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2. Teoretisk rammeverk

2.1 Rammeverk for analyse av makroomgivelser

Constatamos, nas investigações para esta tese45, que uso com o verbo FAZER leve é

bastante frequente. Nesta seção, abordamos tais construções, procurando mostrar quais critérios foram utilizados para diferenciarmos estas construções das construções com FAZER-pleno e também das expressões “fixas”. Buscamos mostrar também algumas características dos sintagmas nominais que acompanham o verbo FAZER leve.

Primeiramente, é preciso discutir o conceito ou (os vários conceitos) de verbo-suporte ou verbo leve. Machado Vieira (2003a, p.6) conceitua verbo-suporte da seguinte maneira:

Verbo-suporte é um subtipo de verbo, mais ou menos esvaziado semanticamente, que opera sobre uma forma/unidade não verbal (frequentemente, de natureza substantiva), atribuindo-lhe função predicante na estruturação da cláusula, e, assim, auxilia a constituição de predicado complexo (Vsuporte + elemento nominal), cujo potencial léxico-semântico é definido principalmente pelo componente não verbal.

Já na definição de Daladier (1978), utilizada com restrições por Neves (1996, p.202), verbos-suporte são os “verbos semanticamente vazios que permitem construir um SN com V-n em relação de paráfrase com um SV: glife/donne une glife” (presentear/dar um presente).

A crítica a essa definição feita pela própria Neves reside no fato de que existem construções desse tipo que “não possuem correlatos semânticos constituídos por verbos simples” (p.202), como, por exemplo, “fazer serenata”; “dá trabalho46”. O interessante é que,

para Neves (1996), nas construções prototípicas com verbo-suporte, isto é “naquelas em que o nome objeto vem sem determinante, não há referencialidade no nome objeto” (p.207); ou seja, a relação que se estabelece entre o verbo-suporte e o SN complemento não visa “precipuamente ao estabelecimento da referenciação, no sentido de criação de objetos referentes, em algum mundo”. (p.207).

Essa característica pode ser identificada em exemplo retirado do artigo “Direito Privado Nacional e sua evolução”:

(66) O novo código civil manteve a estrutura básica da codificação anterior fazendo atualizações no sentido de adequar-se à nova realidade decorrente dos influxos da Constituição de 198847.

45 O estudo quantitativo das construções com o verbo FAZER será mostrado detalhadamente no capítulo 4. 46 Esse exemplo de Neves pode ser questionado, tendo em vista que, em alguns contextos, essa combinação (“dá trabalho) se aproxima mais de uma expressão fixa.

47 Fonte: SOARES, Sávio de Aguiar. Direito Privado Nacional e sua evolução. Del Rey Jurídica. Ano 9, no 18. São Paulo: Del Rey, agosto a dezembro de 2007.

Nesse trecho, tem-se uma ocorrência típica de verbo-leve (fazer) com um objeto sem determinante (atualizações) sendo essa combinação V-n correspondente a um verbo simples (atualizar).

Ainda sobre esses casos com o verbo-suporte ou leve, uma questão importante é percebermos as funções das construções e, principalmente, as razões pelas quais os falantes optam pela construção com o verbo leve em detrimento das construções com o verbo simples correspondente. Sobretudo, é preciso determinar mais especificamente quais são as razões para que esse fenômeno ocorra com frequência nas instâncias do texto escrito. Neves (1996) cita quatro fatores principais que pesam na escolha do falante pela construção com verbo leve: a obtenção de maior versatilidade sintática, obtenção de maior adequação comunicativa, obtenção de maior precisão semântica e a obtenção de efeitos na configuração textual. A seguir, mostram-se exemplos de verbo leve para ilustrar como isso se configura no texto escrito:

(67) O presente trabalho se insere na discussão sobre a possibilidade e conveniência ou não de se fazer uma distinção entre conhecimento linguístico e conhecimento enciclopédico no léxico e na discussão sobre a natureza do conhecimento lexical.48 O exemplo (67), retirado de um artigo na área de linguística, contém uma construção com verbo leve e mais um N nominalizado. Ao que tudo indica, nesse caso, um fator que motiva o uso do verbo leve é a obtenção da adequação comunicativa, especialmente a adequação de registro, já que, em se tratando de textos científicos, as nominalizações são muito utilizadas e já consideradas “pertencentes” ao jargão científico (REIS, 2009). Um outro fator que pode influenciar a ocorrência de verbo leve, nesse exemplo, seria a obtenção de efeitos na configuração textual, mais especificamente, o efeito de se instituir um referente textual para posterior retomada. No exemplo (67), isso fica claro, já que posteriormente a palavra distinção vai ocorrer em duas outras frases.

Um outro exemplo com verbo FAZER leve é o seguinte:

(68) O conhecimento, prévio à formação, faz a conexão do significado geral com o ato específico e sua função no ato de lavar a cabeça, com os movimentos circulares das mãos...49

Nesse exemplo, há a ocorrência do verbo FAZER, complementado por um N nominalizado. Aqui, o fator para a opção pelo verbo leve, em vez do uso do verbo simples (conectar), é, provavelmente, a obtenção de maior precisão semântica, além de, novamente, com o uso da

48 Fonte: BASÍLIO, M. O papel da metonímia nos processos de formação de palavras: um estudo dos verbos denominais em português. Revista da ABRALIN, v.6, n.2, p.9-21, jul./dez.2007.

49Fonte: BASÍLIO, M. O papel da metonímia nos processos de formação de palavras: um estudo dos verbos denominais em português. Revista da ABRALIN, v.6, n.2, p.9-21, jul./dez.2007.

nominalização, termos a instituição de um referente textual que é depois retomado. Uma maior precisão semântica parece ser obtida pelo fato de que o uso do verbo FAZER define uma maior factividade ao processo e, além disso, o nome conexão parece designar um sentido mais adequado (no caso, um sentido mais abstrato) ao se combinar com os sintagmas preposicionados do que o verbo correspondente (conectar).

Tendo em vista esses estudos, os seguintes critérios foram adotados para a identificação das construções com FAZER-leve:

a) FAZER é complementado por um N (com algum elemento interveniente ou não)50

b) FAZER é semanticamente esvaziado

c) O elemento nominal é que determina o conteúdo léxico-semântico do composto e é geralmente mais abstrato.

d) O sentido do composto FAZER + N geralmente corresponde a uma ação (não necessariamente há um verbo correspondente cognato do nome).

Ex: Fazer revisão= revisar