4. Strategisk analyse
4.3 Analyse av makroomgivelsene
4.3.5 Teknologiske faktorer
As ocorrências de FAZER foram analisadas e classificadas tendo em vista os tipos e as construções apresentadas no capítulo 3. Repete-se aqui o quadro agora com as abreviaturas utilizadas na identificação.
Quadro 8 – Construções com o verbo FAZER (Siglas)
TIPO A - FAZER pleno Abreviatura
Construção Transitiva Básica CTB
Construção Transitiva de Objeto Produzido CTOBP
Construção Transitiva de Objeto Elíptico CTOBE
Construção Transitiva de Sujeito Agente-Beneficiário CTSAB
Construção Ditransitiva Básica CDB
Construção Ditransitiva de Transferência CDT
Construção Ditransitiva de Beneficiário Indireto CDTBI
Tipo B - Expressão Fixa com FAZER Abreviatura
Expressões Fixas EF
Expressões Fixas – Tempo EFT
Tipo C - FAZER leve Abreviatura
Construção de Especificação de Evento CEV
Tipo D - FAZER causativo Abreviatura
Construção Resultativa com SAdj CRSAdj
Construção Resultativa com SPrep CRSPrep
Construção Resultativa com bem/mal CRBM
Construção FAZER + infinitivo CCInf
Construção FAZER com que+ subj.. CCSubj
Tipo E – FAZER discursivo Abreviatura
FAZER + elemento fórico CDELF
FAZER+ objeto elíptico recuperável CDOE
Tipo F – FAZER estativo Abreviatura
Construção Intransitiva Resultativa com FAZER +se CIRPron
Construções Passivas com FAZER Abreviatura
Construção Passiva Verbal CPV
Construção Passiva Adjetiva CPAdj
Fonte: Elaborado pela autora
Assim, propusemos, dentro da tipologia mais geral, um total de 18 construções mais dois tipos de construções passivas. Sobre o modo como fizemos a identificação e a classificação das ocorrências, alguns pontos precisam ser esclarecidos:
Um primeiro aspecto a salientarmos diz respeito ao argumento externo de FAZER – o sujeito. Em muitos dados, FAZER ocorre sem o sujeito expresso na própria oração, no entanto, esse argumento pôde ser identificado pela presença em outra oração do período ou pela desinência verbal. Esse dado foi, portanto, considerado como uma construção com sujeito. O mesmo não ocorreu com o argumento objeto, pois nossa classificação prevê os casos de objetos elípticos ou preenchidos por elementos fóricos.
Um segundo ponto refere-se às ocorrências de FAZER em construções passivas. As construções passivas têm um elemento, como sujeito, que pode ser um elemento fórico ou que estabeleça a especificação do evento ou que corresponda a um objeto produzido da construção ativa, ou seja, haveria uma “mesclagem” de construções. Nesses casos, para efeitos de
classificação e frequência, essas ocorrências foram classificadas como construções passivas, já que a construção passiva é uma construção mais esquemática em relação às outras. Contudo, discutiremos alguns casos para verificar uma das hipóteses desta tese de que as construções em que FAZER ocorre relacionam-se em rede. Como já dito, essa hipótese baseia-se na premissa da Gramática de Construções de que a gramática se constitui de uma rede de construções. A título de exemplo, mostramos as seguintes ocorrências:
(178) FSP940425-033: O levantamento é feito com base nas informações fornecidas por veículos que movimentam de 85 % a 90 % da verba publicitária investida no país. (179) FSP940622-105: Como jornalista, prefiro que isto seja feito de forma amistosa e sem constrangimentos legais.
No primeiro exemplo, temos o sintagma nominal “O levantamento” como sujeito e no segundo exemplo “isto”. O primeiro corresponderia, na ativa, a uma construção com FAZER leve (Construção de Especificação de Evento) e o segundo a uma construção com FAZER discursivo com objeto preenchido por elemento fórico. Mesmo assim, como estabelecemos que a passiva é uma construção da língua, identificamos esses casos como construções passivas.
Nessa mesma direção, um terceiro aspecto a se destacar são os casos considerados de “fronteira”. Esse problema foi enfrentado principalmente para se distinguirem as construções com verbo pleno das Construções e Especificação de Evento (ou com FAZER leve). Ao formularmos a construção de Especificação de Evento, argumentamos que não seria somente o tipo de sintagma nominal que faz parte do composto V-O o fator determinante para que a estrutura se integrasse à construção de Especificação de Evento. Defendemos que, mesmo que um sintagma nominal, na sua semântica, não denote um evento, esta construção com FAZER pode se caracterizar como Construção de Especificação de Evento desde que outros elementos da frase contribuam para esta noção. Por isso, podemos afirmar que a construção é também mais esquemática do que as construções com FAZER pleno e, portanto, para fins de classificação, os casos de fronteira serão incluídos no grupo das Construções de Especificação de Evento.
Para exemplificar, mostramos no Quadro 9 alguns dados com as respectivas classificações.
Quadro 9 – Classificação das ocorrências
FSP951115-118: No encarte de «Something to Remember», Madonna se justifica: «Ainda que eu não me arrependa de minhas escolhas artísticas, aprendi a gostar de fazer as coisas de modo mais simples. "
Tipo A CTB
FSP940509-035: Ele lembrou que, dez anos atrás, todo pesquisador produtivo brasileiro tinha uma «babá» para cada cientista que fazia um artigo científico, havia um burocrata no CNPq Tipo A
CTOBP FSP940816-072: O volante Ezequiel, com entorse no joelho direito, fez um exame de ressonância magnética e
está fora da partida. Tipo A
CTSAB FSP941116-022: Segundo ele, «tudo faz parte de um contexto, assim como ocorreu com o Álvaro Valle» Tipo: B EF FSP950402-183: E, coincidentemente, hoje faz seis anos que ele me operou. Tipo B
EFT
FSP940504-069: Senna me disse que iríamos todos fazer uma reunião para discutir segurança nessa sexta, antes
do GP de Mônaco. Tipo: C
CEV
FSP940401-095: «Ele fez do São Paulo um campeão mundial», disse Maluf na posse de José Eduardo Mesquista
Pimenta. Tipo: D
CRSPrep FSP950903-174: Assim nasceu «Prá Frente, Brasil», crônica dos nossos anos de chumbo, cujas complicações com a Censura só fizeram multiplicar as filas na porta do cinema. Tipo: D
CCInf FSP940615-078: «O problema é que a falta de vento aqui faz com que o calor aumente. Tipo: D
CCSubj FSP951027-096: Faz parte do papel do governo fazer isso. " Tipo: E CDELF FSP940524-016: Há uma porção de gente que opina que, pela interiorização do Brasil e pela produção que está
lá, convém fazer. Tipo: E
CDOE
FSP941111-095: Em seus filmes seguintes, independentemente do lugar onde se passa a história, Stone constrói cenários que se distinguem pela crueza, onde a violência se faz presente mesmo sem tiros.
Tipo: F CIR FSP950604-162: O diagnóstico pode ser feito por um médico logo após o nascimento. CPV
FSP951229-121: Algo que ficamos sabendo enquanto ela joga a comida feita para a noite anterior no lixo, e
conta todo o caso, por telefone, para uma amiga. CPAdj
Fonte: Elaborado pela autora
Ao final da análise, obteve-se o total da frequência de cada um dos tipos e de cada construção. Transformou-se a frequência em porcentagem para melhor tratamento dos dados. Vejamos o gráfico e a tabela:
Gráfico 1 – Distribuição de Frequência dos Tipos de Usos de FAZER
Fonte: Elaborado pela autora.
Ao analisarmos o gráfico, vemos que o tipo mais frequente é a Construção de Especificação de Evento; uma construção bastante esquemática, assim como as Construções passivas e também as construções associadas ao tipo E, que é o FAZER discursivo. Em oposição, temos o FAZER estativo, que se configurou como o menos frequente. É importante constatar também que as “Expressões Fixas” tiveram uma frequência maior do que as Construções com FAZER Pleno.
139 145 283 91 175 7 239 Tipo A -
FAZER Pleno Expressão FixaTipo B - com FAZER
Tipo C -
FAZER leve Tipo D -FAZER causativo Tipo E - FAZER Discursivo Tipo F - FAZER Estativo Construções passivas com FAZER Frequência dos Tipos com FAZER
Tipos e Construções (22,2%) (0,7%) (16,2%) (8,4%) (12,9%) (13,4%) (26,2%)
Tabela 1 – Frequência dos Tipos e Construções com FAZER
Fonte: Elaborada pela autora.
A análise da distribuição das construções, ainda que o volume de nossa amostra seja pequeno, pode contribuir na verificação de aspectos que dizem respeito não só às construções que o verbo FAZER integra, mas também às relações de herança assim como as operações cognitivas de Mesclagem que integram as construções. Goldberg (1995) defende que a frequência de uso de uma construção a deixará mais acessível e, que quanto maior a frequência de uma relação de herança, mais produtiva essa relação será.
Por isso, no nosso caso, o fato de alguns tipos de construção figurarem com nenhuma ou com um número muito baixo de ocorrências e outras construções com frequência bastante
Tipos e Construções No de
ocorrências %
Construção transitiva de objeto produzido 74 53,2%
Construção transitiva básica 53 38,1%
Construção transitiva de sujeito agente-beneficiário 7 5,0%
Construção ditransitiva básica 3 2,2%
Construção ditransitiva de transferência 2 1,4%
Construção transitiva de objeto elíptico 0 0,0%
Construção ditransitiva de beneficiário indireto 0 0,0%
Total 139 100,0%
Expressões fixas 136 93,8%
Expressões fixas - Tempo 9 6,2%
Total 145 100,0%
Construção de especificação de evento 283 100,0%
Total 283 100,0%
Construção FAZER inf. 56 61,5%
Construção FAZER com que + subj.. 22 24,2%
Construção Resultativa com Sprep 10 11,0%
Construção Resultativa com Sadj 2 2,2%
Construção Resultativa com bem/mal 1 1,1%
Total 91 100,0%
FAZER elemento fórico 164 93,7%
FAZER objeto elíptico recuperável 11 6,3%
Total 175 100,0%
Construção intransitiva resultativa 7 100,0%
Total 7 100,0%
Construção PASSIVA VERBAL 141 59,0%
Construção PASSIVA ADJETIVA 98 41,0%
Total 239 100,0%
1079 100,0%
TIPO A - FAZER Pleno
Tipo B - Expressão fixa com
FAZER Tipo C - FAZER Leve Construções Passivas com FAZER Total de ocorrências Tipo D - FAZER Causativo Tipo E – FAZER Discursivo Tipo F – FAZER Estativo
alta merece algumas considerações, porque pode sugerir que FAZER estabeleça uma maior integração com algumas construções da língua do que com outras.
Isso pode ser inferido, por exemplo, quando constatamos a baixa frequência de ocorrências de construções ditransitivas. Essa constatação é coerente também com a moldura semântica básica de FAZER, que não inclui um argumento recipiente e o verbo, então, teria menos propensão a se integrar a uma construção ditransitiva. A não ocorrência da construção ditransitiva de beneficiário indireto pode indicar que, em um gênero escrito, tenta-se evitar construções que possam gerar ambiguidades.
Já a Construção Intransitiva Resultativa só perfila um argumento, que é o sujeito- agente. Novamente, FAZER, que é um verbo prototipicamente de “dois lugares”, tende a não se integrar a essa construção com muita frequência. Houve somente 7 ocorrências. Isso também parece ser o que ocorre com as construções resultativas do tipo Causativo com sintagma adjetival e aquelas completadas por “bem” e “mal”.
No que diz respeito às construções transitivas, tivemos um número maior de construções transitivas de objeto produzido do que a transitiva básica. Como foi mostrado no capítulo 2, Barbosa da Silva (2003), na sua descrição, adota como sentido prototípico de FAZER o sentido evocado por essa construção: “produzir através de determinada ação”. Todo o seu estudo se estrutura a partir desse sentido.
No entanto, não é essa a nossa posição, pois já apontamos que o sentido básico de FAZER é o de “realizar”89 e que a Construção Transitiva Básica é a construção considerada
“raiz”; ou mais básica, ou seja, aquela que estabelece um maior número de relações com outras construções.
Por outro lado, as construções mais frequentes são aquelas em que FAZER mantém a configuração sintática com dois argumentos. No caso, as Construções de Especificação de Evento ocorreram 283 vezes e as Construções Transitivas, 136. As construções discursivas com elemento fórico também foram bem frequentes (164) em oposição às construções discursivas com objeto elíptico (11).
Mesmo nas expressões fixas, temos um considerável número de construções que se cristalizam com o padrão sintático SN-V-SN ou SVO. Aliás, uma expressão fixa com alta frequência no corpus e que tem essa configuração foi a expressão “fazer parte” (44 ocorrências das 134 expressões fixas) e uma também bem frequente foi “fazer questão” (10 ocorrências das 134 expressões fixas). A alta frequência dessas duas expressões foi responsável pelo
89 De acordo com Cunha (2010, p. 287), fazer vem do latim facere, surge no século XIII, significando executar, realizar.
resultado também alto do número de expressões fixas. Isso quer dizer que, apesar de uma alta frequência desse tipo, não houve um número diversificado de expressões fixas.
Esses resultados sinalizam que considerar a Construção Transitiva Básica como ponto de partida para a descrição construcional de FAZER é não só pertinente à moldura sintática deste verbo, como tem respaldo no uso efetivo da língua.
Além disso, os números obtidos contribuem para corroborar uma de nossas hipóteses iniciais de que FAZER é um verbo de sentido bastante esquemático e, portanto, as construções a que ele se integra com mais frequência são aquelas cujo sentido é especificado pelo papel temático do objeto.
Ainda em relação à análise quantitativa, houve uma grande quantidade de ocorrências na construção passiva. Novamente temos nossa hipótese de que FAZER é um verbo dependente do seu argumento confirmada, já que nas construções passivas, o lugar-sujeito, mais proeminente, é preenchido pelo papel temático paciente ou de especificação de evento.