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4. Strategisk analyse

4.3 Analyse av makroomgivelsene

4.3.1 Politiske faktorer

Ao finalizar este capítulo, propomos que a tipologia de usos apresentada no final do capítulo 2 seja reformulada e ajustada à proposta de descrição de FAZER em termos de construção feita neste capítulo.

Como já dito, há vantagens em uma descrição construcional quando comparada às descrições de abordagens lexicais, uma delas diz respeito justamente ao que ocorre com verbos como FAZER: é a construção que determina o significado básico de uma sentença, ou seja, os vários “significados” de um verbo são decorrentes da construção a que ele se integra.

Apresentamos o quadro 7 com as construções propostas neste capítulo associando-as à tipologia do capítulo 2. A intenção é também facilitar a identificação e a classificação das ocorrências no corpus investigado, o que será feito no próximo capítulo.

Quadro 7 – Construções com o Verbo FAZER

TIPO A – FAZER pleno Exemplo

Construção Transitiva Básica O aluno fez a prova.

Construção Transitiva de Objeto Produzido A confeiteira fez um bolo.

Construção Transitiva de Objeto Elíptico Ele rouba mas faz.

Construção Transitiva de Sujeito Agente- Beneficiário

O jogador fez a tomografia no joelho.

Construção Ditransitiva Básica A mãe fez-lhe a cama.

Construção Ditransitiva de Transferência A mãe fez um bolo para a criança

Construção Ditransitiva de Beneficiário Indireto.

A mãe fez a tarefa de casa para a filha.

Tipo B – Expressão Fixa com FAZER Exemplo

Expressões Fixas Os deputados fizeram coro com os empresários.

Expressões Fixas - Tempo A professora fez 25 anos de docência

Faz 10 anos que não a vejo

Tipo C – FAZER leve Exemplo

Construção de Especificação de Evento Durante a pesquisa fiz muitas análises. A professora faz revisão de textos. Mamãe faz carne assada para vender*.

Tipo D – FAZER causativo Exemplo

Construção Resultativa com SAdj Os brinquedos fizeram as crianças felizes.

Construção Resultativa com SPrep O assaltante fez o padre de refém.

Construção Resultativa com bem/mal O remédio faz mal.

Construção FAZER+ Infinitivo O policial fez o assaltante largar a arma.

Construção FAZER +com que+Subjuntivo O policial fez com que o assaltante se rendesse.

Tipo E – FAZER discursivo Exemplo

FAZER + Elemento Fórico Não propus outras emendas porque já fiz isso antes da reedição da MP.

FAZER+ Objeto Elíptico Recuperável [...] Quer que eu acabe de fazer?

Tipo F – FAZER estativo Exemplo

Construção Intransitiva Resultativa (FAZER+ SE reflexivo)

[...] a violência se faz presente mesmo sem tiros. E o verbo se fez carne

Construções Passivas com FAZER Exemplo

Construção Passiva Verbal O bolo foi feito. A revisão foi feita.

Construção Passiva Adjetiva A camisa feita de algodão é bem confortável. A revisão feita ficou ótima.

Fonte: Elaborado pela autora

Pelo quadro, os tipos de FAZER se desdobram em 18 construções mais dois tipos de passivas. No próximo capítulo, vamos atestar as construções propostas aqui em uma amostra de ocorrências com o verbo FAZER retirada do banco de dados do corpus Linguateca. Muitos dados desse corpus já foram utilizados aqui para ilustrar as construções. No entanto, uma análise quantitativa, ainda que modesta, assim como a análise comparativa de algumas ocorrências podem contribuir não só para aferir as construções propostas, mas também para verificar nossas hipóteses.

4 A ANÁLISE DAS CONSTRUÇÕES COM FAZER NOS TEXTOS JORNALÍSTICOS: A VERIFICAÇÃO DA NOSSA PROPOSTA DE DESCRIÇÃO

Após propormos uma descrição dos vários usos de FAZER à luz das abordagens cognitivas, buscamos agora avaliar se nossa proposta encontra respaldo na língua em uso. Hopper (1987, p.150), em seu trabalho sobre Gramática Emergente, afirmou que “quanto mais útil é uma construção, mais ela tenderá a se tornar estruturalizada, atingindo a consistência transtextual e servindo de base para a extensão e variação”. A importância de se verificar a ocorrência de uma estrutura na língua em uso também é reconhecida por Goldberg quando abordou as generalizações em relação às construções:

Qualquer padrão linguístico é reconhecido como uma construção desde que algum aspecto de sua forma ou função não seja estritamente previsível de suas partes componentes ou outras construções existentes. Ademais, padrões são armazenados como construções mesmo que sejam totalmente predizíveis desde que ocorram com suficiente frequência. (GOLDBERG, 2006, p. 5, tradução nossa)85

Para os objetivos traçados nesta tese, a análise de ocorrências reais da língua mostra- se oportuna porque é também uma maneira de se “completar” o percurso descritivo traçado nesta tese, que partiu da investigação das acepções de FAZER nos dicionários, passou por abordagens de outros autores e se direcionou nos trilhos das abordagens cognitivas para chegar ainda mais próximo da realidade da língua. Contudo, vale salientar que, como já visto, foram citadas várias ocorrências do corpus em capítulos anteriores, que serviram para ilustrar usos e construções, esclarecer conceitos ou confirmar nossas afirmações; ou seja, durante o nosso percurso descritivo, não perdemos de vista a realidade linguística.

É imprescindível esclarecer que o trabalho feito com os dados não teve a pretensão de estabelecer análises categóricas acerca do comportamento sintático-semântico-pragmático do verbo FAZER (mesmo porque isso seria praticamente impossível), mas sim mostrar de que maneira a proposta cognitiva para a descrição do comportamento desse verbo responde às ocorrências reais da língua.

Com esse intuito, este capítulo registra uma modesta análise de ocorrências do verbo FAZER nos textos jornalísticos. Primeiramente, descrevemos a metodologia de coleta de dados e a seguir passamos a apresentar os dados, classificá-los de acordo com a tipologia e as construções formuladas no capítulo 3, mostrando a frequência de cada um dos tipos e construções. A partir daí, fazemos uma breve análise qualitativa dos dados, sugerindo algumas

85Tradução de: “Any linguistic pattern is recognized as a construction as long as some aspects of its form or function is not strictly predictable from its component parts or from other constructions recognized to exist. In addition, patterns are stored as constructions even if they are fully predictable as long as they occur with sufficient frequency.” (GOLDBERG, 2006, p.5).

tendências nas relações entre o comportamento de FAZER e as construções postuladas no capítulo 3.