As principais atribuições deste sistema são apoiar dois tipos de usuários, professores e estudantes, na elaboração de propostas de TCCs, melhorar a comunicação, a coordenação e a colaboração assíncrona entre seus usuários, controlar os documentos e a memória acadêmica e oferecer segurança no processo de orientação.
Professores podem atuar como coordenador, orientador e/ou colaborador e estudantes podem atuar como orientando e/ou colaborador, dependendo do momento e de suas intenções. Estudantes ou professores participam de discussões e negociações com intenção de ajudar com idéias, são informalmente identificados como colaboradores, enquanto que orientadores e orientandos são, respectivamente, professores e estudantes formalmente identificados como tais no ambiente.
Neste sistema apenas um coordenador é permitido. Para trabalhos futuros pode-se ava- liar a necessidade de se ter vários coordenadores divididos por curso superior. Este trabalho focalizou atenção nos recursos prioritários para o apoio a estudantes e professores, admitindo apenas um coordenador para todo o ambiente.
Coordenadores são responsáveis por algumas configurações no sistema como: (i) esti-
pular se será permitido ou não o trabalho em grupo, (ii) determinar as quantidades mínima e
máxima de estudantes por grupo (iii) criar o modelo que é usado nos documentos de propos-
tas, (iv) definir a data de entrega da proposta final de trabalho. É o coordenador também que
resolve situações de impasse como o caso de estudantes que não conseguem definir um tema e um orientador que atenda ao seu perfil.
Orientadores, ou potenciais orientadores, são todos os professores inseridos no ambi- ente. Apenas professores estipulados como orientadores da IES podem estar ativos no siste- ma. O seu papel é negociar com estudantes sua orientação, conduzi-los para uma melhor esco- lha de tema e orientá-lo no processo de desenvolvimento de sua proposta.
Colaboradores, sejam eles professores ou estudantes, são agentes humanos no sistema que sempre que desejarem ou forem convidados, podem auxiliar outros agentes humanos com seu conhecimento e experiência. O apoio que os colaboradores oferecem pode ocorrer na es- colha de um tema, na negociação de orientação, no desenvolvimento da proposta. A colabora-
ção não é um processo formal, como já descrito, ela ocorre voluntariamente e de forma infor- mal no ambiente através dos mecanismos de comunicação.
Orientandos são todos os estudantes que estão em fase de desenvolvimento de seus trabalhos e que já possuem um orientador formalmente definido, como já adiantado. Orien- tandos são acompanhados pelos seus orientadores e buscam auxílio desses através dos meca- nismos de comunicação, cooperação e coordenação do sistema. O período para desenvolvi- mento de sua proposta é determinado no sistema pela base de dados iniciais mencionada ante- riormente, e seu prazo de entrega é determinado pelo coordenador, como já descrito.
Como foi discutido antes, é necessária uma base com dados iniciais para o sistema que
serve de apoio para seus controles. Logo essa base deve existir a priori. Com essa base de da-
dos alimentada os usuários podem se cadastrar no sistema. Essa base de dados iniciais é con- sultada também para preenchimento dos dados obrigatórios dos perfis dos atores nos seus a- gentes assistentes. Os atores, ao se cadastrarem no sistema, têm, então, seus agentes criados com seus perfis contendo dados obrigatórios. No cadastramento do usuário, este deve comple- tar seus dados pessoais obrigatórios, como nome e senha de acesso ao sistema. Feito isso, o
seu agente assistente é criado e um e-mail de confirmação é enviado para o seu endereço ele-
trônico. O usuário só terá acesso ao sistema após retornar o e-mail de confirmação. Os agentes
assistentes dos atores os acompanham durante todo o tempo em que estiverem ativos no sis- tema. Em outras palavras, são esses agentes que possibilitam aos professores e estudantes atu- arem e utilizarem o ambiente.
Após a criação dos agentes assistentes e a resposta de confirmação do e-mail o A-
genTCC permite que os usuários acessem seus ambientes e seus agentes assistentes. Tanto professores quanto estudantes possuem mecanismos de apoio em seus ambientes (isso será apresentado na Seção 4.1.2). Esses mecanismos se diferem tanto em suas capacidades quanto na sua disponibilidade dependendo do perfil do usuário. É por meio desses mecanismos e de suas ações intrínsecas que o agente assistente do usuário o atende. São os agentes assistentes
que provêem toda a interação dos usuários com os seus ambientes a partir da sua conexão (lo-
gin). Os agentes realizam a comunicação e a cooperação entre si para oferecer aos usuários
recursos do ambiente como um todo.
O ideal é que o professor coordenador se cadastre primeiro, pelos motivos descritos antes, mas caso isso não aconteça ou ele deixe de configurar o ambiente, o sistema deve per-
propostas que esse professor deve configurar. O estudante que estabelece um vínculo de ori- entação com um professor, necessita desse modelo para iniciar o seu trabalho. Com o objetivo de se evitar uma impossibilidade de trabalho nesse tipo situação, o AgenTCC deve possuir um
modelo default. Assim, o estudante receberá este modelo e após o coordenador definir o mo-
delo da IES, cada agente deve estabelecer comunicação com seu usuário e solicitar a transpo- sição do antigo formato para o novo juntamente a ele.
Todo agente humano deve preencher o seu perfil. É com base no seu perfil que o seu agente lhe dá apoio e também pode responder às solicitações suas e de outros agentes. Profes- sores precisam saber mais sobre os estudantes que desejam ser orientados por eles e estudan- tes precisam saber mais sobre os professores e seus assuntos de interesse para tomar decisões. Estudantes, por exemplo, que desejam pesquisar quais as propostas cadastradas ou orientado- res que ele porventura possa se interessar, terão mais sucesso tanto mais completo for seu per- fil junto ao seu AAE e o perfil dos professores junto aos seus AAPs, e, assim, espera-se que possa encontrar as propostas e perfis dos professores mais adequados. Essa fase de levanta- mento dos perfis está inserida na fase de contextualização do ciclo de coordenação de ações de Flores (1996), discutido na Seção 3.4. Pode-se dividir tal contextualização em contextuali- zação do professor e contextualização do estudante.
Contextualização do professor
Professores precisam, portanto, interagir com o seu agente assistente e inse- rir/configurar as informações que não são obtidas na base inicial no ato da criação do seu a- gente assistente. Informações como: áreas/linhas/abordagens de trabalhos e pesquisas que te- nha interesse, disciplinas de sua preferência, propostas de temas para trabalhos que deseja ori- entar, entre outras (Seção 4.2.2.2). Essas informações, como já adiantado, servirão de apoio às pesquisas dos estudantes na hora de escolherem seus orientadores de TCC.
Professores, devidamente cadastrados no sistema, de posse de seu AAP e com seu per- fil devidamente preenchido, estarão aptos a receberem convites para orientação. Tais convites dos estudantes vêm acompanhados do perfil e dos interesses do estudante. Assim, o professor pode aceitar a orientação ou iniciar um processo de negociação para checar melhor os interes- ses do estudante e assim averiguar se ele pode orientá-lo, ou seja, se ele tem competências para orientar o estudante dentro do seu interesse de tema ou área de trabalho. A negociação pode ser entre o estudante e um professor, entre o estudante e vários professores ou, se o sis-
tema estiver configurado para aceitar trabalhos em grupo, entre o estudante que convida e vá- rios professores e grupos de outros estudantes.
Contextualização do estudante
Os estudantes, ao se cadastrarem, recebem seu AAE e devem preencher seus perfis. Após essas configurações iniciais, os estudantes serão solicitados a identificar um professor orientador e um tema para a sua proposta. Esse é o primeiro ponto para dar início à elaboração de sua proposta. Como apoio a essa fase, o estudante pode consultar temas propostos por pro- fessores e dados dos próprios professores, como seus perfis e suas preferências. Além disso, os estudantes contam com o apoio direcionado do seu AAE. Esse apoio do AAE, quando soli- citado, analisa o perfil do estudante e realiza uma pesquisa junto a todos os AAPs para identi- ficar professores e temas que tenham relação com as preferências pessoais do estudante e a- presenta os resultados encontrados em ordem decrescente de proximidade com o seu perfil. Tais pesquisas e ordenações são feitas por análise sintática, uma possibilidade para trabalhos futuros é estudar o emprego da semântica nesses processos.
Para tanto, o estudante pode definir no seu perfil as pesquisas ou trabalhos (envolven- do projetos e laboratórios) com os quais se identifica. O estudante pode também identificar quais professores trabalham com tais pesquisas/trabalhos, quais as propostas que este último já orientou ou está orientando e quais ele se propõe a orientar. Esse tipo de apoio pode favore- cer o estudante nas suas escolhas e indicar por onde, ou por meio de qual professor, ele pode iniciar sua busca pelo tema ou orientador de sua proposta (casos de usos 1.3.2, 1.3.2.1, 1.3.2.2, 1.3.2.3, 1.3.2.4, 1.3.2.5, 1.3.5 e 1.3.5.1, no Apêndice G).
Para apoiar seus usuários nas suas pesquisas, os AAEs precisam que os estudantes in- formem seu perfil (apenas as informações que não foram obtidas da base de dados iniciais e obrigatórias). Além do perfil do estudante, é preciso que os demais agentes do ambiente este- jam também configurados para que as pesquisas sejam realizadas com total sucesso. O perfil do estudante também serve como apoio ao professor convidado para ser orientador. Com o perfil, o professor avalia se pode orientá-lo ou colaborar em sua busca por um tema e orienta- dor para seu trabalho. Quanto melhor estiver a configuração do perfil do estudante, melhor será a colaboração para com ele.
Por esse motivo, a fase de contextualização é importante para que ambos os partici- pantes do processo se identifiquem e exponham suas preferências, aptidões, interesses, etc. É através dessas informações que se possibilita uma boa articulação do pedido de orientação a
um professor, por parte do estudante. Feita a articulação do pedido a um ou mais professores ou grupos de estudantes inicia-se a fase de negociação.
Na busca de orientação, estudantes negociam com professores e grupos de estudantes. Professores que aceitam orientar devem formalizar a orientação por meio de seu mecanismo de coordenação apropriado (Seção 4.1.2). Nesse momento um ambiente de colaboração e ori- entação para a proposta baseado na AC-Híbrida é criado pelos AAPs e AAEs. Tal ambiente de colaboração é apresentado na Seção 4.2.2.3 onde se usará a denominação Sala de Reunião para Discussão de Propostas.
4.1.1.2 Negociação de orientação
Após pesquisas no sistema, com o auxílio do seu agente, e tendo o estudante encontra- do um ou mais temas, orientadores e grupos de seu interesse, o estudante inicia o processo de negociação com o(s) professor(es) que tenha encontrado. Mecanismos de comunicação como
e-mails, Chats e fóruns (especialmente este último) são utilizados como forma do estudante
negociar a sua participação em grupo, o seu tema e o seu orientador de trabalho.
Assim como a colaboração, a negociação não é um processo estruturado ou formaliza- do. Ela se dá por meio de convite do estudante a professores e grupos para que ele seja orien- tado e/ou se insira no grupo em formação. Ainda que estudantes possam negociar suas orien- tações diretamente e pessoalmente com professores, sob uma ótica mais ampla, optou-se pro- ver tal negociação por meio de ambiente virtual. Essa abordagem serve:
1. como apoio a estudantes que buscam e encontram professores no sistema que desco- nheciam. Em grandes IES, onde os estudantes não têm contato com todos os possíveis
orientadores e, conseqüentemente, desconhecem algumas características desses, podem encontrá-los no sistema por meio de pesquisas e assim, utilizarem o ambiente como mecanismo intermediador para o contato entre as partes;
2. como forma de registrar as interações para consultas de apoio à orientação. Com o propósito de melhorar a consulta a estudantes e seus trabalhos, entende-se que seja re- levante preservar o histórico das interações entre este e os professores e outros estu- dantes nos processos de negociação para orientação. A recuperação dessas interações serve tanto no acompanhamento quanto na avaliação da evolução do estudante e de seu trabalho, apoiando assim, orientadores, especialmente em caso de troca destes.
Quando o estudante negocia com apenas um professor, um e-mail pode ser suficiente.
tes, um fórum é mais indicado para esse tipo de negociação (Figura 22). O sistema oferece um mecanismo de fórum de negociação como forma de negociação assíncrona. Fóruns criados com esse propósito recebem uma identificação apropriada e todos os envolvidos são alertados pelo agente assistente de quem criou a sala. O AAE também exige uma confirmação de rece- bimento do aviso dos usuários e cobra a sua participação no fórum. Para negociações síncro-
nas existe também o recurso de Chat.
Na negociação, os participantes discutem em torno das idéias e do perfil do estudante (já contextualizados anteriormente, de preferência) para identificar seus anseios e, se for defi- nido o orientador ou o grupo para o estudante, o professor orientador deve formalizar sua ori- entação ou entrada do estudante em um grupo no mecanismo apropriado de seu ambiente (Se- ção 4.1.2).
Figura 22: Fórum para discussão e definição de orientador ou grupo de trabalho de um estudante Toda negociação deve ser registrada pelo AAE para preservar a memória das intera- ções dos estudantes desde o início de suas atividades no AgenTCC. Isso ajudará professores que porventura venham substituir orientadores a analisar o seu novo orientando desde o prin- cípio do seu trabalho, ainda na fase de escolha do orientador e do tema/título. É útil também para se rever o progresso do estudante sempre que necessário e desejado.
Assim, a fase de negociação cobre todo o processo que envolve etapas como a recusa, contra-oferta, postergação, explicação, aceitação como proposto no ciclo de pedido de Flores (1996) descrito na Seção 3.4.