana, também o universo é bipolar e construído segundo o mesmo princípio. A unidade máxima, ao invés de constituir-se exceção, confirma a lei de dualidade. Essa bipolaridade é a estrutura interna do monismo, que é dualístico. As observações, que até agora fizemos e culminaram no estudo da personalidade humana, corroboram esse conceito e resultam nesta conclusão. Os dois termos do binômio, embora extremos opostos e distintos do fenômeno, estão indissoluvelmente unidos, funcionam conjugados, condicionam-se reciprocamente, podem ser considerados como luz e sombra um do outro. São, portanto, distintos e distinguíveis, Criador e criação, alma e corpo; princípios diferentes, porém, pelo fato de serem complementares, de funcionamento único, indivisível, reciprocamente condicionado e, portanto, equilibrado, de modo que a queda de um termo importa na do outro. No esquema de nosso universo, pelo menos tal qual se nos revela hoje, não tem sentido a sobrevivência de um termo só. O equilíbrio de impulsos que o rege impõe não se possam os dois termos separar sem ruína total. Isso não é simples hipótese ou teoria filosófica, mas verificação objetiva do estado atual das coisas. Portanto, o eu central, no universo e na personalidade humana, está presente na intimidade até mesmo do último átomo de seu organismo físico; como já dissemos, é ao mesmo tempo centro e periferia. Deus encontra-se no centro e em toda parte. Como poderia, doutro modo, estar em toda parte? A causa está no efeito e o efeito na causa. Transcendência e imanência constituem os dois pólos do mesmo binômio. O hipersensível evoluído, que como S. Francisco sente e, por isso, não pode negar essa presença de Deus em todas as coisas, não é panteísta. E não constitui panteísmo afirmar que o binômio Deus- universo, o espírito-matéria, é inseparável e igualmente relacionados em recíproco funcionamento; não o constitui, também, dizer que os dois termos, embora opostos, se acham tão impregnados um do outro ao ponto de qualquer um, deles, presente e ativo, penetrar profundamente no campo do outro. Tal o significado, em A Grande Síntese, de: "Monismo, quer dizer, o conceito de um Deus que, ao mesmo tempo, é a criação" (Cap. VI); "Em todas as suas manifestações, Deus é onipresente" (Cap.

XI); "Tudo deve reentrar na Divindade" (Cap. LXIII); "Não temais diminuir-lhe a grandeza, dizendo que Deus é também o universo físico" (idem). Esses conceitos vamos aprofundá-los e esclarecê-los mais no próximo volume: Problemas do Futuro.

Voltemos ao problema da personalidade humana. Já dissemos resultar a evolução biológica de evolução dupla e inversa, a material, terrena, e a espiritual, ultra-terrena; ela realiza-se através de duas experiências opostas, isto é, de vida ativa e de vida contemplativa. Quem realiza esse trabalho? E como se divide ele? O espírito, de sinal positivo, masculino, dinamiza e dirige a evolução. Preside às experiências da vida. Emprega-as para elaborar-se e, por conseguinte, elaborar também o seu corpo, aperfeiçoá-lo, desmaterializá-lo. O espírito evolui em direção a

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